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Realidade virtual: mais uma modinha passageira?

Acaba de ser lançado no mercado brasileiro o Playstation VR (PSVR), headset de realidade virtual da Sony, que chegou há mais de um ano nos lares dos EUA, Japão (e praticamente do resto do mundo inteiro). Se por um lado já tem muita gente jogando com o PSVR no país, uma boa parte da comunidade gamer brasileira torce o nariz para esta tecnologia, alardeando que o equipamento não vale o investimento e não passa de mais uma modinha passageira. Se você pensa assim, sinto muito lhe informar que você está redondamente enganado. E vou explicar o porquê nos parágrafos a seguir, nos quais serão expostos e demolidos os principais argumentos/justificativas que as pessoas usam pra não comprar um PSVR.

1. “O PSVR não tem muitos jogos”
Realmente, se você procurar no mercado brasileiro, em mídia física, só vai achar Resident Evil 7 e Batman VR. Isso porque o PSVR não foi lançado oficialmente no Brasil, mas na PSN dos EUA e de outros países você encontra mais de 160 jogos, a maioria custando entre 10 e 20 dólares. O PSVR já tem mais jogos do que o Kinect e Playstation Move somados. E tem jogo de todos os tipos e pra todos os gostos. Survival horror, tiro, FPS, aventura, corrida, RPG, simuladores e por aí vai. E muitos outros estão chegando.

[Edit: a seção de PSVR foi aberta na PS Store do Brasil no dia 1o. de dezembro. No entanto, nem todos os jogos estão disponíveis]

2. “Ah, mas são todos jogos curtos, parecem uma demo”
De fato, alguns jogos são bem curtos, mas também existem experiências completas, nas quais você pode passar horas e horas jogando. O melhor exemplo é o recém-lançado Skyrim VR (a experiência mais completa e complexa do VR até agora). Mas também tem Resident Evil 7, Farpoint, Raw Data, Superhot, Arizona Sunshine, Battlezone, Until Dawn: Rush of Blood, Driveclub VR, além de jogos voltados para o multiplayer, com “infinitas” horas de diversão, como Eve Valkyrie, Sparc, Rec Room (gratuito e fenomenal), Rigs, Starblood Arena e por aí vai.

3. “A Sony vai acabar esquecendo isso daí, que nem fez com o PS Move e o PS Vita, e vai deixar os jogadores na mão”
Na história dos videogames, vimos vários periféricos surgirem, virarem modinha e depois sumirem, pra se tornar apenas motivo de piada no youtube ou de frustração pra quem comprou essas quinquilharias. Entre elas, as menções desonrosas vão para o Konami LaserScope (aquele do “fire!”), a Power Glove (dispensa apresentações) e o Sega Activator (a coisa mais bizarra e inútil que já vi na vida – uma tentativa pré-histórica de fazer um controle com sensor de movimento). Então, quem é esperto tem motivo de sobra para ficar cabreiro com relação ao PSVR. Mas, se você viu a transmissão da PGW (Paris Game Week), viu que a Sony está investindo pesado em realidade virtual e anunciou vários jogos, alguns belíssimos e com experiências únicas. E não é só a Sony: praticamente todas as grandes empresas de games (as chamadas “majors”) estão desenvolvendo produtos dentro dessa seara. Não sou a Mãe Dináh nem o pai Carlinho da Bahia pra fazer previsões, mas a tendência do setor mostra que, dentro de alguns anos, realidade virtual e o “modo tradicional” vão se equiparar em número de jogadores.

4. “Eu sou gamer das antigas, prefiro jogar no controle”
Olha, sinto muito. Essa é uma das maiores bobagens que você pode dizer. Não tenho nada contra o controle, inclusive vários jogos VR podem ser jogados com ele. E passei minha vida inteira jogando com controles. Mas o VR é uma experiência interativa de imersão e os controles de movimento, até agora, são a melhor ferramenta para interagir com esse mundo virtual. Existem pesquisas no sentido de fazer com que seu corpo inteiro possa interagir com a VR e será incrível quando você puder fazer isso.

5. “Acho que eu vou passar mal jogando”
Quando a Sega tentou lançar o seu headset de RV para o Mega Drive, nos idos de 1993, 100% das pessoas que testaram o aparelho passaram mal e tiveram dores de cabeça. Resultado: o lançamento foi cancelado e o Sega VR, esquecido, após uma grande campanha de marketing em torno do produto. Com a tecnologia muitos dos problemas daquela época foram sanados, porque se descobriu que os jogos precisam de no mínimo 60fps para evitar enjoos de movimento mais graves. Mas é fato que eles ainda existem e isso varia muito de pessoa para pessoa, de jogo para jogo. Os jogos de movimentação livre são os que mais costumam gerar desconforto. Portanto, antes de comprar, é indicado você testar vários jogos antes.

6. “Os jogos do PSVR têm gráficos de PS2”
Olha, não sei em qual PS2 tunado você anda jogando… Mas, de fato, se você está procurando qualidade gráfica com resolução de 1080p, não vai encontrar, pelos menos não por enquanto. A imagem do PSVR não tem a mesma nitidez da tela plana e a resolução é de 960x1080p por olho. Porém, mais importante do que a qualidade gráfica é a imersão que os jogos proporcionam. Você fica literalmente dentro do jogo – não há “intermediário” entre você e o jogo. Quando você joga na sua televisão, você está olhando para uma tela. Quando você joga no PSVR, é como se não existisse tela. É difícil de explicar, só você testando para entender.

7. “É muito caro, vou ter que vender um rim pra comprar”
(Deixei esse assunto por último por ser o mais sensível e porque cada um sabe o que faz com seu dinheiro)
Não sei quanto custa um rim no mercado negro, mas acredito que seja mais do que R$ 1.800,00 (Se parcelar os R$ 1.800,00 do PSVR em 10x, você vai pagar R$ 180,00 por mês, menos do que se paga por um jogo lançamento). R$ 1.800,00 é o preço médio que se paga pelo headset + câmera (configuração mínima que você precisa pra jogar). É mais ou menos o preço de um PS4 Pro – e tem muita gente preferindo comprar o Pro do que o PSVR. Mas não se engane. O VR é um “console” que oferece uma experiência de jogo muito mais incrível do que desfrutar de uns poucos games em 4K – aliás, pra aproveitar bem o seu Pro você terá que comprar uma TV 4K e os menores modelos custam de R$ 2 mil pra cima. Na Black Friday americana, o PSVR + câmera e o jogo Gran Turismo está saindo por 300 dólares. Mas aqui é outra realidade, onde você paga 72% de imposto sobre games.

Como bônus, o PSVR ainda te dá a possibilidade de jogar com a TV desligada ou ligada em outro canal. Sabe quando sua esposa/namorada quer assistir à novela ou àquela série de menina e você tá a fim de jogar mas só tem uma TV em casa? Pois é. O PSVR permite que você jogue enquanto ela se diverte vendo o que quer que seja. Maaaaaaaaas… é bem provável que ela queira jogar também. Mesmo pessoas que não curtem videogames se encantam pelo VR, pela experiência que ele proporciona.

Se depois de ler isso tudo (se é que alguém leu), você não se convenceu de que o PSVR vale à pena, só te peço uma coisa: não seja um “hater”, não seja um babaca. Cada um tem os seus motivos para não gostar de algo, mas sair por aí comentando que não presta sem nem ter testado é coisa de otário.

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