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‘Doom VFR’ é bom, mas não é tudo o que a gente esperava

Em 1993, quando o primeiro Doom foi lançado para os PCs, a realidade virtual apenas engatinhava. Naquele mesmo ano, o Sega VR – primeira tentativa de levar a RV para os consoles – fracassou de forma brutal e sequer chegou às prateleiras. Motivo: todo mundo que testou o aparelho passou mal.

Agora, 24 anos anos depois, chega ao Playstation VR (PSVR) e HTC Vive Doom VFR (Bethesda/Id Software), trazendo na bagagem mais de duas décadas de bons serviços prestados pela franquia ao gênero que ajudou a inaugurar: o FPS (“first person shooter”). Com toda essa responsabilidade nas costas, será que o Doom VFR faz jus ao original? Será que ele é tão revolucionário e inovador quanto foi o primeiro?

Doom sempre impressionou pela violência gráfica, pelo uso de uma variedade de armas capazes de fazer explodir os inimigos (ou cortá-los em retalhos) e pelas criaturas demoníacas bizarras que você enfrenta. E tudo isso está lá, nesse novo VFR (com exceção da motosserra, o que é uma pena). E é uma experiência magnífica ver tudo isso em realidade virtual, com gráficos lindíssimos e uma definição poucas vezes vista no Playstation VR até hoje. Testei o jogo em um PS4 Slim e não lembro de ter visto qualquer serrilhado. Além disso, o jogo foi totalmente localizado para o português do Brasil, com legendas, interface e dublagem em nosso idioma (tanto a versão da PS Store brasileira quanto a americana trazem essa opção).

No entanto, o jogo tem os seus problemas, infelizmente. A começar pela duração da campanha. Se você for um cara habilidoso ou optar pela dificuldade mais fácil (“Jovem demais para morrer”), o game vai durar no máximo 2h30. Se for no normal (“Um tapinha não dói”), prepare-se para morrer um bocado em determinadas partes – os demônios vêm aos montes e te cercam por todos os lados.

Aí entra outro ponto negativo do jogo: os controles. No PSVR, existem três opções: um par de Playstation Moves, o Dualshock 4 ou a Aim Controller.

CONTROLES

Vamos começar com a pior opção de controles: os PS Moves. Por algum motivo inexplicável, o jogo não permite que o jogador gire o corpo usando botões – pra fazer isso, você terá que girar na “vida real” mesmo. Também não há a opção de movimentação livre usando os moves. Você terá que usar o teleporte – que, inclusive, é uma mecânica inserida na história do jogo, que fala da invasão demoníaca a Marte usando um portal dimensional. No entanto, creio que com alguns minutos de treino, você pode se acostumar. A vantagem aqui é poder usar melhor a arma que está na sua mão esquerda e poder mirar de forma independente.

A segunda opção, o Dualshock 4, oferece mobilidade total e você joga como se fosse um FPS comum. As armas ficam fixas na tela (semelhante ao Resident Evil 7). Esse modo tira um bocado da imersão do jogo, mas, no final das contas, você vai acabar tendo que sacrificar alguma coisa. Com o controle, você também pode optar pelo teleporte (o que evita o enjoo de movimento).

A terceira opção é a Aim Controller, que também não ficou 100%. Vários jogadores relataram se incomodar com a mão que fica fixa do lado esquerdo e sentem como se tivessem uma terceira mão – já que você joga segurando a Aim Controller com suas duas mãos. É uma reclamação válida, mas não é o que mais me incomoda. Para mim, o problema maior é o conflito físico que existe entre a arma que você está segurando na direita e a que fica fixa do lado esquerdo (se você leva a aim para a esquerda, elas ficam brigando por espaço e isso parece gerar problemas de tracking).

Além disso, outro problema é o botão designado para trocar de arma: você tem que fazer isso segurando o Start, que fica em uma posição incômoda e, pelo seu design “afundado”, o botão foi feito justamente para não ser pressionado sem querer. Mas quem conhece Doom sabe que você tem várias armas à disposição e precisa trocá-las frequentemente. Essa seria uma reclamação boba se houvesse uma opção de mapear o controle – o que não existe até o presente momento. Apesar disso, para quem tem uma aim controller, Doom VFR acaba sendo um jogo quase obrigatório, pelas poucas opções que este controlador tem no mercado.


VEREDITO

A sensação, ao terminar o game, é que Doom VFR é um ótimo jogo. Poderia ser melhor, se os controles ajudassem e a campanha tivesse um pouco mais de profundidade. Inevitavelmente, você vai ficar “querendo mais”. Isso, por um lado, é bom, porque mostra que Doom VFR tem potencial.. Se fosse ruim, você nem chegaria no fim. Mas, por outro, é inegável que este VFR fica devendo, por tudo o que a franquia Doom representa e por todas as possibilidades que a realidade virtual oferece. Nota: 7,5.


FICHA TÉCNICA
Jogo: Doom VFR (Bethesda/Id Software)
Gênero: FPS (first person shooter)
Plataforma analisada: PSVR (disponível também para HTC Vive)
Preço: R$ 107,50 (na PS Store do Brasil)
Tamanho do download: 14,4 GB
Idiomas disponíveis: português do Brasil (dublagem, legendas e interface), inglês, espanhol, entre outros
Controles suportados: Dualshock 4 (movimentação livre e teleporte), PS Moves (apenas teleporte) e Aim Controller (movimentação livre e teleporte)

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2 comentários sobre “‘Doom VFR’ é bom, mas não é tudo o que a gente esperava

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