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‘The Inpatient’: um filme interativo sem muita interação

O gênero de jogos que parecem um filme interativo não é novidade no mundo dos games. A primeira lembrança que tenho desse tipo de jogo é o excelente ‘Heavy Rain’ (Quantic Dream/Sony), de 2010, ainda no Playstation 3. O estúdio Supermassive Games, bancado pela Sony, tomou para si este gênero e já lançou ‘Until Dawn’, ‘Hidden Agenda’ e, agora, ‘The Inpatient’, o primeiro em realidade virtual e exclusivo do Playstation VR (PSVR). Mas será que o game faz jus a este gênero e consegue entregar um experiência interessante ao jogador? Vamos tentar responder isso nesta análise.

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Em primeiro lugar, a história. ‘The Inpatient’ é uma “prequel” de ‘Until Dawn’ que se passa nos anos 1950, décadas antes dos acontecimentos do primeiro jogo da Supermassive. Mas as ligações entre os dois jogos estão lá, algumas mais óbvias, outras mais sutis. O jogo se passa no sanatório Blackwood, onde os personagens de ‘Until Dawn’ vão parar para se esconder. Você é um paciente do local que perdeu a memória. Logo no início do jogo, pode escolher o sexo do seu personagem e o tom de pele, o que pode conferir mais imersão ao gameplay.

Como já deu para perceber, o título é um game de terror. Então, prepare-se para levar alguns sustos (os famosos “jump scaries”) no decorrer da história. Alguns deles são bastante aleatórios e vêm quando você menos espera. A ambientação, a escuridão e a falta de memória do seu personagem contribuem para criar esta atmosfera de terror psicológico. Quanto ao aspecto visual, ‘The Inpatient’ não fica devendo em nada. Gráficos muito bem definidos, atuações convincentes, som e música são perfeitos.

Ressalte-se ainda, para o público brasileiro, que o jogo é todo dublado em português (com opção de incluir legendas), o que facilita o entendimento da história. Somado à mecânica inovadora de você usar o microfone do seu PSVR para responder às perguntas dos seus interlocutores e a imersão ganha um novo patamar na história do Playstation VR. É verdade que a mecânica às vezes não funciona – você diz a resposta e é ignorado pelo jogo.

A PARTE RUIM…

O primeiro baque que levei no meu gameplay foi na jogabilidade. Joguei com os Playstation Moves (há a opção de jogar com o Dualshock 4) e levei um tempo até me acostumar. Os controles do jogo se restringem a quatro botões (dois em cada move) e não funcionam tão bem quanto no ‘Skyrim VR’. A personagem anda de forma extremamente lenta, inclusive em situações de perigo real. A explicação é óbvia: trata-se de um recurso para evitar o enjoo de movimento (“motion sickness”), já que o game não tem opção de movimentação através de teleporte. Mas, depois de um tempo, você acaba se acostumando com os controles.

DURAÇÃO

Um questionamento comum em relação aos jogos em RV é quanto à duração. E ‘The Inpatient’ não foge da regra geral de que tais jogos são bem mais curtos do que os de “tela plana”. Para finalizá-lo, levei 2h15. Mas há um certo valor de replay, já que você pode terminar a história de várias maneiras diferentes, de acordo com as escolhas que fizer durante o jogo. Se quiser platiná-lo, vai levar cerca de 10 horas, já que é necessário jogá-lo mais de uma vez. Um dos troféus, talvez o mais difícil, exige que você encontre todos os objetos que desencadeiam as lembranças do seu personagem, espalhadas pelos cenários.

A sensação que tive ao terminar o jogo é que ele é muito bom no início até um pouco mais da metade. No trecho final, faltando cerca de 40 minutos, ele se transforma em um “simulador de caminhadas”. Você apenas caminha pelos cenários e há pouca interatividade. Acaba ficando até chato. Evitando ao máximo dar “spoilers”, posso dizer que, na minha opinião, os desenvolvedores erraram muito em suas escolhas no trecho final do jogo. Poderiam ter incluído elementos de “survival horror”, mas não. Decidiram manter o caráter de filme interativo do game, mas fica claro que nesta parte não há muito o que fazer (apesar de algumas ações serem determinantes para o desfecho da história).

É de se esperar que um filme/jogo de terror tenha um clima de tensão crescente, deixando seus espectadores/jogadores apavorados no final. Não é o que acontece em ‘The Inpatient’, infelizmente. Acho que o clímax do jogo está lá no início, nos primeiros sustos. No final, os personagens agem com uma calma que não cabe na situação em que estão vivendo. E isso contribui para que você também ande por aí como se estivesse passeando no parque.

VEREDITO

Em ‘The Inpatient’, seu personagem assume um papel extremamente passivo. Sabe aqueles filmes de terror em que o personagem “mosca morta”, que você não dá nada, acaba sobrevivendo no final? Este é o seu personagem em ‘The Inpatient’ (isso se você escolher um dos dois caminhos principais da trama). Além disso, há pouca interatividade – ou seja, pouca coisa para fazer dentro de um jogo que faz parte do gênero “filme interativo”. Por outro lado, a parte gráfica, o áudio e a imersão são inquestionáveis. Mas é pouco para um título que tem a própria Sony por trás. Como jogo, ‘The Inpatient’ é um filme apenas mediano. Nota: 7,0.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Jogo: ‘The Inpatient’
Estúdio: Supermassive Games/Sony (www.supermassivegames.com/games/the-inpatient)
Gênero: Filme interativo
Data de lançamento: 23 de janeiro de 2018
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Preço: R$ 149,99 (PS Store BR) | US$ 39,99 (PS Store EUA)
Tamanho do download: 20 GB (total)
Idiomas disponíveis: Português e inglês (áudio e legendas), entre outros
Controles suportados: 2 Playstation Move Controllers (recomendado) ou Dualshock 4

Assista ao trailer de lançamento do jogo

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