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[escolha do editor] Torne-se um arqueiro cibernético para salvar o mundo em ‘Apex Construct’

Com cerca de 200 jogos já lançados, o Playstation VR ainda carece de games de ação com uma narrativa mais sólida, em que você se sente progredindo tanto na história quanto como em suas habilidades. ‘Apex Construct’, do estúdio sueco Fast Travel Games, vem suprir esta lacuna e o faz de maneira bastante eficiente. Estamos diante de um jogo em primeira pessoa que foge da mecânica estática de boa parte dos shooters para PSVR. E isso já faz uma boa diferença.

Em meus reviews, evito dar muitos detalhes das histórias dos jogos de PSVR, porque muitos deles têm um enredo tão curto que qualquer coisa que eu disser vai acabar estragando a experiência do jogador. Claro que há algumas exceções – e ‘Apex Construct’ é uma delas.

É certo que o primeiro jogo do estúdio sueco não traz uma trama tão intrincada e cheia de personagens como ‘Skyrim VR’, mas o game tem história suficiente para manter o jogador interessado e intrigado para descobrir o que aconteceu naquele mundo pós-apocalíptico. Sim, é disso que ‘Apex Construct’ se trata: uma história de ficção científica muito bem construída.

O jogador acorda nas dependências de uma empresa chamada Cygnia, que está sob escombros. Você então é contactado por uma inteligência artificial chamada Fathr, que diz que você é o último ser humano vivo e precisa ajudá-lo em uma missão da qual depende o destino da humanidade. E não será fácil: você vai se deparar com criaturas robóticas espalhados por vários cantos, cujo único objetivo é exterminar você.

Para combatê-las, você usará um arco e flechas high-tech. O arco funciona muito bem (tracking perfeito, física irreparável) e vem armado com um escudo, que você pode usar para se defender dos projéteis que os inimigos atiram. E como atiram! Os bichos são muito espertos e se movem o tempo todo. Para escapar dos tiros adversários, você também pode se esquivar usando o tracking do headset.

Aproveitando que entramos nesse assunto, vamos falar sobre a movimentação do jogo e abordar aquela velha pergunta dos jogadores de VR (“dá enjoo?”). Existem duas opções de movimentação: teleporte e movimentação livre. Você pode optar por usar apenas uma delas ou usá-las de forma complementar, ao mesmo tempo. No entanto, para chegar a algumas partes altas, você obrigatoriamente terá que usar o teleporte, já que, assim como no ‘Doom VFR’, não há pulo.

Como se sabe, o teleporte é isento de enjoo. Já a movimentação livre pode afetar algumas pessoas. Além disso, o giro de corpo também pode dar tontura ou enjoo em alguns jogadores, já que não há opção de girar em graus (sempre a melhor opção para quem quer “evitar a fadiga”.

UPGRADES

‘Apex Construct’ também te permite melhorar seu arco, seus três tipos de flechas e seu escudo, usando uma espécie de moeda chamada RP. Você ganha RP matando inimigos e coletando este item. No entanto, o RP coletado só será seu se você não morrer. Morreu? Perde tudo o que coletou naquela fase (a não ser as RPs escondidas pelos cenários em forma de “secrets”). E aí é que mora a grande dificuldade de fazer upgrades no jogo.

(Quero fazer um parênteses aqui, que vai servir de dica pra quem for jogar. Durante meu gameplay, eu tive que fazer uma coisa que os jogadores de RPG conhecem bem mas que eu nunca tinha feito até agora no PSVR: “farming” (é quando você para de avançar no jogo simplesmente para coletar determinado item que você precisa). Fiquei farmando RP por horas, em uma fase chamada “Reminiscence”, na qual aparecem quatro inimigos logo no início e cada um te dá 200 RP. Depois de matá-los, é só voltar para o seu esconderijo e repetir o processo. Depois, encontrei no Youtube um vídeo com farming infinito de RP que usa um exploit do jogo – uma espécie de bug. É injusto? É. Mas o jogo também não te dá muitas opções quando te rouba toda a RP que você conquistou ao morrer. Para quem estiver interessado, o link é este, amiguinhos.)

Apex2

MUNDO LIVRE S.A.

‘Apex Construct’ não é um jogo de mundo aberto, mas permite que você revisite fases e áreas por onde já passou usando um teleportador em seu esconderijo. Retornar a essas áreas é importante para coletar segredos, RP ou mesmo descobrir trechos da história, já que algumas portas exigem que você tenha um determinado nível de acesso usando cartões de segurança (exatamente como os que a gente vê em empresas).

Além disso, outras portas só serão abertas se você conseguir a senha delas, que você digitará em um terminal. As primeiras são bem fáceis de achar e estão disponíveis em pranchetas próximas ao terminal. Outras vão exigir um pouco mais de raciocínio e o uso de computadores que rodam um programa idêntico ao finado DOS. Você terá inclusive que operar o teclado usando suas mãos virtuais e digitar comandos como “dir” e “open” (quem já usou um 386 ou um 486 terá boas lembranças disso).

Os computadores espalhados pelo jogo também trazem registros do que aconteceu na empresa momentos antes da catástrofe que dizimou os humanos. No jogo, este evento é chamado de “The Shift”, que, entre outras traduções, pode ser compreendido como “A Troca” (coincidência ou não, “shift” é o nome de uma das teclas do computador). Entrando nessa seara, é preciso avisar aos brasileiros que o jogo está todo em inglês e não há opções de legenda em português. Saber inglês, portanto, será fundamental para a compreensão da história.

Graficamente, ‘Apex Construct’ causa um deslumbramento inicial, com gráficos bem polidos, acima da média para o Playstation VR, e escolhas de design interessantes, que puxam para o realismo. No entanto, a textura de algumas paredes deixa a desejar, mostrando alguns borrões. Aos poucos, você vai percebendo que os cenários são um tanto repetitivos, já que o game se passa dentro da empresa que ocasionou a catástrofe. Mas nada disso tira a magia do jogo. O som, a música e a dublagem dos personagens são irretocáveis.

VEREDITO

‘Apex Construct’ é um prato cheio para amantes de ficção científica e games de ação e exploração. O título alia combates com arco e flecha contra inimigos que têm a mania de se mover o tempo todo, alguns puzzles, uma história intrigante e personagens cativantes. Não há muita variedade de inimigos nem de cenários, mas o que temos é suficiente para garantir pelo menos cinco horas de gameplay e fazer de ‘Apex Construct’ um dos melhores jogos de ação para o PSVR disponíveis no mercado. Nota: 9,0.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Jogo: Apex Construct
Estúdio: Fast Travel Games (www.fasttravelgames.com)
Gênero: Ação
Data de lançamento: 20 de fevereiro de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift, HTC Vive e Windows MR (a versão do PC será lançada em 20 de março de 2018).
Preço: R$ 91,90 (PS Store Brasil)
Tamanho do download: 3,26 GB
Idioma: Inglês (áudio e textos – sem legendas)
Controles suportados: Um par de Playstation Move Controllers (sem suporte ao Dualshock 4)
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito com jogo digital cedido pela Fast Travel Games]

Assista ao trailer de ‘Apex Construct’

 

 

 

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