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[review] ‘Crisis on the Planet of the Apes’ supera qualquer expectativa

Jogos baseados em filmes sofrem com uma espécie de maldição, que vem desde que ‘ET’ foi lançado para o Atari, em 1982. Mais de três décadas depois, poucos games escaparam da sina de serem apenas caça-níqueis mal-feitos para ganhar uns trocados apostando exclusivamente na fama e no marketing que filmes de sucesso trazem consigo. No Playstation VR, salvo algumas exceções, a tônica tem sido a mesma. Mas ‘Crisis on the Planet of the Apes’ vem para mostrar que é possível fazer um game de qualidade inspirado em uma grande produção de Hollywood. O game surpreende positivamente, inclusive porque, quando se trata de algo baseado no cinema, você já coloca suas expectativas lá embaixo.

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‘Planeta dos Macacos’ é uma franquia cinematográfica levada às telas pela primeira vez em 1968, quando nem existiam videogames. Ganhou um reboot em 2011, com ares científicos que buscam explicar como os macacos tomaram conta do planeta. Os fatos que antecedem a ação do jogo, até eclodir a guerra entre humanos e símios, é contada rapidamente, no momento em que você é apresentado ao tutorial de movimentação do game. Cronologicamente, o game se passa entre o 1º e o 2º filmes da nova versão, cinco anos após o surto da “Gripe Símia”, que eliminou metade da humanidade e deixou os primatas mais inteligentes.

A locomoção (que exige um par de PS Moves) usa um sistema parecido com o de ‘Sprint Vector’ e funciona muito bem. Ela replica perfeitamente (até onde é possível) a maneira de andar dos primatas. Portanto, não se sinta um idiota se você curvar o corpo e começar a fazer macaquices. Esse efeito colateral é totalmente esperado. =D

Apesar de não usar teleporte, a movimentação no solo não é totalmente livre. Você só pode andar para pontos pré-determinados, nos quais aparece o contorno de um macaco. Isso, claro, tira a liberdade de movimento do jogador, mas também evita enjoo de movimento. Aliás, os desenvolvedores se mostraram atentos a este ponto, já que incluíram uma vinheta (sombra preta ao redor da tela) para evitar enjoo. No entanto, poderiam ter colocado opções no menu para tirar essa vinheta para jogadores que não tem esse problema. Outro problema é que não há botões para girar o corpo para a esquerda ou direita. Considerando que a câmera do Playstation só capta seus movimentos se você estiver de frente, temos um problema, Houston.

A movimentação também inclui escalar canos e paredes e se dependurar em todo tipo de estrutura. Paredes, canos e beiradas que podem ser escaladas são destacadas em azul, o que facilita a locomoção. Mas é bom manter uma certa distância entre os moves e o headset, senão você verá com frequência uma tela preta dizendo que você está “dentro” da parede ou algo do tipo. Também existe uma distância correta para agarrar as coisas – se você aproximar demais, ele não agarra.

“TIME CRISIS OF THE APES”

A segunda parte do gameplay do jogo é dedicada aos tiroteios. Armado com um fuzil automático (outras duas armas virão depois), você enfrentará soldados cuja inteligência artificial é meio torpe, mas não chega a atrapalhar. Mesmo porque eles podem aparecer de todos os lados, pegando você desprevenido.

Nestas partes, você usa um sistema de cobertura (cover) que funciona de maneira muito intuitiva. Existem varias áreas onde você pode se abrigar para escapar dos tiros adversários. A mecânica lembra ‘Time Crisis’, com a diferença que não se trata de um “on-rails shooter” (jogo de tiro em trilhos). Você continua se movendo para áreas pré-determinadas e tem a liberdade de escolher para onde vai.

A maneira como você guarda o fuzil e recarrega sua arma também é bastante intuitiva. As balas não são infinitas e é preciso ficar atento aos cartuchos espalhados pelo cenário. Se você ficar sem bala, é problema: não é possível voltar para coberturas anteriores. E como não há golpe corpo a corpo, a única saída será morrer e começar de novo.

Quando você morre, o jogo volta para um trecho anterior, não muito distante de onde você estava. Mas o checkpoint é ilusório: se você sair do jogo e voltar, terá que iniciar o capítulo de novo. A vida não se recupera: existe um certo limite de tiros que você pode levar. Sabe aquela manha de pegar uns tiros e esperar o tempo passar pra recuperar vida? Pois é, não vai rolar.

Existem três modos de dificuldade (easy, normal e hard) e para conseguir todos os troféus o jogo exige que você termine-o nos três. Falando nisso, o game também tem troféu de platina. O jogo é todo falado em inglês, sem opções de legenda em português.
Talvez a curta duração seja o maior defeito do jogo – dura algo em torno de uma hora e meia a duas horas, no máximo. Mas está na média dos jogos para realidade virtual e até acima da média considerando apenas os games baseados em franquias de sucesso no cinema.

Graficamente, o game é primoroso. Traz modelos bem feitos de humanos e símios, além de cenários bastante realistas. Vi apenas uma textura de baixa resolução no solo, mas dá pra deixar passar. Os serrilhados também são mínimos, dentro do esperado para o PSVR. O som é bem trabalhado e ajuda na imersão do jogo. No entanto, a ausência de música torna alguns trechos cansativos, com o barulho onipresente de um helicóptero. Vi comentários pela internet reclamando de constantes travamentos no jogo. Durante meu gameplay (jogando no PS4 Pro), este problema aconteceu apenas uma vez – e aí é preciso começar a fase tudo de novo. Esperamos que estes problemas possam ser corrigidos em patches futuros.

planeta2


VEREDITO

Numa só frase, posso garantir que ‘Crisis on the Planet of the Apes’ é um dos melhores jogos baseados em filmes que já joguei. Considerando a relação custo x benefício, o jogo é imperdível. Compactado em cerca de uma a duas horas, tem tudo o que um grande jogo precisa ter: bons personagens, gameplay divertido, gráficos bem feitos, história bem contada e muita imersão. Você se sente na pele daquele personagem e acaba reproduzindo instintivamente movimentos que já viu os macacos fazendo. O jogo não deixa de ter alguns defeitos, é verdade. Mas nada que tire o seu brilho. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Jogo: ‘Crisis on the Planet of the Apes’ (‘Crise no Planeta dos Macacos’)
Estúdio: FoxNext VR Studio
Gênero: Ação/shooter
Data de lançamento: 3 de abril de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 45,90 (PS Store Brasil) | US$ 14,99 (PS Store EUA) *
Tamanho do download: 4,11 GB
Idioma: Inglês (áudio e legendas)
Controles suportados: Dois PS Move Controllers (sem suporte ao Dualshock 4)
Jogadores: 1 (sem modo online)

* O jogo foi lançado com preço promocional, com desconto de 33% até o dia 17 de abril de 2018: R$ 30,75 (PS Store Brasil) | US$ 10,04 (PS Store EUA)

[Este review foi feito com jogo cedido pelo amigo Luciano Silva. Valeu, Luciano!]

Assista ao trailer de ‘Crisis on the Planet of the Apes’

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