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[review] Escolhas ruins estragam a diversão do RPG ‘Preta: Vendetta Rising’

Jogos em primeira pessoa temos aos montes nos atuais headsets de realidade virtual. Sem dúvida, esta perspectiva é perfeita para gerar a sensação de imersão que a RV proporciona. No entanto, alguns desenvolvedores estão mostrando que a perspectiva em terceira pessoa também rende resultados muito interessantes e imersivos também – ainda que em um universo em escala reduzida. É o caso de ‘Moss’, ‘Bloody Zombies’, ‘Theseus’ e agora ‘Preta: Vendetta Rising’.

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Desenvolvido pelo estúdio coreano Illion Interactive e distribuído pela YJM Games, ‘Preta’ é um RPG assumidamente inspirado em ‘Diablo’, ‘Dark Souls’ e ‘Monster Hunter’ e lançado originalmente para Oculus Rift e HTC Vive em julho de 2017. Podemos dizer, sem medo de errar, que ‘Preta: Vendetta Rising’ é o “único de sua espécie” no Playstation VR – afinal, são poucos os jogos em VR que podem se dar ao luxo de dizer que têm mais de 50 horas de duração. Isso, por si só, já é algo a comemorar. Mas algumas escolhas dos desenvolvedores tornaram o game cansativo, repetitivo e pouco recompensador. Vamos à análise, começando pelos pontos positivos.

Antes de mais nada, vamos à explicação sobre o nome ‘Preta’ – se você achou que tinha algo a ver com português, errou. Em sua página na Steam, os desenvolvedores explicam que “preta” é uma palavra em sânscrito (antiga língua falada na Índia, há milênios atrás), que significa “seres sobrenaturais que sofreram imensamente antes da morte e agora tornaram-se monstros devoradores de carne”. Na história, você escolhe entre três heróis para dizimar os pretas que estão ameaçando a paz do mundo de Akirion. São eles: o guerreiro Marcus, a assassina Alicia e a pequena maga Reina.

Como esperado, o game é jogado com o Dualshock 4. Nos botões de face, você tem um ataque básico para desferir combos e três magias/ataques especiais. O L2 é a defesa e no R2 fica a esquiva. Segurando o L1, você abre o menu de poções (na verdade, você começa apenas com um tipo de poção). Em cada quest, você pode levar até cinco poções de cada tipo (e elas se renovam sozinhas a cada nova missão).

O gameplay é bem divertido, se você gosta do estilo “hack and slash”. Não há barra de mana e cada magia/ataque especial tem o seu tempo de recuperação depois que você usa. Alguns inimigos (os maiores), quando estão com pouca vida, exibem um R1 em cima das suas cabeças, que permite você finalizá-los no melhor estilo ‘God of War’ e recuperar um pouco de vida. Conforme vai dizimando ‘pretas’, você enche uma barra de rage, que deixa seu personagem ainda mais poderoso por um curto período de tempo. Clicando no R3, você troca a câmera do jogo (são quatro disponíveis, incluindo uma visão em 1ª pessoa).

O jogo tem uma boa variedade de inimigos, que vão sendo introduzidos a cada fase nova. Os cenários são bem construídos, apesar de ficarem repetitivos com o tempo, mas ajudam bastante na imersão. As atuações e dublagens são convincentes. Quem joga RPG e está acostumado a procurar itens e baús escondidos por todo canto vai se decepcionar um pouco: não há nada a procurar pelo cenário, a não ser itens previstos em cada quest.

Falando das quests, elas são bem simples e rápidas – algumas duram em torno de 4 minutos. Antes de iniciar cada uma, você já sabe o que vai ganhar se cumprir o objetivo principal e quatro objetivos secundários. Os objetivos secundários envolvem coisas como não morrer mais que uma vez, usar menos do que cinco poções, ativar o modo rage menos de três vezes e por aí vai.

Você pega estas quests no acampamento, que funciona também como se fosse o menu do jogo. É lá que você irá distribuir os pontos de habilidade que ganhar, trocar suas armas e equipamentos, comprar itens ou adentrar no modo multiplayer do game. Sim, o jogo tem MP online para até 3 jogadores, mas é dedicado a jogadores com níveis mais elevados. Esse modo é chamado de “raid” (jornada) e o único desafio que encontrei foi etntar enfrentar, logo de cara, um monstro gigante com quatro vezes o meu nível. Ele me matava com apenas um golpe.

Assista ao vídeo-review de ‘Preta: Vendetta Rising’

JOGUE DE NOVO. DE NOVO. E DE NOVO!

E como é que você sobe de nível em ‘Preta: Vendetta Rising’? O game não tem XP (experiência). Em vez disso, tem CP (“combat points”), que você ganha equipando armas e peças de armadura. Aliás, não são peças de armadura propriamente ditas, já que a armadura funciona apenas como uma skin. São apetrechos como anéis, brincos, colares e cintos. Cada um desses itens tem um nível, que pode ser comum, incomum, raro, épico ou lendário. E um rank (1, 2 ou 3). Quanto maior o nível do equipamento ou arma, mais CP você ganha.

Em um RPG “normal”, você ganha armas e equipamentos conforme mata inimigos – ou encontra em baús, ou recebe após completar quests. Não estou dizendo que todos são assim, mas pelo menos uma boa parte é. Então, ‘Preta’ faz parte de uma exceção, em que você não terá seu esforço recompensado com uma arma ou equipamento de nível superior ao seu atual. Você vai ganhar uma receita (“recipe”) para levar até o ferreiro e forjar o equipamento. Moleza, não? Calma lá… Agora é que vem o duro golpe. Para forjar qualquer coisa (com exceção das poções), você precisará de (anote): seis diferentes materiais, em quantidades que variam de acordo com o nível do equipamento. Para completar, uma boa quantidade de ouro (porque o ferreiro não trabalha de graça, né?).

E é aí que mora o grande problema do jogo. Para conseguir estes itens, você precisará repetir as quests de novo e de novo, até ter tudo que precisa. Para forjar uma arma épica, por exemplo, eu precisei repetir uma missão oito vezes. Para forjar um equipamento lendário, foi necessário repetir quests 16 vezes – sendo que nem consegui as 33 mil moedas de ouro que o ferreiro mercenário pede de pagamento, porque as fontes para conseguir ouro são escassas. A quantidade de ouro que você ganha ao terminar uma quest é mínima.

Mas talvez você esteja pensando: “Mas não posso seguir o jogo normalmente e ir ganhando materiais conforme for passando de fase?”. É, este seria o ideal. Mas não é o que acontece. A cada quest nova, os inimigos sobem absurdamente de nível, deixando muito difícil você matar um inimigozinho sequer. Ou seja, o jogo te obriga a subir de nível de CP se quiser seguir adiante. E a única forma de fazer isso é repetindo as quests anteriores.

Daí que vem o grande questionamento: por que alguém iria conceber um jogo assim? E, ainda, achar que alguém, por livre e espontânea vontade, iria ficar repetindo as mesmas fases de novo e de novo pra conseguir uns míseros materiais? Tudo bem que “farming” faz parte de qualquer RPG. Mas ‘Preta: Vendetta Rising’ consegue tornar essa atividade extremamente repetitiva, pouco prazerosa e ainda menos recompensadora.

As maiores críticas em torno do game é que ele foi claramente concebido como um “pay to win” (ou seja, “pague para vencer”. Quando foi lançado, havia uma loja dentro do jogo em que você podia comprar vários tipos de materiais para forjar suas armas e equipamentos. Essa loja – não sei se vocês entenderam – usava dinheiro de verdade. E não era nada barato. Havia inclusive itens cosméticos que custavam cerca de dez dólares. Em agosto do ano passado, um update removeu esta loja, mas o problema ficou. A quantidade absurda de materiais de que você precisa para forjar qualquer coisa permanece a mesma, impedindo que você avance na história.

PRA FINALIZAR

Por algum motivo que eu desconheço, ‘Preta: Vendetta Rising’ só pode ser jogado se você estiver conectado à internet, mesmo que você esteja jogando sozinho, na campanha single player. E o jogo exige que você tenha assinatura da Playstation Plus.

Além disso, o game está todo em inglês, com legendas e áudio neste idioma. Não há opção para jogar em português. Ah, e não custa lembrar que atualmente há um bug que te obriga a colocar o idioma do seu console em inglês dos Estados Unidos, se não coisas estranhas vão acontecer.

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VEREDITO

Os desenvolvedores de ‘Preta: Vendetta Rising’ fizeram um excelente game, com bons gráficos, um gameplay bacana e uma proposta até agora única no Playstation VR. Mas conseguiram arruinar isso tudo com um sistema de evolução lento, que exige que você repita as mesmas fases várias e várias vezes. Você até se diverte bastante nas horas iniciais – e passei madrugadas inteiras jogando para ver até onde eu iria chegar. Mas me deparei com uma pergunta que ficou sem resposta: “Pra quê?”. Espero que um futuro update balanceie melhor as coisas – e, se vier, farei questão de atualizar este review. Nota: 6,5.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Jogo: ‘Preta: Vendetta Rising’
Estúdio: Illion Corp/YJM Games (http://illiongames.com)
Gênero: RPG em 3ª pessoa
Data de lançamento: 29 de março de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: 19,99 (PS Store EUA) | Indisponível na PS Store Brasil
Tamanho do download: 5,04 GB
Idioma: Inglês (áudio e legendas)
Controles suportados: Dualshock 4
Jogadores: 1 (online) | 2-3 (modo multiplayer online). Para jogar o game, é obrigatório ter conexão à internet e assinatura da PS Plus

[Este review foi feito com jogo digital cedido pela YJM Games]

Assista ao trailer de ‘Preta: Vendetta Rising’

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