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[review] Transforme-se em um Rambo de baixa resolução em ‘Operation Warcade’

Sempre acreditei que, em se tratando de Playstation VR, os gráficos vêm em segundo plano, em detrimento da imersão que a realidade virtual proporciona. No estágio atual, é economicamente inviável ter os dois. Por isso, geralmente os jogos de PSVR possuem qualidade gráfica abaixo do que se vê em jogos para PS4 em tela plana. Mas o shooter ‘Operation Warcade’ leva essa limitação ao extremo e traz os piores gráficos que você verá em um PSVR. Apesar disso, será que o jogo vale a pena? Vamos colocar o dedo na ferida, cauterizar com uma faca quente e tentar descobrir.

‘Operation Warcade’, do estúdio espanhol Ivanovich Games, é inspirado nos arcade shooters da década de 1980 e 1990, especialmente no game ‘Operation Wolf’. Neste jogo, lançado originalmente para os fliperamas em 1987, o jogador usava uma réplica de plástico de uma submetralhadora Uzi, com sensores de movimento semelhantes ao atual PS Move, para atirar em legiões e legiões de inimigos. Este game, por sua vez, é claramente inspirado nos filmes do Rambo, como fica mais que evidente na sua abertura, que copia a cena em que o personagem mais icônico de Sylvester Stallone prepara-se para a guerra.

A Ivanovich Games transporta essa ideia para os atuais headsets de realidade virtual de forma bastante fiel. Aliás, talvez fiel até demais. Revendo vídeos de ‘Operation Wolf’ no Youtube, fica claro o quanto o game da Ivanovich homenageia este game “trintão”. Mas isso, por si só, não chega a ser um problema, principalmente para os fãs de “on-rails shooters” (jogos de tiro em trilhos) como ‘Time Crises’, ‘Virtua Cop’ e afins.

‘Operation Warcade’ pode ser jogado de três formas: com um par de PS Moves, com a Aim Controller ou com o Dualshock 4. A experiência é diferente com cada um deles, mas fica melhor com os Moves ou a Aim. Você escolhe o tipo de controle logo na primeira tela do jogo e depois não é possível trocar, a não ser que você reinicie o game.

A diferença fundamental entre os controles é que com os PS Moves você irá usar uma Uzi em uma mão e granada na outra. Com a Aim Controller, terá um fuzil automático que parece um AR-15, com um lança-granadas acoplado. Com ele, é mais fácil atirar as granadas, já que elas seguem uma trajetória mais linear. Com o Move, leva um tempinho para pegar o jeito de atirar os explosivos.

Também é possível jogar com o Dualshock 4, mas fica um pouco mais difícil. A luz do controle torna-se a mira da Uzi e atirar granadas parece uma tarefa ainda mais complicada.

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NO FLIPERAMA

O menu principal do jogo se passa em um fliperama desses de shopping. Há várias máquinas espalhadas pelos cantos, alguns jogadores e, no centro, você no ‘Operation Warcade’ – que tem duas máquinas. A da direita é uma versão “clássica” na qual você atira na tela mesmo, à moda antiga, em apenas seis fases. Aviso: ela não aparece se você escolher jogar com a Aim Controller.

Na máquina da esquerda, está o prato principal do game. São ao todo 36 missões, divididas em seis operações, nas quais sua missão é matar soldados inimigos das mais variadas maneiras possíveis. É basicamente um simulador não licenciado de ‘Rambo’, com direito a arco com flechas explosivas, facas, lança-granadas, metralhadoras giratórias e muito mais.

Logo que inicia a primeira missão, você se dá conta do quanto os gráficos de ‘Operation Warcade’ são feios. O chão é feio, os prédios são feios, os veículos são feios, as árvores são feias, a água é ridiculamente feia… Eu não tinha visto gráficos tão feios assim desde o Playstation 2 – e acho que em termos técnicos o game está algo entre o PS1 e o PS2.

Tem algumas coisas que se salvam, é verdade. As armas que você empunha e sua própria mão são bem feitas. A ambientação no arcade também é acima da média do jogo, mas a ausência de vida nos jogadores do lugar chega a ser assustadora (às vezes, eles se aproximam para te aplaudir e é uma diversão a mais derrubá-los e vê-los se esperneando no chão igual a uma barata).

É aceitável dizer que o game tem gráficos tosquinhos porque homenageia jogos das décadas de 1980 e 1990? Acredito que não. Ser retrô não significa ser descuidado, muito pelo contrário. Acredito que isso se deva mais à limitação técnica própria de um estúdio indie. Mas se você conseguir passar por cima disso, terá em mãos um jogo bastante divertido, especialmente para quem está cansado de atirar em zumbis, robôs, aliens e outros monstros em realidade virtual (acredite, tem gente por aí que só se satisfaz se atirar em humanos. Então tá…)

FICHAS INFINITAS

Jogando com os moves, você empunha uma submetralhadora Uzi em uma mão e uma granada na outra. A munição é infinita (nem é preciso recarregar) e sua vida também. Pensando bem, não é muito diferente dos filmes do Rambo, não é mesmo? Ou alguém já viu o Rambo recarregar?

Você surge como se estivesse dentro da “tela” do game, em um espaço retangular com fundo preto. Esta tela vai se movendo para a direita, enquanto os inimigos vão aparecendo. Estes soldados são extremamente genéricos e a maioria não faz nada além de correr até parar para tentar atirar em você. Seu objetivo é claro: atire antes de levar chumbo.

Também surgem veículos inimigos, como blindados, helicópteros e lanchas, além de drones, lança-morteiros e um caça que dispara um míssil certeiro e mortal na sua direção. Para dizimá-los, o jogo te oferece, de tempos em tempos, um vasto arsenal. Você pode obter armas especiais, como escopetas, metralhadoras giratórias, lança-granadas, arco e flechas (alguns com flechas explosivas), um par de Uzis e até uma arma antigravidade, que você pode usar para tacar coisas nos inimigos. Também aparecem granadas especiais, com os efeitos mais diversos, como congelar os inimigos, fazê-los flutuar ou ativar um “bullet-time” à la ‘Matrix’.

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VOCÊ DENTRO DO JOGO

‘Operation Warcade’ oferece diversas maneiras de trazer mais variedade ao gameplay e faz isso de maneira bastante eficaz. Durante as missões, aparecem as chamadas “zonas de imersão”, que trazem você efetivamente para o jogo, com diversas possibilidades de combate. Você poderá empunhar diferentes armas, incluindo uma sniper. Em algumas, você irá subir em um helicóptero enquanto atira nos soldados inimigos lá debaixo ou estará a bordo de blindado, com um par de escopetas, para causar o máximo de estrago possível.

Essas zonas de imersão também permitem que você pilote alguns veículos, como carros, caças e helicópteros. Os controles das aeronaves são um tanto quanto confusos e são apresentados apenas em uma tela, sem maiores detalhes do que fazer. Já o controle dos veículos terrestres é bem mais simples e intuitivo: uma mão no volante e a outra na Uzi para meter bala à vontade ou atropelar quem estiver pelo caminho.

A transição para estas zonas de imersão é um pouco lenta (a tela fica preta por alguns segundos, até você ir ou voltar de lá), o que quebra um pouco com a ação frenética que o jogo busca proporcionar. A música também muda, dando mais emoção a estes trechos.
Aliás, falando da música, a trilha sonora do jogo é meio limitada. Ele te oferece dois estilos musicais (“epic” e “dance”), além da possibilidade de desligar a música. Esta terceira opção me parece a melhor, se você pretende passar algumas horas jogando. Você pode colocar sua própria playlist no pen-drive ou ouvir diretamente do Spotify, o que é uma mão na roda.

Em termos de efeitos sonoros, as vozes e gritos dos soldados lembram bem os jogos da era de 8 bits: são meio abafados e bastante limitados. Mas não chegam a atrapalhar. A reprodução do som das armas, por outro lado, é bem fiel.

Para os brasileiros, é importante destacar que o jogo possui opção de textos em português do Brasil – e são bem traduzidos (testei na versão da PS Store de Portugal, mas, de acordo com a produtora, não há diferença de localização entre as lojas).

MISSÕES E UPGRADES

Como disse, o jogo tem um total de 36 missões, divididas em seis operações diferentes. Salvo engano, o cenário dentro de cada operação é praticamente o mesmo – o que mudam são os inimigos, as zonas de imersão e as armas especiais que aparecem pelo caminho.

Em cada fase, você terá três objetivos a cumprir, que lhe concedem medalhas. Esses desafios (são 108 ao todo) consistem em ações como matar uma certa quantidade de inimigos, terminar a fase sem morrer, resgatar prisioneiros e muitas outras coisas. As medalhas que você ganha vão liberar as fases do jogo e upgrades para melhorar suas armas, granadas e armas especiais. Para liberar a última fase, são necessárias 90 medalhas. Ou seja, para zerar o jogo não basta terminar todas as fases (mesmo porque as vidas são infinitas, isso seria muito fácil). Você precisa cumprir os objetivos. Missão dada é missão cumprida, soldado.

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VEREDITO

‘Operation Warcade’ tem os piores gráficos já vistos no PSVR. Se é proposital ou não, eu não sei. O fato é que isso influencia negativamente na experiência. No entanto, quando conseguir passar por cima disso, você terá em mãos um shooter bastante divertido, variado e desafiador. Variedade que se estende ao uso da Aim Controller, periférico que ainda possui poucos títulos disponíveis. É um prato cheio para qualquer um que gosta de dar uns tiros em realidade virtual. Nota: 8,5.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Jogo: ‘Operation Warcade’
Estúdio: Ivanovich Games (www.ivanovichgames.com)
Gênero: Shooter (jogo de tiro)
Data de lançamento: 11 de abril de 2018
Plataformas: PSVR (usado neste review), HTC Vive, Oculus Rift e Windows MR.
Preço: R$ 61,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store EUA)
Tamanho do download: 2,04 GB
Idioma: Inglês (áudio) e português (textos)
Controles suportados: Dois PS Move Controllers, Aim Controoler e Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito com jogo digital cedido pela Ivanovich Games]

Assista ao trailer de ‘Operation Warcade’

 

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