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[review] ‘Code 51’ traz combates realistas entre mecas, mas pouca variedade

Vamos falar a verdade: controlar um meca é o sonho de 11 em cada 10 adultos com alma de criança. E tem coisa melhor do que fazer isso em realidade virtual? Bom, até teria, se fosse possível pilotar um de verdade. Como não dá, a opção mais próxima disso é com os recursos e a imersão que a realidade virtual proporciona. Alguns estúdios estão tratando de providenciar esta experiência. Este é o caso de ‘Code 51: Mecha Arena’, desenvolvido pelos estúdios chineses Smellyriver e 51VR e publicado pela DeerVR.

‘Code 51’ não é o primeiro jogo de mecas para o Playstation VR nem será o último. Logo no lançamento do headset, tivemos ‘Rigs: Mechanized Combat League’ e, meses depois, veio ‘Archangel’. Cada um deles tem sua própria abordagem do tema e o mesmo vale para o game que agora analisamos, ‘Code 51’.

O título é um shooter focado no multiplayer online, com batalhas para até quatro jogadores. Você pode escolher entre nove mecas que trazem diferentes armamentos, níveis de armadura, ataques especiais, velocidade e autonomia de voo. Ou seja, cada meca tem sua própria jogabilidade, o que confere uma certa variedade ao game.
A imersão dentro dos robozões é incrível e as imagens, bastante nítidas. No entanto, você não tem corpo algum, o que gera um espaço vazio no banco do meca.

Você controla o meca usando o Dualshock 4 – não há suporte para os PS Moves ou qualquer outro controle. Os gatilhos acionam individualmente as duas armas e há botões também para o pulo/voo e para ativar dois especiais, que são únicos para cada meca. Entre especiais, há alguns ofensivos, como mísseis teleguiados, e outros defensivos, como esquivas que podem ser feitas no ar.

A barra de vida, assim como a munição, recarregam com o tempo, mas você também pode coletar power-ups que fortalecem as armas e a armadura, espalhados no campo de batalha. Estes power-ups, aliás, aparecem em grande quantidade. As arenas do jogo são bem construídas e com espaço suficiente para armar estratégias de batalha. No entanto, são apenas três.

O controle da mira é feito pela sua cabeça, usando o tracking do headset, garantindo um pouco mais de imersão. O movimento de girar o robozão também é feito com a cabeça e acaba se tornando lento – você tem que ir girando aos poucos, o que se torna fatal no campo de batalhas. Sorte que há uma espécie de radar que mostra a proximidade dos inimigos. Após o lançamento, foi adicionado um patch que permite que você use o analógico direito para girar o corpo, mas o movimento também é lento.

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DÁ ENJOO?

Em se tratando de um jogo de movimento livre, com saltos e coisas do tipo, era de se esperar que ‘Code 51’ gerasse enjoo de movimento, a chamada cinetose (“motion sickness”). Mas não é o caso. Pessoalmente, não senti nada do tipo e ouvi relatos de outros jogadores que disseram o mesmo.

Isso se deve, em parte, à vinheta (escurecimento das bordas da tela) que aparece sempre que você se movimenta. Mas você pode desativar essa vinheta caso se sinta à vontade.

Ao iniciar o game, você passará por um tutorial que lembra ‘Archangel’. Você vai caminhando com o meca, atirando em inimigos humanoides, enquanto aprende os controles do jogo. Em seguida, você pode treinar em uma arena offline, contra três adversários comandados pelo computador (os bots), ou pular diretamente no modo multiplayer, o prato principal de ‘Code 51’.

Inicialmente, você tem apenas um meca liberado e vai destravando os demais conforme sobe de nível. Para subir de nível, você precisa ganhar pontos derrotando adversários no campo de batalha –o que pode ser feito tanto no multiplayer quanto no training. A ascensão, no início é rápida: com uma vitória é possível subir pelo menos um nível. Mas é preciso ficar atento para não morrer, já que a cada morte você perde uma parte dos pontos. Conforme sobe de nível, vai destravando outros mecas, até chegar aos nove, mas a barra de ganhar pontos fica cada vez mais demorada de encher.

SEM CUSTOMIZAÇÃO

Vamos falar agora de alguns pontos negativos do jogo, a começar pela ausência total de customização. Não há upgrades para os mecas, nem a possibilidade de trocar de armas, ataques especiais ou mesmo adquirir itens cosméticos para personalizar o seu robozão, seja com diferentes pinturas ou skins. O que temos, em termos de armas e habilidades, confere uma certa diversidade ao game, ainda que limitada.

Em um multiplayer, o que atrai os jogadores e os faz permanecer interessados é a variedade de estilos de jogo e diferentes formas de jogar. E nisso ‘Code 51’ fica devendo. Além da ausência de personalização, há apenas um modo de jogo, o tradicional “deathmatch” para quatro jogadores (todos contra todos). Não há modos com objetivos a cumprir, nem modos 2×2, nada disso. A quantidade de arenas também é limitada. Nada impede, no entanto, que novos conteúdos sejam adicionados com o tempo, que seria muito bem-vindo.

Também não é possível criar sessões privadas (“private matches”). Se você quiser jogar com um amigo, terá que entrar no multiplayer com ele ao mesmo tempo e torcer para cair na mesma partida que ele. Também não é personalizar o jogo por região. É todos contra todos mesmo e acabou-se.

Outra coisa que me chamou a atenção é que o jogo não tem uma linha de história sequer. Nada. Não há uma frase ou qualquer coisa que explique o que você está fazendo ali. Você só fica sabendo do contexto no qual o game se passa se visitar o site oficial do game.

Como sou legal, vou contar pra vocês aqui: ‘Code 51’ se passa em um futuro não muito distante, no ano de 2040. Em um mundo pós-apocalíptico devastado pela Terceira Guerra Mundial, os sobreviventes descobrem uma nova fonte de energia. Com ela, facções em guerra criam mecas para lutar pelo controle da fonte destes recursos, uma substância misteriosa chamada “Código 51”.

Em termos de áudio, o game tem pontos fortes e fracos. Alguns sons reproduzem bem o que se espera de um meca, mas em outros casos, como o barulho das armas, fica abaixo do esperado. Graficamente, o jogo é bem polido e tudo é muito bem construído. A imagem é bem nítida, ajudando a tornar a experiência mais real.

O jogo está todo em inglês, incluindo os textos sobre os mecas e alguns poucos áudios, como a voz do narrador. Saber o idioma ajuda a entender como cada arma e habilidade especial funciona, mas nada impede que você descubra por si mesmo usando o training mode. Ou seja, não saber inglês não prejudica em nada o jogador.

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VEREDITO

‘Code 51’ é, sem dúvida, um bom jogo. No entanto, peca pela falta de variedade, seja no número de arenas, seja na ausência de customização dos mecas ou na pouca quantidade de mecas à disposição. Também não há variedade de modos de jogo, o que pode contribuir para que o jogador se canse dele. Dito isso, reconhecemos todo o esforço e dedicação que um estúdio pequeno porte dispensou para desenvolver um jogo como esse. Esperamos que eles continuem a dar suporte ao game e adicionem uma diversidade maior ao game, que tem um potencial invejável. Nota: 7,5/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Jogo: ‘Code 51: Mecha Arena’
Estúdio: Smellyriver/51VR/DeerVR (www.mechaarena.com)
Gênero: Shooter multiplayer
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Data de lançamento: 24 de abril de 2018
Preço: US$ 19,99 * (PS Store EUA) | Indisponível na PS Store do Brasil
Idioma: Inglês (interface e áudio)
Espaço em disco: 5,65 GB
Controles suportados: Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | 2-4 (online) | Para jogar online, é necessário ter a PS Plus

* O jogo foi lançado com preço especial de US$ 17,99 (com desconto extra de 10% com PS Plus), válido até o dia 30 de abril de 2018.

[Este review foi feito com jogo digital cedido pela DeerVR]

Confira um vídeo de gameplay de ‘Code 51: Mecha Arena’

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