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[review] Como resistir à fofura arrebatadora de ‘Moss’?

Por mais jogador hardcore que você seja, do tipo que gosta de ver balas voando, cabeças explodindo e tripas sendo dilaceradas, não há quem não se encante diante de Quill, a ratinha protagonista de ‘Moss’. É, sinceramente, o jogo mais lindo que já joguei, nestes quase 30 anos de “indústria vital”. Títulos em tela plana como ‘God of War’, ‘Uncharted’ e ‘Horizon: Zero Dawn’, podem ter visuais incríveis, mas nada se compara a você entrar efetivamente no jogo e enxergar tudo como se estivesse ali, frente a frente com esta encantadora ratinha.

Misturando puzzle, jogo de plataforma e ação, ‘Moss’ tem um campanha sólida, de 3 a 4 horas de duração, que vai te deixar tão encantado que você vai torcer para que não acabe. Nesta aventura, você controla um ser com aparência mística identificado apenas como Leitor. Na cena inicial, você está em uma biblioteca diante de um belo livro em capa dura, chamado de ‘Moss’. Ao folhear o livro, usando o tracking do Dualshock 4, você acompanhará as aventuras da ratinha Quill, narradas por uma voz feminina que parece uma mãe contando histórias para os seus pimpolhos antes de dormir. A narradora também faz as falas dos personagens e muda a entonação de acordo com cada um.

É quando surge em cena a pequena Quill, com um charme inigualável e uma presença marcante. Parece realmente que ela está viva, ali, diante dos seus olhos. A ratinha é uma simpatia só e interage com você como se realmente estivesse te vendo. E aí você descobre que não controla só o Leitor, mas também a ratinha, usando os comandos tradicionais do Dualshock 4.

Ou seja, em ‘Moss’ você controla dois personagens ao mesmo tempo. E você também funciona como a câmera do jogo. A imagem aparece estática e vai passando de cena em cena, conforme você avança. Em cada um desses quadros, você pode mudar seu ângulo de visão para enxergar melhor detalhes do cenário ou se aproximar bastante da protagonista. A vontade de tocá-la é irresistível. E você pode fazer isso, de maneira virtual! Basta levar até ela o círculo brilhante que funciona como o seu veículo de interação com o mundo e pressionar um dos gatilhos do Dualshock 4. Isso vai causar cócegas na fofinha.

Existem outras formas em que você pode interagir diretamente com a Quill. Às vezes, quando você resolve um puzzle, a ratinha levanta a mão para você bater (o famoso “toca aqui” ou “high-five”, para os americanos). Durante os combates, você pode colocar a bola brilhante sobre ela e pressionar o gatilho para curar a pequeninha.

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UM MUNDO EM MINIATURA

A aventura de ‘Moss’ se passa em um mundo em miniatura, com um visual de encher os olhos, que nos coloca em uma perspectiva semelhante à das crianças naquele clássico da Sessão da Tarde ‘Querida, Encolhi as Crianças’.

Tudo ao redor de Quill é gigantesco e é maravilhoso observar como os desenvolvedores se ativeram aos mínimos detalhes, criando um universo ao redor daquilo que seria a “cena principal” do jogo, especialmente nos cenários ao ar livre. Na floresta, por exemplo, vemos cervos “gigantes” caminhando ali ao lado da pequena vila de casinhas dos roedores.

A paz desses camondongos é quebrada quando um mal começa a ameaçar a todos esses pequenos seres, com criaturas feitas de metal. O tio de Quill, Argus, parte para enfrentá-los mas acaba sendo vencido. E é então que a ratinha, armada apenas com uma espadinha, resolve partir em uma jornada para salvá-lo, tendo você como principal aliado.

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PUZZLES, SALTOS E COMBATES

A conexão entre o Leitor e Quill será fundamental nos três principais elementos do gameplay. Em cada cena, haverá barreiras impedindo o progresso da ratinha e caberá a você “limpar o caminho”. Usando o círculo brilhante, você interage com estruturas de metal, arrastando, girando ou puxando essas coisas.

Você também poderá ajudá-la nos combates, com o poder de congelar inimigos, controlá-los, fazer com que explodam ou até mesmo que ataquem os outros. A variedade de inimigos não é muito grande – e todos, com exceção do “chefão” que ficamos conhecendo no trailer – são do mesmo tamanho de Quill. Estes inimigos também são usados para resolver alguns puzzles, o que deixa esses quebra-cabeças mais intrincados e interessantes.

O terceiro elemento do gameplay são os desafios de pular, em estilo jogo de plataforma. Eles aparecem mais timidamente, mas o terço final do game exige uma coordenação mais afiada. Dentro dessa seara, destaco a luta contra o chefe final, muito bem orquestrada.

Falando em “orquestra”, a trilha sonora do game é primorosa, assim como toda a parte de áudio do jogo. Tem coisa mais maravilhosa do que ouvir uma ratinha diminuta gritando “iá!”? Em boa parte do tempo, a música cessa, e você pode ouvir os passinhos dela enquanto corre em direção a mais um desafio.

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DE NOVO?

Apesar de divertida, a aventura de Quill não tem muito fator de replay. Depois que você resolve os puzzles da primeira vez, na segunda já sabe o que fazer. E os combates são bem básicos, usando apenas um tipo de arma e um único botão de ataque (a ratinha também pode se esquivar).

Além disso, há apenas um nível de dificuldade – mas creio que a adição de um hard mode não ia acrescentar muita coisa, a não ser que deixasse os puzzles mais intrincados e mexesse também no combate. Acho que o maior fator de replay fica por conta dos colecionáveis que você encontra pelo caminho, em forma de páginas perdidas de um livro e de uma espécie de poeira mágica colorida, que você coleta ao destruir objetos do cenário. Caso queira repetir algum trecho, é só selecionar um capítulo específico no menu do jogo.

Para os caçadores de troféus, ‘Moss’ tem platina, que pode ser obtida em um único gameplay. Mas, para isso, é preciso de atenção redobrada, já que os colecionáveis geralmente se escondem em lugares que não fazem parte do trajeto “normal” da protagonista. Recomendo que você jogue sentado e, quando precisar, se levante para poder observar certas estruturas mais altas. Há certos lugares onde Quill pode entrar e fica um pouco escondida. Você pode tentar observar por dentro para ver melhor o caminho a seguir.

O jogo está todo em inglês, com narração, interface e legendas nesse idioma. Há suporte para outras línguas, como espanhol e francês, mas não português, infelizmente. Mas isso não impede os brasileiros de curtir a história e o game. Não sabe nenhum desses idiomas? Faça como as crianças e olhe apenas as “figuras”. Todo o jogo é fartamente ilustrado.

‘Moss’ tem defeitos? Bom, além da relativamente curta duração, só vejo um: nas transições entre o jogo e as cenas em que você aparece na biblioteca, os desenvolvedores optaram por usar um branco que, em realidade, quase machuca os seus olhos, de tão intenso. Não sei se a intenção era mesmo de cegar, mas recomendo cerrar os olhos nessa hora.

Recentemente, o jogo ganhou uma atualização com melhorias gráficas para o PS4 Pro. Mas, sinceramente, não consegui notar diferenças, pois o game já era lindo de fábrica. Se você ainda não testou, a demo do jogo está disponível na Demo Disc 2 do Playstation VR, que você pode baixar usando o link abaixo.

[Baixe aqui o Demo Disc 2 do PSVR, com ‘Moss’ incluso]

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VEREDITO

Engana-se quem pensa que ‘Moss’ é um jogo para crianças. O game é um dos melhores títulos já lançados para o PSVR e possui todos os atributos para atrair o interesse de jogadores de todas as idades. Entrar no pequeno e singelo mundo de Quill é uma experiência de encher os olhos, capaz de provocar um sentimento de ternura no mais marmanjo dos jogadores. O jogo deixa claramente no ar que uma continuação vem por aí. Vamos ficar esperando. Nota: 10/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘Moss’
Gênero: Aventura em 3ª pessoa/puzzle
Estúdio: Polyarc (www.polyarcgames.com)
Data de lançamento: 27 de fevereiro de 2018 (PSVR) | 7 de junho de 2018 (HTC Vive e Oculus Rift)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 91,90 (PS Store do Brasil) | US$ 29,99 (PS Store dos EUA)
Idiomas: Inglês, espanhol, francês, entre outros (áudio, legendas e interface) | Sem suporte ao português
Espaço em disco: 6,35 GB
Controles: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito usando o PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo amigo Luciano Silva. Valeu, Luciano!]

Assista ao trailer de ‘Moss’

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