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[review] ‘Accounting+’ ultrapassa todos os limites do absurdo

O que acontece quando as mentes por trás de ‘The Stanley Parable’ (um dos jogos de estranhos de todos os tempos) se juntam com os criadores e dubladores do desenho ‘Rick and Morty’ para fazer um jogo em realidade virtual? O resultado desse encontro é ‘Accounting+’ (Crows Crows Crows/Squanch Games), que seria uma espécie de jogo que também é uma comédia animada. Ou uma comédia animada que também é um jogo? Bom, vamos ao review.

‘Accounting+’ (ou ‘Accounting Plus’) é pautado pelo humor nonsense e autodepreciativo – e se você é uma pessoa que se ofende fácil, é melhor procurar outro game pra jogar. Ele te coloca dentro de um mundo onde quase nada faz sentido – e que você pode tentar interpretar de várias maneiras. Mas, depois de muito conjecturar, cheguei à conclusão que estabelecer qualquer teoria é perda de tempo e o melhor a fazer é simplesmente rir das situações inusitadas em que você é colocado.

Antes de mais nada, é importante dizer que o jogo está todo em inglês, sem opções de legenda. Ou seja, se você não domina o idioma terá problemas para entender a história – e, provavelmente, não vai ter graça nenhuma pra você. Dá para “pescar” uma ou outra situação, mas o fato é que saber inglês é importantíssimo para aproveitar o jogo ao máximo.

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É MUITO SEM NOÇÃO

‘Accounting+’ ultrapassa todos os limites do absurdo e te coloca em um mundo virtual, dentro de outro mundo virtual, dentro de outro mundo virtual… Quando percebe, você já está perdido. Em pouco mais de uma hora de gameplay, você vai se deparar com situações bizarras, personagens esquisitões e sujeitos irritantes, que aparentam ter pouca conexão uns com os outros, tudo permeado por um humor ácido e crítico.

O que dizer de uma gangue de bichos fofinhos que querem ser os “bad-boys” do bairro? Ou do “rei da realidade virtual”, que de tão gordo parece o Jabba the Hutt de ‘Star Wars’? Tem ainda a dupla de adoradores do diabo que acha que o rap é a melhor música para convocar o demônio.

Dentro dessa zoeira sem limites, você é levado de uma cena para outra, fazendo pequenas ações, dentro de espaços delimitados. Você joga usando um par de PS Moves ou o Dualshock 4, mas a melhor experiência é com os Moves, já que algumas ações podem que você movimente o controle de forma brusca (como jogar uma bola de basquete no cesto ou atirar objetos).

O narrador, Clóvis, é responsável por alguns dos momentos mais hilários do jogo. Não vou dar muitos detalhes para não estragar, mas há piadas que envolvem a sede de determinados jogadores para conseguir troféus e sobra até para o tal “teleporte”, usado em boa parte dos games de realidade virtual para evitar o enjoo de movimento.

Aliás, falando nisso, o jogo não dá enjoo mesmo, justamente porque usa o teleporte. Como disse mais acima, você só pode se movimentar para áreas delimitadas do jogo, marcadas por um círculo cinza. O giro do corpo se dá em graus (técnica que também evita a cinetose) e não há outras opções de movimentação.

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ATUAÇÕES IMPECÁVEIS

Em cada cena, não tem lá muita coisa para fazer (em termos de gameplay), mas tem muita coisa para mexer. São muitos objetos para interagir, mas uma boa parte deles não tem qualquer relevância para o jogo.

O destaque fica mesmo por conta da história, das atuações e dublagens, que são impecáveis. O visual também é perfeito, com uma nitidez excelente, gerando uma sensação real de estar dentro de uma animação, onde você é o personagem principal. Algumas de suas ações podem alterar ligeiramente o curso da história e há até uma fase secreta, que você desbloqueia executando uma determinada ação. O método para sair dela é uma clara menção a ‘Matrix’, que aborda um dos mundos virtuais mais famosos do cinema recente.

O game não tem um menu de opções, nem na tela principal, nem dentro do jogo. Portanto, se você quiser sair, terá que fechar o jogo.

O título possui troféu de platina – e alguns de seus troféus são bem instigantes, que atiçam a curiosidade até do jogador mais casual. Alguns são dados “de lambuja”, mas outros requerem uma insistência que só platinadores de carteirinha terão paciência de conseguir.

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VEREDITO

Os desenvolvedores de ‘Accounting+’ não estavam de brincadeira quando resolveram criar um dos jogos mais engraçados do Playstation VR. Com um humor nonsense, o jogo brinca com você o tempo todo, criando situações ridículas e bizarras. Apesar de curto, tem um certo valor de replay, principalmente se você quiser obter todos os troféus e descobrir algumas cenas diferentes. Seria mais interessante se houvesse outras opções de desfecho, pois muitas vezes você é obrigado a agir de determinada maneira, dentro de um roteiro pré-determinado, e não há o que fazer. Mas, com certeza, vale o que é cobrado por ele. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Accounting+’ (‘Accounting Plus’)
Estúdios: Crows Crows Crows/Squanch Games (http://accountingvr.com)
Gênero: Simulador/experiência VR
Data de lançamento: 6 de fevereiro de 2018
Plataforma: Playstation VR (usada neste review)
Preço: R$ 36,90 (PS Store Brasil) | US$ 11,99 (PS Store EUA)
Idioma: Inglês (sem legendas)
Controles: 2 PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online
Espaço em disco: 658 MB

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pelos estúdios Crows Crows Crows/Squanch Games]

Assista ao trailer de ‘Accounting+’

 

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