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[review] ‘Don’t Knock Twice’: neste filme de terror, o protagonista é você

O terror é um gênero que se beneficia imensamente dos recursos da realidade virtual, causando no jogador sensações que nenhum jogo em tela plana é capaz de provocar. Apesar disso, ainda há poucos jogos do gênero no Playstation VR e os títulos realmente bons cabem nos dedos das mãos. ‘Don’t Knock Twice’ traz uma trama baseada no filme de mesmo nome (‘Não bata duas vezes’ no Brasil) onde, destave vez, o protagonista é você.

O game, que pode ser jogado tanto em VR quanto em tela plana, é intrinsecamente ligado ao filme. As personagens são as mesmas e a mansão onde se passa a história, também. No entanto, não segue exatamente o roteiro do longa-metragem, o que é um alívio para quem já viu o filme. As duas produções se complementam de maneira interessante, mas também podem ser encaradas de forma independente.

O jogador se verá na pele de Jess, uma mãe que vive um conflito familiar com sua filha, a jovem Chloe. Ambas estão dentro de uma mansão na mais completa escuridão, iluminada apenas por lareiras. No entanto, elas estão em lugares separados e Chloe, de tempos em tempos, envia mensagens (bastante mal-educadas, por sinal), dizendo que algo sobrenatural a está perseguindo.

As tais “duas batidas” do título se referem a uma maldição, que desencadeia o mal que vai perseguir mãe e filha. Aliás, o som das batidas é constante no game, contribuindo para criar um clima de tensão permanente, complementado pela mais completa escuridão. Durante todo o jogo, você terá apenas uma vela para iluminar seu caminho e explorar os cantos da casa.

Em termos de gameplay, o jogo se parece muito com ‘Atividade Paranormal’. O objetivo é coletar uma série de itens para completar um ritual macabro que envolve um pentagrama. Várias portas estão fechadas e vão se abrindo “magicamente”, conforme você avança na história.

Você não usa armas. Mas, em certo trecho, você terá acesso para uma machadinha que vai fazer você se sentir na pele de Jack Nicholson no clássico ‘O Iluminado’. Além de arrebentar portas, o machado pode ser usado para quebrar cadeados e arrebentar fechaduras, liberando áreas até então inalcançáveis.

O jogo traz ainda alguns puzzles para você resolver, mas eles são simples demais. Para piorar, as respostas deles aparecem em forma de dicas escritas que deixam as coisas bem claras sobre o que fazer.

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Coletar objetos para montar um pentagrama? Já vi isso em algum lugar…

SUSTOS 

Além do clima de tensão, ‘Don’t Knock Twice’ se vale de alguns “jump scares” aqui e ali para amedrontar o jogador. Há alguns que realmente assustam, mas o “timing” de outros não é bem cronometrado, o que faz com que eles não cumpram sua função à perfeição. Os gráficos das “aparições” também podem deixar a experiência parecendo um trem fantasma mambembe de cidades do interior, em alguns momentos.

No entanto, em geral, o jogo é graficamente bem construído, com bastante realismo. Mas você também vai encontrar algumas texturas em baixa resolução, como em plantas e paredes. O áudio, por outro lado, cumpre muito bem com a sua função, com efeitos sonoros apavorantes. É altamente recomendado que você jogue com fones de ouvido para ter a melhor experiência. Por sua conta e risco.

Durante o jogo, você encontra vários textos em forma de bilhetes, cartas, diários, jornais ou revistas que vão ajudar a contar a história. Estes textos, assim como toda a interface, têm opção para português do Brasil. A tradução está bem feita, mas há alguns errinhos aqui e ali – que também passariam batido nas legendas de filmes. Aliás, quando foi lançado, o jogo tinha uma tradução péssima, que impossibilitava o jogador entender qualquer coisa. Mas um patch posterior consertou as coisas, felizmente. Portanto, não deixe de baixá-lo antes de jogar.

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Figuras bizarras vão aparecer no seu caminho durante a jogatina. Vai encarar?

CONTROLES

O título pode ser jogado com um par de PS Moves ou com o Dualshock 4. Em ambos, você pode optar pelo teleporte ou movimentação livre. Não gostei do tipo de teleporte do jogo. Achei confuso e toda vez que você se move vem uma tela preta que dura mais tempo que o necessário. No entanto, é uma opção mais segura para quem sente enjoo de movimento.

Aliás, nesse quesito, o menu principal traz uma série de opções para deixar o jogo mais confortável. Algumas opções, estranhamente, só são liberadas para o Dualshock 4, como correr e agachar (e, ainda assim, só se você jogar na televisão – sim, o título pode ser jogado também em tela plana). No entanto, com relação ao giro do corpo, o giro suave (“smooth turning”) é muito lento, tornando o giro em graus quase que obrigatório.

A experiência é muito melhor com os Moves, que se transformam nas mãos do jogador e permitem que você interaja de maneira mais imersiva com os vários objetos espalhados pelo jogo. No entanto, não há inventário (o único objeto que você pode guardar é o celular que aparece logo no início do jogo). Os outros objetos que você julgar úteis você terá que carregar nas mãos mesmo.

Como não há botão para agachar, os Moves têm botões que “esticam” os seus braços e permitem que você pegue objetos no chão – ou mesmo em um lugar mais alto. Ao utilizar movimentação livre, a tela escurece completamente quando você sobe ou desce escadas. O intuito, mais uma vez, é evitar o enjoo de movimento. No início você fica meio confuso, mas depois se acostuma.

Com o Dualshock 4, o jogador não tem mãos e você usa uma mira no centro da tela para interagir com as coisas. O mesmo vale para a experiência em tela plana. Após testar as duas maneiras, fica claro que o game só tem valor se jogado em VR, de preferência, com os Moves.

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O teleporte usa esse círculo grande e é bem esquisito. Se puder, jogue com movimento livre.

BUGS MACABROS

Pensei em começar esse review pelos bugs, de tanto que eles me atormentaram nos primeiros minutos de jogo. Mas preferi deixar para o final, já que alguns desses problemas podem ocorrer ou não, dependendo da “sorte” do jogador.

Na primeira vez que joguei, na posição sentada, me senti um anão. Ainda que eu recentralizasse a câmera, continuava junto ao chão, como se tivesse menos de um metro de altura. Até que alterei a “altura da cabeça” no menu dentro do jogo e as coisas voltaram ao normal.

Quando ainda estava jogando no “modo anão”, com movimentação livre, tentei resetar a câmera para consertar as coisas e acabei sendo teleportado magicamente pra dentro de uma área que estava fechada. Daí, fiz de novo e teleportei pra outra área. Sinistro.

Outro bug, ainda mais frequente, ocorre aleatoriamente quando você inicia o jogo usando os Moves. Uma das mãos some e não volta mais. Não adianta desligar e religar o Move. Tem que reiniciar o game e torcer pro bug não acontecer de novo.  Teve ainda um certo trecho em que a entrada era muito estreita e eu não passava andando de jeito nenhum. Tive que trocar pro teleporte pra seguir no jogo.

Finalizando o relato de bugs macabros, ao jogar com os Moves, às vezes você se prende em um determinado local e quando sai de lá você está abaixado. Mas não há opção de agachar nos Moves – nem de levantar. Isso resulta que você terá que andar abaixado durante alguns segundos, lentamente, até que o jogo resolva te levantar de novo.

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Você pode usar machados para quebrar portas. No celular, você fica recebendo mensagens mal-educadas da sua filha.

VALE O REPLAY?

O título tem cerca de uma hora e meia a duas horas de duração, mais ou menos como um filme de terror. Como é típico do gênero, o game tem pouco valor de replay, já que depois que você descobre o que fazer, o jogo perde a graça, assim como os sustos. Não existem outros modos de jogo nem níveis de dificuldades – apenas a campanha principal.

Há a opção de fazer um final alternativo, mas para isso será preciso jogar tudo de novo, pois o save é automático e não há diferentes save slots (uma opção, comum entre os platinadores, é transferir o save para um pen-drive para “evitar a fadiga”). Aliás, para os platinadores de plantão fica avisado: o jogo tem troféu de platina. Outra maneira de expandir o gameplay é procurar pelos colecionáveis espalhados pela mansão, caso você não encontre da primeira vez.


VEREDITO

Sem dúvida, o melhor momento para jogar ‘Don’t Knock Twice’ é agora, especialmente para os brasileiros. Após alguns patches, a tradução para português foi visivelmente melhorada e a movimentação livre com os Moves deixou o jogo bem mais interessante. Ainda há bugs, como os que relatei acima, mas se você conseguir superá-los terá em mãos um jogo que cumpre com seu principal objetivo: proporcionar momentos de medo e adrenalina no jogador. O jogo costuma aparecer frequentemente em oferta na PS Store, pela metade do preço cheio. É uma boa oportunidade para acrescentar bons momentos de terror na sua coleção. Nota: 7,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Jogo: ‘Don’t Knock Twice’
Estúdio: Wales Interactive (www.walesinteractive.com)
Gênero: Terror
Data de lançamento: 5 de setembro de 2017
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 71,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store EUA)
Idioma: português e inglês (textos e interface)
Controles suportados: Dois PS Moves (recomendado) e Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco (com atualizações): 2,09 GB

[Este review foi feito com jogo digital comprado por mim mesmo]

Assista ao trailer de ‘Don’t Knock Twice’

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