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[review] Shooter chinês ‘The Walker’ exorciza demônios com tiros e espadadas

Esqueça aquela imagem do padre exorcista combatendo o demônio com o uso de crucifixo, água benta e muita oração. Em ‘The Walker’, o personagem principal (no caso, você) exorciza os demônios na base da bala e golpes de espada. O jogo, desenvolvido pelo estúdio Haymaker e publicado pela Winking Entertainment, faz parte do China Hero Project, ação da Sony que visa apoiar e localizar para o Ocidente uma série de jogos daquele país.

No game, que se passa na Xangai atual, você descobre ser o último herdeiro de uma longa linhagem de exorcistas que remonta à Dinastia Song (960 a 1279 d.C.). Você é convocado por um sujeito de capuz a expurgar o mal que está atacando a cidade, armado com um revólver, uma espada e dois talismãs mágicos.

Esse é o enredo básico de ‘The Walker’, que é tão divertido quanto um wave-shooter consegue ser. O jogo chama a atenção pelos gráficos bem realistas e pela atmosfera de tensão constante – alguns trechos podem ser bem assustadores. O fato de estar legendado em português de Portugal também é um ponto a ser levado em consideração pelos jogadores brasileiros. Há outras opções de idiomas, dependendo do idioma em que seu console está configurado, mas o áudio é sempre em chinês.

O ponto negativo é que ‘The Walker’ é um shooter em que você não anda, o que não deixa de ser irônico, considerando o nome do jogo. Não há nenhum tipo de movimentação dentro do game, mas você pode se movimentar fisicamente, andando um pouco para os lados para desviar de projéteis inimigos ou para frente para atacar com a espada, por exemplo. Você também pode se esquivar ou se abaixar, usando o tracking do headset. É uma mecânica que lembra outros shooters estáticos, como ‘SuperHot VR’ e ‘Blasters of the Universe’.

Confira abaixo como é o gameplay do jogo, no vídeo do canal PSVR Brasil

GAMEPLAY

‘The Walker’ possui um total de cinco fases, além de um breve tutorial e uma introdução. Em cada fase, seu objetivo será matar as ondas (“vagas”, no português de Portugal) de inimigos que vão aparecendo. Apesar de virem em grande quantidade, eles são de apenas três tipos: um magrelo rastejante que anda pelas paredes e parece o Gollum de ‘O Senhor dos Anéis’; um cavaleiro de espada e escudo que parece ter saído de ‘Dark Souls’; e um arqueiro, que parece com o cavaleiro, mas que fica te atirando flechas de longe.

Os inimigos, principalmente os “Golluns”, andam bem lentamente, sendo alvos fáceis para os seus tiros. Mas, se atingidos no corpo, eles aceleram e podem ficar mais agressivos. O cavaleiro usa um elmo que precisa se arrancado à bala para que você consiga um “headshot”. Os tiros na cabeça, aliás, são importantes para você conseguir a maior pontuação ao final de cada fase. A cada tiro acertado, aparece a pontuação na tela referente àquele disparo.

Se os inimigos são meio lerdos, seu arsenal também é limitado. Você começa apenas com um revólver, uma espada e dois talismãs (um de gelo e outro de choque). O revólver tem apenas seis balas no cartucho e só recarrega após você disparar a última bala. Faz falta aí um botão de recarregar para deixar o combate mais estratégico. A munição, por outro lado, é infinita.

Na mão direita, você aperta o botão Move para trocar para a espada – que é usada mais nos momentos de aperto, quando os inimigos se aproximam o suficiente. Com ela, você pode bloquear os ataques inimigos e até mesmo os projéteis. Na mão esquerda, você aciona os dois talismãs – gelo e choque. Você pega um deles e passa na arma que quer utilizar, aumentando o dano dos disparos ou golpes. No revólver, o talismã dura apenas dois disparos. Na espada, a duração parece ser por tempo.

Os inimigos vêm de todas as direções e você usa dois botões do PS Move para girar para os lados. A rotação é em 45° e não há qualquer opção para deixar giro livre ou diminuir o ângulo do giro. Aliás, o jogo não te dá nenhuma opção de nada. Nem existe menu. O mais próximo disso é a casa do protagonista, que funciona como um lobby onde você pode selecionar fases, verificar seu desempenho ou repetir fases anteriores. É possível jogar também com o Dualshock 4 também, mas não recomendo. Fiz apenas um teste e me pareceu muito truncado – como ocorre, invariavelmente, em quase todos os jogos desse tipo.

Durante o jogo, você enfrenta dois bosses que dão um pouco mais de variedade à jogatina. A primeira é a Mulher-Corvo, cuja aparência é bem bizarra e me lembra os monstros mais esquisitos de ‘Bayonetta’ e ‘Dante’s Inferno’. O combate contra ela é bem próximo e dinâmico – é o momento em que mais usei a espada. O boss final é um demônio grandalhão que fica jogando coisas na sua direção e você precisa se esquivar.

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QUESTÕES TÉCNICAS

Visualmente, ‘The Walker’ é um jogo muito bem trabalhado, bem nítido e sem grandes serrilhados ou borrados. O design das fases é interessante, com cenários variando entre ruas desertas, becos escuros e uma estação de metrô. Além dos monstros, há alguns humanos circulando por esses locais – mas eles parecem estar em um estado letárgico e não mostram muita reação ao que está acontecendo. Soa meio esquisito.

O áudio, em geral, funciona bem. Mas parece que faltou acrescentar som a alguns trechos, como quando uma mulher é atacada por um demônio e você não ouve um grito sequer. O primeiro boss, a tal Mulher-Corvo, também é meio muda. Acho que faltaram alguns efeitos sonoros para deixá-la mais assustadora.

VALE O REPLAY?

Contando do tutorial à última fase, ‘The Walker’ dura em torno de uma hora. Durante meu gameplay, só morri uma vez, no boss final (isso porque fiquei com preguiça de me levantar para esquivar dos trambolhos que ele atira). Depois de zerar, você libera a dificuldade 2 do jogo e um Modo Desafio (na televisão). Ah, depois de finalizar o jogo, cuidado para não selecionar a opção de voltar para o “capítulo 1” (na armadura) – ou você terá que fazer tudo de novo!

Na dificuldade 2 (assinalada por um ícone que parece um “A”), você terá à disposição uma submetralhadora com 25 balas no cartulho e uma espada gigante. Se suas armas são melhores, os inimigos também ficam mais fortes. E é aí que o jogo fica mais interessante. Os demônios ficam um pouco mais rápidos e são necessárias mais balas para matá-los.

Creio que ‘The Walker’ sofra do mesmo problema que outro shooter: ‘Mortal Blitz’. Ambos começam fáceis demais, têm poucas fases, e não há opção para aumentar a dificuldade logo de cara. No final das contas, parece uma maneira de aumentar a vida útil do jogo. Mas pelo menos em ‘The Walker’ você tem novas armas à disposição, o que confere mais variedade. Para os caçadores de troféus, fica avisado que o jogo possui 18 troféus (sendo 16 de bronze e 2 de prata), mas não possui platina.

Finalizo com o relato de um bug que ocorreu comigo: o “bug da tela preta”. Na primeira vez em que joguei, estava na quarta fase quando o jogo apresentou um erro e fechou inesperadamente. Quando tentei voltar, ele não passava de uma tela preta. Tentei recriar o banco de dados do PS4, não funcionou. Excluí o jogo e reinstalei, mas também não funcionou. Daí, iniciei o jogo usando outra conta e… não é que ele funcionou normalmente? Consegui ir até o final da dificuldade 1 e jogar a primeira fase na dificuldade 2. Porém, quando fui retomar o jogo, no dia seguinte, o “bug da tela preta” havia voltado. Daí desisti.

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VEREDITO

‘The Walker’ acerta no visual, na ambientação e em algumas mecânicas de gameplay, com o combate que utiliza armas de fogo e espada. Mas a ausência de qualquer locomoção dentro do jogo deixa as coisas menos dinâmicas. É muito triste ficar parado em um jogo que se chama ‘The Walker’. O preço de lançamento cobrado por ele parece ser um pouco excessivo em troca do conteúdo oferecido. NOTA: 7/10 [Bom]


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘The Walker’
Estúdio: Haymaker/Winking Entertainment (https://www.winkingworks.com/publishing/games/TheWalker_en.html)
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Data de lançamento: 3 de julho de 2018
Preço: R$ 71,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store US)
Controles utilizados: Dois PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Idioma: legendas em português de Portugal (entre outros) e áudio em chinês
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 3,3 GB

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pela Winking Entertainment]

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24 comentários sobre “[review] Shooter chinês ‘The Walker’ exorciza demônios com tiros e espadadas

  1. Douglas Elias

    Eu estava esperando um jogo assim muito tempo, deviam ter mais, até hoje não entendo porque não tem mais jogos tipo the house of the dead ou time crisis. Mas o que eu aguardo mesmo é um yu-gi-oh. Mas fiquei satisfeito com a matéria vou saber mais sobre o game.

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