[review] ‘Mini-Mech Mayhem’ é um dos multiplayers mais divertidos do Playstation VR

Desenvolvido pelo estúdio FuturLab, ‘Mini Mech Mayhem’ é mais um jogo exclusivo do Playstation VR. O game está todo em português e é uma ótima sugestão para quem está procurando um multiplayer divertido e diferente pra jogar com os amigos. O review a seguir foi feito no PS4 Pro.

Assista ao review do canal PSVR BRASIL:

‘Mini Mech Mayhem’ é uma mistura de jogo de tabuleiro e jogo de cartas em realidade virtual. Você controla um “mini mecha” em um tabuleiro quadriculado que parece um tabuleiro de xadrez. Seu objetivo é marcar três pontos, seja destruindo os outros mecas, seja coletando uma moeda.

Você pode mover seu “mecha” em quatro direções ou atirar em oito direções. Mas você não mexe diretamente nos bonecos. A ação ocorre em turnos e você precisa programar as suas ações todas de uma vez. É aí que começa a bagunça e a coisa fica divertida.

Você precisa tentar se antecipar aos inimigos, prevendo os movimentos deles, se quiser sair com a vitória. Mas aí entra outro fator que deixa tudo ainda mais caótico: as cartas de interceptação. Cada interceptação tem um efeito diferente, que pode te beneficiar e atrapalhar os adversários. Por exemplo, você pode jogar uma carta para fazer o adversario andar uma casa a mais e cair direto numa armadilha. Ou fazer a arma dele travar quando ele estiver tentando te acertar um tiro. São muitas as possibilidades e essa é a grande graça do jogo.

‘Mini Mech Mayhem’ é extremamente estratégico, mas ao mesmo tempo tem muita chance de tudo dar errado. Por isso ele é tão divertido. Com certeza vai ser melhor aproveitado jogando com os amigos. Você pode criar salas com outros três jogadores, mas não é obrigatório ter quatro para a partida começar. Dá para jogar um contra um, ou contra outros dois jogadores. Sempre cada um por si.

Também dá para enfrentar o computador em três níveis de dificuldade, mas não existe uma campanha propriamente dita. No lugar disso, o jogo traz um tutorial completo e 30 níveis extras que funcionam como desafios. Conforme vai jogando as partidas e completando desafios, você vai subindo de nível. A cada nível novo, você recebe um item aleatório pra customizar o visual do seu “mecha” e do seu avatar. As combinações são inúmeras e incluem também dancinhas e emotes.

O jogo tem uma sensação de presença muito bacana, transmitindo bem a impressão de que você está diante de outros jogadores. Você pode fazer gestos pros outros jogadores e conversar usando o microfone. Graficamente, está belíssimo, muito bem otimizado pro Playstation VR.

VALE A PENA?

‘Mini Mech Mayhem’ é perfeito pra quem busca um multiplayer pra jogar com os amigos e acredita que se divertir é muito mais importante do que vencer. O preço de lançamento ta bem atraente. Eu recomendo. Nota: 10/10.

Este review foi feito com copia digital gentilmente cedida pelo estúdio FuturLab.

[Review] ‘Falcon Age’ é uma aventura única no Playstation VR

‘Falcon Age’ é um jogo de aventura em primeira pessoa diferenciado. Nele, você assume o papel da jovem Ara, que adota um filhote de falcão enquanto está aprisionada por robôs em uma cela. Nesta história, os humanos foram dominados pelas máquinas e vivem acuados. O jogo é focado na história e na interação de Ara com os demais personagens que vão surgindo pelo caminho. Porém, os diálogos são todos em texto, sem dublagem. Você pode escolher as respostas, mas o mecanismo usado pra isso não funciona como deveria.

O grande charme do jogo, claro, é a sua relação com o falcão. Com a ajuda dele (na verdade “dela”, já que é uma fêmea), você vai enfrentar inimigos, caçar, coletar recursos ou mesmo desativar minas. A mecânica é simples e funciona bem. Cumprindo algumas missões, você recebe itens pra customizar o visual da ave. Alguns conferem habilidades especiais. E tem até brinquedinhos pra sua amigona. A única coisa que senti falta foi de acompanhar o crescimento do falcão. Quando o jogo começa, ela é apenas uma bolinha de penas e quando você percebe ela já virou uma ave de rapina adulta, linda e imponente. Acredito que faltou desenvolver melhor essa relação entre humano e animal.

O game tem um mapa relativamente extenso pros padrões do PSVR e você pode explorá-lo livremente pra coletar recursos, cumprir missões principais e secundárias ou participar de alguns mini-games. Os recursos servem pra você preparar receitas que dão boosts temporários. Mas você também pode vendê-los em troca da moeda do jogo, pra comprar itens mais úteis.

Você pode jogar usando dois Moves ou o Dualshock 4. Com os Moves, a imersão é maior e você pode acariciar a ave ou cumprimentá-la. Com o controle tradicional, vários truques são feitos apertando o quadrado. Com os Moves é melhor pra usar o bastão que você usa pra dar golpes, quebrar coisas e abrir portas.

As opções de conforto incluem teleporte e giro em graus. O jogo não possui localização pro Brasil – os textos, menus e legendas vêm em inglês. O menu não te dá a opção de alterar o idioma, mas se você mudar o idioma do seu console (nas configurações do sistema), poderá jogar em espanhol. Eu sempre dou essa dica porque nem todo mundo conhece essa artimanha e o espanhol é uma língua mais amigável pros brasileiros que não sabem inglês.

Exclusivo do PS4, ‘Falcon Age’ também pode ser jogado em tela plana, sem o Playstation VR. O menu principal te dá duas opções de jogo, sendo uma mais focada no combate. Na outra, o combate é “opcional”. O jogo tem gráficos bonitos, com um visual estilo cartoon. Nesse quesito, a única falha é a demora no carregamento de alguns elementos do cenário (principalmente da vegetação), que surgem do nada enquanto você caminha. Mas os gráficos são bem otimizados e não apresentam serrilhados ou borrões aparentes, com boa nitidez. Vale destacar que joguei no PS4 Pro.

Por fim, uma crítica ao mapa do jogo. Às vezes, ele marca um determinado objetivo da missão, mas você vai lá e o objetivo é em outro lugar – que você tem que descobrir onde é. Isso me confundiu um pouco.

VALE A PENA?

Ainda não terminei o game, mas gostei do que vi até agora. Joguei mais de 4 horas (me perdi algumas vezes) e acho que vale sim o preço que está sendo cobrado. Sem dúvida, é uma aventura única no Playstation VR. Quando zerar, atualizarei este review. Nota (temporária): 9,0.

Este review foi feito no PS4 Pro e PSVR, com midia digital gentilmente cedida pela Outerloop Games.

FICHA TÉCNICA
Jogo: Falcon Age
Estúdio: Outerloop Games
Gênero: Aventura em 1ª pessoa
Plataformas: PS4 e PSVR
Preço: R$ 61,50 (PS Store Brasil)
Data de lançamento: 9 de abril de 2019
Controles: Dois Moves ou Dualshock 4
Idiomas: Inglês / Espanhol (se você alterar o idioma do seu PS4 para Espanhol latino)

Confira aqui alguns gameplays de ‘Falcon Age’ no canal PSVR Brasil

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Missões VR de ‘Ace Combat 7’ trazem toda a emoção de pilotar um caça. Veja o review!

Quando foi anunciado, ‘Ace Combat 7: Skies Unknown’ seria um dos primeiros títulos exclusivos do Playstation VR, que ainda na época nem havia sido lançado. Depois de muito tempo de espera, finalmente pudemos colocar as mãos no game, em janeiro deste ano, mas muita coisa mudou do planejamento original.

Daquilo que seria uma campanha completa em VR, sobraram apenas três missões em realidade virtual. A experiência em si é fantástica – é sem dúvida a melhor sensação de voar e de pilotar um avião disponível atualmente no PSVR.

Mas, inevitavelmente, fica aquele sentimento de como seria incrível jogar a campanha completa em VR – e os modos multiplayer também –, se o “plano de voo” original tivesse sido mantido.

É fato que, depois de tantos anos de desenvolvimento – e percebendo que a realidade virtual ainda não atingiu o grande público – a gigante Bandai Namco não quis se arriscar e mirou mais no alto, tornando o game um jogo multiplataforma, para PS4, XBox One e PCs. As missões VR, por enquanto, ainda são exclusiva do PSVR, algo que irá mudar em janeiro do ano que vem.

No canal PSVR Brasil, fizemos um gameplay da melhor dessas missões VR, trazendo alguns comentários sobre o conteúdo VR do jogo.

Confira no vídeo abaixo – ah, e se ainda não é inscrito, inscreva-se no canal! Sua inscrição é muito importante pra ajudar o canal a alcançar voos maiores!

[review] ‘Assassin’s Creed Odyssey’ renova uma das franquias de maior sucesso dos games

Depois de mais de 140 horas jogando ‘Assassin’s Creed Odyssey’, meu mapa do jogo ainda estava cheio de áreas a descobrir e missões que ainda não cumpri. A Ubisoft fez um trabalho monumental para recriar o mundo grego, de ponta a ponta, como nenhum jogo havia feito antes na história dos games. Às vezes tenho a impressão que esse jogo nunca termina. E não termina mesmo: o estúdio está lançando atualizações constantes, com novos conteúdos e desafios, como o mais recente update, que subiu o level máximo de 50 pra 70.

Assista aqui ao vídeo review de ‘Assassin’s Creed Odyssey’

Há quem fale por aí que ‘Odyssey’ não é um legítimo ‘Assassin’s Creed’. Pra quem nunca foi muito fã da série, por exigir um certo nível de furtividade e paciência para eliminar os inimigos, ‘Odyssey’ é o melhor já lançado até hoje. A furtividade do assassino ainda está presente no jogo, mas se você preferir um estilo mais agressivo, terá um leque variado de armas, armaduras e habilidades pra enfrentar os inimigos no mano a mano.

Isso permite que o jogo seja acessível a todos os jogadores. E até quem não manja muito dos paranauês de se esconder para conseguir uma morte limpa vai se dar bem. Mesmo porque os guardas não estão tão espertos quanto antigamente. Talvez os fãs da série estranhem um pouco ver tantos soldados de costas ou parados, mas acredito que essa escolha se deu pra deixar o jogo mais acessível pros novatos.

‘Assassin’s Creed Odyssey’ tem um mapa gigantesco, que reproduz com riqueza de detalhes a Grécia Antiga dos tempos de Sócrates, Hipócrates, Heródoto, Péricles e muitos outros personagens históricos. A trama se passa em pleno período da Guerra do Peloponeso, conflito que colocou Atenas e Esparta frente a frente numa batalha sangrenta pelo domínio da Grécia.

Durante o gameplay, você ainda vai encontrar criaturas mitológicas e utilizar armas e armaduras que pertenceram a deuses e heróis lendários, como Hércules, Aquiles, Prometeu, Teseu, Artemis, Poseidon e muitos outros. De quebra, ainda terá um gostinho de controlar o rei Leônidas na famosa batalha dos 300. Seu personagem (Kassandra ou Alexios) é descendente do general espartano e usa a ponta da lança de Leônidas para praticar execuções pra lá de violentas.

‘Odyssey’ tem gráficos incríveis, controles bastante responsivos e jogabilidade irretocável. O áudio dá um show à parte – e se o sotaque da dublagem original te incomodar, você pode optar pelo áudio em português, que às vezes soa um pouco artificial, mas é competente na maior parte do tempo.

VALE A PENA?

‘Assassin’s Creed Odyssey’ desponta como um dos melhores jogos lançados neste ano. O jogo renova a série de uma maneira ainda mais profunda do que ‘Origins’, de 2017, adicionando novos elementos de jogabilidade que o transformam em um legítimo RPG de ação. Com isso, o game abre as portas para os novos jogadores conhecerem uma das franquias de maior sucesso de todos os tempos. Nota: 10/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: Assassin’s Creed Odyssey
Gênero: RPG de ação
Estúdio: Ubisoft
Plataformas: Playstation 4 (usada neste review), Xbox One e PCs
Idiomas: português (áudio e legendas) e inglês (original)
Preço: R$ 199,99 (PS Store BR)
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito com cópia digital gentilmente cedida pela Ubisoft]

[review] Impecável e divertidíssimo, ‘Astro Bot: Rescue Mission’ vai além de qualquer crítica

Lançado em 2016 no jogo gratuito ‘The Playroom VR’, o jogo de plataforma ‘Robots Rescue’ foi um dos minigames que mais chamaram a atenção dos jogadores do Playstation VR. Durante um bom tempo, os fãs de realidade virtual pediram por um jogo mais completo dos robozinhos. ‘Astro Bot: Rescue Mission’ é a resposta da Sony e do Japan Studio a esse pedido. E não poderia ser melhor. Estamos diante de um dos melhores jogos do Playstation VR, marcando o aniversário de dois anos do headset da Sony. O jogo é exclusivo do PSVR e o review a seguir foi feito usando um Playstation 4 Pro.

Assista ao vídeo-review do canal PSVR Brasil:

HISTÓRIA

Com certeza, a história é o aspecto mais simples do game. Astro Bot e seus amigos robozinhos viviam numa boa até um alien gosmento aparecer e atacar a nave deles. Pra piorar, o vilão espalha as peças da nave em cinco planetas diferentes, junto com seus tripulantes. Caberá ao Astro Bot percorrer esses cinco mundos para resgatar seus amigos, recuperar as peças da nave e derrotar o vilão. Tudo isso com a sua ajuda. Vale salientar que o jogo está todo localizado para o português do Brasil, mas isso nem faria muita diferença, já que não há diálogos, os personagens se comunicam apenas com gritinhos e os tutoriais vêm em forma de vídeo.

VISUAL

‘Astro Bot’ tem um visual de encher os olhos. Tudo nesse mundo em miniatura é muito nítido, com uma definição perfeita para o atual estágio dos headsets de realidade virtual. O Japan Studio fez um trabalho magnífico em termos gráficos, com level design criativo, cenários variados e interativos, inimigos tão carismáticos quanto o protagonista e uma riqueza de detalhes encantadora. Menção especial à iluminação das fases: seu próprio controle pode fazer sombra dentro do jogo. As fases que se passam dentro d’água também dão um show à parte.

IMERSÃO

Ainda há quem ache que jogos de realidade virtual precisam ser em primeira pessoa para serem imersivos. Esse é um grande engano e ‘Astro Bot’ é mais uma prova disso. Você se sente dentro do jogo da mesma maneira que nos jogos em primeira pessoa. O jogo usa uma câmera fixa – onde você é a câmera. Várias vezes será preciso olhar para os lados, para baixo, para cima ou mesmo para trás, para procurar os robozinhos perdidos, camaleões que liberam desafios extras ou mesmo o caminho a seguir. O tracking funciona bem e você poderá até se esgueirar para encontrar o melhor ângulo de visão.

Além disso, você não controla apenas o robozinho. Enquanto jogador, você também tem uma presença ativa dentro do jogo. Alguns inimigos vão tentar te atingir e você terá que desviar. Se não conseguir se esquivar, poderá ficar com a visão cheia de gosma – ou mesmo estilhaçada. Você também vai usar a cabeça para destruir estruturas, cabecear bolas inimigas, entre outras coisas. Em fases com água, seu headset pode até ficar molhado. Um dos momentos mais mágicos é quando aparece uma flor que permite que você assopre suas pétalas. Como eles fizeram isso? Eu não sei. Provavelmente capturando o áudio do microfone ou da Playstation Câmera (eu não estava usando microfone quando isso aconteceu). Aliás, o áudio 3D do jogo também tem papel fundamental na imersão. A trilha e os efeitos sonoros são impecáveis, pontuando cada fase e momento dramático de maneira diferente. Alguns efeitos sonoros também saem do controle – infelizmente, não há opção para desativar essa funcionalidade.

CONTROLES

Você joga usando o Dualshock 4 – não há suporte a outros controles. Os comandos do Astro Bot são bem simples: um botão para pular, outro para dar socos. Aperte o pulo duas vezes para ativar um jato para planar e segure o soco para dar um golpe giratório que pode atingir vários inimigos. Mas, em alguns momentos, o jogador terá alguns comandos extras, usando o touchpad do Dualshock 4. Ele servirá para atirar ganchos com cordas para o robozinho se equilibrar, jogar água ou até estrelinhas ninja. Cada uma dessas “ferramentas” acrescenta uma nova camada de imersão e interatividade no gameplay. Às vezes, será exigido um nível bom de coordenação para controlar o robozinho e utilizar a ferramenta do controle ao mesmo tempo.

GAMEPLAY

‘Astro Bot’ é um jogo de plataforma – o melhor jogo de plataforma que você poderia imaginar. Aliás, espere sempre pelo inesperado. Apesar de serem lineares e geralmente seguirem para frente, as fases escondem vários segredos pelos cantos, o que nos dá bastante liberdade de exploração. Os inimigos têm uma boa variedade e quase todos morrem com apenas um golpe. Mas não os subestime: você também morre com apenas um golpe. Por sorte, cada fase tem uma boa quantidade de check-points, evitando que você tenha que repetir o level inteiro se errar um pulo ou ser atingido por um inimigo.

O jogo traz um total de 20 fases, distribuídas em cinco mundos. A campanha é para apenas um jogador e dura cerca de 6 a 8 horas. Em cada fase, você deve procurar por oito robozinhos perdidos, que às vezes surgem em lugares que parecem impossíveis de alcançar. Mas existem camas elásticas e outros recursos, como destruir paredes, que podem te ajudar. Não é necessário encontrar todos para fechar a fase, mas você terá que achar uma quantidade mínima de robôs para enfrentar o chefe daquele mundo. Cada mundo tem um chefão e o aumentativo não é à toa: os chefões são gigantescos, imponentes, ocupando quase todo seu campo de visão. As lutas contra eles são o maior desafio do jogo, especialmente o quinto chefe e o boss final. Os chefes têm ataques variados e ficam cada vez mais “apelões” quando sofrem dano. Nessas lutas, você só pode morrer duas vezes. Se morrer a terceira, terá que recomeçar.

FATOR REPLAY

‘Astro Bot’ tem apenas um nível de dificuldade, que vai crescendo a cada fase que você passa. Terminar todos os níveis encontrando todos os robozinhos e sem morrer nenhuma vez já é um desafio. Mas cada fase também traz um camaleão escondido, que desbloqueia um desafio extra. Os desafios consistem em terminar uma variante daquela fase dentro do menor tempo possível. Nesses desafios, você vai encontrar perigos que nem imagina. Durante a jogatina, você também encontrará em cada fase uma grande quantidade de moedas, que servem para desbloquear colecionáveis. Cem moedas equivalem a um tíquete para usar na sua máquina de catar colecionáveis, que fica dentro da Astro Ship. Dentro da nave, você interage com os membros da tripulação que já foram resgatados e pode brincar em cenários que reproduzem os mundos do jogo. Isso tudo proporciona um valor de replay grande ao game, especialmente para os caçadores de troféus, já que o game tem platina.


VALE A PENA?

‘Astro Bot’ é o jogo de plataforma que mais me impressionou desde o ‘Super Mario Bros’ do Nintendinho. Para muitos da minha geração, ‘Mario’ foi uma novidade incrível diante dos jogos até então bastante limitados do Atari. É exatamente essa sensação que ‘Astro Bot’ vem resgatar, mas não apenas de forma nostálgica. ‘Astro Bot’ oferece algo novo e não cansa de te surpreender. E faz isso de uma maneira que só a realidade virtual pode fazer. ‘Astro Bot’ é o jogo mais divertido do Playstation VR, com credenciais suficientes para encabeçar a lista de melhores jogos do PSVR até agora. Simplesmente, ele vai além de qualquer nota que eu possa dar. Nota: 11/10 [Imperdível].


Confira o gameplay dos dois primeiros mundos:

FICHA TÉCNICA
Título: ‘Astro Bot: Rescue Mission’
Gênero: Plataforma
Estúdio: Japan Studio/Sony
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Preço: R$ 149,90 (PS Store BR)
Idioma: Português
Controles suportados: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pela Sony]

[review] ‘Creed: Rise to Glory’ acerta em cheio e traz experiência de boxe imperdível

O simulador de boxe ‘Creed: Rise to Glory’ é o quarto jogo de realidade virtual da Survios. Os games anteriores, ‘Raw Data’, ‘Sprint Vector’ e ‘Electronauts’, já puseram a Survios em um patamar de excelência no mundo da realidade virtual. Desta vez, os desenvolvedores colocaram seu talento a serviço de uma franquia de sucesso nos cinemas, que tem o boxe como prato principal. O review a seguir foi feito no Playstation VR, usando o PS4 Pro. O jogo também está disponível para HTC Vive e Oculus Rift.

Assista ao vídeo-review do canal PSVR Brasil:

HISTÓRIA

‘Creed: Rise to Glory’ é baseado no filme ‘Creed: Nascido para Lutar’, de 2015. O longa-metragem é o sétimo da franquia ‘Rocky’ e representa um recomeço para ela. No filme, o jovem boxeador Adonis Creed descobre ser filho de Apollo Creed, ex-adversário de Rocky Balboa e que se tornou um grande amigo do personagem de Sylvester Stallone.
O jogo segue os mesmos passos do filme, mas sem a parte do drama. ‘Creed’ é focado apenas na ação, sem qualquer cutscene ou algo do tipo. No jogo, você vai calçar as luvas de Adonis Creed, enquanto se prepara para seu maior desafio na carreira: enfrentar o campeão mundial Ricky “Pretty” Conlan. No caminho até lá, vai encarar desde um adversário amador que não venceu uma luta sequer, um segurança de boate e um campeão com 38 vitórias no cartel, sendo 36 por nocaute. E vai ter como treinador o próprio Rocky Balboa, dublado por Stallone. O jogo está todo em inglês, sem suporte a outros idiomas ou legendas. Mas isso não será um problema para quem não souber o idioma.

VISUAL E IMERSÃO

‘Creed’ tem ótimos gráficos, mesmo que não seja possível compará-los aos triplo A da atual geração. Mas é um visual agradável, puxando mais para o realismo do que para o cartoon. As animações são bem feitas, assim como os efeitos sonoros e a trilha, encabeçada pelo clássico tema de ‘Rocky’. Tudo isso contribui para fazer o jogador se sentir na pele de Creed. E não é só isso: você controla um avatar de corpo inteiro. Ou seja, não é só um par de luvas flutuando no ar. Isso faz uma tremenda diferença, já que no jogo você É Adonis Creed. Além disso, o jogo reproduz de maneira fiel as mecânicas de uma luta de boxe real – até onde isso é possível.

CONTROLES

O jogo utiliza um par de Moves (não há suporte ao Dualshock 4). Os controles funcionam como as suas luvas, que você utilizará para dar jabs, diretos, cruzados e ganchos. Também é possível bloquear os ataques adversários ou esquivar deles, usando o tracking do headset. Os Moves também tem botões para girar para os lados, usando apenas o giro em graus. O jogo tem ainda uma mecânica para caminhar parecida com a de ‘Sprint Vector’: segure o botão Move e balance os braços para a frente. Para andar pra trás, coloque os braços atrás, segure os botões Moves e faça o movimento inverso. Bem intuitivo. Tem ainda um terceiro movimento para os lados, girando os Moves como se estivesse suingando. Tudo isso é bem explicado dentro do jogo, com vídeos que mostram um modelo executando os movimentos.

GAMEPLAY

É no gameplay que ‘Creed’ se sobressai. No Career Mode, você vai enfrentar sete adversários, em lutas que duram em torno de cinco minutos. Fazendo as contas friamente, pode parecer pouco, mas isso é um engano. Cada combate consome bastante energia e vai colocar você pra suar. Fazer uma pausa para descansar entre elas é altamente recomendado. Fora que o jogo tem três níveis de dificuldade e os adversários ficam mais duros e dão mais dano nas dificuldades mais altas.

Antes de cada luta, você passa por um treino que vai determinar seu nível de “stamina” para o combate. Níveis mais altos de stamina permitem que você dê mais socos antes de cansar. E é preciso ficar bem atento a isso: se você cansar, seus socos ficam mais fracos e mais lentos. O jogo tem outras mecânicas interessantes, como a esquiva: ao desviar de um golpe no momento certo, seu adversário fica em câmera lenta e você ganha um tempinho extra para contra-atacar. Ao ser golpeado em cheio, você fica tonto, e precisa ajustar os Moves para a posição do seu avatar. Por fim, ao ser derrubado, você literalmente sai do corpo e precisa correr em direção a ele antes que a contagem chegue a 10.

MULTIPLAYER

Completando o pacote, ‘Creed’ tem um modo multiplayer online. No PVP, você pode convidar os amigos para o combate ou entrar na sala pública para enfrentar jogadores do mundo todo. Nesse modo, são nove lutadores para escolher: os sete da campanha principal, além de Adonis Creed e Rocky Balboa, no auge da sua juventude. Os lutadores não são diferentes apenas no visual. Cada um tem algumas características ligeiramente distintas dos demais. Alguns têm mais força, enquanto outros têm melhor resistência. Outros têm todas as habilidades equilibradas.

Assista ao vídeo do modo PVP de ‘Creed’ que fizemos junto com o canal Moso PSVR:

VALOR DE REPLAY

Além do PVP e do Career Mode, ‘Creed’ também tem um Free Mode, em que você pode enfrentar qualquer adversário, na dificuldade que quiser e escolhendo o lutador que preferir. Também pode usar a academia para treinar livremente em um dos aparelhos, e comparar seus resultados com os amigos e o placar mundial. Importante destacar também que o jogo tem troféu de platina. E, em termos de enjoo de movimento, não vi nada no game que pudesse causar cinetose.


VALE A PENA?

Jogos baseados em filmes tendem a se tornar caça-níqueis, mas não é o caso de ‘Creed’. Lançado quase três anos depois do primeiro filme e a cerca de dois meses do lançamento do segundo, ‘Creed’ se vale apenas do nome da franquia para oferecer um gameplay consistente, que cumpre bem a tarefa de simular uma luta de boxe em realidade virtual. Suas mecânicas são inteligentes e transmitem, a sensação de estar num ringue real, até onde é possível. O Playstation VR ainda possui poucos jogos de luta no estilo “mano a mano”, mas será muito difícil um oponente superar ‘Creed’. Nota: 10/10 [Excelente].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: Creed: Rise to Glory
Gênero: Simulador de boxe
Estúdio: Survios
Preço: R$ 107,50 (PS Store BR) | R$ 57,99 (Steam)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Data de lançamento: 25 de setembro de 2018
Controles suportados: Dois Moves
Idioma: inglês (áudio e interface)
Jogadores: 1 (off-line) | 2 (online)

[Este review foi feito no Playstation VR + PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pela Survios]

[review] Com uma trama interessante, ‘Torn’ se perde em um gameplay repetitivo

Fundado há mais de 20 anos, o estúdio Aspyr Media tem se notabilizado por fazer ports para os PCs de franquias famosas, como ‘Call of Duty’, ‘Borderlands’ e ‘Bioshock’. Com esse know-how, o estúdio desenvolveu seu primeiro grande projeto de realidade virtual, ‘Torn’, lançado para Playstation VR, HTC Vive e Oculus Rift. O título se inspira assumidamente em séries como ‘Além da Imaginação’ e ‘Black Mirror’ para contar uma história recheada de mistério, com porções generosas de ficção científica e fantasia. O review a seguir foi feito no PSVR, usando o PS4 Pro.

Assista ao vídeo-review de ‘Torn’:

HISTÓRIA

O jogador entra na pele da blogueira Katherine Patterson, que encontra uma mansão abandonada no meio de uma floresta. O casarão pertence ao Dr. Lawrence Talbot, um cientista desaparecido há mais de 60 anos. Ela entra na mansão e se depara com uma luzinha que afirma ser o Dr. Talbot, agora sem corpo físico. Ele diz que está preso em uma estranha dimensão e sem lembranças do que aconteceu com ele. Caberá a Katherine desvendar o mistério por trás disso e, quem sabe, sair de lá com uma história incrível para contar em seu blog.

VISUAL E IMERSÃO

O visual tem um papel fundamental na imersão que os jogos de realidade virtual podem proporcionar. E ‘Torn’ falha um pouco na questão técnica, exibindo gráficos com serrilhados acima do normal, mesmo dentro de um estilo visual mais realista. Apesar dos ambientes serem muito bem trabalhados, tanto no exterior quanto dentro da mansão, é difícil fechar os olhos para os “serrotes”. Ainda assim, é algo superável, a partir do momento que você se envolve com a história, seus personagens e tenta conectar os fios dessa trama. O visual ganha contornos mais interessantes nos momentos em que você é transportado para uma outra dimensão, cercada de água por todos os lados. O jogo utiliza controles de movimento, proporcionando uma interação mais natural com as centenas de objetos espalhados pela mansão. A trilha sonora impecável, as atuações e os efeitos sonoros também ajudam a imergir o jogador nesse mundo.

Assista ao vídeo de gameplay de ‘Torn’

CONTROLES

No PSVR, só é possível jogar usando um par de Moves. Não há suporte ao Duashock 4. São três sistemas de movimentação: locomoção livre, teleporte e algo que fica no meio do caminho entre os dois, chamado de “dash”. Nele, você acompanha o movimento do seu corpo enquanto se teleporta. No movimento livre, você aperta o botão Move e se locomove na direção para a qual está olhando. Segurando o gatilho ao mesmo tempo, anda mais rápido. Mas não há como andar para trás.

O teleporte e o dash funcionam de maneira quase idêntica, mas o teleporte tradicional é mais indicado para quem sente enjoo de movimento. No entanto, o alcance desses teleportes é curto, obrigando o jogador a se teleportar várias vezes para cobrir distâncias maiores. O giro do corpo é feito em graus, sem opção de giro suave. Usando o teleporte, a chance de sentir cinetose é praticamente zero.

GAMEPLAY

Em termos de gameplay, o jogo consiste em resolver uma série de puzzles, espalhados pelos vários cômodos da mansão. No início, você pode demorar um pouco para entender como eles funcionam, mas depois percebe que esses quebra-cabeças são bem parecidos entre si. Alguns objetos da mansão possuem desenhos em sua base e você precisa encaixá-los em pontos específicos de um circuito. Para isso, você usará a Ferramenta Gravitacional, para carregar os objetos e colocá-los em seus devidos lugares.

Mas o nível de desafio é baixo – seu maior trabalho será encontrar esses objetos, já que são muitos espalhados em cada cômodo. Durante a tarefa, você precisará revirar praticamente todo o ambiente, criando uma verdadeira bagunça. Várias vezes me senti em um episódio daquela série Acumuladores Compulsivos, da TV a cabo. O fato é que poucos puzzles fogem a esse esquema. E você ainda contará com a ajuda da “luzinha”, que às vezes te diz o que é fazer mesmo que você não peça.

VALOR DE REPLAY

A campanha de ‘Torn’ dura em torno de 7 a 8 horas, dependendo da velocidade que você consegue resolver os quebra-cabeças. É uma duração bem acima da média dos jogos de Playstation VR, o que por si só já é um ponto positivo. O jogo possui troféus, não há platina. O valor de replay, portanto, é baixo. ‘Torn’ está todo em inglês, sem legendas em qualquer outro idioma, e sem suporte ao português.


VALE A PENA?

‘Torn’ possui uma história cativante, muito bem contada, que se vale do mistério e de elementos de ficção científica para prender o jogador. Mas é preciso saber inglês para aproveitá-la. O visual serrilhado incomoda e os gráficos parecem ter sido mal otimizados no Playstation VR, especialmente para um jogo que utiliza a Unreal Engine. No entanto, o ponto mais crítico do game são os puzzles, muito repetitivos e pouco desafiadores. Chego até a me questionar se são realmente puzzles. Da forma como está, ‘Torn’ vale muito mais por sua trama do que pelo gameplay. E também pelo desfecho, que vai além de qualquer coisa que você poderia imaginar. Nota: 7,5/10 [Bom]


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: Torn
Estúdio: Aspyr Media (https://www.aspyr.com/games/torn)
Gênero: Puzzle
Lançamento: 28 de agosto de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 91,90 (PS Store BR) | R$ 57,99 (Steam)
Idioma: Inglês (dublagem e interface)
Controles: Dois Moves
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no Playstation VR + PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pela Aspyr Media]

Assista ao trailer de ‘Torn’ 

[review] Enigmático e intrigante, ‘Transference’ é uma experiência indispensável no Playstation VR

‘Transference’ é o quinto jogo de realidade virtual da Ubisoft, um dos grandes estúdios que mais têm investido nessa área. Dessa vez, a Ubisoft Montreal se uniu ao estúdio SpectreVision, do ator Elijah Wood, para criar um jogo enigmático, que mistura elementos de suspense, puzzles e alguns sustos. O review a seguir foi feito no PS4 Pro, usando o Playstation VR.

Assista à versão em vídeo do review:

HISTÓRIA

No jogo, você entra virtualmente no apartamento de uma família atormentada, enquanto revive as memórias corrompidas de seus integrantes e tenta descobrir o que aconteceu lá. Raymond Hayes, o pai, conduz experimentos científicos na casa. Katherine, a mãe, é uma musicista de sucesso que parece frustrada com o comportamento obsessivo do seu marido. O garoto Ben, por fim, sente muita falta de sua cadela, Laika, que desapareceu. Ele também deixou rabiscos assustadores pelas paredes. O resto da história você terá que descobrir por conta própria, já que este é um dos maiores atrativos do jogo.

IMERSÃO

Depois de experimentar uma centena de jogos de realidade virtual, posso assegurar que ‘Transference’ é uma das experiências mais imersivas do Playstation VR. Isso se deve a um grau de definição gráfica perfeito, com serrilhados quase imperceptíveis, ausência total de borrados e uma nitidez incomparável. O áudio contribui para criar uma atmosfera de mistério que faz você se sentir dentro de um episódio da famosa série ‘Black Mirror’. Esta imersão só é prejudicada pela ausência de controles de movimento, o que impede que você interaja de maneira mais natural e realista com objetos, estantes, gavetas, etc. Seu personagem também não tem corpo nem braços, o que soa um pouco estranho.

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CONTROLES

Você joga usando o Dualshock 4. Não há suporte aos Moves. A locomoção é livre, sem uso de teleporte. Para quem sente enjoo em realidade virtual, há várias opções anti-cinetose, incluindo o giro em graus e a vinheta que reduz o campo de visão (conhecida como “blinder”). Além disso, a movimentação é lenta, o que também ajuda a reduzir o desconforto. Para quem não tem esse problema, a notícia ruim é que não tem um botão pra andar mais rápido.

GAMEPLAY

Seu objetivo será explorar a casa, resolver puzzles e encontrar objetos para entrar em todos os cômodos do apartamento. Mas não é tão simples: realidades distintas se misturam e você terá que alternar entre elas para seguir em frente. A história é contada através dos documentos que você encontra pelo caminho, além de vídeos, áudios e rápidos encontros com membros da família. O jogo possui várias opções de idiomas. Uma delas é o português do Brasil, com opções de dublagem e legendas. O jogo tem troféus e coletáveis, mas não há platina. A campanha dura cerca de 1h30 a 2 horas.

Confira o nosso gameplay no canal PSVR Brasil:

PLATAFORMAS

O game está disponível para Playstation 4, Xbox One e PCs. Tem suporte para realidade virtual nos headsets Playstation VR, HTC Vive e Oculus Rift. O jogo possui ainda uma demo gratuita, que complementa a história principal e traz outros personagens..

Clique aqui e baixe a demo de ‘Transference’ na PS Store do Brasil


VALE A PENA?

‘Transference’ tem gráficos lindos e proporciona uma imersão incomparável em realidade virtual. Sem dúvida, estamos diante de algo que não se vê todos os dias no Playstation VR. No entanto, a ausência de controles de movimento prejudica um pouco a interação com o mundo do jogo. Além disso, a campanha é curta e dura tanto quanto um filme de longa-metragem. Mas, diante de um final intrigante, é quase certo que você vai querer jogar de novo. No final das contas, ‘Transference’ é uma experiência de realidade virtual indispensável. Nota: 9/10 [Excelente].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: Transference
Estúdio: Ubisoft Montreal e SpectreVision (https://www.ubisoft.com/pt-br/game/transference)
Gênero: Thriller, exploração
Lançamento: 18 de setembro de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift [realidade virtual] | Playstation 4, Xbox One e PCs [tela plana]
Preço: R$ 76,90 (PS Store BR) | R$ 79,99 (Steam)
Idioma: Português (dublagem, legendas e interface)
Controles: Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no Playstation VR + PS4 Pro, com mídia digital cedida pela Ubisoft]

Assista ao trailer de ‘Transference’

[review] ‘Track Lab’ mistura quebra-cabeças e criação musical em realidade virtual

Puzzles estão entre os gêneros mais desafiadores dos games. Não à toa, eles aparecem de forma “disfarçada” em grandes sucessos dos vídeo-games, como as franquias ‘God of War’, ‘Uncharted’ e ‘Tomb Raider’, geralmente para quebrar o ritmo de ação frenético desses títulos e apresentar um desafio mais elaborado para o cérebro dos jogadores. Não é raro acontecer de um jogador ficar preso por alguns minutos (ou mesmo horas) em um único puzzle, apenas para descobrir que estava vendo as coisas pela perspectiva errada e a resposta estava ali, na sua cara. É este tipo de desafio que ‘Track Lab’, com um total de 96 quebra-cabeças, vem proporcionar. Desenvolvido pelo estúdio holandês Little Chicken, o jogo foi lançado no último dia 21, com exclusividade para o Playstation VR.

‘Track Lab’ tem uma proposta bem diferente de ‘Electronauts’, lançado na semana anterior, e qualquer comparação entre os dois não faz muito sentido. ‘Track Lab’ é o primeiro puzzle musical do PSVR, que já possui uma boa quantidade de jogos do gênero, cada um com suas mecânicas únicas. No game, você usa alguns elementos, chamados de “unidades óticas”, para direcionar o fluxo sonoro até o seu destino final [assista ao vídeo-review abaixo para entender melhor]. Para jogar, você usa um par de PS Moves. Não há suporte ao Dualshock 4.

Assista ao vídeo-review de ‘Track Lab’

As músicas vêm divididas em quatro estilos: “relaxante”, “energética”, “exótica” e “épica”. Cada estilo tem três níveis de dificuldade (fácil, normal e difícil) e cada nível é uma música diferente. Cada música é dividida em oito desafios e, conforme você vai resolvendo, vai adicionando um instrumento à música (incluindo bateria, guitarras, teclados, vocais, entre outros). Fazendo as contas, chegamos a 96 desafios, que vão aumentando de dificuldade conforme novas “unidades óticas” são adicionadas.

Para deixar a brincadeira ainda mais divertida, você pode mixar os instrumentos usando ferramentas como os Volume Sliders, Crossfader e Effect Matrix. Os nomes podem ser complicados, mas a interface é bem interativa e fácil de aprender. Pra isso, o jogo oferece um tutorial básico muito bem explicado. Os textos, totalmente, em português, também facilitam o aprendizado.

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CRIAÇÃO MUSICAL

Para os mais talentosos, ‘Track Lab’ também oferece um editor musical, na seção “Criação”. Nela, você pode remixar as músicas que já liberou no modo “Evolução” (dos puzzles) ou criar músicas do zero. Esse modo é mais difícil de dominar e será melhor aproveitado por quem já possui conhecimento musical, já que o jogo te dá total liberdade para criar com uma grande variedade de sons e instrumentos musicais. Creio que faz falta aí um tutorial mais aprofundado, específico para esta seção. No entanto, a qualquer momento, você pode apertar o botão Move para obter ajuda.

Visualmente, o jogo é muito bem apresentado, com um cenário virtual que cria uma imersão perfeita. O nível de nitidez do jogo também é digno de elogios, sem qualquer serrilhado ou borrão, problemas estes que costumam incomodar em jogos de RV. A trilha sonora é o prato principal do game e é bem variada, com estilos como hip-hop, rock, techno e mesmo canções que lembram jogos 8 bits.

O jogo é totalmente livre de enjoo de movimento (cinetose). Para os platinadores de plantão, ‘Track Lab’ tem troféu de platina. O valor de replay também fica por conta do modo criação e das interações que você pode fazer com as músicas, após desbloqueá-las.

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VEREDITO

‘Track Lab’ atende dois públicos – os fãs de puzzle e os jogadores que buscam uma ferramenta de criação musical intuitiva, com várias opções à disposição. Os puzzles são divertidos e oferecem um bom nível de desafio. O editor musical precisa de um tutorial mais aprofundado para se tornar mais acessível a um público maior. No entanto, acredito que o grande problema de ‘Track Lab’ seja o preço. Acredito que ele ficaria mais atraente com uns 40% a 50% de desconto. Nota: 8/10 [Bom]


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Track Lab’
Estúdio: Little Chicken (http://www.littlechicken.nl/game/track-lab)
Gênero: Puzzle musical
Lançamento: 21 de agosto de 2018
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Preço: R$ 79,90 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store EUA)
Idioma: Português (interface)
Controles: Dois PS Moves
Espaço em disco: 699 MB
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pela Sony do Brasil]

Leia também:
[review] ‘Electronauts’: nunca foi tão fácil se tornar um DJ de sucesso

Assista ao trailer de ‘Track Lab’

[review] ‘Electronauts’: nunca foi tão fácil se tornar um DJ de sucesso

Loops, samples, pickups, BPM, EDM… Você pode não saber o significado de nenhuma dessas palavras e ainda assim se tornar um DJ dos bons com ‘Electronauts’, nova experiência/aplicativo de realidade virtual do estúdio Survios, desenvolvedor por trás dos excelentes ‘Raw Data’ e ‘Sprint Vector’. Trata-se de um aplicativo bastante intuitivo e que oferece uma vasta gama de ferramentas pra você se sentir o próprio David Ghetta.

‘Electronauts’ traz um total de 54 faixas – e por um precinho bem camarada, devo dizer. A lista de músicas (ou line-up, como os DJs preferem dizer) inclui nomes como The Chainsmokers, Tiesto, Steve Aoki, DJ Shadow, Zhu e muitos e muitos outros. Alguns compuseram músicas especialmente para o ‘Electronauts’, como é o caso de Coral Fusion, Goodhenry e Starbuck.

Se você não conhece música eletrônica, talvez nunca tenha ouvido falar deles. Mas são grandes expoentes da EDM (a “electronic dance music”) e atraem multidões a festivais e raves espalhadas pelo mundo. O bom é que são músicas boas de se ouvir e, principalmente, um material excelente para você interferir e criar suas próprias versões.

Para isso, você vai contar com uma “ajudinha”. Quer dizer, “ajudinha” não: é uma baita ajuda. ‘Electronauts’ foi construído com uma espécie de “autotunes” e por causa disso é bem difícil você fazer algo fora do ritmo ou que soe desagradável. O estúdio chama essa interface de Music Reality Engine.

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MAS É FÁCIL MESMO?

Quem já tem conhecimento prévio de música ou mesmo de remixagem vai tirar melhor proveito do aplicativo, mas a interface dele é tão intuitiva que o torna acessível a qualquer pessoa. O aplicativo oferece um breve tutorial e depois te deixa livre para criar. Devo ressaltar, porém, que este tutorial é breve demais, deixando de fora, por exemplo, explicações sobre como funciona o recurso de montar arranjos (“arrangement”). Percebendo isso, a Survios tem postado em seu canal no YouTube alguns vídeos com explicações adicionais, que incluirei no decorrer deste review.

Tutorial: como usar a ferramenta “arrange”

Cada música tem diferentes trechos (“tracks”), que iniciam sempre pela intro e incluem outras batidas, como break, groove, build, drop, trap, entre outras. Cada batida tem seus próprios acompanhamentos (“stems”), incluindo guitarras, baixo, bateria, palmas, teclados e por aí vai. Você pode alternar entre as tracks a hora que quiser, quantas vezes quiser.

Os instrumentos básicos do aplicativo são as orbs. A maioria das músicas têm dois conjuntos de orbs, que vêm agrupadas em 7. Usando os bastões que emulam os PS Moves, você pode tocar essas orbs como se fossem uma bateria. Também pode deixar uma sequência gravada e repeti-la quantas vezes quiser. O mesmo vale para uma espécie de harpa eletrônica.

Você também pode adicionar efeitos usando um conjunto de 5 granadas – cada uma soando diferente. Elas explodem no cenário e criam um efeito especial todo particular. Outra ferramenta em divertida é o cubo FX (ou “FX Cube”). Ele pode alterar a música de várias maneiras, como você pode conferir no vídeo abaixo:

Tutorial: como usar o FX Cube

FAZ UMA SELFIE AÍ!

‘Electronauts’ também é um aplicativo social e os desenvolvedores deram uma atenção especial ao aspecto visual. São diferentes cenários, onde sua pick-up virtual se transforma em uma nave sob seu comando numa verdadeira viagem musical pelo espaço. Você estará usando um traje de astronauta, com corpo completo – algo raro entre os games para realidade virtual.

Você pode utilizar uma câmera com pau de selfie para mudar a perspectiva pela qual seus espectadores vão te assistir. Inclusive, é esta a imagem que aparece na tela social da TV ou quando você faz uma transmissão pelo YouTube ou Facebook. Você também pode alterar as cores do ambiente, mudando também as cores do DJ.

Graficamente, é um aplicativo bonito, com visual nítido e interface clean. O jogo está todo em inglês (áudio e interface), sem opções de outros idiomas. Sobre o aspecto sonoro, não preciso falar mais nada, já que este é o prato principal do aplicativo.

Tutorial: usando as ferramentas básicas

E O QUE ‘ELECTRONAUTS’ NÃO TEM?

O aplicativo tem algumas lacunas, mais por questões técnicas, direitos autorais e limitações financeiras do que pela vontade de seus desenvolvedores, como eles deixaram claro em um bate-papo com usuários do Reddit, alguns dias atrás.

A versão para Playstation VR, por exemplo, ficou sem multiplayer online pela dificuldade do estúdio de encontrar um designer que trabalhe com a engine Unity no PSVR nesse ponto específico.

Outra coisa que o aplicativo não permite é importar suas próprias canções para remixá-las ou exportar aquilo que você criou. Mas, como os criadores disseram no bate-papo citado acima, isso está em discussão interna – e o aplicativo ainda deve receber muitas atualizações.

Aliás, o app está recebendo atualizações constantes, então certifique-se de fazer os updates antes de começar a jogar. No dia do lançamento, por exemplo, foram adicionadas oito músicas. Novas faixas e estilos musicais devem ser adicionadas em atualizações gratuitas.

Uma coisa que eu gostaria de ver é a possibilidade de alterar o BPM (batidas por minuto) das músicas, para deixa-las mais rápidas ou mais lentas. Também seria interessante se você pudesse misturar duas faixas, criando mash-ups. Mas, como os desenvolvedores deixaram claro, ‘Electronauts’ não é um aplicativo fechado – e podemos esperar muitas novidades nos próximos meses.

Confira um profissional em ação em ‘Electronauts’


VEREDITO

‘Electronauts’ é a melhor experiência musical disponível no Playstation VR. Não conheço muito o mercado de PCVR, mas creio que o mesmo se possa dizer do HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality. Não é um jogo – e talvez careça do aspecto competitivo presente em games musicais tradicionais, como ‘Guitar Hero’, ‘Rock Band’ e ‘Beat Saber’. Sua essência, de fato, se afasta da experiência de apertar botões ou executar ações no momento certo. Nele, você é livre para fazer o que quiser, na hora que quiser. Isso pode afastar um pouco quem espera algo mais “pré-definido”. No entanto, para todo mundo que gosta de música, é uma experiência imperdível. Nota: 10/10 [Imperdível].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Electronauts’
Gênero: Aplicativo/experiência musical
Estúdio: Survios (https://survios.com/electronauts)
Data de lançamento: 7 de agosto de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality
Preço: R$ 61,50 *(PS Store Brasil) | US$ 19,99 * (PS Store EUA)
Controles suportados: Dois PS Moves
Idioma: inglês (áudio e interface – sem suporte a outros idiomas)
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 1,54 GB
* Membros PS Plus têm desconto de 20% até o dia 21 de agosto de 2018

[Este review foi feito no PS4 Pro, usando uma cópia digital gentilmente cedida pela Survios]

[review] Já pensou em se tornar um astronauta? ‘Detached’ é o mais próximo que você pode chegar

Uma das barreiras para a popularização massiva dos headsets de realidade virtual é um troço chamado “cinetose” (também conhecida como “enjoo de movimento” ou “motion sickness”). Diante disso, vários títulos têm usado recursos para tentar diminuir ao máximo esse problema, com a inclusão de “blinders” (vinheta que reduz seu campo de visão), o abominado teleporte e o giro em graus. ‘Detached’, do estúdio polonês Anshar Studios, vem na direção oposta e traz uma experiência extrema ao Playstation VR e PCVRs (HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality), desafiando o estômago dos mais experientes jogadores de realidade virtual. É, simplesmente, o mais próximo que pessoas comuns, como eu e você, podem chegar de se tornar um astronauta.

O enjoo de movimento é um assunto sério quando se trata de ‘Detached’. Antes mesmo de comprá-lo, você se depara com o seguinte aviso na página do jogo na Playstation Store: “Atenção! Esteja preparado para uma experiência em realidade virtual que simula variações de velocidade repentinas, queda livre e giros no espaço. Não indicada para jogadores que sofram de enjoo de movimento”. Portanto, ninguém pode dizer que não foi avisado.

Mas quão extremo é ‘Detached’? Vamos colocar em termos comparativos. E os melhores jogos para fazer isso são ‘StarBlood Arena’ (que esteve grátis um tempo na Plus, então muitos jogadores já tiveram acesso a ele) e o multiplayer ‘Eve Valkyrie: Warzone’. Se você já jogou um desses dois e não sentiu enjoo, está pronto para ‘Detached’. Se não, talvez seja o caso de experimentar outros jogos antes – com o tempo e um pouco de dedicação, praticamente todos os jogadores podem se livrar da maldita cinetose.

Os controles de ‘Detached’ se assemelham aos de uma nave, com o diferencial que você está usando um traje de astronauta em um ambiente de microgravidade (erroneamente conhecido como “gravidade zero”, ou “zero-G”). O analógico esquerdo serve para você se mover para os lados, para frente e para trás. No analógico direito você determina a direção – e é aí que mora um dos maiores desafios em termos de cinetose. Você pode girar o corpo para olhar para qualquer direção – e isso, por si só, já vai deixar a cabeça de alguns jogadores girando, literalmente. Outro movimento extremo é a rotação, que serve para você corrigir o seu eixo, usando os botões L1 (para a esquerda) e R1 (para a direita). Esta rotação é imbatível no quesito “cinetose”.

DIFICULDADE E JOGABILIDADE

O fator “movimentação” é tão importante no jogo que ele determina até o nível de dificuldade de ‘Detached’. Assim, temos, do mais fácil para o mais difícil, os modos “Arcade”, “Astronaut” e “Simulation”. O Arcade é, de longe, o mais indicado para os iniciantes. Os outros dois modos simulam a microgravidade de tal maneira que fica extremamente difícil ir do ponto A ao ponto B.

Nos modos mais difíceis, os movimentos exigem uma sutileza e até mesmo conhecimentos de física, para trabalhar com a inércia e o princípio de ação e reação. Qualquer movimento que você faz precisa ser corrigido (compensado) para o lado oposto, devido à aceleração típica da microgravidade. Em alguns momentos, jogando no “Astronaut” ou no “Simulation”, me vi girando interminavelmente, feito a personagem de Sandra Bullock em ‘Gravidade’. Interminavelmente…

De certa forma, esta é a melhor e mais realista experiência que ‘Detached’ pode proporcionar, mas, definitivamente, não é para qualquer um. Mas nada impede que você passe alguns minutos (horas, talvez?) apenas treinando. Por si só, é um desafio que vale a pena e que só a realidade virtual pode proporcionar.

A boa notícia é que você pode alterar o nível de dificuldade do jogo a qualquer momento, sem precisar repetir trechos ou algo do tipo. Voltemos, portanto, ao modo “Arcade”. Nele, os controles são bastante responsivos, mas os efeitos da microgravidade são infinitamente menores. Temos inclusive um botão de freio, que faz com que você pare quase que instantaneamente, tornando-se extremamente útil para evitar colisões. Aliás, você deve se preocupar em não bater o tempo todo: seu capacete é frágil – e após sofrer alguns golpes, é “game over”.

Além de simulador espacial, ‘Detached’ também é um jogo de sobrevivência. Você precisa ficar bastante atento aos seus níveis de oxigênio e combustível (“fuel”). Há alguns itens espalhados pelo caminho que você usa para renová-los. Se chegar a zero, a morte é certa. E apavorante!

‘Detached’ também é um jogo de exploração espacial. Isso significa que, exceto em ocasiões muito específicas, o jogo não vai te mostrar para onde ir ou qual caminho seguir. Você estará exatamente como o personagem do jogo: sozinho e por sua própria conta. As pistas serão dadas apenas em telas de computadores que mostram os sistemas que estão offline e que você precisa religar. Isso resulta em alguns momentos de confusão, nos quais você estará, literalmente, “perdido no espaço”.

LARGADO NO ESPAÇO

‘Detached’ possui apenas um fio de história, contada através de uma animação em 2D que lembra uma história em quadrinhos. Algo dá errado em uma missão considerada “simples” e você é deixado à deriva (“detached”) por seus companheiros. Seu trabalho será reativar os sistemas de uma estação abandonada para tentar se reencontrar com os demais integrantes da equipe. Sobre a animação que conta a história do jogo, aliás, preciso fazer uma observação: a arte conceitual é totalmente diferente da que aparece no material promocional do jogo, incluindo a tela que surge a cada carregamento, com trajes futuristas que lembram ‘Mass Effect’.

As missões do jogo consistem basicamente em se locomover de um ponto a outro, enquanto reativa os sistemas. No decorrer da campanha, você vai recebendo alguns “upgrades”/habilidades em seu traje, que permitirão você usar um propulsor, escudo contra colisões e até mísseis. Eles vão servir para você entrar em tubos de propulsão que te jogam para trás, evitar a morte certa em colisões e mesmo disparar contra drones.

Em determinado trecho (um dos mais difíceis do jogo – e onde, com certeza, é o que mais morri), você é atirado de dentro de uma cápsula e precisa ejetar em seguida para não morrer [confira o gif animado abaixo]. Depois, terá que se esquivar, em alta velocidade, de vários obstáculos pelo caminho, até atingir o outro lado. Outros trechos exigem que você procure “nódulos de energia” (baterias, no bom português) para ativar sistemas específicos. E, em alguns casos, eles podem estar beeeem escondidos.

A campanha dura em torno de 4 a 6 horas, mas a duração dependerá muito de quanto tempo você ficará perdido tentando encontrar respostas. Esse tempo pode ser estendido se você quiser platiná-lo ou mesmo jogar o multiplayer. São dois modos PVP (jogador contra jogador), com disputas 1 contra 1, bem explicados por um vídeo-tutorial. Um deles consiste em uma espécie de corrida e no outro você tem que recuperar recursos antes que o seu adversário. Mas, nas poucas vezes em que tentei jogá-los, não encontrei nenhum oponente. Reforço, contudo, que minha banda larga é péssima e talvez nem merecesse esse nome.

QUESTÕES TÉCNICAS

‘Detached’ possui um visual de encher os olhos. Os gráficos são bastante realistas, mas sofrem com alguns serrilhados típicos do Playstation VR, mesmo jogando em um PS4 Pro. Os problemas incluem ainda texturas brotando quando você se aproxima delas, algo que também devemos colocar na conta da capacidade inferior de processamento do Playstation 4.

Apesar disso, a sensação de estar no espaço é incomparável. Os efeitos de iluminação – especialmente quando você olha em direção ao Sol – e as sombras são incríveis. Aliados a um design de som competente e uma trilha bem pontuada, estes quesitos contribuem para criar uma imersão fantástica.

Apenas um fator de jogabilidade quebra um pouco a imersão e merece ser anotado. No jogo, você não tem braços nem interage ativamente com objetos dos cenários. O jogo te dá apenas um ícone em forma de “mãozinha” para interagir com os painéis/monitores do jogo. Não há alavancas para puxar ou escotilhas para abrir, por exemplo. No entanto, é preciso levar em conta que, tecnicamente, introduzir mãos virtuais em um jogo como esse seria de fato bem complicado – mesmo porque o game só tem suporte ao Dualshock 4, dadas as visíveis limitações de movimentação dos PS Moves, desprovidos de direcionais.

Não há opções de idioma em português. Mas o menu oferece uma opção para quem sente enjoo de movimento mas quer enfrentar o game mesmo assim. É a “eagle eye view”, um “brinder” que reduz seu campo de visão e que pode ser nivelado de 0 a 100. Você também pode desativar a música do jogo e curtir sua trilha sonora preferida usando um pen-drive ou o Spotify.

Senti falta no jogo de um tutorial mais aprofundado. As instruções que ele oferece são bem básicas. Poderia ter um modo de treinamento, inspirado nos testes pelos quais os astronautas reais passam, onde os jogadores pudessem se acostumar à microgravidade e desafiar a cinetose. Fica como sugestão.

VEREDITO

Definitivamente, ‘Detached’ não é para todos no quesito “cinetose”. Mas, fora alguns trechos mais movimentados, a velocidade dele é inferior a games como ‘Eve Valkyrie’ e ‘Starblood Arena’, o que, de certa maneira, pode fazer com que o jogo sirva como uma introdução a quem quer enfrentar experiências mais extremas de realidade virtual. Até o momento, é uma experiência única nessa seara (pelo menos no Playstation VR) e vale cada centavo cobrado por ela. Nota: 9/10 [Excelente]


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Detached’
Gênero: Simulador de exploração espacial e sobrevivência
Estúdio: Anshar Studios (http://ansharstudios.com)
Data de lançamento: 24 de julho de 2018 (PSVR)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality
Preço: R$ 76,90 (PS Store Brasil) | US$ 24,99 (PS Store EUA) | R$ 47,49 (Steam)
Controles suportados: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | 2 (multiplayer online – para jogar online é necessária a PS Plus)
Espaço em disco: 4,48 GB

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pelo Anshar Studios]

Assista ao trailer de ‘Detached’

[review] ‘Pixel Ripped 1989’ é uma viagem imersiva no mundo dos games

– Não dá pra ficar em casa só jogando videogame, né? – pergunta a repórter, indignada com a falta de professores na escola.

– Dáááá!! – responde o menino, com toda a espontaneidade e a inocência que só as crianças têm, para surpresa total da jornalista. [Se você não sabe do que estou falando, confira aqui este vídeo hilário].

O pequeno João, personagem real desse diálogo, fala em nome de milhares de jogadores espalhados por todo o mundo. Eu, o João e você que está lendo esse review amamos videogame e, se pudéssemos, deixaríamos de lado nossos afazeres diários para passar o dia inteiro só jogando. Mas não dá, né João? Pois é.

Assim também acontece com Nicola, a menina de nove anos de idade que é a personagem principal de ‘Pixel Ripped 1989’, primeiro game desenvolvido pela brasileira Ana Ribeiro em parceria com o estúdio Arvore Immersive Experiences, de São Paulo, e recém-lançado para os headsets de realidade virtual (Playstation VR, Oculus Rift, HTC Vive e Windows Mixed Reality).

Nicola finge que não ouve sua mãe quando ela diz para parar de jogar e ir brincar lá fora, leva seu console portátil pra escola e fica jogando em plena sala de aula e, claro, não larga o videogame na hora do recreio. Sua mochila e materiais escolares estão repletos de botons e adesivos de seus jogos preferidos. Os cartuchos dos jogos e revistas sobre games ficam amontoados sobre sua carteira.

A protagonista do jogo preferido da menina, também chamado de ‘Pixel Ripped’, é a fofíssima Dot. Dentro do seu mundo pixelizado, Dot também joga videogames (!), mas é convocada a se unir a Nicola para derrotar um vilão que roubou a “Pixel Stone” e está ameaçando o mundo de Farofa Land (sim, Farofa Land!). É aí que duas realidades se juntam e o jogador entra na pele de Nicola e controla Dot, tudo ao mesmo tempo.

‘Pixel Ripped 1989’ é uma grande homenagem aos games clássicos, desde os primórdios dos videogames, quando tudo se resumia a pontos em uma tela em preto e branco, até as gerações de 8 e 16 bits e os consoles portáteis. O jogo é recheado de referências aos títulos que fizeram a nossa alegria nas décadas de 1980 e 1990. A heroína Dot, por exemplo, é uma espécie de versão feminina de Mega Man, com boas pitadas de Sonic. Seu mestre lembra o Mago Negro de ‘Final Fantasy’ e seu “crush” é o próprio cavaleiro de ‘Ghosts’n Goblins’.

Mas muitas outras referências são feitas no decorrer do jogo – ‘Super Mario’, ‘Zelda’, ‘Battletoads’, ‘Alex Kid’, ‘Golden Axe’, ‘Castlevania’, ‘Duck Hunt’, ‘Tetris’, ‘Pac-Man’ e ‘Pokémon’ são algumas delas. Pra quem jogou esses games na época em que foram lançados ou é fã de games retrô, ‘Pixel Ripped 1989’ é uma deliciosa viagem no tempo, complementada por outros ícones da época, como o brinquedo pogobol, ‘Playboys’ em 3D, canetas de 12 cores, cubos mágicos, a revista especializada SuperGamePower e a inútil (mas agora cult) Power Glove. Não é à toa o que é feita uma menção ao filme ‘De Volta para o Futuro’.

Assista ao video-review de ‘Pixel Ripped 1989’

JOGABILIDADE

‘Pixel Ripped 1989’ é essencialmente um jogo de plataforma e sua principal referência é ‘Mega Man’, com boas pitadas de ‘Sonic’. Fiel aos jogos da época, o jogo tem apenas dois botões – um de pular, o outro de atirar e correr, além do direcional. Você joga o tempo todo segurando o console portátil “Gear Kid” (versão disfarçada do “Game Boy”). Não por acaso, o ano de 1989 se refere diretamente ao ano de lançamento do Game Boy, da Nintendo.

Ao todo, são quatro fases (mais uma fase bônus) e a campanha dura em torno de 2 a 3 horas. Durante a 1ª e a 3ª fases, você precisa ficar muito atento ao ambiente em volta: Nicola está jogando dentro da sala de aula – e se você for pego três vezes pela professora, é “game over”!

Por isso, é preciso distrair a carrancuda tutora, usando um tubo de caneta Bic como zarabatana. Quem nunca atirou bolinhas de papel assim na escola, hein? Quando a professora manda prestar atenção na aula, você deve olhar para a caneta para pegá-la, usando apenas o tracking do headset, e direcionar para um dos pontos brilhantes espalhados pela sala. Coisas hilárias vão acontecer! Em uma delas, um jogador com a camisa da seleção brasileira surge, tropeça no meio da sala (uma referência clara ao atacante Neymar) e depois se joga pela janela.

As quatro fases terminam com uma “Boss Fight”, em que as duas realidades do game se fundem. Os personagens do jogo pulam da tela para dentro da sala de aula, unindo-se a elementos do cenário. A jogabilidade permanece sendo 2D, mas com elementos em 3D que criam uma experiência fascinante. São momentos de realidade aumentada dentro de um jogo de realidade virtual.

O jogo tem cutscenes engraçadas, um nível de dificuldade elevado (principalmente na luta final contra o chefe) e um bom valor de replay. Após terminá-lo, o desafio será encontrar todos os cinco cartuchos secretos espalhados pelas quatro fases, para liberar “skins” extras para o seu “Gear Kid” (para isso, não deixe de atualizar o jogo com o update liberado no dia do lançamento). Conseguir os 14 troféus o jogo (não há platina) e esmiuçar todas as suas referências a outros jogos vai estender por algumas horas seu tempo de gameplay.

Graficamente, quando se trata do “jogo dentro do jogo”, ‘Pixel Ripped’ se atém ao visual da época, com seus gráficos pixelizados e sem cores (exceto na fase final). No mundo de Nicola, temos animações em 3D bem feitas, mas evidentemente limitadas pelos poucos recursos de uma produção indie. O visual é bem nítido.

O áudio segue os mesmos princípios: dentro do mundo pixelizado, é impossível entender o que os personagens falam – ouvimos apenas barulhos e as falas são legendadas. Do lado de fora, temos uma dublagem em inglês competente, apesar das vozes das crianças, em alguns trechos, parecerem ter sido gravadas pelo mesmo ator.

Não há localização em português nem a nenhum outro idioma. Mas isso não compromete a compreensão da história nem impedirá ninguém de terminar o jogo. Todas as cenas são ilustradas por animações que deixam claro o que está acontecendo. Você joga usando o Dualshock 4, sem suporte a qualquer outro controle. Como se trata de um jogo estático, não há perigo de enjoo de movimento, exceto em um momento em que sua cadeira se “eleva” na transição de uma cena a outra.

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VEREDITO

Games retrô e realidade virtual costumam ser coisas separadas uma da outra. Enquanto uma aponta pro passado, a outra se projeta para o futuro dos videogames. Com ‘Pixel Ripped 1989’, a designer brasileira Ana Ribeiro consegue unir as duas coisas de forma bastante equilibrada, resultando em uma das melhores homenagens que os games clássicos poderiam receber. Tudo é feito com primor, com atenção aos detalhes e respeito ao material original, mas estabelecendo sua própria identidade. Não é à toa que o jogo levou mais de quatro anos para finalmente ganhar o mundo. Já estamos esperando pelos próximos capítulos dessa história. NOTA: 10/10 [Excelente]


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Pixel Ripped 1989’
Gênero: Jogo de plataforma
Estúdio: Arvore Immersive Experiences (www.pixelripped.com)
Data de lançamento: 31 de julho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift, HTC Vive e Windows Mixed Reality
Preço: R$ 76,90 (PS Store Brasil) | US$ 24,99 (PS Store EUA)
Idioma: Inglês (áudio e interface)
Controle: Dualshock 4
Espaço em disco: 1,76 GB
Jogadores: 1 (sem multiplayer)

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo estúdio Arvore Immersive Experiences]

 

[review] Terror espacial ‘The Persistence’ é o melhor jogo lançado para o PSVR neste ano

Desde que ‘Resident Evil 7: Biohazard’ foi lançado para o Playstation VR – e isso já tem mais de um ano – os amantes de first-person survivals (jogo de sobrevivência em primeira pessoa) vinham esperando um jogo com a mesma qualidade. Criado pelo estúdio britânico Firesprite (que já deixou sua marca em games como ‘The Playroom VR’ e na série ‘WipEout’), ‘The Persistence’ tem tudo para agradar os fãs do gênero – ou mesmo quem quer se aventurar nesse estilo de jogo pela primeira vez. Indo direto no ponto, ‘The Persistence’ é o melhor jogo lançado para o PSVR neste ano.

O jogo se passa no longínquo ano de 2521, dentro de uma nave chamada “Persistence”, que foi puxada por um buraco negro e encontra-se severamente danificada. Na pele da oficial de segurança Zimri Eder, seu trabalho será consertar a nave para tentar retornar à Terra, enquanto enfrenta vários tipos de aberrações. Ela é a única sobrevivente da nave e terá que contar com suas habilidades militares para sobreviver em um ambiente aterrorizante que lembra os excelentes ‘Dead Space’ e ‘Dead Space 2’, do Playstation 3.

O terror espacial ‘The Persistence’ é um first-person survival, mas não apenas isso. É também o primeiro jogo estilo “roguelike” do PSVR. E o que isso significa? Nesse tipo de jogo, originário dos RPGs, cada vez que morre, você tem que começar do início e o mapa se altera – o que inclui a disposição dos itens, inimigos, armas e suprimentos que você vai encontrar pelo caminho.

Sabe aquele negócio de decorar caminhos, aprender exatamente onde está a arma que você procura ou estar preparado para aquele “jump scare” que acontece sempre no mesmo lugar? Isso não existe em ‘The Persistence’. É tudo aleatório – ou procedural, como os estúdios preferem dizer. Isso confere um frescor adicional ao game a cada vez que você inicia a jogatina, além, é claro, de uma dose extra de tensão.

Cada vez que você morre, você recomeça do início e perde todas as armas que conquistou até ali. Mas não perde tudo. Todas as células-troco (SC) que você coletou, além de chips fabricação (fab-chips), fichas de érebo e diagramas permanecem no seu inventário, assim como todos os upgrades que você fizer. Morrer, ao final das contas, não significa perder tudo. Você estará mais forte – e mais experiente – da próxima vez que enfrentar aquele inimigo que te matou.

O fato de ter que recomeçar quase do zero acrescenta um clima de tensão especial a um jogo que já é tenso – repleto de cenários escuros, barulhos que você não sabe de onde vêm e inimigos dos mais bizarros. Entre eles, merecem menção especial um gigante que pode te matar com apenas um único golpe, uma magricela que chora feito criança e um sujeito eletrificado que anda lentamente, mas parece ser imortal.

O game tem cinco objetivos principais. Se cumprir um objetivo, ele servirá de check-point. Ao morrer, você retorna para o último check-point. Um alívio para quem pensou que teria que terminar toda a campanha em uma única vida. Segundo os desenvolvedores, a campanha dura em torno de 8 horas, mas você vai passar disso tranquilamente. Eu, por exemplo, terminei em quase 15 horas, fazendo quase todos os upgrades possíveis.

Você joga usando o Dualshock 4. Não há suporte à Aim Controller nem aos PS Moves – os desenvolvedores descartaram totalmente o uso da Aim, mas avaliam implementar os Moves em um patch futuro. Mas, pelas características do jogo, posso dizer que o estúdio fez uma excelente escolha ao usar o DS4. Os controles funcionam perfeitamente, são bem responsivos e estão bem mapeados. Jogar com os atuais Moves, sem direcionais, me parece uma tarefa difícil demais pelo tipo de jogo que ‘The Persistence’ é.

A movimentação é livre, sem opção de teleporte. Na verdade, o jogo tem teleporte, mas é uma mecânica complementar da locomoção livre. Cada vez que você teleporta, gasta um pouco da sua barra de “matéria escura”. Jogar o game inteiro apenas com o teleporte parece para mim quase impossível, porque você também usa a matéria escura no supersentido – visão especial que mostra a localização dos inimigos mesmo através de paredes. Para ajudar a ver os inimigos nos cenários mais escuros, você pode acionar uma lanterna – que felizmente tem bateria infinita.

Para quem sente enjoo de movimento, o jogo tem várias opções para amenizar o problema. A locomoção é lenta e não há botão para correr, você pode colocar o giro em graus e adicionar um blinder (vinheta escura) para reduzir seu campo de visão.

Assista ao video-review de ‘The Persistence’

GAMEPLAY

A jogabilidade sofreu várias alterações em relação à demo lançada no ano passado. O escudo foi aprimorado, mas é importante você usar suas habilidades de “stealth” para surpreender os inimigos e não morrer à toa – principalmente no início. Você pode, por exemplo, se esgueirar entre dutos de ventilação para chegar nas costas do zumbi e atacá-lo com sua coletora de células-tronco.

A coletora é a sua principal arma do jogo. Você pode usá-la como uma arma corpo-a-corpo, mas ela é melhor aproveitada quando você ataca os inimigos por trás, enfia um gancho neles como se fosse um “taser” e coleta suas células-tronco – recurso indispensável para fazer upgrades.

Espalhadas pelas quatro plataformas da nave, você vai encontrar máquinas que fabricam armas. A moeda lá são os fab-chips, itens azuis que você junta por todos os cantos da nave. Cada máquina fabrica um tipo específico de arma – e são quatro máquinas ao todo: armas de corpo a corpo, armas de fogo, granadas e armas experimentais. As armas vêm com poucas balas e depois que você usa a máquina é preciso esperar um tempo para poder utilizá-la novamente.

Os variados tipos de armas possibilitam diferentes tipos de abordagem, permitindo que você molde seu próprio estilo de jogo. O arsenal inclui desde armas mais tradicionais, como pistolas e revólver às divertidas armas experimentais, que incluem uma espécie de gancho antigravitacional, um soro que te deixa furioso e invencível por alguns segundos e uma serra giratória que mata os inimigos instantaneamente. Outro recurso bem divertido é o soro de Hera, uma arma corpo a corpo que torna qualquer inimigo seu aliado, com um singelo coraçãozinho na cabeça. Mas não tente usar em mais de um inimigo ao mesmo tempo – inexplicavelmente, seus aliados brigam entre si.

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Aberrações como esta estão à sua espreita em ‘The Persistence’

UPGRADES

O jogo tem uma gama tão vasta de upgrades que é até difícil falar de todos. Você pode aprimorar todas as 17 armas, trajes, teleporte, matéria escura e até mesmo os seus clones. Então, para não confundir, vamos por partes.

Na sala principal do jogo (para onde você retorna após morrer), você pode fazer upgrades no seu clone – cada vez que você morre, um novo clone é impresso e os upgrades se mantêm. As melhorias no clone são quatro: silêncio (para se movimentar silenciosamente), dano corpo a corpo, matéria-escura (que você usa no supersentido e no teleporte) e vida (para aumentar sua vida máxima). Esses upgrades são feitos com as células-tronco que você coleta.

Durante o jogo, você coleta diagramas que caem (“dropam”) dos inimigos e que podem ser de quatro tipos: comuns (verdes), incomuns (azuis), raros (roxos) e épicos (amarelos). Cada diagrama é usado em uma máquina da sala principal do jogo para aprimorar um aspecto específico da sua personagem – traje (que dão vantagens variadas), teletransportador, coletora de células-tronco, campo de força e supersentido. Para fazer esses aprimoramentos você gasta fab-chips.

As armas também podem sofrer upgrades, que aumentam a quantidade de balas ou a duração dos seus efeitos. Esses upgrades gastam fichas de érebo (item amarelo). Você faz esses upgrades nas próprias máquinas que encontra pelo caminho. Aprimorar uma arma também aumenta o custo dela.

Assista ao vídeo ‘The Persistence’ – A Primeira Meia Hora

REPLAY SEM FIM

Uma reclamação constante – e até justa – dos jogadores de Playstation VR é que há uma grande quantidade de jogos de pouca duração e, às vezes, nenhum valor de replay. ‘The Persistence’ vai no caminho oposto e traz um valor de replay formidável, pelas suas próprias características de “roguelike”. O jogo envolve uma quantidade bem dosada de “grinding” (quando você precisa coletar itens e fazer upgrades para evoluir seu personagem e enfrentar inimigos mais difíceis).

Não há opção de alterar a dificuldade do jogo e a campanha principal tem um bom nível de desafio, especialmente na parte final de cada plataforma. Além dos cinco objetivos principais, tem algumas ações opcionais que você fazer para aprimorar seu personagem, como coletar caixotes de suprimentos (enfrentando uma série de inimigos para obter o prêmio) ou reunir objetos de membros da tripulação. Para se orientar, você pode usar um mapa que você leva consigo e marcar o seu destino.

Complementando o valor de replay, o estúdio Firesprite criou um aplicativo gratuito para smartphones (procure por “The Persistence”) em que até quatro amigos podem acompanhar o jogador de headset, ajudando-o ou atrapalhando-o. Os amigos podem, por exemplo, abrir ou fechar portas, congelar ou incitar inimigos, acender ou apagar as luzes, entre outras coisas. Em algumas situações, podem até decidir se o jogador vai encontrar bons ou maus itens na sala em que entrar. É uma experiência cooperativa (ou competitiva) única no Playstation VR – e talvez até no mundo dos games!

Após zerar o jogo, você destrava o modo survival. Não custa dizer, também, que o game tem três finais possíveis. Por fim, para os caçadores de troféu, o jogo é um belo desafio em busca de uma platina.

Visualmente, é um jogo muito bem definido, com cenários e modelos de inimigos impecáveis, resultando em um nível de imersão incrível. O áudio contribui para criar esse clima de terror, onde placas desabam do teto para te dar aquele susto onde você menos espera. O áudio do jogo está todo em inglês, com suporte a legendas em português do Brasil.

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Este é um exemplo de tela do app gratuito de ‘The Persistence’. Por ele, seus amigos podem jogar com você! 

VEREDITO

‘The Persistence’ é uma das melhores experiências disponíveis atualmente no Playstation VR. Você pode incluí-lo facilmente em qualquer top 10 do PSVR. É um legítimo representante do survival horror espacial e vale cada centavo que você pagar por ele. Estamos diante do melhor jogo lançado este ano para o headset do PS4. Nota: 10/10 [Excelente].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘The Persistence’
Gênero: First-person survival
Estúdio: Firesprite (https://firesprite.com)
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Lançamento: 24 de julho de 2018
Preço: R$ 91,90 (PS Store Brasil) | US$ 29,99 (PS Store EUA)
Controle suportado: Dualshock 4
Idioma: Inglês (áudio) e português (legendas e interface)
Jogadores: 1 (offline) | 2-5 (com o aplicativo para celulares ‘The Persistence’)
Espaço em disco: 2,24 GB

[Este review foi feito com mídia digital cedida pelo estúdio Firesprite]

 

[review] Shooter chinês ‘The Walker’ exorciza demônios com tiros e espadadas

Esqueça aquela imagem do padre exorcista combatendo o demônio com o uso de crucifixo, água benta e muita oração. Em ‘The Walker’, o personagem principal (no caso, você) exorciza os demônios na base da bala e golpes de espada. O jogo, desenvolvido pelo estúdio Haymaker e publicado pela Winking Entertainment, faz parte do China Hero Project, ação da Sony que visa apoiar e localizar para o Ocidente uma série de jogos daquele país.

No game, que se passa na Xangai atual, você descobre ser o último herdeiro de uma longa linhagem de exorcistas que remonta à Dinastia Song (960 a 1279 d.C.). Você é convocado por um sujeito de capuz a expurgar o mal que está atacando a cidade, armado com um revólver, uma espada e dois talismãs mágicos.

Esse é o enredo básico de ‘The Walker’, que é tão divertido quanto um wave-shooter consegue ser. O jogo chama a atenção pelos gráficos bem realistas e pela atmosfera de tensão constante – alguns trechos podem ser bem assustadores. O fato de estar legendado em português de Portugal também é um ponto a ser levado em consideração pelos jogadores brasileiros. Há outras opções de idiomas, dependendo do idioma em que seu console está configurado, mas o áudio é sempre em chinês.

O ponto negativo é que ‘The Walker’ é um shooter em que você não anda, o que não deixa de ser irônico, considerando o nome do jogo. Não há nenhum tipo de movimentação dentro do game, mas você pode se movimentar fisicamente, andando um pouco para os lados para desviar de projéteis inimigos ou para frente para atacar com a espada, por exemplo. Você também pode se esquivar ou se abaixar, usando o tracking do headset. É uma mecânica que lembra outros shooters estáticos, como ‘SuperHot VR’ e ‘Blasters of the Universe’.

Confira abaixo como é o gameplay do jogo, no vídeo do canal PSVR Brasil

GAMEPLAY

‘The Walker’ possui um total de cinco fases, além de um breve tutorial e uma introdução. Em cada fase, seu objetivo será matar as ondas (“vagas”, no português de Portugal) de inimigos que vão aparecendo. Apesar de virem em grande quantidade, eles são de apenas três tipos: um magrelo rastejante que anda pelas paredes e parece o Gollum de ‘O Senhor dos Anéis’; um cavaleiro de espada e escudo que parece ter saído de ‘Dark Souls’; e um arqueiro, que parece com o cavaleiro, mas que fica te atirando flechas de longe.

Os inimigos, principalmente os “Golluns”, andam bem lentamente, sendo alvos fáceis para os seus tiros. Mas, se atingidos no corpo, eles aceleram e podem ficar mais agressivos. O cavaleiro usa um elmo que precisa se arrancado à bala para que você consiga um “headshot”. Os tiros na cabeça, aliás, são importantes para você conseguir a maior pontuação ao final de cada fase. A cada tiro acertado, aparece a pontuação na tela referente àquele disparo.

Se os inimigos são meio lerdos, seu arsenal também é limitado. Você começa apenas com um revólver, uma espada e dois talismãs (um de gelo e outro de choque). O revólver tem apenas seis balas no cartucho e só recarrega após você disparar a última bala. Faz falta aí um botão de recarregar para deixar o combate mais estratégico. A munição, por outro lado, é infinita.

Na mão direita, você aperta o botão Move para trocar para a espada – que é usada mais nos momentos de aperto, quando os inimigos se aproximam o suficiente. Com ela, você pode bloquear os ataques inimigos e até mesmo os projéteis. Na mão esquerda, você aciona os dois talismãs – gelo e choque. Você pega um deles e passa na arma que quer utilizar, aumentando o dano dos disparos ou golpes. No revólver, o talismã dura apenas dois disparos. Na espada, a duração parece ser por tempo.

Os inimigos vêm de todas as direções e você usa dois botões do PS Move para girar para os lados. A rotação é em 45° e não há qualquer opção para deixar giro livre ou diminuir o ângulo do giro. Aliás, o jogo não te dá nenhuma opção de nada. Nem existe menu. O mais próximo disso é a casa do protagonista, que funciona como um lobby onde você pode selecionar fases, verificar seu desempenho ou repetir fases anteriores. É possível jogar também com o Dualshock 4 também, mas não recomendo. Fiz apenas um teste e me pareceu muito truncado – como ocorre, invariavelmente, em quase todos os jogos desse tipo.

Durante o jogo, você enfrenta dois bosses que dão um pouco mais de variedade à jogatina. A primeira é a Mulher-Corvo, cuja aparência é bem bizarra e me lembra os monstros mais esquisitos de ‘Bayonetta’ e ‘Dante’s Inferno’. O combate contra ela é bem próximo e dinâmico – é o momento em que mais usei a espada. O boss final é um demônio grandalhão que fica jogando coisas na sua direção e você precisa se esquivar.

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QUESTÕES TÉCNICAS

Visualmente, ‘The Walker’ é um jogo muito bem trabalhado, bem nítido e sem grandes serrilhados ou borrados. O design das fases é interessante, com cenários variando entre ruas desertas, becos escuros e uma estação de metrô. Além dos monstros, há alguns humanos circulando por esses locais – mas eles parecem estar em um estado letárgico e não mostram muita reação ao que está acontecendo. Soa meio esquisito.

O áudio, em geral, funciona bem. Mas parece que faltou acrescentar som a alguns trechos, como quando uma mulher é atacada por um demônio e você não ouve um grito sequer. O primeiro boss, a tal Mulher-Corvo, também é meio muda. Acho que faltaram alguns efeitos sonoros para deixá-la mais assustadora.

VALE O REPLAY?

Contando do tutorial à última fase, ‘The Walker’ dura em torno de uma hora. Durante meu gameplay, só morri uma vez, no boss final (isso porque fiquei com preguiça de me levantar para esquivar dos trambolhos que ele atira). Depois de zerar, você libera a dificuldade 2 do jogo e um Modo Desafio (na televisão). Ah, depois de finalizar o jogo, cuidado para não selecionar a opção de voltar para o “capítulo 1” (na armadura) – ou você terá que fazer tudo de novo!

Na dificuldade 2 (assinalada por um ícone que parece um “A”), você terá à disposição uma submetralhadora com 25 balas no cartulho e uma espada gigante. Se suas armas são melhores, os inimigos também ficam mais fortes. E é aí que o jogo fica mais interessante. Os demônios ficam um pouco mais rápidos e são necessárias mais balas para matá-los.

Creio que ‘The Walker’ sofra do mesmo problema que outro shooter: ‘Mortal Blitz’. Ambos começam fáceis demais, têm poucas fases, e não há opção para aumentar a dificuldade logo de cara. No final das contas, parece uma maneira de aumentar a vida útil do jogo. Mas pelo menos em ‘The Walker’ você tem novas armas à disposição, o que confere mais variedade. Para os caçadores de troféus, fica avisado que o jogo possui 18 troféus (sendo 16 de bronze e 2 de prata), mas não possui platina.

Finalizo com o relato de um bug que ocorreu comigo: o “bug da tela preta”. Na primeira vez em que joguei, estava na quarta fase quando o jogo apresentou um erro e fechou inesperadamente. Quando tentei voltar, ele não passava de uma tela preta. Tentei recriar o banco de dados do PS4, não funcionou. Excluí o jogo e reinstalei, mas também não funcionou. Daí, iniciei o jogo usando outra conta e… não é que ele funcionou normalmente? Consegui ir até o final da dificuldade 1 e jogar a primeira fase na dificuldade 2. Porém, quando fui retomar o jogo, no dia seguinte, o “bug da tela preta” havia voltado. Daí desisti.

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VEREDITO

‘The Walker’ acerta no visual, na ambientação e em algumas mecânicas de gameplay, com o combate que utiliza armas de fogo e espada. Mas a ausência de qualquer locomoção dentro do jogo deixa as coisas menos dinâmicas. É muito triste ficar parado em um jogo que se chama ‘The Walker’. O preço de lançamento cobrado por ele parece ser um pouco excessivo em troca do conteúdo oferecido. NOTA: 7/10 [Bom]


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘The Walker’
Estúdio: Haymaker/Winking Entertainment (https://www.winkingworks.com/publishing/games/TheWalker_en.html)
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Data de lançamento: 3 de julho de 2018
Preço: R$ 71,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store US)
Controles utilizados: Dois PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Idioma: legendas em português de Portugal (entre outros) e áudio em chinês
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 3,3 GB

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pela Winking Entertainment]

[review] ‘Homestar VR’ coloca um céu estrelado dentro do seu headset

Você já visitou um planetário? Tem curiosidade de saber mais sobre as estrelas e constelações? Gosta de ouvir sobre os mitos gregos que deram nome a estas constelações e, por consequência, batizaram todos os signos astrológicos do Ocidente? Se a resposta a algumas dessas perguntas foi positiva, você pode se interessar por ‘Homestar VR’, que foi lançado em dezembro do ano passado na PS Store do Japão e agora chega, em versão em inglês, para a América do Norte e Europa.

‘Homestar VR’ é um aplicativo criado pelo estúdio The Pocket Company e licenciado pela Sega Toys a partir de um equipamento, chamado de Homestar, que projeta um céu estrelado em qualquer ambiente da sua casa. O equipamento foi desenvolvido por pelo engenheiro japonês Takayuki Ohira e é um sucesso de vendas, com mais de 1,1 milhão de unidades comercializadas em todo o mundo.

Enquanto as versões do projetor Homestar exibem cerca de 60 mil estrelas, ‘Homestar VR’ se aproxima dos números de planetários reais, projetando cerca de 2,5 milhões de estrelas. Você pode pensar: “Ah, mas se for só pra olhar estrelas, eu vejo do quintal de casa”. Mas é bem assim. Nada se compara a observar o céu real, é verdade. No entanto, as condições climáticas, como a ausência de nuvens e até a umidade, são determinantes para que você possa observar bem as estrelas. Quem nunca se decepcionou ao tentar ver um eclipse diante de um céu nublado, por exemplo? É exatamente esta experiência de um “céu limpo” que o ‘Homestar VR’ visa proporcionar, com alguns recursos extras.

Assista ao review em vídeo de ‘Homestar VR’

O aplicativo possui três seções. A principal delas, ‘VR Celestial Planetarium’, recria o ambiente de um planetário. Você escolhe entre as quatro estações do ano para assistir a explicações sobre as constelações visíveis no céu durante cada época do ano. As explicações estão em inglês (ou japonês), sem opções de legendas em qualquer outro idioma. Saber esta língua estrangeira, portanto, é importante para aproveitar melhor a experiência.

Os desenhos das constelações vão surgindo um a um, enquanto a locutora vai fazendo algumas perguntas (retóricas, por sinal, já que você não tem como responder) e conta as lendas por trás das mais famosas constelações do universo. Destaque, claro, para as constelações que regem cada um dos 12 signos astrológicos do Ocidente. Infelizmente, há poucas informações em termos astronômicos – algo que, pelo menos eu, esperaria de um aplicativo como esse.

Nesta seção, você pode optar por observar o céu dentro de uma réplica virtual de um planetário (“Classic Planetarium Mode”) ou usar o modo “Full Celestial”, em que você se vê rodeado por estrelas de todos os lados. Conforme as constelações vão aparecendo, você precisa virar o pescoço ou mesmo permanecer com o queixo para cima durante um bom tempo, já que não há nenhum botão para virar a câmera. Como cada explicação dura cerca de 6 minutos, isso pode ser meio incômodo.

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OBSERVAÇÃO LIVRE

Em uma segunda seção do aplicativo, chamada de ‘Starry Sky Selection’, você pode escolher por observar o céu estrelado em sete lugares específicos espalhados pelo mundo, como a Ilha de Páscoa, no Chile, e o Monte Fuji, no Japão. Este modo permite que você troque a trilha sonora (são várias as opções de músicas relaxantes) ou mesmo desligue o áudio. Se quiser, você pode aumentar a velocidade com que o céu se move (em até 500x).

Mas a imersão nestes pontos turísticos fica meio prejudicada, porque os elementos dos cenários soam muito artificiais. A aparência deles é bem plana, como se fosse uma foto colada no cenário, com exceção de uma casinha inserida no Lake Tekapo, localizado na Nova Zelândia. Outros pontos turísticos são o Matterhorn ou Monte Cervino (nos Alpes Suíços), Uyuni Salt Lake (o maior deserto de sal do mundo, na Bolívia) e Mauana Kea (vulcão extinto no Havaí) e o Jasper National Park (no Canadá). Quatro deles você libera após assistir às quatro explicações do modo planetário.

O terceiro modo do aplicativo se chama ‘World Sky Time Travel’. Diante de um globo com jeitão de Google Earth, você pode escolher qualquer lugar do mundo para observar o céu naquele lugar. Mas não há qualquer cenário: é só você e o céu. Além disso, você pode escolher qualquer data entre 1901 e os dias atuais. Quer saber como estava o céu no dia do seu aniversário? A resposta estará lá. Nesse modo, você também pode trocar a trilha sonora e acelerar a velocidade de movimento do céu, além de marcar as constelações e planetas.

O aplicativo é totalmente livre de enjoo de movimento – você passa o tempo todo parado enquanto observa os corpos celestes. Para navegar entre os menus, usa o Dualshock 4. Graficamente, não há nada de muito fantástico e imersivo – mesmo porque o próprio PSVR tem as suas limitações para observação de objetos muito distantes. Isso, porém, não prejudica a experiência.

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VEREDITO

‘Homestar VR’ é um aplicativo de observação de estrelas. Não espere nada além disso. Não há opções para se aproximar mais das constelações, planetas ou algo do tipo. Não há muitas informações de caráter astronômico. Por mais apelo que tenha aos aficcionados pelo tema, isso representa uma limitação para o grande público. Observar um céu estrelado de 2,5 milhões de estrelas é maravilhoso. Mas a experiência em VR nem se compara à experiência real. NOTA: 6,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Homestar VR’
Estúdio: The Pocket Company/Sega Toys
Gênero: Aplicativo
Plataformas: Playstation VR (usada neste review) e HTC Vive
Data de lançamento: 29 de junho de 2018
Preço: US$ 9,99 (PS Store EUA) | 16,99 EUR (PS Store Europa)
Idioma: Inglês e Japonês (áudio e interface – sem legendas)
Controles: Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 265 MB

[Este review foi feito usando um PS4 Pro, com mídia digital cedida pela The Pocket Company/Sega Toys]

Assista ao trailer de ‘Homestar VR’

[review] ‘Esper’ te transforma em um mutante com poderes psíquicos

Já pensou como seria ter os poderes telepáticos do Professor Charles Xavier, criador dos X-Men e um dos mutantes mais poderosos do universo Marvel? Ou da bela Jean Grey, uma das alunas mais extraordinárias do Professor X? No game ‘Esper’, do estúdio Coatsink, você pode sentir um gostinho de como seria ter poderes de telecinese. O jogo foi lançado originalmente para o Gear VR, em 2015, e acaba de chegar para o Playstation VR.

‘Esper’ se passa em uma realidade onde várias pessoas começaram a demonstrar poderes psíquicos e – adivinhe! – você é um deles. Por causa disso, o governo resolveu montar um programa, batizado de ESPR (daí vem o ‘Esper’ do título), para testar o alcance do poder psíquico destes indivíduos e o que cada um é capaz de fazer. Você, então, é convocado para participar destes testes e demonstrar que não representa perigo para os demais seres humanos.

No jogo, que é todo em primeira pessoa, você se vê diante de um escritório, aparentemente normal, contendo alguns objetos. Seu objetivo será erguer estes objetos e levá-los até determinado ponto, marcado por uma caixa com uma figura geométrica azul, que pode der um círculo ou um quadrado. No caminho, haverá vários obstáculos – com alguns, você pode interagir; em outros, é impossível mexer.

Para jogar, você usa o próprio tracking do headset do Playstation VR, o que dá uma imersão fantástica, passando a impressão que, de fato, o jogador tem poderes paranormais. É claro que, para funcionar, a mecânica precisaria de uma “ajudinha”: para segurar o objeto ou largar, você tem que acionar um botão do controle.

Então, falando em termos de controle, o game pode ser jogado tanto com o Dualshock 4 quanto com o PS Move. Os controles também são usados para aproximar ou afastar os objetos. E, se preferir, você pode optar por mover os objetos usando o tracking do Dualshock 4 ou do Move, alterando esta opção no menu.

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QUAL É A GRAÇA?

O game usa de humor o tempo todo, sempre duvidando da sua inteligência e da sua capacidade de resolver os quebra-cabeças. Um instrutor, identificado apenas como Geoff, acompanha os seus testes e é responsável por ótimas “tiradas” do título. Ele não aparece em cena, mas é uma grande figura do jogo. A sua atuação – se é que podemos chamar assim – é impecável. O jogo está todo em inglês, com opção de colocar legenda no mesmo idioma, o que ajuda quem não domina plenamente esta língua estrangeira.

‘Esper’ tem uma qualidade comparável a outros dois excelentes puzzles do PSVR – ‘Statik’ e ‘I Expect you to Die’. Assim como eles, não é um título tão difícil, mas rende ótimas horas de gameplay, com puzzles bem pensados que se encaixam perfeitamente no ambiente da realidade virtual. Portanto, é perfeito para o jogador casual – mesmo aquele que não é muito fã de puzzles.

Mas também não espere desafios baixos demais: ao todo, são 25 fases, começando com um tutorial onde você vai descobrindo o que pode e o que não pode fazer. A duração do jogo depende muito do “poder mental” de cada um, mas eu diria que dá em torno de 3 a 4 horas. O game possui troféu de platina, que é bem fácil de conseguir (se eu platinei, você também consegue). O fator de replay fica um tanto prejudicado, pois não há nada a fazer depois de finalizá-lo.

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GRÁFICOS

Visualmente, o jogo é bem trabalhado, a definição é boa, mas o cenário é um pouquinho granulado, se você olhar detalhadamente. Porém, durante o jogo, nem vai perceber isso. Os elementos do cenário, a ambientação e a própria trilha sonora remetem bem à década de 1970, período em que se passa a história.

Em termos de enjoo de movimento, o jogo é totalmente livre desse problema, já que você ficará o tempo todo parado, sentado em uma cadeira virtual. Aliás, nesse quesito, observei um pequeno problema: você não consegue se mover para tentar enxergar melhor os elementos do puzzle. Se você tentar sair do lugar ou mover a cabeça muito para frente, a tela começa a se escurecer, até que você não enxerga mais nada. Seus movimentos, portanto, ficam quase que restritos ao pescoço.


VEREDITO

‘Esper’ é, sem dúvida, um dos melhores puzzles disponíveis no Playstation VR. Seu nível de desafio se encaixa perfeitamente em uma plataforma marcada fortemente pela presença de jogadores casuais. Na PS Store, chegou com um preço bem camarada, mesmo porque se trata de um jogo lançado originalmente em 2015. Uma continuação, aliás, já foi lançada para os PCs e celulares. Esperamos que ela também venha para o PSVR. Nota: 9,5/10.


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INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Esper’
Estúdio: Coatsink (https://coatsink.com/games/esper/)
Gênero: Puzzle
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift, Samsung Gear VR , Oculus Go, Xiaomi Mi, HTC Vive e Microsoft Mixed Reality
Data de lançamento: 29 de junho de 2018 (PSVR)
Preço: R$ 27,90 (PS Store Brasil) | US$ 8,99 (PS Store EUA)
Idioma: inglês (áudio, interface e legendas)
Controles: Dualshock 4 ou 1 PS Move Controller
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 516 MB

[Este review foi feito usando um PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo estúdio Coatsink]

Assista ao trailer de ‘Esper’

[review] ‘Salary Man Escape’ é mais difícil do que seu chefe te oferecer um aumento

Para quase todo trabalhador, por mais que goste do emprego que tem, o momento de sair da empresa e voltar para casa é um dos mais aguardados do dia. Usando isso como mote e satirizando vários bordões corporativos, o estúdio chinês Red Accent criou o puzzle ‘Salary Man Escape’, publicado pela Oasis Games e exclusivo do Playstation VR.

‘Salary Man Escape’ é um quebra-cabeças de plataforma em terceira pessoa onde seu objetivo é liberar o caminho para um funcionário engravatado a caminho da tão sonhada porta de saída da empresa. Você não tem controle algum sobre o funcionário – ele só se move quando o trajeto está livre. E ele só anda se todo o caminho estiver plano, lisinho. Portanto, não espere que ele vá pular ou subir sobre um obstáculo. O cara é bem burrinho.

Para liberar o caminho, você move blocos vermelhos dispostos no cenário. Mas não é capaz de movimentar os blocos brancos. No entanto, todos eles (vermelhos e brancos) sofrem influência da gravidade – e o aspecto físico é importantíssimo no jogo. Você pode até se lembrar de quando era criança e jogava ‘varetas” com os amigos.

É preciso cuidado para movimentar a peça correta para o lado certo. Um movimento mais brusco pode colocar tudo a perder, derrubando estruturas que podem prejudicar todo o seu planejamento. Especialmente porque é preciso ter em mente o seguinte: você só pode mover as peças vermelhas para os lados ou para baixo (usando a própria gravidade), retirando-as ou colocando-as em outro lugar. Mas não é possível levantar nenhuma delas.

Há ainda outros fatores que aumentam o desafio. Um deles é que não é possível voltar atrás em uma ação específica. Mas, no meio do trajeto, pode haver alguns checkpoints (marcados por uma xícara de café), e você pode retornar a esse checkpoint usando o menu dentro do jogo. Ah, e há um tempo limite em cada fase, que varia em torno de 3 a 5 minutos. Se não terminar dentro do tempo, terá que começar tudo de novo.

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CONTROLES E TRACKING

Para jogar, você pode usar um PS Move ou o Dualshock 4. A mecânica muda um pouco: enquanto com o Move você “pega” no bloco diretamente, deixando mais imersivo, com o controle a interação é feita através de um “raio” que sai do Dualshock 4. O bom é que você pode trocar de controles no meio do jogo, usando o menu dentro da própria fase, coisa que outros títulos não permitem.

É possível girar, aproximar ou afastar todo o cenário para observar as estruturas mais detalhadamente. No entanto, o tracking parece ter um raio de ação limitado: se você afasta o controle do corpo, o jogo já não reconhece mais. É preciso sempre aproximar as peças de você se quiser movê-las. Isso pode gerar uma certa frustração – espero que o estúdio possa melhorar este quesito.

O jogo está todo em inglês, com textos e menu neste idioma, sem opções de legenda em português. Isso não impedirá quem não sabe a língua inglesa de resolver os quebra-cabeças, mesmo sem entender as instruções do tutorial, que é bem básico. O que talvez você não entenda são as piadas corporativas, espalhadas em forma de textos que simulam relatórios, e-mails e memorandos no início e no final das fases.

Em termos de áudio, chama a atenção a trilha sonora, composta por canções inspiradas no pop japonês dos anos 1980. É uma musica bem animada, mas às vezes pode incomodar quando você fica preso em uma fase ou outra (para isso, há opções para reduzir o volume). Os efeitos sonoros não se sobressaem, mas também não atrapalha.

O visual é todo monocromático, com alguns detalhes em vermelho, lembrando o filme ‘Sin City’ e o game ‘SuperHot’. Sua visão é em terceira pessoa e a área de jogo fica parecendo uma maquete. Ao redor dela, há uma ambientação com elementos típicos de escritório, incluindo mesas, computadores, cadeiras, entre outras coisas. Mas, graficamente, falta um pouco mais de nitidez e há um certo nível de borrão que pode incomodar o jogador mais exigente.

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DURAÇÃO E REPLAY

Ao todo, são 78 fases, divididas em seis episódios (de acordo com o estúdio, isso rende cerca de 8 horas de gameplay, mas é claro que, em se tratando de um puzzle, vai depender muito do (cérebro do) jogador. Cada episódio tem 13 fases, sendo três “secretas”. Essas fases secretas só podem ser liberadas com as moedas que você encontra no caminho das fases anteriores. No entanto, pegá-las requer a colocação de peças em uma posição específica, tornando-se um quebra-cabeça à parte.

Se você travar em determinada fase, é problema: não é possível pular. Você tem que primeiro resolver a fase atual para liberar a seguinte. E, apesar de o nível geral de dificuldade aumentar a cada nova fase, pode haver algumas mais complicadas pelo caminho.

Uma opção é tentar se arriscar no episódio seguinte, que você destrava ao atingir um certo nível no capítulo atual. Mas que fique bem claro que, a cada episódio, novos desafios e novas mecânicas são adicionadas, elevando o grau de dificuldade. Por exemplo, no capítulo 2, é adicionada uma espécie de gangorra/balança, onde você precisa tirar os blocos para diminuir o peso de um dos “pêndulos” e fazê-la se mover.

O valor de replay fica por conta das moedas opcionais que você coleta no decorrer de algumas fases para destravar níveis secretos. Para os platinadores que gostam de um desafio mental, uma boa notícia: o jogo tem troféu de platina, que até agora ninguém conquistou. Quem se habilita?

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VEREDITO

Com 78 fases, ‘Salary Man Escape’ é um prato cheio para quem gosta de puzzles. O grau de desafio é muito bom, mas às vezes pode ser um pouco desnivelado de uma fase para a outra. Graficamente, falta um pouco mais de nitidez, que poderia deixar sobressair mais o estilo visual monocromático do jogo. O título foi lançado com desconto promocional de 20%, tornando-o bem atraente aos fãs do gênero. Nota: 7,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Salary Man Escape’
Estúdio: Red Accent Studios/Oasis Games (http://en.console.oasgames.com)
Gênero: Puzzle
Data de lançamento: 26 de junho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review)
Preço: R$ 61,50 * (PS Store Brasil) | US$ 19,99 * (PS Store EUA)
Controles: 1 PS Move (recomendado) ou Dualshock 4
Idioma: Inglês (interface/menus) | Sem opção de português
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 929 MB

* O título foi lançado com desconto promocional de 20%, saindo por R$ 49,20 (Brasil) e US$ 15,99 (EUA). O desconto é válido até o dia 7 de julho de 2018.

[Este review feito no PS4 Pro, com jogo digital disponibilizado pelo Red Accent Studios/Oasis Games]

Assista ao trailer de ‘Salary Man Escape’

 

[review] ‘Don’t Knock Twice’: neste filme de terror, o protagonista é você

O terror é um gênero que se beneficia imensamente dos recursos da realidade virtual, causando no jogador sensações que nenhum jogo em tela plana é capaz de provocar. Apesar disso, ainda há poucos jogos do gênero no Playstation VR e os títulos realmente bons cabem nos dedos das mãos. ‘Don’t Knock Twice’ traz uma trama baseada no filme de mesmo nome (‘Não bata duas vezes’ no Brasil) onde, destave vez, o protagonista é você.

O game, que pode ser jogado tanto em VR quanto em tela plana, é intrinsecamente ligado ao filme. As personagens são as mesmas e a mansão onde se passa a história, também. No entanto, não segue exatamente o roteiro do longa-metragem, o que é um alívio para quem já viu o filme. As duas produções se complementam de maneira interessante, mas também podem ser encaradas de forma independente.

O jogador se verá na pele de Jess, uma mãe que vive um conflito familiar com sua filha, a jovem Chloe. Ambas estão dentro de uma mansão na mais completa escuridão, iluminada apenas por lareiras. No entanto, elas estão em lugares separados e Chloe, de tempos em tempos, envia mensagens (bastante mal-educadas, por sinal), dizendo que algo sobrenatural a está perseguindo.

As tais “duas batidas” do título se referem a uma maldição, que desencadeia o mal que vai perseguir mãe e filha. Aliás, o som das batidas é constante no game, contribuindo para criar um clima de tensão permanente, complementado pela mais completa escuridão. Durante todo o jogo, você terá apenas uma vela para iluminar seu caminho e explorar os cantos da casa.

Em termos de gameplay, o jogo se parece muito com ‘Atividade Paranormal’. O objetivo é coletar uma série de itens para completar um ritual macabro que envolve um pentagrama. Várias portas estão fechadas e vão se abrindo “magicamente”, conforme você avança na história.

Você não usa armas. Mas, em certo trecho, você terá acesso para uma machadinha que vai fazer você se sentir na pele de Jack Nicholson no clássico ‘O Iluminado’. Além de arrebentar portas, o machado pode ser usado para quebrar cadeados e arrebentar fechaduras, liberando áreas até então inalcançáveis.

O jogo traz ainda alguns puzzles para você resolver, mas eles são simples demais. Para piorar, as respostas deles aparecem em forma de dicas escritas que deixam as coisas bem claras sobre o que fazer.

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Coletar objetos para montar um pentagrama? Já vi isso em algum lugar…

SUSTOS 

Além do clima de tensão, ‘Don’t Knock Twice’ se vale de alguns “jump scares” aqui e ali para amedrontar o jogador. Há alguns que realmente assustam, mas o “timing” de outros não é bem cronometrado, o que faz com que eles não cumpram sua função à perfeição. Os gráficos das “aparições” também podem deixar a experiência parecendo um trem fantasma mambembe de cidades do interior, em alguns momentos.

No entanto, em geral, o jogo é graficamente bem construído, com bastante realismo. Mas você também vai encontrar algumas texturas em baixa resolução, como em plantas e paredes. O áudio, por outro lado, cumpre muito bem com a sua função, com efeitos sonoros apavorantes. É altamente recomendado que você jogue com fones de ouvido para ter a melhor experiência. Por sua conta e risco.

Durante o jogo, você encontra vários textos em forma de bilhetes, cartas, diários, jornais ou revistas que vão ajudar a contar a história. Estes textos, assim como toda a interface, têm opção para português do Brasil. A tradução está bem feita, mas há alguns errinhos aqui e ali – que também passariam batido nas legendas de filmes. Aliás, quando foi lançado, o jogo tinha uma tradução péssima, que impossibilitava o jogador entender qualquer coisa. Mas um patch posterior consertou as coisas, felizmente. Portanto, não deixe de baixá-lo antes de jogar.

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Figuras bizarras vão aparecer no seu caminho durante a jogatina. Vai encarar?

CONTROLES

O título pode ser jogado com um par de PS Moves ou com o Dualshock 4. Em ambos, você pode optar pelo teleporte ou movimentação livre. Não gostei do tipo de teleporte do jogo. Achei confuso e toda vez que você se move vem uma tela preta que dura mais tempo que o necessário. No entanto, é uma opção mais segura para quem sente enjoo de movimento.

Aliás, nesse quesito, o menu principal traz uma série de opções para deixar o jogo mais confortável. Algumas opções, estranhamente, só são liberadas para o Dualshock 4, como correr e agachar (e, ainda assim, só se você jogar na televisão – sim, o título pode ser jogado também em tela plana). No entanto, com relação ao giro do corpo, o giro suave (“smooth turning”) é muito lento, tornando o giro em graus quase que obrigatório.

A experiência é muito melhor com os Moves, que se transformam nas mãos do jogador e permitem que você interaja de maneira mais imersiva com os vários objetos espalhados pelo jogo. No entanto, não há inventário (o único objeto que você pode guardar é o celular que aparece logo no início do jogo). Os outros objetos que você julgar úteis você terá que carregar nas mãos mesmo.

Como não há botão para agachar, os Moves têm botões que “esticam” os seus braços e permitem que você pegue objetos no chão – ou mesmo em um lugar mais alto. Ao utilizar movimentação livre, a tela escurece completamente quando você sobe ou desce escadas. O intuito, mais uma vez, é evitar o enjoo de movimento. No início você fica meio confuso, mas depois se acostuma.

Com o Dualshock 4, o jogador não tem mãos e você usa uma mira no centro da tela para interagir com as coisas. O mesmo vale para a experiência em tela plana. Após testar as duas maneiras, fica claro que o game só tem valor se jogado em VR, de preferência, com os Moves.

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O teleporte usa esse círculo grande e é bem esquisito. Se puder, jogue com movimento livre.

BUGS MACABROS

Pensei em começar esse review pelos bugs, de tanto que eles me atormentaram nos primeiros minutos de jogo. Mas preferi deixar para o final, já que alguns desses problemas podem ocorrer ou não, dependendo da “sorte” do jogador.

Na primeira vez que joguei, na posição sentada, me senti um anão. Ainda que eu recentralizasse a câmera, continuava junto ao chão, como se tivesse menos de um metro de altura. Até que alterei a “altura da cabeça” no menu dentro do jogo e as coisas voltaram ao normal.

Quando ainda estava jogando no “modo anão”, com movimentação livre, tentei resetar a câmera para consertar as coisas e acabei sendo teleportado magicamente pra dentro de uma área que estava fechada. Daí, fiz de novo e teleportei pra outra área. Sinistro.

Outro bug, ainda mais frequente, ocorre aleatoriamente quando você inicia o jogo usando os Moves. Uma das mãos some e não volta mais. Não adianta desligar e religar o Move. Tem que reiniciar o game e torcer pro bug não acontecer de novo.  Teve ainda um certo trecho em que a entrada era muito estreita e eu não passava andando de jeito nenhum. Tive que trocar pro teleporte pra seguir no jogo.

Finalizando o relato de bugs macabros, ao jogar com os Moves, às vezes você se prende em um determinado local e quando sai de lá você está abaixado. Mas não há opção de agachar nos Moves – nem de levantar. Isso resulta que você terá que andar abaixado durante alguns segundos, lentamente, até que o jogo resolva te levantar de novo.

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Você pode usar machados para quebrar portas. No celular, você fica recebendo mensagens mal-educadas da sua filha.

VALE O REPLAY?

O título tem cerca de uma hora e meia a duas horas de duração, mais ou menos como um filme de terror. Como é típico do gênero, o game tem pouco valor de replay, já que depois que você descobre o que fazer, o jogo perde a graça, assim como os sustos. Não existem outros modos de jogo nem níveis de dificuldades – apenas a campanha principal.

Há a opção de fazer um final alternativo, mas para isso será preciso jogar tudo de novo, pois o save é automático e não há diferentes save slots (uma opção, comum entre os platinadores, é transferir o save para um pen-drive para “evitar a fadiga”). Aliás, para os platinadores de plantão fica avisado: o jogo tem troféu de platina. Outra maneira de expandir o gameplay é procurar pelos colecionáveis espalhados pela mansão, caso você não encontre da primeira vez.


VEREDITO

Sem dúvida, o melhor momento para jogar ‘Don’t Knock Twice’ é agora, especialmente para os brasileiros. Após alguns patches, a tradução para português foi visivelmente melhorada e a movimentação livre com os Moves deixou o jogo bem mais interessante. Ainda há bugs, como os que relatei acima, mas se você conseguir superá-los terá em mãos um jogo que cumpre com seu principal objetivo: proporcionar momentos de medo e adrenalina no jogador. O jogo costuma aparecer frequentemente em oferta na PS Store, pela metade do preço cheio. É uma boa oportunidade para acrescentar bons momentos de terror na sua coleção. Nota: 7,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Jogo: ‘Don’t Knock Twice’
Estúdio: Wales Interactive (www.walesinteractive.com)
Gênero: Terror
Data de lançamento: 5 de setembro de 2017
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 71,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store EUA)
Idioma: português e inglês (textos e interface)
Controles suportados: Dois PS Moves (recomendado) e Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco (com atualizações): 2,09 GB

[Este review foi feito com jogo digital comprado por mim mesmo]

Assista ao trailer de ‘Don’t Knock Twice’

[review] ‘Dark Legion’ te coloca dentro de um FPS de PS2 cheio de bugs

Legítimos first-person shooters (FPS) ainda são uma raridade no Playstation VR, território dominado por wave shooters e experiências onde sua liberdade de movimento é limitada. Portanto, a chegada de games como ‘Dark Legion’, com cerca de 3 horas de duração e liberdade total de movimento, é motivo de empolgação entre os jogadores, ainda mais se considerarmos o baixo preço de lançamento do game – pouco mais de R$ 30 ou US$ 9,99). No entanto, uma série de limitações técnicas jogam por terra qualquer chance de o jogo ser levado a sério. A não ser que você curta o gênero trash. Aí é outra história.

Aliás, história é o que o jogo não tem. Depois de um tutorial que consegue ser chato e incompleto ao mesmo tempo, você surge dentro de uma nave espacial na companhia de sua assistente de formas voluptuosas e trajes desnecessariamente sexualizados. Ocorre uma pane na nave, causando um tremor responsável pela melhor cena do jogo: a assistente fica se chacoalhando feito uma barata tonta e depois solta umas frases sem mexer os lábios (!). A atuação e a movimentação da moça são tão robóticas que até agora estou em dúvida se se trata de um andróide. Então, vocês descem da nave em um planeta desconhecido e começa sua missão: encontrar uma peça pra tirar a nave do prego.

Enquanto a assistente permanece na nave, você parte nessa jornada sem nenhuma arma sequer, acompanhado de um robô que não fala, mas faz gestos (às vezes obscenos – sim, robozinho, eu vi você “sarrando” no ar) e é responsável pelos barulhos mais irritantes da história dos videogames. A principal função dele é te mostrar o caminho a seguir, mas às vezes ele se perde mais do que você. Ah, ele tem a “habilidade especial” de se meter na sua frente e te atrapalhar quando você está trocando tiros com os inimigos. O tempo todo.

Como você é um cara desprevenido e saiu da sua nave em um planeta desconhecido e hostil sem nenhuma arma sequer, vai encontrar sua primeira pistola em um baú, disposto comodamente próximo à nave. Aliás, vai encontrar baús espalhados por todos os cantos, contendo novas armas, munições e uma seringa que serve pra você recuperar vida. O arsenal inclui um fuzil automático, sniper, bazuca, granadas, explosivos e uma besta (que no caso não é você por estar jogando essa “trashzera”).

No caminho até a peça da nave (“spoiler alert”: que você não vai encontrar), você vai se deparar com uma grande variedade inimigos, incluindo insetos, besouros gigantes, monstros, soldados e bruxos (!). Também vai achar tablets espalhados por aí, ao lado de esqueletos humanos, que tentam contar o resto da história do jogo.

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Sua assistente é mais uma personagem sexualizada no mundo dos games. Calada, ela é perfeita.

E O TIROTEIO?

Como se trata de um FPS, era de se esperar que o tiroteio fosse a melhor parte de ‘Dark Legion’. Mas não é bem assim. A troca de tiros não funciona bem porque você não tem muito onde se esconder e, quando tem, você pega dano do mesmo jeito, mesmo atrás de paredes. O jeito é partir pra cima dos inimigos com tudo e usar as seringas de vida sempre que precisar (elas aparecem aos montes e acumulei mais de 80 até o final do jogo).

Falando nisso, quando seu personagem pega dano, ele solta a sua única fala durante o jogo todo: “Ouch!”. Imagina um jogo em que o cara leva bala e grita “Ai!”? Eu só consigo lembrar daquele filme tosco do YouTube com a mulher morrendo baleada e se estirando na parede. Alguns soldados inimigos usam escudos e você pode usá-los também depois de matá-los. Mas não recomendo: depois de um tempo, você simplesmente não consegue mais largá-los.

Outros inimigos não pegam dano de armas comuns. Você precisa atirar neles com a besta, cuja mira requer um certo treino. Completando seu arsenal, conforme você vai matando inimigos você enche uma barra de magia, que aparece na mão direita. Ao pressionar a “bola”, você pode atirar várias bolas de fogo nos inimigos, durante um certo tempo. Mas essa magia demora demais para carregar.

Ao final de cada fase, você enfrenta um boss, que também são todos desprovidos de inteligência. Mas adoram rir e fazer barulhos imitando o Darth Vader. Uma delas some com um efeito especial nulo, lembrando episódios do ‘Chapolim Colorado’. Pra piorar, dois desses bosses são reaproveitados em fases seguintes. O único que não é figurinha repetida é o boss final (o “Esqueleto” da capa do jogo), que infelizmente promete voltar para se vingar. Será que teremos uma continuação? Por favor, não!

A “inteligência artificial” dos inimigos (se é que podemos chamar assim) é bem básica. Os monstros vão partir com tudo na sua direção, enquanto os soldados ficam atirando a esmo, sem se preocupar muito em se cobrir. Às vezes, eles nem percebem que você está atrás deles e continuam atirando aleatoriamente. Ou andando em direção à parede, fazendo coisas absurdas. Alguns inimigos também podem se prender uns aos outros, deixando-os vulneráveis às suas balas. Como se pode ver, a dificuldade nesse jogo veio no nível “picolé”.

Apesar do vasto arsenal, você pode fechar o jogo usando só as pistolas e as bestas (que têm munição infinita). Coloco no plural porque você pode clonar magicamente qualquer arma que estiver segurando, mas é claro que o jogo não vai se dar ao trabalho de te ensinar isso. O tutorial, aliás, também não te mostra que você tem um mapa, que você acessa segurando o botão X na mão esquerda dos PS Moves (obrigado, de nada). Fato curioso: durante esse “tutorial”, a assistente te chama o tempo todo de “rookie” (novato), que é pra te humilhar. Estranhamente, logo que o jogo começa você já vira “Commander” e ela perde toda a utilidade. “Vou ficar aqui na nave”, ela diz. Ah, FDP…

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Não se engane: esse monstrão aí morre com alguns poucos tiros de pistola

VISUAL DE PS2

Se algum dia você teve curiosidade de saber como é um jogo de PS2 por dentro, ‘Dark Legion’ é a solução. Tudo no jogo é bem genérico, com texturas pobres, construções repetitivas e mal-acabadas e inimigos copiados de qualquer lugar aleatório (os soldados, por exemplo, lembram os “spartans”, de ‘Halo’). Aliás, aleatório é a palavra pra descrever todo o jogo, inclusive o recheio desse bolo indigesto: os bugs.

Durante as cerca de 3h30 que gastei jogando, perdi as contas de quantos bugs presenciei passeando por aí. Acredito que um bugzinho aqui ou ali é normal, isso acontece nas melhores famílias. Um glitchzinho aqui, uma parede atravessada ali, beleza. Mas tem coisas que não dá pra aceitar. O que dizer de inimigos que ficam travados, não levam dano, mas você precisa matá-los ou então não consegue seguir em frente? Solução: reiniciar do último checkpoint. E um boss que simplesmente não te ataca, mesmo com você fuzilando a cara dele? Solução: matar logo esse diabo pra esse jogo acabar logo. E ainda tem as balas inimigas que fazem curva quando você teleporta para trás dos soldados para tentar pegá-los de surpresa. Solução: não tem, só pegar dano e rir mesmo…

Variando um pouco entre os tiroteios, há momentos em que você precisa destruir portas e estruturas usando explosivos ou abrir portões usando senhas. As senhas costumam ser coisas importantes, que você não revela pra ninguém e guarda em lugares secretos. Mas em ‘Dark Legion’ elas são largadas em qualquer canto, a poucos metros da porta que você precisa abrir. E nem precisa decorar: o próprio robô vai te dizer qual é a senha. Pra que dificultar?

Confira, neste vídeo feito por mim mesmo, o bizarro momento em que o segundo boss do jogo não ataca, mesmo levando várias flechas na cara:

CONTROLES

Para jogar (por sua conta e risco), você usa um par de PS Moves (altamente recomendado) ou o Dualshock 4 (se você jogar desse jeito, é melhor nem jogar). Pode optar pela locomoção livre ou o teleporte. E, surpreendentemente, o teleporte funciona melhor, já que o movimento livre é muito lento. Estranhamente, para você conseguir caminhar mais rápido, você tem que guarda a arma da mão direita ou então abaixá-la.

O giro (rotação) do corpo só pode ser feito graus, não há outra opção. Aliás, o jogo não oferece opção de conforto nenhuma, a não ser o teleporte. Fato bizarro: toda vez que você olha pro lado, vem a mensagem “Correct direction”, mandando você olhar pra frente. É como se você fosse um burro com uma tapadeira que te manda seguir em frente. Aliás, como já vimos, esse jogo te chama de burro o tempo todo.

O game não tem trilha sonora. Por um lado, isso é até melhor, pois fico imaginando que tipo de trilha ele teria. Mas tem efeitos sonoros bem irritantes, com menção especial àquele maldito som de engrenagem do robozinho. As falas da sua companheira de missão (que te larga sozinho na primeira oportunidade) também são bem chatas, assim como as risadas bizarras dos chefes, acompanhadas pelo som insistente da respiração do Darth Vader. Ah, e jogando com os fones do PSVR, o som não sai do lado direito.

As (poucas) falas do game estão em inglês, assim como toda a interface. Mas não será problema nenhum para quem não sabe o idioma, já que a história está diluída em “tablets” espalhados pelo caminho, que você provavelmente não vai querer ler.

Para os mais corajosos, o jogo ainda tem troféu de platina e tem algumas conquistas absurdamente idiotas, do tipo “entre em todas as fases 50 vezes” ou “mate 1.500 monstros”. “Para a nossa alegria”, o jogo apaga o seu save depois que você zera e não há opção de repetir uma missão especifica.

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Foto de divulgação para mostrar que dá para usar dois fuzis ao mesmo tempo. Note que o jogador não está atirando em nada, só gastando bala.

QUAL É A PARTE BOA?

No meio de tudo isso, o que se salva de ‘Dark Legion’? Bom, você pode “salvar” seus 30 reais se não comprar o jogo. Mas, se você chegou até aqui esperando que eu fale algo bom do jogo, lamento te decepcionar. Tudo o que eu tinha para falar de positivo se esgotou no primeiro paragrafo: ‘Dark Legion’ é um dos poucos FPS do Playstation VR. No entanto, é mal executado em todos os quesitos e acaba sendo pior do que qualquer shooter em que você permanece parado. Diferente do ditado popular, não acho que “o que vale é a intenção”.

Estranhamente, o jogo ainda aparece como “acesso antecipado” na Steam, mesmo após mais de um ano de seu lançamento nos PCVRs. Isso significa que o que estamos jogando é quase uma beta do game, mas acredito que as chances de que ele receba melhorias futuras é mínima, pois a Sony tem como política não disponibilizar jogos nesta condição. Aliás, é incrível como esse “jogo” passou no controle de qualidade da empresa. Oferecer um produto incompleto é um desrespeito com o consumidor.

Pelo menos na Steam o aviso de “jogo com acesso antecipado” é claro e vem em letras garrafais. Diz exatamente o seguinte: “Comece a jogar agora e participe do desenvolvimento do jogo. Observação: Este jogo com acesso antecipado não está completo e pode ou não sofrer alterações no futuro. Caso não esteja com vontade de jogá-lo no estado atual, aconselhamos esperar até que o desenvolvimento esteja mais adiantado.”


VEREDITO

‘Dark Legion’ não é o pior jogo do Playstation VR, mas se esforça bastante pra isso. Há outros na frente na briga por esse troféu, como ‘Weeping Doll’ e ‘Lunar Stone’. É um jogo visivelmente incompleto, cheio de bugs, e compará-lo com qualquer outro FPS é um insulto ao gênero. Infelizmente, nossas opções de tiro em primeira pessoa no PSVR continuarão sendo poucas. Nota: 3/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Dark Legion’ (‘Legião Negra’ na PS Store Brasil)
Estúdio: Ice World/Gamepoch (www.gamepoch.com/yan.html)
Gênero: FPS (first-person shooter)
Data de lançamento: 15 de junho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality
Preço: R$ 30,90 (PS Store Brasil) | US$ 9,99 (PS Store EUA)
Idioma: inglês (áudio e interface, sem legendas)
Controles: Dois PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 3,53 GB

Assista ao trailer de ‘Dark Legion’

[review] ‘Accounting+’ ultrapassa todos os limites do absurdo

O que acontece quando as mentes por trás de ‘The Stanley Parable’ (um dos jogos de estranhos de todos os tempos) se juntam com os criadores e dubladores do desenho ‘Rick and Morty’ para fazer um jogo em realidade virtual? O resultado desse encontro é ‘Accounting+’ (Crows Crows Crows/Squanch Games), que seria uma espécie de jogo que também é uma comédia animada. Ou uma comédia animada que também é um jogo? Bom, vamos ao review.

‘Accounting+’ (ou ‘Accounting Plus’) é pautado pelo humor nonsense e autodepreciativo – e se você é uma pessoa que se ofende fácil, é melhor procurar outro game pra jogar. Ele te coloca dentro de um mundo onde quase nada faz sentido – e que você pode tentar interpretar de várias maneiras. Mas, depois de muito conjecturar, cheguei à conclusão que estabelecer qualquer teoria é perda de tempo e o melhor a fazer é simplesmente rir das situações inusitadas em que você é colocado.

Antes de mais nada, é importante dizer que o jogo está todo em inglês, sem opções de legenda. Ou seja, se você não domina o idioma terá problemas para entender a história – e, provavelmente, não vai ter graça nenhuma pra você. Dá para “pescar” uma ou outra situação, mas o fato é que saber inglês é importantíssimo para aproveitar o jogo ao máximo.

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É MUITO SEM NOÇÃO

‘Accounting+’ ultrapassa todos os limites do absurdo e te coloca em um mundo virtual, dentro de outro mundo virtual, dentro de outro mundo virtual… Quando percebe, você já está perdido. Em pouco mais de uma hora de gameplay, você vai se deparar com situações bizarras, personagens esquisitões e sujeitos irritantes, que aparentam ter pouca conexão uns com os outros, tudo permeado por um humor ácido e crítico.

O que dizer de uma gangue de bichos fofinhos que querem ser os “bad-boys” do bairro? Ou do “rei da realidade virtual”, que de tão gordo parece o Jabba the Hutt de ‘Star Wars’? Tem ainda a dupla de adoradores do diabo que acha que o rap é a melhor música para convocar o demônio.

Dentro dessa zoeira sem limites, você é levado de uma cena para outra, fazendo pequenas ações, dentro de espaços delimitados. Você joga usando um par de PS Moves ou o Dualshock 4, mas a melhor experiência é com os Moves, já que algumas ações podem que você movimente o controle de forma brusca (como jogar uma bola de basquete no cesto ou atirar objetos).

O narrador, Clóvis, é responsável por alguns dos momentos mais hilários do jogo. Não vou dar muitos detalhes para não estragar, mas há piadas que envolvem a sede de determinados jogadores para conseguir troféus e sobra até para o tal “teleporte”, usado em boa parte dos games de realidade virtual para evitar o enjoo de movimento.

Aliás, falando nisso, o jogo não dá enjoo mesmo, justamente porque usa o teleporte. Como disse mais acima, você só pode se movimentar para áreas delimitadas do jogo, marcadas por um círculo cinza. O giro do corpo se dá em graus (técnica que também evita a cinetose) e não há outras opções de movimentação.

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ATUAÇÕES IMPECÁVEIS

Em cada cena, não tem lá muita coisa para fazer (em termos de gameplay), mas tem muita coisa para mexer. São muitos objetos para interagir, mas uma boa parte deles não tem qualquer relevância para o jogo.

O destaque fica mesmo por conta da história, das atuações e dublagens, que são impecáveis. O visual também é perfeito, com uma nitidez excelente, gerando uma sensação real de estar dentro de uma animação, onde você é o personagem principal. Algumas de suas ações podem alterar ligeiramente o curso da história e há até uma fase secreta, que você desbloqueia executando uma determinada ação. O método para sair dela é uma clara menção a ‘Matrix’, que aborda um dos mundos virtuais mais famosos do cinema recente.

O game não tem um menu de opções, nem na tela principal, nem dentro do jogo. Portanto, se você quiser sair, terá que fechar o jogo.

O título possui troféu de platina – e alguns de seus troféus são bem instigantes, que atiçam a curiosidade até do jogador mais casual. Alguns são dados “de lambuja”, mas outros requerem uma insistência que só platinadores de carteirinha terão paciência de conseguir.

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VEREDITO

Os desenvolvedores de ‘Accounting+’ não estavam de brincadeira quando resolveram criar um dos jogos mais engraçados do Playstation VR. Com um humor nonsense, o jogo brinca com você o tempo todo, criando situações ridículas e bizarras. Apesar de curto, tem um certo valor de replay, principalmente se você quiser obter todos os troféus e descobrir algumas cenas diferentes. Seria mais interessante se houvesse outras opções de desfecho, pois muitas vezes você é obrigado a agir de determinada maneira, dentro de um roteiro pré-determinado, e não há o que fazer. Mas, com certeza, vale o que é cobrado por ele. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Accounting+’ (‘Accounting Plus’)
Estúdios: Crows Crows Crows/Squanch Games (http://accountingvr.com)
Gênero: Simulador/experiência VR
Data de lançamento: 6 de fevereiro de 2018
Plataforma: Playstation VR (usada neste review)
Preço: R$ 36,90 (PS Store Brasil) | US$ 11,99 (PS Store EUA)
Idioma: Inglês (sem legendas)
Controles: 2 PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online
Espaço em disco: 658 MB

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pelos estúdios Crows Crows Crows/Squanch Games]

Assista ao trailer de ‘Accounting+’

 

[review] Como resistir à fofura arrebatadora de ‘Moss’?

Por mais jogador hardcore que você seja, do tipo que gosta de ver balas voando, cabeças explodindo e tripas sendo dilaceradas, não há quem não se encante diante de Quill, a ratinha protagonista de ‘Moss’. É, sinceramente, o jogo mais lindo que já joguei, nestes quase 30 anos de “indústria vital”. Títulos em tela plana como ‘God of War’, ‘Uncharted’ e ‘Horizon: Zero Dawn’, podem ter visuais incríveis, mas nada se compara a você entrar efetivamente no jogo e enxergar tudo como se estivesse ali, frente a frente com esta encantadora ratinha.

Misturando puzzle, jogo de plataforma e ação, ‘Moss’ tem um campanha sólida, de 3 a 4 horas de duração, que vai te deixar tão encantado que você vai torcer para que não acabe. Nesta aventura, você controla um ser com aparência mística identificado apenas como Leitor. Na cena inicial, você está em uma biblioteca diante de um belo livro em capa dura, chamado de ‘Moss’. Ao folhear o livro, usando o tracking do Dualshock 4, você acompanhará as aventuras da ratinha Quill, narradas por uma voz feminina que parece uma mãe contando histórias para os seus pimpolhos antes de dormir. A narradora também faz as falas dos personagens e muda a entonação de acordo com cada um.

É quando surge em cena a pequena Quill, com um charme inigualável e uma presença marcante. Parece realmente que ela está viva, ali, diante dos seus olhos. A ratinha é uma simpatia só e interage com você como se realmente estivesse te vendo. E aí você descobre que não controla só o Leitor, mas também a ratinha, usando os comandos tradicionais do Dualshock 4.

Ou seja, em ‘Moss’ você controla dois personagens ao mesmo tempo. E você também funciona como a câmera do jogo. A imagem aparece estática e vai passando de cena em cena, conforme você avança. Em cada um desses quadros, você pode mudar seu ângulo de visão para enxergar melhor detalhes do cenário ou se aproximar bastante da protagonista. A vontade de tocá-la é irresistível. E você pode fazer isso, de maneira virtual! Basta levar até ela o círculo brilhante que funciona como o seu veículo de interação com o mundo e pressionar um dos gatilhos do Dualshock 4. Isso vai causar cócegas na fofinha.

Existem outras formas em que você pode interagir diretamente com a Quill. Às vezes, quando você resolve um puzzle, a ratinha levanta a mão para você bater (o famoso “toca aqui” ou “high-five”, para os americanos). Durante os combates, você pode colocar a bola brilhante sobre ela e pressionar o gatilho para curar a pequeninha.

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UM MUNDO EM MINIATURA

A aventura de ‘Moss’ se passa em um mundo em miniatura, com um visual de encher os olhos, que nos coloca em uma perspectiva semelhante à das crianças naquele clássico da Sessão da Tarde ‘Querida, Encolhi as Crianças’.

Tudo ao redor de Quill é gigantesco e é maravilhoso observar como os desenvolvedores se ativeram aos mínimos detalhes, criando um universo ao redor daquilo que seria a “cena principal” do jogo, especialmente nos cenários ao ar livre. Na floresta, por exemplo, vemos cervos “gigantes” caminhando ali ao lado da pequena vila de casinhas dos roedores.

A paz desses camondongos é quebrada quando um mal começa a ameaçar a todos esses pequenos seres, com criaturas feitas de metal. O tio de Quill, Argus, parte para enfrentá-los mas acaba sendo vencido. E é então que a ratinha, armada apenas com uma espadinha, resolve partir em uma jornada para salvá-lo, tendo você como principal aliado.

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PUZZLES, SALTOS E COMBATES

A conexão entre o Leitor e Quill será fundamental nos três principais elementos do gameplay. Em cada cena, haverá barreiras impedindo o progresso da ratinha e caberá a você “limpar o caminho”. Usando o círculo brilhante, você interage com estruturas de metal, arrastando, girando ou puxando essas coisas.

Você também poderá ajudá-la nos combates, com o poder de congelar inimigos, controlá-los, fazer com que explodam ou até mesmo que ataquem os outros. A variedade de inimigos não é muito grande – e todos, com exceção do “chefão” que ficamos conhecendo no trailer – são do mesmo tamanho de Quill. Estes inimigos também são usados para resolver alguns puzzles, o que deixa esses quebra-cabeças mais intrincados e interessantes.

O terceiro elemento do gameplay são os desafios de pular, em estilo jogo de plataforma. Eles aparecem mais timidamente, mas o terço final do game exige uma coordenação mais afiada. Dentro dessa seara, destaco a luta contra o chefe final, muito bem orquestrada.

Falando em “orquestra”, a trilha sonora do game é primorosa, assim como toda a parte de áudio do jogo. Tem coisa mais maravilhosa do que ouvir uma ratinha diminuta gritando “iá!”? Em boa parte do tempo, a música cessa, e você pode ouvir os passinhos dela enquanto corre em direção a mais um desafio.

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DE NOVO?

Apesar de divertida, a aventura de Quill não tem muito fator de replay. Depois que você resolve os puzzles da primeira vez, na segunda já sabe o que fazer. E os combates são bem básicos, usando apenas um tipo de arma e um único botão de ataque (a ratinha também pode se esquivar).

Além disso, há apenas um nível de dificuldade – mas creio que a adição de um hard mode não ia acrescentar muita coisa, a não ser que deixasse os puzzles mais intrincados e mexesse também no combate. Acho que o maior fator de replay fica por conta dos colecionáveis que você encontra pelo caminho, em forma de páginas perdidas de um livro e de uma espécie de poeira mágica colorida, que você coleta ao destruir objetos do cenário. Caso queira repetir algum trecho, é só selecionar um capítulo específico no menu do jogo.

Para os caçadores de troféus, ‘Moss’ tem platina, que pode ser obtida em um único gameplay. Mas, para isso, é preciso de atenção redobrada, já que os colecionáveis geralmente se escondem em lugares que não fazem parte do trajeto “normal” da protagonista. Recomendo que você jogue sentado e, quando precisar, se levante para poder observar certas estruturas mais altas. Há certos lugares onde Quill pode entrar e fica um pouco escondida. Você pode tentar observar por dentro para ver melhor o caminho a seguir.

O jogo está todo em inglês, com narração, interface e legendas nesse idioma. Há suporte para outras línguas, como espanhol e francês, mas não português, infelizmente. Mas isso não impede os brasileiros de curtir a história e o game. Não sabe nenhum desses idiomas? Faça como as crianças e olhe apenas as “figuras”. Todo o jogo é fartamente ilustrado.

‘Moss’ tem defeitos? Bom, além da relativamente curta duração, só vejo um: nas transições entre o jogo e as cenas em que você aparece na biblioteca, os desenvolvedores optaram por usar um branco que, em realidade, quase machuca os seus olhos, de tão intenso. Não sei se a intenção era mesmo de cegar, mas recomendo cerrar os olhos nessa hora.

Recentemente, o jogo ganhou uma atualização com melhorias gráficas para o PS4 Pro. Mas, sinceramente, não consegui notar diferenças, pois o game já era lindo de fábrica. Se você ainda não testou, a demo do jogo está disponível na Demo Disc 2 do Playstation VR, que você pode baixar usando o link abaixo.

[Baixe aqui o Demo Disc 2 do PSVR, com ‘Moss’ incluso]

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VEREDITO

Engana-se quem pensa que ‘Moss’ é um jogo para crianças. O game é um dos melhores títulos já lançados para o PSVR e possui todos os atributos para atrair o interesse de jogadores de todas as idades. Entrar no pequeno e singelo mundo de Quill é uma experiência de encher os olhos, capaz de provocar um sentimento de ternura no mais marmanjo dos jogadores. O jogo deixa claramente no ar que uma continuação vem por aí. Vamos ficar esperando. Nota: 10/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘Moss’
Gênero: Aventura em 3ª pessoa/puzzle
Estúdio: Polyarc (www.polyarcgames.com)
Data de lançamento: 27 de fevereiro de 2018 (PSVR) | 7 de junho de 2018 (HTC Vive e Oculus Rift)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 91,90 (PS Store do Brasil) | US$ 29,99 (PS Store dos EUA)
Idiomas: Inglês, espanhol, francês, entre outros (áudio, legendas e interface) | Sem suporte ao português
Espaço em disco: 6,35 GB
Controles: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito usando o PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo amigo Luciano Silva. Valeu, Luciano!]

Assista ao trailer de ‘Moss’

[review] Bastante desafiador, ‘Rooms’ faz jus ao subtítulo ‘The Unsolvable Puzzle’

Lançado originalmente para os PCs em 2015, ‘Rooms: The Unsolvable Puzzle’ é um puzzle (obviamente), em que uma garotinha chamada Anne adentra nas gigantescas mansões de um criador de marionetes e acaba se perdendo. E como ela se perde! Ao todo, as mansões têm 144 cômodos, com um puzzle cada um, rendendo várias horas de gameplay. O título ganhou uma versão VR, que chega agora ao Playstation VR (PSVR), em um lançamento da PrismPlus Co. no Japão e HandMade Game na Coreia. O jogo não está disponível na PS Store do Brasil, mas pode ser encontrado nas lojas online dos Estados Unidos e Reino Unido.

Logo de cara, o que chama a atenção no game é a trilha sonora. Muito bem orquestrada, as músicas lembram aqueles filmes de Natal de fim de ano (mas também há outros temas, como um animado tango). Se fosse escolher uma só palavra pra descrever o aspecto visual do jogo, eu diria é que um game “singelo”. Tudo é muito bem trabalhado, desde os modelos dos bonecos, os cenários, o jardim em 3D em frente às mansões, em uma ambientação que remete a um singelo conto para crianças. Mas também há uma aura de mistério na história, daquelas que atiçam a curiosidade dos pequeninos.

Em termos de gameplay, ‘Rooms’ é essencialmente um jogo em 2D e esta versão VR não foge muito disso. Apesar de haver uma ambientação 3D no entorno, a visão da parte jogável é em 2D e lembra aqueles quebra-cabeças de brinquedo, em forma de quadrado, com vários quadradinhos dentro, em que você precisa movê-los, um de cada vez, para formar uma figura.

No jogo, seu objetivo é fazer a garotinha chegar à porta de saída de cada cômodo, movendo os módulos (quadrados) de cada compartimento. Você joga usando o Dualshock 4 e só pode mover o módulo em que a personagem se encontra. Com o analógico esquerdo, movimenta a menina e com os botões de face (xis, bola, quadrado e triângulo) move o módulo para os lados, para cima ou para baixo (apenas onde for possível).

Há várias barreiras pelo caminho e em alguns casos é preciso encontrar a chave para abrir um portão. Mas também há elementos espalhados pelos módulos para te ajudar a resolver os enigmas, como escadas, telefones e armários. Os telefones permitem que você se teleporte de um telefone para o outro (lembraram de ‘Matrix’? Eu também!). Os armários também são mágicos e invertem o conteúdo dos módulos. Por exemplo, se você está em um módulo sem escada, mas tem uma escada em um módulo com um armário, é só entrar no armário que eles trocarão de lugar.

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OLHA A BOMBA!

E também há perigos pelo caminho, como uma marionete que te explode se você encostar nela. Uma caixa de presente, daquelas com palhaço dentro que pula na sua cara, esconde uma bomba, que pode ser usada para destruir paredes frágeis. Aliás, as explosões criam efeitos 3D interessantes. Também é legal se aproximar dos personagens para vê-los mais de perto. Porém, não qualquer tipo de interação entre jogador e a personagem, a não ser a carinha desapontada que ela faz quando você tenta fazer algo que não é possível.

As primeiras fases do jogo são bem fáceis e servem de tutorial disfarçado. Conforme você avança, os quebra-cabeças vão ficando mais intrincados e novos elementos são adicionados, testando cada vez mais seus músculos cerebrais.

Ao todo, cada uma das quatro mansões tem 24 cômodos e para passar para o próximo você tem que obrigatoriamente finalizar o atual. Ou seja, não dá para pular, o que é uma pena. Apesar da dificuldade ser escalonada, houve ocasiões em que passei mais tempo tentando resolver um puzzle do que um outro, posterior.

Mas, se não dá para pular fases, você consegue pelo menos liberar a mansão seguinte antes de terminar a atual. Porém, isso só acontece quando você atinge pelo menos 3/4 da mansão (quando alcança o quarto de número 16).

O jogo dá algumas indicações que te ajudam na resolução dos quebra-cabeças. A principal deles é a seguinte: cada módulo tem um fundo com desenho em preto e branco. Quando colocado na posição certa, esse fundo fica colorido, em tons de amarelo. Além disso, um contador mostra o número mínimo de movimentos que você precisa fazer para resolver o puzzle.

Entre as fases e na abertura, o jogo traz algumas cutscenes, em que é apresentada a história do criador de bonecos. Estas cenas são em 2D e você assiste como se estivesse em um cineminha. Apesar de não haver profundidade (tecnicamente falando), não deixa de ser interessante.

O jogo está todo em inglês e há opções para vários idiomas (infelizmente, o português não foi contemplado). Entre as opções, temos espanhol, francês e alemão. Saber uma dessas línguas é importante para entender melhor a história, mas não impedem o progresso do jogador.

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RATOS NO PORÃO

Se estiver achando as fases difíceis, saiba que algo ainda mais complicado aguarda você no porão. O aviso no menu é claro: os 48 níveis da parte debaixo da casa são para quem já dominou as fases de cima. Lá, não tem “colher de chá”. A dificuldade é elevada desde o primeiro nível, apesar de as mecânicas básicas serem as mesmas.

No porão, a garotinha usará trajes diferentes e terá algumas habilidades especiais. Na primeira mansão, por exemplo, ela poderá usar um telefone celular para se teleportar para um telefone fixo. Na segunda, a menina poderá colocar bombas onde quiser. No entanto, esses recursos são limitados e você precisa pensar bem antes de usá-los.

‘Rooms’ pode ser jogado tanto em VR quanto na tela plana. Ao iniciar o jogo, o sistema pede para você colocar o headset. Se você apertar na “bola”, o game inicializará na versão em tela plana. Sugiro você jogar das duas maneiras para perceber quanto o VR deixa as coisas bem mais interessantes.

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BUGS

‘Rooms: The Unsolvable Puzzle’ não está isento de problemas e relatarei aqui o que aconteceu durante meu gameplay. Em primeiro lugar, parece que o tracking do jogo se perde com frequência e você precisa resetar a câmera (segurando o botão Options) toda vez que termina uma fase ou volta para o menu principal. Isso é chato, mas é o menor dos problemas.

Em segundo lugar, pode ocorrer, em alguns momentos, de a tela ficar toda preta, como se estivesse carregando. Mas não é o caso: trata-se de um bug mesmo. Você precisará apertar alguns botões até voltar à tela de jogo. Pesquisando pela internet, vi que outros jogadores tiveram o mesmo problema.

O terceiro bug é um “crash” que acontecia toda vez que eu terminava a 5ª fase da 2ª mansão. O jogo fechava do nada e aparecia uma mensagem de erro do sistema PS4. Reiniciei o game várias vezes mas o “crash” se repetia. A solução foi reinstalar o game e o problema foi resolvido. Não sei se foi “exclusividade” minha ou se outros jogadores sofreram com isso.

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VEREDITO

‘Rooms’ faz jus ao subtítulo ‘The Unsolvable Puzzle’ (“O Quebra-cabeça Insolúvel”). É um dos puzzles mais difíceis que já joguei. Com 144 fases para jogar e nível de desafio bem elevado, o título vai deixar os fãs do gênero entretidos por várias horas. O componente VR dele é um tanto limitado – trata-se essencialmente de um jogo 2D. Além disso, vamos esperar que os bugs sejam corrigidos, porque o game é uma excelente pedida para quem gosta de desafiar o cérebro. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Rooms: The Unsolvable Puzzle’
Gênero: Puzzle
Estúdios: PrismPlus Co./HandMade Game (www.handmadegame.net/rooms2vr)
Data de lançamento: 19 de junho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift)
Preço: US$ 13,99 (PS Store dos EUA) | £11,59 (PS Store do Reino Unido)
Idiomas: Inglês, espanhol, francês, alemão, entre outros (sem suporte ao português)
Espaço em disco: 1,13 GB
Controles: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito usando o PS4 Pro, com mídia digital cedida por PrismPlus Co. e HandMade Game]

Assista ao trailer de ‘Rooms: The Unsolvable Puzzle’

[review] Simples e intuitivo, ‘SculptrVR’ permite você criar suas próprias esculturas

Com mais de 5 metros de altura e 500 anos de história, a escultura ‘Davi’, de Michelangelo, é uma das obras mais imponentes da humanidade. Esculpida em mármore maciço, levou dois anos e meio para ficar pronta e, junto com outros trabalhos primorosos, ajudou a eternizar o artista italiano como um dos maiores gênios de todos os tempos. Se você tem alguma pretensão de aprender a arte deste grande mestre e criar suas próprias obras, acaba de ser lançado um aplicativo que pode diminuir enormemente seu esforço: ‘SculptrVR’, criado pelo desenvolvedor independente Nathan Rowe e SculptrVR Inc.

‘SculptrVR’ permite que artistas amadores e profissionais liberem sua imaginação e criem obras em 3D de maneira rápida, simples e intuitiva. O aplicativo não possui um tutorial, mas em apenas dez minutos você estará familiarizado com as principais ferramentas básicas, que são nove. O aplicativo usa dois PS Moves. Na mão esquerda fica a paleta de cores, ferramentas e o menu (girando o pulso). Na direita, seu “cinzel” virtual, que você usa também para esculpir. Se for canhoto, basta trocar os Moves de mão ou usar o menu para inverter.

‘SculptrVR’ é o segundo aplicativo de criação artística no PSVR e a comparação com o ‘CoolpaintrVR’ é inevitável, mas as diferenças são grandes. Apesar de ‘CoolpaintrVR’ também permitir você criar obras em 3D, as técnicas utilizadas são mais focadas na pintura mesmo. Em ‘SculptrVR’, por outro lado, você pode modelar e remodelar tudo aquilo que você está criando, com ferramentas que te permitem não só entalhar e aparar as arestas do seu trabalho. Ou seja, utiliza o princípio básico da arte de esculpir: transformar matéria bruta em obras de arte únicas.

O seu cinzel virtual pode ter várias formas e tamanhos, para que você possa fazer todo tipo de intervenção. E, para isso, pode mover e girar a peça da maneira que quiser, além de usar um zoom que aumenta em até 10.000x (!) o tamanho dos objetos. Não tem ideia do que é isso? Imagine uma formiguinha de 1 mm de altura. Multiplique por 10.000. Você estará diante agora de uma formigona com 10 metros de altura. Dá uma boa diferença, não? Isso é importantíssimo para poder trabalhar nos mínimos detalhes das obras de maneira bastante precisa. Aliás, precisão é uma das qualidades do aplicativo. O tracking responde muito bem e há até uma opção de incluir diferentes níveis de vibração, para que você sinta melhor o que está esculpindo.

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CLONAGEM

Outra função bastante útil é a de “copiar e colar”. Você pode criar objetos dentro de um cubo, na mão esquerda, e replicá-los quantas vezes quiser no seu trabalho. Tudo o que você cria pode ser pintado usando a cor que você quiser. A paleta é totalmente customizável e inclui tons brilhosos, foscos e “normais”.

‘SculptrVR’ também tem uma função em que você pode estabelecer diferentes camadas a cada um dos “pedaços” da sua criação, permitindo que você escolha entre três texturas que vão deixar a obra mais arredondada ou mesmo com um aspecto pixelado. As camadas também servem para que você trabalhe com diferentes objetos separadamente, impedindo que um interfira no outro contra sua vontade.

Caso erre ou desista de algo, há um botão para voltar. Mas, se mudar de ideia novamente, há outro botão para retornar ao que foi feito. Imagina Michelangelo com essas facilidades? Se quiser destruir tudo, ainda pode fazer de forma divertida: uma das ferramentas é um míssil que pode ser usado de vários tamanhos. Esses mísseis também podem ser usados para esculpir, como se fossem dinamites em uma pedreira.

O seu trabalho pode ser salvo para continuar posteriormente, com save no próprio HD do PS4. Por enquanto, não há opção para exportar para o pen-drive, mas os desenvolvedores garantiram que esta função estará disponível no primeiro update do aplicativo, ainda sem data para sair. Isso permitirá, por exemplo, que as obras virem realidade com o uso de impressoras 3D. Também deve ser incluída uma função para importar objetos e desenhos para servir como referência.

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GALERIA VIRTUAL

Para aqueles com talento ou coragem suficiente, o aplicativo permite que você compartilhe suas criações com os demais usuários, online. Atualmente, a galeria virtual traz 60 obras e é muito interessante olhar cada uma delas de perto para ver toda a potencialidade do aplicativo, em obras que dificilmente você conseguirá reproduzir (pelo menos no meu caso). ‘SculptrVR’ também traz obras de “demonstração”, uma melhor que a outra. As obras mostradas neste review são todas da galeria online – e ficam muito mais bonitas e incríveis “ao vivo”, dentro do aplicativo.

‘SculptrVR’ está em inglês e não tem suporte à língua portuguesa, mas isso não deve ser problema, já que as ferramentas vêm com ícones que mostram claramente para que cada uma serve. Também não possui música, deixando você livre para ouvir suas playlists do Spotify, se quiser.

Ah, para quem gosta de uma platina fácil, lamento informar que o jogo não tem platina, apesar de possuir troféus de bronze, prata e ouro.

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VEREDITO

‘SculptrVR’ oferece um excelente rol de ferramentas simples e intuitivas para quem quer se aventurar na arte da escultura sem gastar muito. Imagina fazer uma estátua de bronze sem gastar com bronze? Mesmo para quem não tem dons artísticos, com um pouco de dedicação e planejamento você pode criar trabalhos interessantes. A galeria online é uma ideia fantástica e vamos ficar esperando pelo update (já prometido) que possibilitará exportar os trabalhos e imprimi-los em 3D. Nota: 9,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘SculptrVR’
Gênero: Aplicativo
Estúdio: SculptrVR Inc. (http://sculptrvr.com)
Plataformas: Playstation VR (usado neste review), HTC Vive, Oculus Rift, Windows Mixed Reality, Google Daydream, Oculus GO e GearVR
Data de lançamento: 19 de junho de 2018
Preço: R$ 61,50 * (PS Store Brasil) | US$ 19,99 * (PS Store EUA)
Espaço em disco: 454 MB
Idioma: Inglês (sem suporte ao português)
Controles: 2 PS Moves (sem suporte ao Dualshock 4)
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online
* O aplicativo foi lançado com desconto especial de 10% para membros da PS Plus, saindo por R$ 55,35 (PS Store Brasil) ou US$ 17,99 (PS Store EUA). A oferta é válida só até o dia 26 deste mês.

[Este review foi feito usando o PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo estúdio SculptrVR Inc.]

Assista ao trailer de ‘SculptrVR’

[review] ‘The Exorcist: Legion VR’ te coloca frente a frente com o “coisa ruim”

Lançado há mais de quatro décadas, ‘O Exorcista’ é um dos filmes de terror mais icônicos de todos os tempos. A cena da menina Regan possuída pelo capeta girando a cabeça e vomitando gosma verde já foi vista e revista por milhões de espectadores do mundo todo. Tamanho sucesso resultou em várias sequências, adaptações, cópias e mesmo paródias dos rituais de exorcismo. Em 1990, foi lançado ‘O Exorcista III’, dirigido pelo próprio autor do livro, William Peter Blatty, ignorando completamente o desastre que foi o segundo filme da franquia. É neste terceiro longa-metragem que é baseado ‘The Exorcist: Legion VR’, desenvolvido pelo estúdio Wolf & Wood Interactive e publicado pela Fun Train.

‘Legion’ é uma referência direta à obra de mesmo nome de autoria de Blatty, que daria título ao terceiro filme da franquia, mas foi deixado de lado por questões comerciais, à época do lançamento. No entanto, vale reforçar que ‘The Exorcist: Legion VR’ não é uma adaptação direta do filme, mas traz alguns elementos que o conectam ao longa-metragem. No game, você é um cético detetive da polícia de Boston chamado para resolver uma série de crimes envoltos em rituais macabros.

O game está sendo lançado em cinco capítulos, sendo que os três primeiros chegam agora ao Playstation VR. Você pode adquiri-los individualmente ou em um conjunto, com um desconto especial. Neste review, analisaremos apenas os três primeiros capítulos, chamados de ‘First Rites’, ‘Idle Hands’ e ‘Skin Deep’.

Antes de mais nada, avisamos aos brasileiros que o jogo não tem localização para português. O game está todo em inglês, sem opções de legenda. Saber o idioma é importante para compreender a história, através de uma série de documentos escritos que você vai encontrar pelo caminho, além de gravações e falas. Mas não saber a língua estrangeira não vai te impedir de seguir em frente e se assustar.

E o jogo assusta bastante. Apesar de o filme no qual é baseado ser mais um suspense policial do que um terror propriamente dito, ‘Legion VR’ puxa mais para o gênero que consagrou o primeiro ‘O Exorcista’. Mas, inteligentemente, o game não apela para os jump scares (quer dizer, não muito). Os sustos estão lá, com certeza. Mas o que cria um clima de tensão (e mesmo de pânico) constante são os cenários escuros, os efeitos sonoros, os barulhos, a ambientação macabra dos locais por onde você passa…

Some-se a isso gráficos primorosos, que não são vistos com tanta frequência no PSVR e que contribuem para uma sensação de imersão fantástica. Tudo é muito real e as imagens são bem nítidas. Você consegue ler quase todos os textos com facilidade (a única exceção que faço é quanto a um livro de anotações, que contém várias informações importantes, mas você não consegue ler, de tão borradas que estão).

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AJUSTES E TUTORIAL

É importante ficar bem atento ao iniciar o game. Certifique-se de estar com o headset bem ajustado na cabeça, com os PS Moves (ou o Dualshock 4) nas mãos ao inicializa-lo. Isso porque o jogo pode identificar erroneamente sua altura e deixá-lo menor do que um anão. Caso isso aconteça, sugiro reiniciá-lo ou apagar o save – não encontrei forma de resolver o problema, já que o botão para resetar a visão (segurando o Options) não surte efeito.

Após ajustar a altura, o jogo te ensina as mecânicas básicas de movimentação e como utilizar o inventário. O jogo vem configurado com o uso de teleporte e giro em graus, mecânicas usadas para eliminar o enjoo de movimento (a famosa cinetose). Caso se sinta à vontade, você pode usar o smartphone localizado em seu inventário para selecionar o movimento livre e o giro livre.

Apesar de ser a forma preferida de locomoção da maioria dos jogadores, a movimentação livre tem alguns problemas no jogo. Houve algumas vezes em que fiquei preso em determinado elemento do cenário (uma cadeira, por exemplo) e só consegui sair depois que troquei a movimentação para o teleporte. Além disso, ela é lenta, mesmo escolhendo a maior velocidade disponível, e sempre que você se mexe aparece um “blinder” (uma vinheta que escurece todos os cantos da tela). Não há opção de tirá-lo, infelizmente.

Seja qual forma de locomoção você escolher, é preciso um certo tempo para se acostumar com os controles básicos. O jogo permite que você interaja com vários objetos espalhados pelos cenários. Alguns serão importantes para resolver os crimes, outros estão lá só para te distrair mesmo. Por causa disso, os PS Moves são a melhor escolha para jogar o game.

Para quem não tem os Moves, há a opção de jogar com o Dualshock 4. Desta maneira, sua mão esquerda fica fixa na altura da cintura e você controla a mão direita com o tracking do controle (se for canhoto, pode alterar esta opção no menu do smartphone).  Jogar com o controle não dá a mesma imersão dos Moves e te deixa “maneta”, já que só pode usar uma mão para segurar objetos e abrir gavetas, por exemplo. A única vantagem é a locomoção usando os direcionais.

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VAMOS POR PARTES

Cada um dos capítulos de ‘The Exorcist: Legion VR’ traz uma história única, que vai se entrelaçando uma às outras. Cada um dura em torno de 20 a 30 minutos, que pode parecer pouco, mas é o suficiente para te deixar com aquele “cagaço”. Você seleciona os capítulos a partir da sala de detetives da delegacia. E prepare-se para ficar frente a frente com o “coisa ruim”, o “capeta”, o “tinhoso”, o “sete-peles”, o “cramunhão”, o “capiroto”, o “mochila de criança” ou como você queira chamá-lo (você vai querer chamá-lo?).

No primeiro capítulo, ‘First Rites’, você vai investigar a invasão a uma igreja, que culmina com a morte do padre responsável pelo local. Seu trabalho é coletar pistas e objetos pessoais do religioso, que vão formando o seu “kit de exorcismo”. Entre os objetos, temos água benta, spray de sal, uma espécie de candeeiro para iluminar o caminho e, claro, uma cruz. Esses itens são as únicas armas que você terá no jogo.

No segundo capítulo, ‘Idle Hands’, você é chamado para investigar o que aconteceu com uma professora que foi parar em um manicômio depois de flertar com o oculto. Seu corpo é coberto por tatuagens e cabe a você descobrir o que fazer para ajudá-la.

O terceiro capítulo, ‘Skin Deep’, se passa em uma casa aparentemente normal. Um casal teve um bebê, que está sendo atormentado por uma entidade maligna. Você deve procurar itens pelo quarto para entender o que aconteceu ali.

Ficar preso sem saber o que fazer em um desses capítulos é normal. Comigo aconteceu algumas vezes. O jogo dá algumas pistas sonoras quando você pega objetos importantes, mas cabe a você procurar por eles. Além disso, uma ação sua pode servir de “gatilho” para que algo aconteça, como abrir uma porta, por exemplo.

No smartphone, há uma “dica” que diz que você pode usar o GPS para localizar seu próximo objetivo. Não encontrei esse GPS nem no smartphone, nem no relógio. A instrução diz pra você apertar “o botão”, sem dizer qual botão é. Se alguém descobrir, por favor, deixe nos comentários que atualizarei o review.

Em termos de fator replay, ‘The Exorcist’ não tem muito a oferecer. Há apenas um nível de dificuldade, mas você pode repetir os capítulos usando o menu (que fica na própria sala de detetives da delegacia). Um desafio extra é “completar o artefato” de cada capítulo. O jogo também tem troféus, mas não possui platina. Provavelmente, o melhor fator de replay do jogo seja chamar seus amigos para jogar e tomar uns bons sustos. =D

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VEREDITO

Com gráficos muito bem feitos e realistas, ‘The Exorcist: Legion VR’ cria uma atmosfera de terror fantástica e cumpre bem com seu objetivo. Há alguns poucos problemas técnicos, que podem ser contornados com updates futuros. Apesar de curtos, os capítulos são intensos e assustam de verdade. Pelo preço que é cobrado, acaba sendo justo. Se você está procurando um “intensivão” de terror, acabou de encontrar. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘The Exorcist: Legion VR’ (capítulos 1 a 3)
Gênero: Terror
Estúdio: Wolf & Wood Interactive/Fun Train (www.exorcistlegion.com)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift e HTC Vive
Data de lançamento: 19 de junho de 2018 (PSVR)
Preço: R$ 21,50 (por capítulo) ou R$ 91,90 (Série Completa, incluindo os capítulos 4 e 5, ainda não lançados)
Espaço em disco: 2,68 GB (capítulo 1) | 1 GB (capítulos 2 e 3 – cada)
Idioma: Inglês (áudio e interface) | Sem suporte ao português
Controles suportados: 2 PS Moves (recomendado) e Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pela Wolf & Wood Interactive e Fun Train]

Assista ao trailer de ‘The Exorcist: Legion VR’ (capítulos 1 a 3)

[review] Embarque na mitologia nórdica em ‘RollerCoaster Legends II’

Com o crescente interesse pela mitologia nórdica, embalado pelo estrondoso sucesso de ‘God of War’, é natural o surgimento de novos games focados nesse tema. O estúdio WarDucks não perdeu muito tempo e acaba de lançar ‘RollerCoaster Legends II: Thor’s Hammer’, sua segunda experiência de montanha-russa para o Playstation VR, trazendo algumas melhorias em relação ao primeiro título.

Confira aqui o review do primeiro ‘RollerCoaster Legends’

A bordo de um carrinho com jeitão de barco viking, você atravessará alguns dos reinos que compõem a mitologia nórdica e ficará bem perto de seres que a habitam, como trolls, gigantes, valquírias, deuses e dragões. Os cenários replicam paisagens dos reinos de Alfheim, Helheim e o gélido Niflheim. Durante o percurso, você é acompanhado por Loki, que roubou o martelo de Thor.

A imersão é fantástica, com gráficos bem feitos, sem serrilhados ou borrões (reforçando que testei o título em um Playstation 4). A sensação de velocidade é bem maior que a do primeiro título. As curvas estão mais acentuadas e as quedas, também. Pena que dure pouco: o jogo-experiência leva cerca de sete minutos.

Mas desta vez há um fator de replay, já que, após terminar a experiência pela primeira vez, você libera um modo “challenge”. Nele, o desafio é coletar 50 itens amarelos que vão aparecendo pelos cenários. Para isso, você usará um par de PS Moves ou o Dualshock 4. Com os moves, você terá uma arma em cada mão e pode atirar em alvos diferentes. Com o Dualshock, terá apenas uma arma, mas ela vem em forma de lâmina de machado (alguém sacou a referência?).

Além de atirar nos itens colecionáveis, você também pode disparar nos elfos que ficam te jogando flechas, bem ao longe. Aliás, eles ficam tão distantes que é difícil identificar o que eles são de verdade. Como é que eu sei que são elfos? Intuição, meu caro Legolas.

Matar os elfos não influencia em nada, mesmo porque as flechas que eles disparam passam bem longe de você. Portanto, se quiser pegar todos os colecionáveis é bom guardar a “energia” da sua arma, pois ela acaba após um certo tempo de uso e é preciso esperar até que ela recarregue.

No geral, o modo “challenge” é uma boa adição à experiência. Como o próprio nome diz, serve como desafio. Mas, para os platinadores, lamento informar que não há troféus para conquistar. O jogo também não tem suporte ao português, mas isso não faria qualquer diferença, já que não há diálogos ou qualquer coisa do tipo.

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NO BALANÇO DO BARCO

‘RollerCoaster Legends’ é uma experiência que preza pelo bem-estar físico dos jogadores. Mesmo sendo veloz e intenso, o game usa algumas “artimanhas” para evitar o desconforto do jogador. Por exemplo: nas descidas, a sua visão parece se recentralizar para se adequar às mudanças nos trilhos, evitando um movimento mais brusco e nauseante.

Isso faz com que o título seja quase livre de enjoo de movimento. Na tela inicial, também é possível adicionar uma vinheta (em inglês, costumam chamar de “blinder”), que escurece as bordas da tela – eles vêm em duas opções. Por estas características, ‘RollerCoaster Legends 2’ (assim como o primeiro), é perfeito para você apresentar seu PSVR para amigos ou familiares.

No entanto, ainda sinto falta de opções mais “hardcore”, para quem não sofre de cinetose (o tal enjoo de movimento). Por isso, para quem está mais acostumado à realidade virtual, recomendo experimentar o título de pé. Dá uma emoção a mais.

Além disso, desta vez achei o encontro com seres mitológicos menos emocionante do que na versão grega do primeiro ‘RollerCoaster Legends’. Você vai passando enquanto os seres vão aparecendo ao lado. Acho que faltou ficar mais “frente a frente” com eles.

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VEREDITO

‘RollerCoaster Legends II’ é uma ótima experiência de montanha-russa em realidade virtual, bem melhor do que as disponíveis no Youtube. A adição do modo “challenge” aumenta um pouco o tempo de gameplay, mas não há dúvida de que se trata de um título para jogar poucas vezes. A graça mesmo está em deixá-lo à disposição dos amigos e familiares, como uma porta de entrada ao fantástico mundo da realidade virtual. Nota: 9/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘RollerCoaster Legends II: Thor’s Hammer’
Estúdio: WarDucks (www.warducks.com)
Gênero: Jogo-experiência (montanha-russa)
Data de lançamento: 5 de junho de 2018
Plataformas: PSVR (utilizada neste review), Oculus Rift e HTC Vive
Preço: R$ 18,50 (PS Store BR) | US$ 5,99 (PS Store EUA)
Espaço em disco: 1,9 GB
Idioma: Inglês (interface – a experiência não tem diálogos)
Controles suportados: Dois PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no Playstation 4 Pro, com uma cópia digital cedida pela WarDucks]

Assista ao trailer de ‘RollerCoaster Legends II: Thor’s Hammer’

[review] Quem não tem ‘Beat Saber’ caça com ‘Happy Drummer’

O Playstation VR ainda não dispõe de um título à altura de um ‘Guitar Hero’ ou um ‘Rock Band’, o que é uma pena para quem gosta de games musicais deste tipo. Enquanto o aguardadíssimo ‘Beat Saber’ não chega, alguns títulos tentam cumprir essa lacuna. Com ‘Happy Drummer’, o estúdio chinês Lusionsoft oferece uma experiência que, apesar de não contar com músicas conhecidas, não deixa de ser divertido.

Para jogar os antigos games musicais da era Playstation 3, você precisava comprar instrumentos de plástico que imitavam guitarras, baixos e baterias. Um kit completo do icônico ‘Rock Band Beatles’ ultrapassava facilmente a casa dos R$ 1 mil. Para jogar ‘Happy Drummer’, você precisa apenas de um par de PS Moves e, claro, do seu PSVR, que suponho que você já tenha. Já começou a ver vantagem, né?

No game, seus instrumentos são virtuais. Os PS Moves transformam-se nas baquetas, bem primitivas por sinal, feitas de osso e madeira. Em termos de tracking, não há o que reclamar. Os controles funcionam bem e respondem perfeitamente ao movimento das suas mãos. Segundo a página do jogo na PS Store, também é possível jogar com o Dualshock 4, mas confesso para vocês que não testei, porque não vejo sentido em jogar este título com controle.

O game possui três tambores básicos, em dois cenários diferentes (dia e noite). Os tambores mudam de acordo com o cenário, assim como a seleção musical. São quatro músicas para o dia e outras quatro para a noite. E cada música tem três níveis de dificuldade (“normal”, “hard” e “lunatic”). O jogo não possui uma campanha propriamente dita, mas você só consegue liberar a próxima música se receber pelo menos a nota “Good” na anterior.

Os tambores mudam um pouco de acordo com o cenário. No cenário diurno, o tambor do meio é uma espécie de bumbo (instrumento de percussão grande), que permite uma nota diferenciada, em que você bate na lateral. Aliás, falando em notas percussivas, o jogo possui três tipos: a nota básica (em forma de seta), que você usa apenas uma baqueta; a nota dupla (em forma de estrela), que você usa as duas baquetas no mesmo tambor); e a nota em que você bate na lateral (esta vem em forma de círculo) e é exclusiva do bumbo.

O cenário noturno não possui o bumbo, o que o torna um pouco mais fácil para iniciantes. Durante as músicas, em alguns trechos, sua visão gira para alcançar outros quatro tambores que estavam nas suas costas. São quatro tambores ao todo, feitos de osso ou pedra.

É importante ressaltar que cada tambor do jogo soa de maneira diferente, de acordo com a posição dele. O mesmo vale para as notas duplas e as notas “na beirada” do bumbo. ‘Happy Drummer’ possui ainda um modo para você tocar livremente, sem ter que obedecer a notas em posições específicas. Estranhamente, este modo vem com 12 músicas, quatro a mais do que as oito do modo principal.

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VISUAL

Os dois cenários de ‘Happy Drummer’ remetem a algum lugar perdido no tempo, com características marcadamente primitivas. Totens, estruturas de pedra e elementos naturais aparecem lado a lado de vários tipos de animais, pré-históricos ou não, e até um grego (!). No centro disso tudo, você e sua tribo de selvagens que gostam de curtir um som.

Nessa “balada”, quem comanda a festa é uma espécie de xamã (ou pajé, no bom português), que, lá do céu, atira as notas pra você. O seu “timing” de atingir as notas no tempo certo vai determinar sua nota final, mas o sistema de pontuação do jogo não é muito claro. No fim, você recebe sua nota e pode escrever seu nome ou desenhar o que quiser em uma tábua.

O jogo possui um estilo gráfico bem simples. Os modelos dos “tribalistas” são um pouco esquisitos – além de serem todos “gêmeos”, parece que lhes falta vida. Talvez eu tenha ficado com essa impressão porque eles são todos iguais mesmo, se movem de maneira estranha e estão sempre de óculos escuros. Seria uma homenagem a Carlinhos Brown? Ajayô!

Os cenários, em contrapartida, são bem desenhados, não possuem serrilhados visíveis e tudo é bem definido (destacando que testei o game no Playstation 4 Pro). Os animais também são bem desenhados e ajudam a dar mais vida ao game.

Faço uma ressalva quanto à disposição das notas. Elas são jogadas “no ar” e seguem apenas linhas imaginárias. Não há qualquer elemento gráfico que ajude você a identificar mais facilmente qual tambor você deve acionar. Fazendo uma comparação, no ‘Guitar Hero’, por exemplo, cada nota tem uma cor (verde, amarela, azul e assim por diante). Em ‘Happy Drummer’, a cor e a forma das notas mudam apenas de acordo com o seu tipo (a seta é branca ou rosa, a estrela é verde e o círculo, amarelo). Nas dificuldades mais altas, em que as notas vêm muito mais rápido, é muito comum se confundir.

Apesar de não ter canções conhecidas, o título possui músicas agradáveis de se tocar. Mas nada mais que isso. Cada música dura em torno de 2 minutos e usa elementos percussivos primitivos ao lado de instrumentos modernos, como o piano, por exemplo. Os efeitos sonoros replicam bem os sons da “vida real”, mas algumas coisas, estranhamente, não fazem barulho.

O jogo não tem suporte para o português, mas isso não vai atrapalhar quem não sabe inglês. A interface do game tenta evitar ao máximo o uso de palavras e as músicas, por exemplo, são identificadas por símbolos. As poucas palavras que você vai ler são expressões como “Good”, “Great”, “Try again”, assim como os três níveis de dificuldade. Isso, de certa forma, torna o jogo mais “universal”. Mas também gera um pouco de confusão na hora de entender os menus.

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VEREDITO

Para quem gosta de jogos musicais, ‘Happy Drummer’ é uma boa opção à ausência de títulos rítmicos mais esperados/sonhados pelos jogadores, como ‘Guitar Hero’, ‘Rock Band’ e ‘Beat Saber’, este ainda exclusivo do PCVR. O game da Lusionsoft possui um bom nível de desafio e diverte com suas músicas alegres. Apesar da pouca quantidade de canções, ainda assim possui um bom valor de replay, com três diferentes níveis de dificuldade. O tracking responde bem, o que é fundamental em um jogo deste tipo, que exige precisão nos movimentos. Eu gostaria de ver um pouco mais de variedade, mas o preço cobrado na PS Store me parece justo ao que está sendo oferecido. Nota: 7/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘Happy Drummer’
Estúdio: Lusionsoft (www.lusionsoft.com)
Gênero: Musical
Plataformas: Playstation VR (usada neste review) e HTC Vive
Data de lançamento (no Ocidente): 6 de fevereiro de 2018
Preço: R$ 30,90 (PS Store Brasil) | US$ 9,99 (PS Store EUA)
Espaço em disco: 885 MB
Idiomas: Inglês (sem suporte ao português)
Controles suportados: Dois PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito usando o Playstation 4 Pro, com mídia digital cedida pelo estúdio Lusionsoft]

Quer uma segunda opinião? Confira o review do canal Moso PSVR:

[review] Resolva puzzles e ajude a encontrar um cãozinho perdido em ‘Along Together’

Depois do curto mas inteligente ‘Floor Plan’, o estúdio Turbo Button está de volta ao Playstation VR com mais um puzzle: ‘Along Together’. Desta vez, seu objetivo é ajudar uma criança a encontrar seu cachorrinho perdido, o buldogue Rishu. As interações entre você, a criança e o “catioro” dão um charme especial ao jogo, disponível em todas as plataformas de realidade virtual.

Logo no menu principal, você pode escolher entre controlar uma menina ou um menino (opção que não fará diferença no gameplay). Além de movimentar a criança, você vai usar o Dualshock 4 para controlar o “amigo imaginário” dela, em uma visão em primeira pessoa. Mas a perspetiva do jogo é em terceira pessoa, na qual você pode observar sua personagem em uma espécie de mundo em miniatura.

Os quebra-cabeças consistem em usar a mão do “amigo imaginário” para mover estruturas específicas do cenário para permitir que a criança siga em frente na sua busca pelo danado do cachorro. É fácil de identificar o que pode ou o que não pode ser movido e algumas estruturas permitem mais de um tipo de interação, o que aumenta as possibilidades de resolução dos problemas.

O jogo é dividido em três áreas, com cinco fases cada uma. A primeira dessas áreas, a floresta, traz pouca dificuldade e é praticamente um “passeio no parque”. As coisas começam a complicar mesmo na segunda área, as cavernas. Existem vários bloqueios pelo caminho e você vai usar coisas como blocos, carrinhos de mina e muitos trilhos para resolver os puzzles. O terceiro cenário é o ferro-velho e os quebra-cabeças ficarão cada vez mais intrincados. Para resolvê-los, você usará guindastes, automóveis e ímãs gigantes, entre outras coisas.

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É PRA CRIANÇA?

Essa é uma pergunta que fica no ar ao jogar ‘Along Together’. A temática do game é infantil, assim como o visual, com traços que lembram um desenho animado para crianças. O gameplay também é bastante lúdico, lembrando brinquedos de montar/desmontar. No entanto, a partir da segunda área as coisas complicam em termos de desafio, o que me deixa em dúvida se os pequeninos conseguirão resolver problemas mais intrincados.

Na PS Store, a classificação é livre para todas as idades, mas todo jogador sabe que o Playstation VR vem com um aviso (repetido inúmeras vezes) de que não pode ser usado por crianças menores de 12 anos. Mas não é um impeditivo. Também não é um impeditivo que adultos de todas as idades joguem e curtam o game, revivendo coisas da sua infância. Afinal, quem nunca perdeu um cachorrinho ou ajudar a encontrar o cachorro de um amigo? O jogo tem também uma casa na árvore. Quem nunca quis ter uma?

As semelhanças com ‘Moss’, da Polyarc, são evidentes e a comparação, inevitável. No entanto, ‘Moss’ é bem mais movimentado e, graficamente, mais exuberante. O título da Polyarc tem a fofura da Quill como protagonista, enquanto ‘Along Together’ se vale do carisma do buldogue Rishu.

Em termos de gameplay, ‘Moss’ tem alguns elementos de jogo de plataforma e de “hack and slash”. Já o ‘Along Together’ é puzzle puro. A sua personagem não pula (a não ser para subir em beiradas) e não enfrenta nenhum inimigo no mano a mano. Mas usa um estilingue para acertar alguns bichinhos indesejados e resolver alguns puzzles.

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DURAÇÃO E OUTROS DETALHES

‘Along Together’ leva em torno de duas a três horas para finalizar. Durante as fases, você vai coletando uma série de brinquedos para guardar na sua casa na árvore. E pode brincar com eles depois de encontrá-los! Localizar todos esses brinquedos, resolvendo pequenos puzzles extras, pode aumentar a duração do jogo.

Em termos de enjoo de movimento, ‘Along Together’ não oferece muito perigo. No entanto, faço uma ressalva: a câmera se movimenta conforme a criança avança pelos cenários e esse movimento pode gerar um certo desconforto ou mesmo enjoo. É bom ficar atento. Creio que seria mais interessante dar ao jogador o controle da câmera, como em ‘Bound’.

Visualmente, o jogo tem gráficos bonitos, apesar de simples. Como eu disse, lembram um desenho animado. E são bem definidos, sem qualquer serrilhado, coisa um tanto quanto rara no PSVR. Percebi alguns problemas de “colisão”, quando você força a barra e tenta colocar o personagem em um lugar onde ele obviamente não deveria ficar. No entanto, não chega a atrapalhar o gameplay.

A trilha sonora é bem agradável e o áudio, bem trabalhado. Não há suporte à língua portuguesa, mas há a opção de colocar os textos em espanhol, o que já facilita um pouco pra quem não sabe nada de inglês. Além disso, como o jogo não possui diálogos (apesar de haver algumas interjeições aqui e ali), não há nada que impeça os brasileiros de curtir o título.

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VEREDITO

Se por um lado ‘Along Together’ tem atrativos de sobra para atrair o público infantil, por outro também chama a atenção dos adultos aficcionados por um desafio em forma de quebra-cabeça. Imerso em um mundinho que lembra um desenho animado, você passará algumas horas agradáveis, enquanto resolve uma série de puzzles. No entanto, há um certo desbalanceamento no nível de dificuldade dos quebra-cabeças, o que pode tornar a experiência um pouco frustrante para os mais novinhos. Seria um game para jogar reunindo pais e filhos? Talvez. Para quem se interessou, sugiro aproveitar o preço promocional de lançamento (mais detalhes abaixo). Nota: 9/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘Along Together’
Estúdio: Turbo Button (www.turbo-button.com/games/alongtogether)
Gênero: Puzzle
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Daydream, Oculus Go, Gear VR, Oculus Rift, HTC Vive, Windows Mixed Reality
Data de lançamento: 29 de maio de 2018
Preço: US$ 19,99 * (PS Store EUA) | Indisponível na PS Store BR
Espaço em disco: 429 MB
Idiomas: Inglês, espanhol, francês, entre outros (sem suporte ao português)
Controles suportados: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

* ‘Along Together’ foi lançado com desconto promocional de 25% para membros PS Plus, saindo por US$ 14,99. O desconto é válido até o dia 12 de junho de 2018. Ao comprar o jogo, você ganha o tema dinâmico “Pooch Scooch”, com a verdadeira estrela de ‘Along Together’, o cachorrinho Rishu.

[Este review foi feito com mídia digital cedida pela Turbo Button]

Assista ao trailer de ‘Along Together’

Confira um vídeo de gameplay, feito pelos próprios desenvolvedores

[review] ‘To the Top’ te leva para o topo da realidade virtual

Sabe aquele momento em que você diz: “Esse jogo foi feito para a realidade virtual”? Pois é. Não há expressão que defina melhor ‘To the Top’ do que esta. ‘To the Top’ foi feito para a realidade virtual. Seria possível jogá-lo em tela plana? Dificilmente. Teria alguma graça? Nenhuma. ‘To the Top’ se vale dos recursos da RV para proporcionar uma liberdade poucas vezes vista no Playstation VR e no mundo dos games em geral. Podemos tentar defini-lo como uma mistura de jogo de plataforma, corrida, parkour e escalada, mas o jogo vai além disso.

Em ‘To the Top’, você é uma espécie de super-robô que está passando por um treinamento com o objetivo de prepará-lo para salvar vidas. Esse treinamento é feito em um ambiente virtual e consiste em cumprir uma série de percursos, usando apenas suas habilidades com as mãos. Falando na real, você se sente como um macaco, capaz de se pendurar em vários tipos de estruturas, em alturas que parecem não ter fim.

O conceito de “liberdade de movimento” é central no game, desenvolvido pelo estúdio Electric Hat Games e publicado pela Panic Button. Você sempre tem um ponto de partida e um ponto de chegada pré-definidos, mas a maneira como você vai cumprir esse percurso é você que vai definir.

Para isso, usando o Dualshock 4 ou um par de PS Moves (opção que eu recomendo), você pode interagir com as várias estruturas azuis do cenário, agarrando ou usando-as para pular. Pular (usando as duas mãos) te dá mais velocidade e permite que você alcance locais mais distantes, enquanto agarrar só com uma das mãos dá mais segurança.

Usando esses dois movimentos básicos, você vai tentar cumprir o percurso no menor tempo possível. Existem três faixas de tempo, que concedem uma espécie de medalha de acordo com seu desempenho (ouro, prata ou bronze). São estas “medalhas” que vão liberar as fases seguintes. Ou seja, para zerar o game não basta terminar as fases: é preciso conseguir bons tempos.

Além disso, você terá que encontrar os vários geomas (globos grandões fáceis de identificar) que ficam espalhados pelas fases. Se pegar todos, também ganha uma medalha. Uma quinta medalha é recebida ao pegar o geoma escondido de cada fase. Geralmente, ele aparece fora do circuito “normal” da fase e envolve uma habilidade extra para coletá-lo.

Obter as medalhas também permite que você desbloqueie vários itens para customizar a aparência do seu personagem. Você pode destravar novas máscaras, luvas e tronco do personagem. São mais de 30 opções de customização, que não interfere do gameplay, mas vai te deixar mais “na pinta” quando for encarar o multiplayer.

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NO TOPO DO MUNDO

Olhando de fora, os cenários de ‘To the Top’ parecem meio pobres e excessivamente coloridos. Mas, dentro do game, a sensação é outra. A escolha das cores facilita o entendimento por parte do jogador, que consegue identificar claramente por onde ir e com quais estruturas você pode interagir.

A imersão é fantástica e você se sente como se estivesse lá, a vários metros de altura, especialmente quando está pendurado em canos de um arranha-céu, por exemplo, ou escalando uma torre. Para os brasileiros, ‘To the Top’ traz uma vantagem extra, já que a interface e legendas estão todas em português do Brasil.

A trilha sonora é totalmente original e merece uma menção à parte. Bem animada, tem uma pegada que mistura música eletrônica e rock com levada oitentista. Recomendo aumentar o volume para curtir o percurso! Os efeitos sonoros também cumprem bem o seu papel – o som do pulo, por exemplo, me lembra o primeiro ‘Super Mario’, ainda na época do Nintendinho.

A duração do game depende bastante da performance do jogador. As primeiras fases podem ser completadas em menos de 10 ou 20 segundos, mas cumprir o menor tempo exige bastante treino. Ao todo, são 35 fases (levels), divididas em fácil, normal e difícil, além das fases bônus. A dificuldade vai aumentando a cada level e novos tipos de estruturas e elementos vão sendo adicionados, dando um ar de novidade a todo tempo. Para encarar tudo isso, você vai passar por um tutorial que explica bem as mecânicas básicas do jogo.

Completando o pacote, o título traz um multiplayer bem diversificado, em que você pode disputar com seus amigos quem consegue o menor tempo ou trabalhar juntos em um modo cooperativo, para cumprir o menor tempo possível. Para isso, pode posicionar algumas estruturas que não estavam no percurso original, dando uma vantagem extra ao corredor.

Em termos de enjoo de movimento, podemos dizer que ‘To the Top’ está quase que totalmente livre desse mal. Não digo “totalmente” porque sempre tem alguns jogadores que reagem negativamente a determinado tipo de mecânica. Mas o tipo de movimento usado pelo jogo contribui para que o enjoo seja quase zero.

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VEREDITO

Não tem como contestar: ‘To the Top’ entra imediatamente para a seleta lista de experiências obrigatórias no Playstation VR. Liberdade de movimento fantástica, trilha sonora inspirada, mecânicas simples e divertidas, imersão perfeita, nível de desafio bem balanceado e conteúdo suficiente para garantir muitas horas de gameplay. Quer mais o quê? Nota: 10/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘To the Top’
Gênero: Esportes/plataforma/corrida
Estúdio: Electric Hat Games/Panic Button (www.tothetopvr.com)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift, HTC Vive, Windows Mixed Reality
Data de lançamento: 29 de maio de 2018 (PSVR)
Preço: R$ 71,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store EUA)
Espaço em disco: 2,27 GB
Idioma: Inglês (áudio) / Português do Brasil (legenda e interface)
Controles suportados: 2 PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | 2-8 (online) | Para jogar online, é preciso ser membro da PS Plus

[Este review foi feito com mídia digital cedida pela Panic Button]

Assista ao trailer de ‘To the Top’

 

 

[review] Embarque no navio de ‘One Piece: Grand Cruise’

Criado em 1997, o mangá ‘One Piece’ virou um anime de sucesso dois anos depois, com episódios lançados todos os anos, até os dias de hoje. Ganhou também várias adaptações para os video games, incluindo quase todos os consoles da família Playstation, inclusive o PS1. Agora, pela primeira vez, chega ao Playstation VR, com ‘One Piece: Grand Cruise’, um game exclusivo do PSVR desenvolvido pela Bandai Namco. O jogo traz uma espécie de tour pelo navio de Monkey D. Luffy e sua trupe de piratas nada convencionais, chamados de Piratas do Chapéu de Palha.

No jogo, você é um marujo novato no navio de Luffy, cujo objetivo na vida é se tornar o rei dos piratas. Para isso, ele precisa encontrar o maior tesouro do mundo, o tal “one piece” do título. Totalmente falado em japonês, o jogo-experiência traz legendas em português do Brasil, o que permite a compreensão por parte dos brasileiros. É como você estivesse dentro de um dos episódios da série, mas o jogo não tem propriamente uma história. Você vai sendo apresentado aos personagens do anime, enquanto conhece algumas dependências do navio. O caracol Transponder Snail será seu guia dentro do navio Thousand Sunny.

O jogo é dividido em “cenas” e você é carregado de uma pra outra em um roteiro pré-definido. Não há muito espaço para interação e você fica o tempo todo parado. A exploração dos ambientes do navio é limitada ao que o jogo permite. Mas você pode interagir com alguns objetos e personagens usando os olhos. E não é só pra ver. Alguns objetos podem ser marcados com um círculo e se você mantiver os olhos neles por algum tempo, algo acontece. Se você ficar olhando para a Robin, por exemplo, ela dá uma risadinha, como se estivesse flertando com você.

Aliás, as duas personagens femininas são usadas como iscas pra atrair a ala masculina para o game. Em uma das cenas, a ruiva Nami se aproxima tanto de você que é impossível não olhar pros peitões dela, magicamente acomodados em um biquíni mínimo. Este é apenas um aperitivo da malícia contida em ‘One Piece’, misturada com uma certa dose de ingenuidade, tão recorrente nos animes e mangás.

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CONTROLES

Você pode jogar o game usando o Dualshock 4 ou um PS Move (sim, só um mesmo). Mas a maior parte do tempo o controle não será usado para nada, pois, como já disse, alguns comandos são feitos com o tracking do headset. O controle será usado realmente nas partes em que você batalha contra a Marinha ou um polvo gigante, chamado de Kraken, em cenas que encerram os dois capítulos do jogo. Ambos os controles funcionam bem.

Na cena da batalha contra a Marinha, você utilizará um canhão para atirar em objetos e balas de canhão disparadas pelos navios adversários e vai acumulando pontos com cada acerto. No início, achei que tivesse que tentar afundar os navios inimigos, mas esta missão será dos integrantes mais experientes da tripulação, como o próprio Luffy. Mas, no combate com o Kraken, aí sim você vai atirar no polvo gigante. Em algumas cenas, você pode escolher o personagem que fará determinada ação. É aquela cena em que o personagem mostra todo o seu poder.

O aspecto visual é onde o game mais se sobressai. O jogo possui gráficos em cell-shade que reproduzem fielmente os desenhos do anime, só que agora tudo aparece em 3D, criando uma imersão fantástica no mundo de ‘One Piece’. Pena que seja tudo tão curto.

A experiência inteira dura em torno uma hora. No menu principal, é possível repetir as cenas que você já viu ou selecionar novas. Às vezes, é preciso voltar pra primeira cena para escolher um “caminho” diferente. Isso dá um pouco de variedade a mais ao jogo, mas acaba deixando o gameplay repetitivo. O jogo também tem troféus, mas não possui platina.

Em termos de enjoo de movimento, apesar de estar em um navio, ‘One Piece’ é totalmente livre de cinetose, a tal “motion sickness”. Isso porque você não se move, então não tem como enjoar.

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VEREDITO

‘One Piece: Grand Cruise’ segue a linha de muitas franquias conhecidas quando desembarcam no PSVR pela primeira vez: oferecem uma experiência curta, com mecânicas facilmente assimiláveis, que funciona como introdução ao universo da realidade virtual. Para quem é fã, é fantástico entrar efetivamente no mundo daquela série, anime ou desenho que você acompanha há tanto tempo. Mas, no final, acaba ficando aquele gostinho de “quero mais”. No entanto, o preço que está sendo cobrado é justo pelo conteúdo oferecido. Nota: 7,0/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘One Piece: Grand Cruise’
Gênero: Jogo-experiência
Estúdio: Bandai Namco (www.bandainamcoent.com)
Plataformas: Playstation VR (exclusivo)
Data de lançamento: 22 de maio de 2018
Preço: R$ 30,90 (PS Store Brasil) | US$ 9,99 (PS Store EUA)
Espaço em disco: 796 MB
Idioma: Japonês (áudio) / Português do Brasil (legenda e interface)
Controles suportados: 1 PS Move ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito com mídia digital cedida pelo estúdio Bandai Namco]

Assista ao trailer de ‘One Piece: Grand Cruise’

[review] ‘CoolPaintr VR’ oferece um universo de possibilidades artísticas

Depois de refletir por um tempo, percebi que é impossível fazer um review de ‘CoolPaintr VR’ sem usar expressões como “liberte sua imaginação”, “deixe sua veia artística fluir”, “libere seu potencial” e outras coisas do tipo. “CoolPaintr”, do estúdio espanhol Wild Bit, é o primeiro aplicativo de desenho/pintura/escultura do Playstation VR. Sim, escultura também, porque você vai criar tudo em 3D. Interessou? Então vamos à análise.

Em primeiro lugar, é bom deixar claro: se você não sabe desenhar, não é este aplicativo, exclusivo do PSVR, que vai tornar você um Da Vinci. Mas ele te oferece uma grande quantidade de ferramentas que permitem você criar suas próprias obras. Ou seja, ele te dá a vara e a isca, mas não te ensina a pescar nem te dá o peixe.

O app reúne algumas opções de pincéis, cuja espessura você define com a pressão do dedo no gatilho do PS Move. Apesar de instintivo, esse movimento às vezes pode ser difícil de controlar. Seria muito bom se tivesse uma opção para “travar” a espessura do pincel.

Aliás, falando em controle, o aplicativo usa apenas um Playstation Move e também tem suporte ao Dualshock 4 (obviamente, não dá para usar a Aim Controller – acreditem, eu testei). Seria interessante se houvesse uma opção de usar dois PS Moves, que poderiam facilitar o acesso às ferramentas do jogo – que não são poucas. Em uma mão, poderia ficar o pincel e na outra, a paleta de cores – assim como faz um pintor da “vida real”. Aliás, o próprio “cartaz” do game vende uma ideia enganosa, ao mostrar uma modelo com o headset do PSVR fazendo arte com dois PS Moves.

A paleta de cores é bem diversificada e permite que você crie o tom de cor que quiser. No entanto, não é possível criar sua própria paleta de cores. Para reutilizar a mesma cor que selecionou, é preciso usar o conta-gotas.

Além dos tradicionais pincéis, ‘CoolPaintr VR’ traz ferramentas pra você criar formas pré-definidas, como esferas, cubos, cilindros e muitas outras formas poligonais. Pode também adicionar alguns efeitos animados, como flocos de neve, fogo e poeira. Enquanto alguns efeitos posicionam-se exatamente onde você os coloca, outros, como a poeira, preenchem o ambiente inteiro, criando um efeito 3D bem interessante.

O aplicativo também permite que você visualize grades para te ajudar a orientar seu desenho e fazer formas simétricas. Você também pode mover os desenhos e formas que criar, para onde quiser.

Falando em mover, o aplicativo permite que você exporte suas criações para o disco rígido ou dispositivo USB. O pen-drive também pode ser usado para você importar imagens para dentro do jogo e usá-las como referência em suas criações.

‘CoolPaintr’ tem a interface toda em português de Portugal, facilitando a vida dos brasileiros. Curiosamente, o app ocupa apenas 89 MB de espaço em disco. Sim, apenas oitenta e nove megas. O aplicativo não tem música, mas você pode ouvir sua própria playlist direto do USB ou do Spotify.

Graficamente, não há nada que deponha contra o aplicativo. Tudo é bem nítido e você consegue ver até as texturas das pinceladas, especialmente quando dá um zoom e consegue enxergar em detalhes as coisas que criou, bem de perto. Há também opções para você definir a cor de fundo da sua “tela” e deixar a experiência mais relaxante, entre outras coisas. Falando em tela, seria interessante ter uma opção de fazer obras em 2D, em um espaço mais limitado – como em uma tela mesmo.

CoolPaintr VR
Obra: “Bóris” | Crédito: Paula dos Anjos

VEREDITO

Para quem tem aptidões artísticas, ‘CoolPaintr VR’ é um prato cheio. É uma experiência divertida, intuitiva, imersiva e que pode ser também relaxante. Possui menus e funções simples, que são fáceis de aprender. Algumas adições, como a opção de “travar” a espessura do pincel, poderiam melhorar a experiência. Nota: 9,0/10.

[Este review foi feito com mídia digital cedida pelo estúdio Singular People. Um agradecimento especial à Paula dos Anjos, meu mozão que ajudou a fazer este review e desenhou a carinha do Bóris na foto acima]

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘CoolPaintr VR’
Gênero: Aplicativo
Estúdio: Singular People/WildBit Studios (www.wildbitstudios.com/games/coolpaintrvr)
Plataformas: Playstation VR (exclusivo)
Data de lançamento: 8 de maio de 2018
Preço: R$ 71,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store EUA)
Espaço em disco: 89MB
Idioma: português de Portugal
Controles suportados: 1 PS Move ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

Assista ao trailer de ‘CoolPaintr VR’