[review] ‘Creed: Rise to Glory’ acerta em cheio e traz experiência de boxe imperdível

O simulador de boxe ‘Creed: Rise to Glory’ é o quarto jogo de realidade virtual da Survios. Os games anteriores, ‘Raw Data’, ‘Sprint Vector’ e ‘Electronauts’, já puseram a Survios em um patamar de excelência no mundo da realidade virtual. Desta vez, os desenvolvedores colocaram seu talento a serviço de uma franquia de sucesso nos cinemas, que tem o boxe como prato principal. O review a seguir foi feito no Playstation VR, usando o PS4 Pro. O jogo também está disponível para HTC Vive e Oculus Rift.

Assista ao vídeo-review do canal PSVR Brasil:

HISTÓRIA

‘Creed: Rise to Glory’ é baseado no filme ‘Creed: Nascido para Lutar’, de 2015. O longa-metragem é o sétimo da franquia ‘Rocky’ e representa um recomeço para ela. No filme, o jovem boxeador Adonis Creed descobre ser filho de Apollo Creed, ex-adversário de Rocky Balboa e que se tornou um grande amigo do personagem de Sylvester Stallone.
O jogo segue os mesmos passos do filme, mas sem a parte do drama. ‘Creed’ é focado apenas na ação, sem qualquer cutscene ou algo do tipo. No jogo, você vai calçar as luvas de Adonis Creed, enquanto se prepara para seu maior desafio na carreira: enfrentar o campeão mundial Ricky “Pretty” Conlan. No caminho até lá, vai encarar desde um adversário amador que não venceu uma luta sequer, um segurança de boate e um campeão com 38 vitórias no cartel, sendo 36 por nocaute. E vai ter como treinador o próprio Rocky Balboa, dublado por Stallone. O jogo está todo em inglês, sem suporte a outros idiomas ou legendas. Mas isso não será um problema para quem não souber o idioma.

VISUAL E IMERSÃO

‘Creed’ tem ótimos gráficos, mesmo que não seja possível compará-los aos triplo A da atual geração. Mas é um visual agradável, puxando mais para o realismo do que para o cartoon. As animações são bem feitas, assim como os efeitos sonoros e a trilha, encabeçada pelo clássico tema de ‘Rocky’. Tudo isso contribui para fazer o jogador se sentir na pele de Creed. E não é só isso: você controla um avatar de corpo inteiro. Ou seja, não é só um par de luvas flutuando no ar. Isso faz uma tremenda diferença, já que no jogo você É Adonis Creed. Além disso, o jogo reproduz de maneira fiel as mecânicas de uma luta de boxe real – até onde isso é possível.

CONTROLES

O jogo utiliza um par de Moves (não há suporte ao Dualshock 4). Os controles funcionam como as suas luvas, que você utilizará para dar jabs, diretos, cruzados e ganchos. Também é possível bloquear os ataques adversários ou esquivar deles, usando o tracking do headset. Os Moves também tem botões para girar para os lados, usando apenas o giro em graus. O jogo tem ainda uma mecânica para caminhar parecida com a de ‘Sprint Vector’: segure o botão Move e balance os braços para a frente. Para andar pra trás, coloque os braços atrás, segure os botões Moves e faça o movimento inverso. Bem intuitivo. Tem ainda um terceiro movimento para os lados, girando os Moves como se estivesse suingando. Tudo isso é bem explicado dentro do jogo, com vídeos que mostram um modelo executando os movimentos.

GAMEPLAY

É no gameplay que ‘Creed’ se sobressai. No Career Mode, você vai enfrentar sete adversários, em lutas que duram em torno de cinco minutos. Fazendo as contas friamente, pode parecer pouco, mas isso é um engano. Cada combate consome bastante energia e vai colocar você pra suar. Fazer uma pausa para descansar entre elas é altamente recomendado. Fora que o jogo tem três níveis de dificuldade e os adversários ficam mais duros e dão mais dano nas dificuldades mais altas.

Antes de cada luta, você passa por um treino que vai determinar seu nível de “stamina” para o combate. Níveis mais altos de stamina permitem que você dê mais socos antes de cansar. E é preciso ficar bem atento a isso: se você cansar, seus socos ficam mais fracos e mais lentos. O jogo tem outras mecânicas interessantes, como a esquiva: ao desviar de um golpe no momento certo, seu adversário fica em câmera lenta e você ganha um tempinho extra para contra-atacar. Ao ser golpeado em cheio, você fica tonto, e precisa ajustar os Moves para a posição do seu avatar. Por fim, ao ser derrubado, você literalmente sai do corpo e precisa correr em direção a ele antes que a contagem chegue a 10.

MULTIPLAYER

Completando o pacote, ‘Creed’ tem um modo multiplayer online. No PVP, você pode convidar os amigos para o combate ou entrar na sala pública para enfrentar jogadores do mundo todo. Nesse modo, são nove lutadores para escolher: os sete da campanha principal, além de Adonis Creed e Rocky Balboa, no auge da sua juventude. Os lutadores não são diferentes apenas no visual. Cada um tem algumas características ligeiramente distintas dos demais. Alguns têm mais força, enquanto outros têm melhor resistência. Outros têm todas as habilidades equilibradas.

Assista ao vídeo do modo PVP de ‘Creed’ que fizemos junto com o canal Moso PSVR:

VALOR DE REPLAY

Além do PVP e do Career Mode, ‘Creed’ também tem um Free Mode, em que você pode enfrentar qualquer adversário, na dificuldade que quiser e escolhendo o lutador que preferir. Também pode usar a academia para treinar livremente em um dos aparelhos, e comparar seus resultados com os amigos e o placar mundial. Importante destacar também que o jogo tem troféu de platina. E, em termos de enjoo de movimento, não vi nada no game que pudesse causar cinetose.


VALE A PENA?

Jogos baseados em filmes tendem a se tornar caça-níqueis, mas não é o caso de ‘Creed’. Lançado quase três anos depois do primeiro filme e a cerca de dois meses do lançamento do segundo, ‘Creed’ se vale apenas do nome da franquia para oferecer um gameplay consistente, que cumpre bem a tarefa de simular uma luta de boxe em realidade virtual. Suas mecânicas são inteligentes e transmitem, a sensação de estar num ringue real, até onde é possível. O Playstation VR ainda possui poucos jogos de luta no estilo “mano a mano”, mas será muito difícil um oponente superar ‘Creed’. Nota: 10/10 [Excelente].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: Creed: Rise to Glory
Gênero: Simulador de boxe
Estúdio: Survios
Preço: R$ 107,50 (PS Store BR) | R$ 57,99 (Steam)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Data de lançamento: 25 de setembro de 2018
Controles suportados: Dois Moves
Idioma: inglês (áudio e interface)
Jogadores: 1 (off-line) | 2 (online)

[Este review foi feito no Playstation VR + PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pela Survios]

[review] Com uma trama interessante, ‘Torn’ se perde em um gameplay repetitivo

Fundado há mais de 20 anos, o estúdio Aspyr Media tem se notabilizado por fazer ports para os PCs de franquias famosas, como ‘Call of Duty’, ‘Borderlands’ e ‘Bioshock’. Com esse know-how, o estúdio desenvolveu seu primeiro grande projeto de realidade virtual, ‘Torn’, lançado para Playstation VR, HTC Vive e Oculus Rift. O título se inspira assumidamente em séries como ‘Além da Imaginação’ e ‘Black Mirror’ para contar uma história recheada de mistério, com porções generosas de ficção científica e fantasia. O review a seguir foi feito no PSVR, usando o PS4 Pro.

Assista ao vídeo-review de ‘Torn’:

HISTÓRIA

O jogador entra na pele da blogueira Katherine Patterson, que encontra uma mansão abandonada no meio de uma floresta. O casarão pertence ao Dr. Lawrence Talbot, um cientista desaparecido há mais de 60 anos. Ela entra na mansão e se depara com uma luzinha que afirma ser o Dr. Talbot, agora sem corpo físico. Ele diz que está preso em uma estranha dimensão e sem lembranças do que aconteceu com ele. Caberá a Katherine desvendar o mistério por trás disso e, quem sabe, sair de lá com uma história incrível para contar em seu blog.

VISUAL E IMERSÃO

O visual tem um papel fundamental na imersão que os jogos de realidade virtual podem proporcionar. E ‘Torn’ falha um pouco na questão técnica, exibindo gráficos com serrilhados acima do normal, mesmo dentro de um estilo visual mais realista. Apesar dos ambientes serem muito bem trabalhados, tanto no exterior quanto dentro da mansão, é difícil fechar os olhos para os “serrotes”. Ainda assim, é algo superável, a partir do momento que você se envolve com a história, seus personagens e tenta conectar os fios dessa trama. O visual ganha contornos mais interessantes nos momentos em que você é transportado para uma outra dimensão, cercada de água por todos os lados. O jogo utiliza controles de movimento, proporcionando uma interação mais natural com as centenas de objetos espalhados pela mansão. A trilha sonora impecável, as atuações e os efeitos sonoros também ajudam a imergir o jogador nesse mundo.

Assista ao vídeo de gameplay de ‘Torn’

CONTROLES

No PSVR, só é possível jogar usando um par de Moves. Não há suporte ao Duashock 4. São três sistemas de movimentação: locomoção livre, teleporte e algo que fica no meio do caminho entre os dois, chamado de “dash”. Nele, você acompanha o movimento do seu corpo enquanto se teleporta. No movimento livre, você aperta o botão Move e se locomove na direção para a qual está olhando. Segurando o gatilho ao mesmo tempo, anda mais rápido. Mas não há como andar para trás.

O teleporte e o dash funcionam de maneira quase idêntica, mas o teleporte tradicional é mais indicado para quem sente enjoo de movimento. No entanto, o alcance desses teleportes é curto, obrigando o jogador a se teleportar várias vezes para cobrir distâncias maiores. O giro do corpo é feito em graus, sem opção de giro suave. Usando o teleporte, a chance de sentir cinetose é praticamente zero.

GAMEPLAY

Em termos de gameplay, o jogo consiste em resolver uma série de puzzles, espalhados pelos vários cômodos da mansão. No início, você pode demorar um pouco para entender como eles funcionam, mas depois percebe que esses quebra-cabeças são bem parecidos entre si. Alguns objetos da mansão possuem desenhos em sua base e você precisa encaixá-los em pontos específicos de um circuito. Para isso, você usará a Ferramenta Gravitacional, para carregar os objetos e colocá-los em seus devidos lugares.

Mas o nível de desafio é baixo – seu maior trabalho será encontrar esses objetos, já que são muitos espalhados em cada cômodo. Durante a tarefa, você precisará revirar praticamente todo o ambiente, criando uma verdadeira bagunça. Várias vezes me senti em um episódio daquela série Acumuladores Compulsivos, da TV a cabo. O fato é que poucos puzzles fogem a esse esquema. E você ainda contará com a ajuda da “luzinha”, que às vezes te diz o que é fazer mesmo que você não peça.

VALOR DE REPLAY

A campanha de ‘Torn’ dura em torno de 7 a 8 horas, dependendo da velocidade que você consegue resolver os quebra-cabeças. É uma duração bem acima da média dos jogos de Playstation VR, o que por si só já é um ponto positivo. O jogo possui troféus, não há platina. O valor de replay, portanto, é baixo. ‘Torn’ está todo em inglês, sem legendas em qualquer outro idioma, e sem suporte ao português.


VALE A PENA?

‘Torn’ possui uma história cativante, muito bem contada, que se vale do mistério e de elementos de ficção científica para prender o jogador. Mas é preciso saber inglês para aproveitá-la. O visual serrilhado incomoda e os gráficos parecem ter sido mal otimizados no Playstation VR, especialmente para um jogo que utiliza a Unreal Engine. No entanto, o ponto mais crítico do game são os puzzles, muito repetitivos e pouco desafiadores. Chego até a me questionar se são realmente puzzles. Da forma como está, ‘Torn’ vale muito mais por sua trama do que pelo gameplay. E também pelo desfecho, que vai além de qualquer coisa que você poderia imaginar. Nota: 7,5/10 [Bom]


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: Torn
Estúdio: Aspyr Media (https://www.aspyr.com/games/torn)
Gênero: Puzzle
Lançamento: 28 de agosto de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 91,90 (PS Store BR) | R$ 57,99 (Steam)
Idioma: Inglês (dublagem e interface)
Controles: Dois Moves
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no Playstation VR + PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pela Aspyr Media]

Assista ao trailer de ‘Torn’ 

[review] Enigmático e intrigante, ‘Transference’ é uma experiência indispensável no Playstation VR

‘Transference’ é o quinto jogo de realidade virtual da Ubisoft, um dos grandes estúdios que mais têm investido nessa área. Dessa vez, a Ubisoft Montreal se uniu ao estúdio SpectreVision, do ator Elijah Wood, para criar um jogo enigmático, que mistura elementos de suspense, puzzles e alguns sustos. O review a seguir foi feito no PS4 Pro, usando o Playstation VR.

Assista à versão em vídeo do review:

HISTÓRIA

No jogo, você entra virtualmente no apartamento de uma família atormentada, enquanto revive as memórias corrompidas de seus integrantes e tenta descobrir o que aconteceu lá. Raymond Hayes, o pai, conduz experimentos científicos na casa. Katherine, a mãe, é uma musicista de sucesso que parece frustrada com o comportamento obsessivo do seu marido. O garoto Ben, por fim, sente muita falta de sua cadela, Laika, que desapareceu. Ele também deixou rabiscos assustadores pelas paredes. O resto da história você terá que descobrir por conta própria, já que este é um dos maiores atrativos do jogo.

IMERSÃO

Depois de experimentar uma centena de jogos de realidade virtual, posso assegurar que ‘Transference’ é uma das experiências mais imersivas do Playstation VR. Isso se deve a um grau de definição gráfica perfeito, com serrilhados quase imperceptíveis, ausência total de borrados e uma nitidez incomparável. O áudio contribui para criar uma atmosfera de mistério que faz você se sentir dentro de um episódio da famosa série ‘Black Mirror’. Esta imersão só é prejudicada pela ausência de controles de movimento, o que impede que você interaja de maneira mais natural e realista com objetos, estantes, gavetas, etc. Seu personagem também não tem corpo nem braços, o que soa um pouco estranho.

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CONTROLES

Você joga usando o Dualshock 4. Não há suporte aos Moves. A locomoção é livre, sem uso de teleporte. Para quem sente enjoo em realidade virtual, há várias opções anti-cinetose, incluindo o giro em graus e a vinheta que reduz o campo de visão (conhecida como “blinder”). Além disso, a movimentação é lenta, o que também ajuda a reduzir o desconforto. Para quem não tem esse problema, a notícia ruim é que não tem um botão pra andar mais rápido.

GAMEPLAY

Seu objetivo será explorar a casa, resolver puzzles e encontrar objetos para entrar em todos os cômodos do apartamento. Mas não é tão simples: realidades distintas se misturam e você terá que alternar entre elas para seguir em frente. A história é contada através dos documentos que você encontra pelo caminho, além de vídeos, áudios e rápidos encontros com membros da família. O jogo possui várias opções de idiomas. Uma delas é o português do Brasil, com opções de dublagem e legendas. O jogo tem troféus e coletáveis, mas não há platina. A campanha dura cerca de 1h30 a 2 horas.

Confira o nosso gameplay no canal PSVR Brasil:

PLATAFORMAS

O game está disponível para Playstation 4, Xbox One e PCs. Tem suporte para realidade virtual nos headsets Playstation VR, HTC Vive e Oculus Rift. O jogo possui ainda uma demo gratuita, que complementa a história principal e traz outros personagens..

Clique aqui e baixe a demo de ‘Transference’ na PS Store do Brasil


VALE A PENA?

‘Transference’ tem gráficos lindos e proporciona uma imersão incomparável em realidade virtual. Sem dúvida, estamos diante de algo que não se vê todos os dias no Playstation VR. No entanto, a ausência de controles de movimento prejudica um pouco a interação com o mundo do jogo. Além disso, a campanha é curta e dura tanto quanto um filme de longa-metragem. Mas, diante de um final intrigante, é quase certo que você vai querer jogar de novo. No final das contas, ‘Transference’ é uma experiência de realidade virtual indispensável. Nota: 9/10 [Excelente].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: Transference
Estúdio: Ubisoft Montreal e SpectreVision (https://www.ubisoft.com/pt-br/game/transference)
Gênero: Thriller, exploração
Lançamento: 18 de setembro de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift [realidade virtual] | Playstation 4, Xbox One e PCs [tela plana]
Preço: R$ 76,90 (PS Store BR) | R$ 79,99 (Steam)
Idioma: Português (dublagem, legendas e interface)
Controles: Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no Playstation VR + PS4 Pro, com mídia digital cedida pela Ubisoft]

Assista ao trailer de ‘Transference’