Concorra a uma mídia digital de ‘Pixel Ripped 1989’ para Oculus Rift

O canal PSVR Brasil no YouTube vai sortear uma mídia digital (código de 25 dígitos) da Oculus Store para o jogo ‘Pixel Ripped 1989’, criado pela brasileira Ana Ribeiro e desenvolvido pelo estúdio Arvore Immersive Experiences. O sorteio será realizado nesta quinta-feira, 9 de agosto de 2018.

Clique no link abaixo e participe!

Sorteio de uma mídia digital do jogo PIXEL RIPPED 1989 (Oculus Store)

São seis maneiras de participar do sorteio. Quanto mais inscrições fizer, mais chances você tem de ganhar. Atenção: para utilizar o prêmio, é necessário ter uma conta na Oculus Store.

‘Pixel Ripped 1989’ é resultado de quatro anos de trabalho de Ana Ribeiro e o primeiro game da designer de jogos brasileira. Ele faz uma grande homenagem a games que marcaram as décadas de 1980 e 1990, como ‘Mega Man’, ‘Super Mario’, ‘Sonic’ e muitos outros.

Assista aqui ao nosso vídeo-review de ‘Pixel Ripped 1989’

[review] ‘Pixel Ripped 1989’ é uma viagem imersiva no mundo dos games

– Não dá pra ficar em casa só jogando videogame, né? – pergunta a repórter, indignada com a falta de professores na escola.

– Dáááá!! – responde o menino, com toda a espontaneidade e a inocência que só as crianças têm, para surpresa total da jornalista. [Se você não sabe do que estou falando, confira aqui este vídeo hilário].

O pequeno João, personagem real desse diálogo, fala em nome de milhares de jogadores espalhados por todo o mundo. Eu, o João e você que está lendo esse review amamos videogame e, se pudéssemos, deixaríamos de lado nossos afazeres diários para passar o dia inteiro só jogando. Mas não dá, né João? Pois é.

Assim também acontece com Nicola, a menina de nove anos de idade que é a personagem principal de ‘Pixel Ripped 1989’, primeiro game desenvolvido pela brasileira Ana Ribeiro em parceria com o estúdio Arvore Immersive Experiences, de São Paulo, e recém-lançado para os headsets de realidade virtual (Playstation VR, Oculus Rift, HTC Vive e Windows Mixed Reality).

Nicola finge que não ouve sua mãe quando ela diz para parar de jogar e ir brincar lá fora, leva seu console portátil pra escola e fica jogando em plena sala de aula e, claro, não larga o videogame na hora do recreio. Sua mochila e materiais escolares estão repletos de botons e adesivos de seus jogos preferidos. Os cartuchos dos jogos e revistas sobre games ficam amontoados sobre sua carteira.

A protagonista do jogo preferido da menina, também chamado de ‘Pixel Ripped’, é a fofíssima Dot. Dentro do seu mundo pixelizado, Dot também joga videogames (!), mas é convocada a se unir a Nicola para derrotar um vilão que roubou a “Pixel Stone” e está ameaçando o mundo de Farofa Land (sim, Farofa Land!). É aí que duas realidades se juntam e o jogador entra na pele de Nicola e controla Dot, tudo ao mesmo tempo.

‘Pixel Ripped 1989’ é uma grande homenagem aos games clássicos, desde os primórdios dos videogames, quando tudo se resumia a pontos em uma tela em preto e branco, até as gerações de 8 e 16 bits e os consoles portáteis. O jogo é recheado de referências aos títulos que fizeram a nossa alegria nas décadas de 1980 e 1990. A heroína Dot, por exemplo, é uma espécie de versão feminina de Mega Man, com boas pitadas de Sonic. Seu mestre lembra o Mago Negro de ‘Final Fantasy’ e seu “crush” é o próprio cavaleiro de ‘Ghosts’n Goblins’.

Mas muitas outras referências são feitas no decorrer do jogo – ‘Super Mario’, ‘Zelda’, ‘Battletoads’, ‘Alex Kid’, ‘Golden Axe’, ‘Castlevania’, ‘Duck Hunt’, ‘Tetris’, ‘Pac-Man’ e ‘Pokémon’ são algumas delas. Pra quem jogou esses games na época em que foram lançados ou é fã de games retrô, ‘Pixel Ripped 1989’ é uma deliciosa viagem no tempo, complementada por outros ícones da época, como o brinquedo pogobol, ‘Playboys’ em 3D, canetas de 12 cores, cubos mágicos, a revista especializada SuperGamePower e a inútil (mas agora cult) Power Glove. Não é à toa o que é feita uma menção ao filme ‘De Volta para o Futuro’.

Assista ao video-review de ‘Pixel Ripped 1989’

JOGABILIDADE

‘Pixel Ripped 1989’ é essencialmente um jogo de plataforma e sua principal referência é ‘Mega Man’, com boas pitadas de ‘Sonic’. Fiel aos jogos da época, o jogo tem apenas dois botões – um de pular, o outro de atirar e correr, além do direcional. Você joga o tempo todo segurando o console portátil “Gear Kid” (versão disfarçada do “Game Boy”). Não por acaso, o ano de 1989 se refere diretamente ao ano de lançamento do Game Boy, da Nintendo.

Ao todo, são quatro fases (mais uma fase bônus) e a campanha dura em torno de 2 a 3 horas. Durante a 1ª e a 3ª fases, você precisa ficar muito atento ao ambiente em volta: Nicola está jogando dentro da sala de aula – e se você for pego três vezes pela professora, é “game over”!

Por isso, é preciso distrair a carrancuda tutora, usando um tubo de caneta Bic como zarabatana. Quem nunca atirou bolinhas de papel assim na escola, hein? Quando a professora manda prestar atenção na aula, você deve olhar para a caneta para pegá-la, usando apenas o tracking do headset, e direcionar para um dos pontos brilhantes espalhados pela sala. Coisas hilárias vão acontecer! Em uma delas, um jogador com a camisa da seleção brasileira surge, tropeça no meio da sala (uma referência clara ao atacante Neymar) e depois se joga pela janela.

As quatro fases terminam com uma “Boss Fight”, em que as duas realidades do game se fundem. Os personagens do jogo pulam da tela para dentro da sala de aula, unindo-se a elementos do cenário. A jogabilidade permanece sendo 2D, mas com elementos em 3D que criam uma experiência fascinante. São momentos de realidade aumentada dentro de um jogo de realidade virtual.

O jogo tem cutscenes engraçadas, um nível de dificuldade elevado (principalmente na luta final contra o chefe) e um bom valor de replay. Após terminá-lo, o desafio será encontrar todos os cinco cartuchos secretos espalhados pelas quatro fases, para liberar “skins” extras para o seu “Gear Kid” (para isso, não deixe de atualizar o jogo com o update liberado no dia do lançamento). Conseguir os 14 troféus o jogo (não há platina) e esmiuçar todas as suas referências a outros jogos vai estender por algumas horas seu tempo de gameplay.

Graficamente, quando se trata do “jogo dentro do jogo”, ‘Pixel Ripped’ se atém ao visual da época, com seus gráficos pixelizados e sem cores (exceto na fase final). No mundo de Nicola, temos animações em 3D bem feitas, mas evidentemente limitadas pelos poucos recursos de uma produção indie. O visual é bem nítido.

O áudio segue os mesmos princípios: dentro do mundo pixelizado, é impossível entender o que os personagens falam – ouvimos apenas barulhos e as falas são legendadas. Do lado de fora, temos uma dublagem em inglês competente, apesar das vozes das crianças, em alguns trechos, parecerem ter sido gravadas pelo mesmo ator.

Não há localização em português nem a nenhum outro idioma. Mas isso não compromete a compreensão da história nem impedirá ninguém de terminar o jogo. Todas as cenas são ilustradas por animações que deixam claro o que está acontecendo. Você joga usando o Dualshock 4, sem suporte a qualquer outro controle. Como se trata de um jogo estático, não há perigo de enjoo de movimento, exceto em um momento em que sua cadeira se “eleva” na transição de uma cena a outra.

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VEREDITO

Games retrô e realidade virtual costumam ser coisas separadas uma da outra. Enquanto uma aponta pro passado, a outra se projeta para o futuro dos videogames. Com ‘Pixel Ripped 1989’, a designer brasileira Ana Ribeiro consegue unir as duas coisas de forma bastante equilibrada, resultando em uma das melhores homenagens que os games clássicos poderiam receber. Tudo é feito com primor, com atenção aos detalhes e respeito ao material original, mas estabelecendo sua própria identidade. Não é à toa que o jogo levou mais de quatro anos para finalmente ganhar o mundo. Já estamos esperando pelos próximos capítulos dessa história. NOTA: 10/10 [Excelente]


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Pixel Ripped 1989’
Gênero: Jogo de plataforma
Estúdio: Arvore Immersive Experiences (www.pixelripped.com)
Data de lançamento: 31 de julho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift, HTC Vive e Windows Mixed Reality
Preço: R$ 76,90 (PS Store Brasil) | US$ 24,99 (PS Store EUA)
Idioma: Inglês (áudio e interface)
Controle: Dualshock 4
Espaço em disco: 1,76 GB
Jogadores: 1 (sem multiplayer)

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo estúdio Arvore Immersive Experiences]

 

[entrevista] Designer brasileira conta que ‘Pixel Ripped 1989’ faz parte de um projeto com 5 jogos

‘Pixel Ripped 1989’ é um dos jogos de realidade virtual mais aguardados do momento, em todo o mundo. E ninguém tem esperado mais esse lançamento do que sua própria criadora, a designer de games brasileira Ana Ribeiro. Ela iniciou o projeto há mais de quatro anos, quando largou um emprego fixo em São Luís (era concursada no Tribunal de Justiça do Maranhão) para se dedicar à sua verdadeira paixão: os videogames. Então, mudou-se para a Inglaterra para cursar design de games na prestigiada National Film and Television School (NFTS). Foi lá que nasceu ‘Pixel Ripped 1989’, como resultado de seu curso de mestrado.

‘Pixel Ripped 1989’ é uma grande homenagem aos games clássicos, em especial aos consoles portáteis, que se tornaram uma verdadeira febre no final dos anos 1980 e início dos 1990. 1989 é o ano de lançamento do Game Boy, que dentro do jogo é chamado de “Gear Kid”. Publicado pelo estúdio paulista Árvore, ‘Pixel Ripped’ será lançado nesta terça-feira, 31, para Playstation VR, HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality. Na Playstation Store, já está em pré-venda, com desconto promocional de 20% – recomendo que todos aproveitem, vocês não vão se arrepender.

Assista ao review de ‘Pixel Ripped 1989’ no canal PSVR Brasil

‘Pixel Ripped’ tem um quê de autobiográfico e a maranhense Ana Ribeiro sempre vai aos eventos e convenções de games fazendo cosplay de sua própria personagem, Dot, a versão feminina de Mega Man que é uma das protagonistas do jogo. A outra protagonista é Nicola, a menina que fica jogando videogame em plena sala de aula e distrai a professora atirando bolinhas de papel usando uma tampa de caneta Bic.

Na entrevista a seguir, concedida com exclusividade ao blog PSVR Brasil, Ana Ribeiro fala sobre o desenvolvimento do jogo, explica por que um jogo genuinamente brasileiro não tem suporte ao português, opina sobre o mercado VR na atualidade e diz que ‘Pixel Ripped’ faz parte de um projeto maior, que inclui quatro outros jogos. Confira:

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Há quanto tempo você está trabalhando no projeto de ‘Pixel Ripped 1989’?
Ana Ribeiro – Há quatro anos e pouco, desde março de 2014.

Ele foi pensado desde o início para a realidade virtual?
Ana Ribeiro – Sim, comecei o projeto em VR, desde o Oculus Rift DK2.

Você já pensa em uma continuação?
Ana Ribeiro – Sim, o ‘Pixel’ será o primeiro de uma série de cinco episódios. ‘1989’ é o primeiro e depois ‘1978’, ‘1983’, ‘1995’ e ‘1999’.

Cada ano tem um significado especial? A intenção é homenagear diferentes gerações de games?
Ana Ribeiro – Sim. Cada um terá referências a consoles diferentes e o personagem que você joga também estará enfrentando novos desafios para jogar ‘Pixel Ripped’ e salvar a “Pixel Stone”.

Quais consoles?
Ana Ribeiro – Atari (1978), Fliperamas (1983), Megadrive/Nintendo (1995) e Nintendo 64/primeiros jogos 3D (1999).

O que você fazia antes de se tornar uma designer de jogos?
Ana Ribeiro – Era concursada no Tribunal de Justiça do Maranhão. Trabalhei lá por cinco anos e daí comecei a vender empada. Resolvi largar o emprego e quando estava fazendo curso de microempreendedor do Sebrae, resolvi mudar de carreira de vez e começar a trabalhar com o que amo de verdade: videogames. Daí me mudei para a Inglaterra e estudei um ano de programação em games e dois em mestrado de design de games, onde criei o ‘Pixel’.

E hoje em dia, já dá pra viver só dos games?
Ana Ribeiro – Sim, tenho vivido de games desde então. Já são sete anos. E ainda nem lancei meu primeiro jogo. Consegui investimento e trabalhos freelancers na área.

E como você enxerga o mercado de VR atualmente? Você sente falta de mais investimento por parte dos grandes estúdios de games?
Ana Ribeiro – Já tivemos bastante investimento na área e agora estão aguardando os frutos dos investimentos. Por isso que não se vê mais tantos investimentos nos últimos dois anos. Mas estamos começando a ver grandes sucessos em vendas de jogos VR. Por exemplo, o grande hit ‘Beat Saber’. Mais de 100 mil cópias vendidas no primeiro mês e ainda nem lançaram na maior plataforma de vendas, a Sony. Sou grande fã deles.

Na sua opinião, qual a maior barreira para o VR deixar de ser um nicho e se tornar “mainstream”?
Ana Ribeiro – O amadurecimento tanto do hardware quanto do design dos softwares vai influenciar o crescimento do mercado de VR. No momento estamos todos aprendendo. Não há dúvidas de que está crescendo e de que vai sim alcançar o “mainstream” nos próximos cinco anos.

Percebo uma grande expectativa em torno no ‘Pixel Ripped’ e em nome dos brasileiros, gostaria de dizer que é um grande orgulho um jogo feito por uma compatriota ganhar tanto destaque no cenário internacional de games. Mas também sou obrigado a perguntar por que não foi incluída a localização em português no game. Vocês pensam em acrescentar isso num patch futuro?
Ana Ribeiro – Obrigada. Então, o jogo foi criado na Inglaterra e não tendo a facilidade de gravar atores em português, fiz o jogo do começo em inglês. Mas o objetivo no começo era fazer com português nordestino. O jogo é indie e não temos muita verba no momento e, em tempo, o jogo não está sendo traduzido para nenhum outro idioma.
Infelizmente, em VR não fica muito bom simplesmente colocar legenda flutuante na cabeça dos personagens. Quebra a imersão no mundo 3D e não no do “Gameboy” [o jogo se passa em duas realidades distintas]. Então, futuramente, queremos sim traduzir para outras línguas, mas fazer bem feito e não por fazer. O foco do lançamento do jogo também é internacional, infelizmente no Brasil ainda não há um número significativo de usuários de VR.

Você diz “futuramente” visando os próximos jogos? Ou tem alguma chance de o ‘1989’ ganhar uma dublagem?
Ana Ribeiro – Mais fácil os próximos jogos.

O jogo tem algo de autobiográfico? Você já foi pega jogando videogame durante as aulas?
Ana Ribeiro – Eu não era boa aluna… Já fui pega pulando muro do colégio, matei muita aula para jogar sinuca e videogame. Mas na sala de aula fui pega várias vezes jogando bolinha de papel… Sempre tinha duelos de bola de papel com um colega de turma. Uma vez minha mãe foi chamada à coordenação pois eu desenhava muito em todos meus livros e cadernos. Daí minha mãe disse que não podia fazer nada já que ela mesma tinha sido chamada à coordenação pela mesma razão. Hoje ela é artista plástica.

De quem foi a ideia de incluir os jogadores da seleção brasileira de futebol e o atacante Neymar caindo no jogo? Essa parte é bem engraçada…
Ana Ribeiro – Eu queria colocar um feedback de reward [recompensa/troféu] caso a pessoa fizesse gol [atirando bolinhas de papel] e daí perguntei a todos na minha sala de aula da Universidade NFTS [National Film and Television School]. Daí meu coordenador, Tony, falou brincando: “Add some futeballers jumping thru the window” [“Coloque alguns jogadores de futebol pulando pela janela”]. Eu adicionei e ele não acreditou que eu tinha levado a sério. Mas adorei a ideia. Achei genial.

O jogo tem várias referências a games clássicos. Você teve que pedir autorização para usá-las?
Ana Ribeiro – Não. Porque nos referenciamos mas mantemos nossa própria IP [Intellectual Property, ou “propriedade intelectual]. O ‘Pixel’ tem personagens próprios e sua própria originalidade.

Você chegou a contar quantas referências a outros jogos são feitas no jogo?
Ana Ribeiro – Tem muitas. As principais são ‘Mega Man’, ‘Sonic’, ‘Mario’, ‘Zelda’, ‘Pokémon’, ‘Super Ghouls’n Ghosts’, ‘Alex Kid’, ‘Duck Hunt’, ‘Tetris’…

E qual a sua sensação agora, de ver o trabalho pronto e seu primeiro game sendo finalmente lançado?
Ana Ribeiro – Tenho estado tão ocupada que acho que ainda não deu tempo de cair a ficha. Mas sim, são muitos anos de trabalho… Eu tenho a sensação que fiz o que pude e agora é somente aguardar pelo melhor. Acho que é assim que os pais devem se sentir ao mandar o filho para uma prova importante.