[review] Impecável e divertidíssimo, ‘Astro Bot: Rescue Mission’ vai além de qualquer crítica

Lançado em 2016 no jogo gratuito ‘The Playroom VR’, o jogo de plataforma ‘Robots Rescue’ foi um dos minigames que mais chamaram a atenção dos jogadores do Playstation VR. Durante um bom tempo, os fãs de realidade virtual pediram por um jogo mais completo dos robozinhos. ‘Astro Bot: Rescue Mission’ é a resposta da Sony e do Japan Studio a esse pedido. E não poderia ser melhor. Estamos diante de um dos melhores jogos do Playstation VR, marcando o aniversário de dois anos do headset da Sony. O jogo é exclusivo do PSVR e o review a seguir foi feito usando um Playstation 4 Pro.

Assista ao vídeo-review do canal PSVR Brasil:

HISTÓRIA

Com certeza, a história é o aspecto mais simples do game. Astro Bot e seus amigos robozinhos viviam numa boa até um alien gosmento aparecer e atacar a nave deles. Pra piorar, o vilão espalha as peças da nave em cinco planetas diferentes, junto com seus tripulantes. Caberá ao Astro Bot percorrer esses cinco mundos para resgatar seus amigos, recuperar as peças da nave e derrotar o vilão. Tudo isso com a sua ajuda. Vale salientar que o jogo está todo localizado para o português do Brasil, mas isso nem faria muita diferença, já que não há diálogos, os personagens se comunicam apenas com gritinhos e os tutoriais vêm em forma de vídeo.

VISUAL

‘Astro Bot’ tem um visual de encher os olhos. Tudo nesse mundo em miniatura é muito nítido, com uma definição perfeita para o atual estágio dos headsets de realidade virtual. O Japan Studio fez um trabalho magnífico em termos gráficos, com level design criativo, cenários variados e interativos, inimigos tão carismáticos quanto o protagonista e uma riqueza de detalhes encantadora. Menção especial à iluminação das fases: seu próprio controle pode fazer sombra dentro do jogo. As fases que se passam dentro d’água também dão um show à parte.

IMERSÃO

Ainda há quem ache que jogos de realidade virtual precisam ser em primeira pessoa para serem imersivos. Esse é um grande engano e ‘Astro Bot’ é mais uma prova disso. Você se sente dentro do jogo da mesma maneira que nos jogos em primeira pessoa. O jogo usa uma câmera fixa – onde você é a câmera. Várias vezes será preciso olhar para os lados, para baixo, para cima ou mesmo para trás, para procurar os robozinhos perdidos, camaleões que liberam desafios extras ou mesmo o caminho a seguir. O tracking funciona bem e você poderá até se esgueirar para encontrar o melhor ângulo de visão.

Além disso, você não controla apenas o robozinho. Enquanto jogador, você também tem uma presença ativa dentro do jogo. Alguns inimigos vão tentar te atingir e você terá que desviar. Se não conseguir se esquivar, poderá ficar com a visão cheia de gosma – ou mesmo estilhaçada. Você também vai usar a cabeça para destruir estruturas, cabecear bolas inimigas, entre outras coisas. Em fases com água, seu headset pode até ficar molhado. Um dos momentos mais mágicos é quando aparece uma flor que permite que você assopre suas pétalas. Como eles fizeram isso? Eu não sei. Provavelmente capturando o áudio do microfone ou da Playstation Câmera (eu não estava usando microfone quando isso aconteceu). Aliás, o áudio 3D do jogo também tem papel fundamental na imersão. A trilha e os efeitos sonoros são impecáveis, pontuando cada fase e momento dramático de maneira diferente. Alguns efeitos sonoros também saem do controle – infelizmente, não há opção para desativar essa funcionalidade.

CONTROLES

Você joga usando o Dualshock 4 – não há suporte a outros controles. Os comandos do Astro Bot são bem simples: um botão para pular, outro para dar socos. Aperte o pulo duas vezes para ativar um jato para planar e segure o soco para dar um golpe giratório que pode atingir vários inimigos. Mas, em alguns momentos, o jogador terá alguns comandos extras, usando o touchpad do Dualshock 4. Ele servirá para atirar ganchos com cordas para o robozinho se equilibrar, jogar água ou até estrelinhas ninja. Cada uma dessas “ferramentas” acrescenta uma nova camada de imersão e interatividade no gameplay. Às vezes, será exigido um nível bom de coordenação para controlar o robozinho e utilizar a ferramenta do controle ao mesmo tempo.

GAMEPLAY

‘Astro Bot’ é um jogo de plataforma – o melhor jogo de plataforma que você poderia imaginar. Aliás, espere sempre pelo inesperado. Apesar de serem lineares e geralmente seguirem para frente, as fases escondem vários segredos pelos cantos, o que nos dá bastante liberdade de exploração. Os inimigos têm uma boa variedade e quase todos morrem com apenas um golpe. Mas não os subestime: você também morre com apenas um golpe. Por sorte, cada fase tem uma boa quantidade de check-points, evitando que você tenha que repetir o level inteiro se errar um pulo ou ser atingido por um inimigo.

O jogo traz um total de 20 fases, distribuídas em cinco mundos. A campanha é para apenas um jogador e dura cerca de 6 a 8 horas. Em cada fase, você deve procurar por oito robozinhos perdidos, que às vezes surgem em lugares que parecem impossíveis de alcançar. Mas existem camas elásticas e outros recursos, como destruir paredes, que podem te ajudar. Não é necessário encontrar todos para fechar a fase, mas você terá que achar uma quantidade mínima de robôs para enfrentar o chefe daquele mundo. Cada mundo tem um chefão e o aumentativo não é à toa: os chefões são gigantescos, imponentes, ocupando quase todo seu campo de visão. As lutas contra eles são o maior desafio do jogo, especialmente o quinto chefe e o boss final. Os chefes têm ataques variados e ficam cada vez mais “apelões” quando sofrem dano. Nessas lutas, você só pode morrer duas vezes. Se morrer a terceira, terá que recomeçar.

FATOR REPLAY

‘Astro Bot’ tem apenas um nível de dificuldade, que vai crescendo a cada fase que você passa. Terminar todos os níveis encontrando todos os robozinhos e sem morrer nenhuma vez já é um desafio. Mas cada fase também traz um camaleão escondido, que desbloqueia um desafio extra. Os desafios consistem em terminar uma variante daquela fase dentro do menor tempo possível. Nesses desafios, você vai encontrar perigos que nem imagina. Durante a jogatina, você também encontrará em cada fase uma grande quantidade de moedas, que servem para desbloquear colecionáveis. Cem moedas equivalem a um tíquete para usar na sua máquina de catar colecionáveis, que fica dentro da Astro Ship. Dentro da nave, você interage com os membros da tripulação que já foram resgatados e pode brincar em cenários que reproduzem os mundos do jogo. Isso tudo proporciona um valor de replay grande ao game, especialmente para os caçadores de troféus, já que o game tem platina.


VALE A PENA?

‘Astro Bot’ é o jogo de plataforma que mais me impressionou desde o ‘Super Mario Bros’ do Nintendinho. Para muitos da minha geração, ‘Mario’ foi uma novidade incrível diante dos jogos até então bastante limitados do Atari. É exatamente essa sensação que ‘Astro Bot’ vem resgatar, mas não apenas de forma nostálgica. ‘Astro Bot’ oferece algo novo e não cansa de te surpreender. E faz isso de uma maneira que só a realidade virtual pode fazer. ‘Astro Bot’ é o jogo mais divertido do Playstation VR, com credenciais suficientes para encabeçar a lista de melhores jogos do PSVR até agora. Simplesmente, ele vai além de qualquer nota que eu possa dar. Nota: 11/10 [Imperdível].


Confira o gameplay dos dois primeiros mundos:

FICHA TÉCNICA
Título: ‘Astro Bot: Rescue Mission’
Gênero: Plataforma
Estúdio: Japan Studio/Sony
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Preço: R$ 149,90 (PS Store BR)
Idioma: Português
Controles suportados: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pela Sony]

[review] ‘Electronauts’: nunca foi tão fácil se tornar um DJ de sucesso

Loops, samples, pickups, BPM, EDM… Você pode não saber o significado de nenhuma dessas palavras e ainda assim se tornar um DJ dos bons com ‘Electronauts’, nova experiência/aplicativo de realidade virtual do estúdio Survios, desenvolvedor por trás dos excelentes ‘Raw Data’ e ‘Sprint Vector’. Trata-se de um aplicativo bastante intuitivo e que oferece uma vasta gama de ferramentas pra você se sentir o próprio David Ghetta.

‘Electronauts’ traz um total de 54 faixas – e por um precinho bem camarada, devo dizer. A lista de músicas (ou line-up, como os DJs preferem dizer) inclui nomes como The Chainsmokers, Tiesto, Steve Aoki, DJ Shadow, Zhu e muitos e muitos outros. Alguns compuseram músicas especialmente para o ‘Electronauts’, como é o caso de Coral Fusion, Goodhenry e Starbuck.

Se você não conhece música eletrônica, talvez nunca tenha ouvido falar deles. Mas são grandes expoentes da EDM (a “electronic dance music”) e atraem multidões a festivais e raves espalhadas pelo mundo. O bom é que são músicas boas de se ouvir e, principalmente, um material excelente para você interferir e criar suas próprias versões.

Para isso, você vai contar com uma “ajudinha”. Quer dizer, “ajudinha” não: é uma baita ajuda. ‘Electronauts’ foi construído com uma espécie de “autotunes” e por causa disso é bem difícil você fazer algo fora do ritmo ou que soe desagradável. O estúdio chama essa interface de Music Reality Engine.

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MAS É FÁCIL MESMO?

Quem já tem conhecimento prévio de música ou mesmo de remixagem vai tirar melhor proveito do aplicativo, mas a interface dele é tão intuitiva que o torna acessível a qualquer pessoa. O aplicativo oferece um breve tutorial e depois te deixa livre para criar. Devo ressaltar, porém, que este tutorial é breve demais, deixando de fora, por exemplo, explicações sobre como funciona o recurso de montar arranjos (“arrangement”). Percebendo isso, a Survios tem postado em seu canal no YouTube alguns vídeos com explicações adicionais, que incluirei no decorrer deste review.

Tutorial: como usar a ferramenta “arrange”

Cada música tem diferentes trechos (“tracks”), que iniciam sempre pela intro e incluem outras batidas, como break, groove, build, drop, trap, entre outras. Cada batida tem seus próprios acompanhamentos (“stems”), incluindo guitarras, baixo, bateria, palmas, teclados e por aí vai. Você pode alternar entre as tracks a hora que quiser, quantas vezes quiser.

Os instrumentos básicos do aplicativo são as orbs. A maioria das músicas têm dois conjuntos de orbs, que vêm agrupadas em 7. Usando os bastões que emulam os PS Moves, você pode tocar essas orbs como se fossem uma bateria. Também pode deixar uma sequência gravada e repeti-la quantas vezes quiser. O mesmo vale para uma espécie de harpa eletrônica.

Você também pode adicionar efeitos usando um conjunto de 5 granadas – cada uma soando diferente. Elas explodem no cenário e criam um efeito especial todo particular. Outra ferramenta em divertida é o cubo FX (ou “FX Cube”). Ele pode alterar a música de várias maneiras, como você pode conferir no vídeo abaixo:

Tutorial: como usar o FX Cube

FAZ UMA SELFIE AÍ!

‘Electronauts’ também é um aplicativo social e os desenvolvedores deram uma atenção especial ao aspecto visual. São diferentes cenários, onde sua pick-up virtual se transforma em uma nave sob seu comando numa verdadeira viagem musical pelo espaço. Você estará usando um traje de astronauta, com corpo completo – algo raro entre os games para realidade virtual.

Você pode utilizar uma câmera com pau de selfie para mudar a perspectiva pela qual seus espectadores vão te assistir. Inclusive, é esta a imagem que aparece na tela social da TV ou quando você faz uma transmissão pelo YouTube ou Facebook. Você também pode alterar as cores do ambiente, mudando também as cores do DJ.

Graficamente, é um aplicativo bonito, com visual nítido e interface clean. O jogo está todo em inglês (áudio e interface), sem opções de outros idiomas. Sobre o aspecto sonoro, não preciso falar mais nada, já que este é o prato principal do aplicativo.

Tutorial: usando as ferramentas básicas

E O QUE ‘ELECTRONAUTS’ NÃO TEM?

O aplicativo tem algumas lacunas, mais por questões técnicas, direitos autorais e limitações financeiras do que pela vontade de seus desenvolvedores, como eles deixaram claro em um bate-papo com usuários do Reddit, alguns dias atrás.

A versão para Playstation VR, por exemplo, ficou sem multiplayer online pela dificuldade do estúdio de encontrar um designer que trabalhe com a engine Unity no PSVR nesse ponto específico.

Outra coisa que o aplicativo não permite é importar suas próprias canções para remixá-las ou exportar aquilo que você criou. Mas, como os criadores disseram no bate-papo citado acima, isso está em discussão interna – e o aplicativo ainda deve receber muitas atualizações.

Aliás, o app está recebendo atualizações constantes, então certifique-se de fazer os updates antes de começar a jogar. No dia do lançamento, por exemplo, foram adicionadas oito músicas. Novas faixas e estilos musicais devem ser adicionadas em atualizações gratuitas.

Uma coisa que eu gostaria de ver é a possibilidade de alterar o BPM (batidas por minuto) das músicas, para deixa-las mais rápidas ou mais lentas. Também seria interessante se você pudesse misturar duas faixas, criando mash-ups. Mas, como os desenvolvedores deixaram claro, ‘Electronauts’ não é um aplicativo fechado – e podemos esperar muitas novidades nos próximos meses.

Confira um profissional em ação em ‘Electronauts’


VEREDITO

‘Electronauts’ é a melhor experiência musical disponível no Playstation VR. Não conheço muito o mercado de PCVR, mas creio que o mesmo se possa dizer do HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality. Não é um jogo – e talvez careça do aspecto competitivo presente em games musicais tradicionais, como ‘Guitar Hero’, ‘Rock Band’ e ‘Beat Saber’. Sua essência, de fato, se afasta da experiência de apertar botões ou executar ações no momento certo. Nele, você é livre para fazer o que quiser, na hora que quiser. Isso pode afastar um pouco quem espera algo mais “pré-definido”. No entanto, para todo mundo que gosta de música, é uma experiência imperdível. Nota: 10/10 [Imperdível].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Electronauts’
Gênero: Aplicativo/experiência musical
Estúdio: Survios (https://survios.com/electronauts)
Data de lançamento: 7 de agosto de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality
Preço: R$ 61,50 *(PS Store Brasil) | US$ 19,99 * (PS Store EUA)
Controles suportados: Dois PS Moves
Idioma: inglês (áudio e interface – sem suporte a outros idiomas)
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 1,54 GB
* Membros PS Plus têm desconto de 20% até o dia 21 de agosto de 2018

[Este review foi feito no PS4 Pro, usando uma cópia digital gentilmente cedida pela Survios]

Confira o resultado do sorteio do aplicativo ‘Homestar VR’

Durante esta semana, o canal PSVR Brasil no YouTube estava realizando o sorteio de uma mídia digital do aplicativo ‘Homestar VR’, do estúdio japonês The Pocket Company.

Recebemos um total de 82 inscrições, de 33 participantes diferentes e de várias partes do Brasil. Agradecemos a participação de todos, mas infelizmente só um pode ser o ganhador. E o sorteado foi Pedro Polidori Colombo, de Porto Alegre (RS), que já foi devidamente contactado por e-mail (no endereço informado na página do concurso).

Se desta vez você não foi o vencedor, não se preocupe. Muito em breve realizaremos novos sorteios. Já temos chaves (keys) dos jogos ‘The Walker’, ’18 Floors’ e ‘Animal Force’ para sortear. Portanto, fiquem ligados no blog e no nosso canal no YouTube para não perder nenhum sorteio. A participação de cada um de vocês é importantíssima para fazermos nosso canal crescer. Com isso, inclusive, podemos conseguir mais chaves para sortear!

Assista ao video review de ‘Homestar VR’

[review] ‘Homestar VR’ coloca um céu estrelado dentro do seu headset

Você já visitou um planetário? Tem curiosidade de saber mais sobre as estrelas e constelações? Gosta de ouvir sobre os mitos gregos que deram nome a estas constelações e, por consequência, batizaram todos os signos astrológicos do Ocidente? Se a resposta a algumas dessas perguntas foi positiva, você pode se interessar por ‘Homestar VR’, que foi lançado em dezembro do ano passado na PS Store do Japão e agora chega, em versão em inglês, para a América do Norte e Europa.

‘Homestar VR’ é um aplicativo criado pelo estúdio The Pocket Company e licenciado pela Sega Toys a partir de um equipamento, chamado de Homestar, que projeta um céu estrelado em qualquer ambiente da sua casa. O equipamento foi desenvolvido por pelo engenheiro japonês Takayuki Ohira e é um sucesso de vendas, com mais de 1,1 milhão de unidades comercializadas em todo o mundo.

Enquanto as versões do projetor Homestar exibem cerca de 60 mil estrelas, ‘Homestar VR’ se aproxima dos números de planetários reais, projetando cerca de 2,5 milhões de estrelas. Você pode pensar: “Ah, mas se for só pra olhar estrelas, eu vejo do quintal de casa”. Mas é bem assim. Nada se compara a observar o céu real, é verdade. No entanto, as condições climáticas, como a ausência de nuvens e até a umidade, são determinantes para que você possa observar bem as estrelas. Quem nunca se decepcionou ao tentar ver um eclipse diante de um céu nublado, por exemplo? É exatamente esta experiência de um “céu limpo” que o ‘Homestar VR’ visa proporcionar, com alguns recursos extras.

Assista ao review em vídeo de ‘Homestar VR’

O aplicativo possui três seções. A principal delas, ‘VR Celestial Planetarium’, recria o ambiente de um planetário. Você escolhe entre as quatro estações do ano para assistir a explicações sobre as constelações visíveis no céu durante cada época do ano. As explicações estão em inglês (ou japonês), sem opções de legendas em qualquer outro idioma. Saber esta língua estrangeira, portanto, é importante para aproveitar melhor a experiência.

Os desenhos das constelações vão surgindo um a um, enquanto a locutora vai fazendo algumas perguntas (retóricas, por sinal, já que você não tem como responder) e conta as lendas por trás das mais famosas constelações do universo. Destaque, claro, para as constelações que regem cada um dos 12 signos astrológicos do Ocidente. Infelizmente, há poucas informações em termos astronômicos – algo que, pelo menos eu, esperaria de um aplicativo como esse.

Nesta seção, você pode optar por observar o céu dentro de uma réplica virtual de um planetário (“Classic Planetarium Mode”) ou usar o modo “Full Celestial”, em que você se vê rodeado por estrelas de todos os lados. Conforme as constelações vão aparecendo, você precisa virar o pescoço ou mesmo permanecer com o queixo para cima durante um bom tempo, já que não há nenhum botão para virar a câmera. Como cada explicação dura cerca de 6 minutos, isso pode ser meio incômodo.

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OBSERVAÇÃO LIVRE

Em uma segunda seção do aplicativo, chamada de ‘Starry Sky Selection’, você pode escolher por observar o céu estrelado em sete lugares específicos espalhados pelo mundo, como a Ilha de Páscoa, no Chile, e o Monte Fuji, no Japão. Este modo permite que você troque a trilha sonora (são várias as opções de músicas relaxantes) ou mesmo desligue o áudio. Se quiser, você pode aumentar a velocidade com que o céu se move (em até 500x).

Mas a imersão nestes pontos turísticos fica meio prejudicada, porque os elementos dos cenários soam muito artificiais. A aparência deles é bem plana, como se fosse uma foto colada no cenário, com exceção de uma casinha inserida no Lake Tekapo, localizado na Nova Zelândia. Outros pontos turísticos são o Matterhorn ou Monte Cervino (nos Alpes Suíços), Uyuni Salt Lake (o maior deserto de sal do mundo, na Bolívia) e Mauana Kea (vulcão extinto no Havaí) e o Jasper National Park (no Canadá). Quatro deles você libera após assistir às quatro explicações do modo planetário.

O terceiro modo do aplicativo se chama ‘World Sky Time Travel’. Diante de um globo com jeitão de Google Earth, você pode escolher qualquer lugar do mundo para observar o céu naquele lugar. Mas não há qualquer cenário: é só você e o céu. Além disso, você pode escolher qualquer data entre 1901 e os dias atuais. Quer saber como estava o céu no dia do seu aniversário? A resposta estará lá. Nesse modo, você também pode trocar a trilha sonora e acelerar a velocidade de movimento do céu, além de marcar as constelações e planetas.

O aplicativo é totalmente livre de enjoo de movimento – você passa o tempo todo parado enquanto observa os corpos celestes. Para navegar entre os menus, usa o Dualshock 4. Graficamente, não há nada de muito fantástico e imersivo – mesmo porque o próprio PSVR tem as suas limitações para observação de objetos muito distantes. Isso, porém, não prejudica a experiência.

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VEREDITO

‘Homestar VR’ é um aplicativo de observação de estrelas. Não espere nada além disso. Não há opções para se aproximar mais das constelações, planetas ou algo do tipo. Não há muitas informações de caráter astronômico. Por mais apelo que tenha aos aficcionados pelo tema, isso representa uma limitação para o grande público. Observar um céu estrelado de 2,5 milhões de estrelas é maravilhoso. Mas a experiência em VR nem se compara à experiência real. NOTA: 6,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Homestar VR’
Estúdio: The Pocket Company/Sega Toys
Gênero: Aplicativo
Plataformas: Playstation VR (usada neste review) e HTC Vive
Data de lançamento: 29 de junho de 2018
Preço: US$ 9,99 (PS Store EUA) | 16,99 EUR (PS Store Europa)
Idioma: Inglês e Japonês (áudio e interface – sem legendas)
Controles: Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 265 MB

[Este review foi feito usando um PS4 Pro, com mídia digital cedida pela The Pocket Company/Sega Toys]

Assista ao trailer de ‘Homestar VR’

[review] ‘Esper’ te transforma em um mutante com poderes psíquicos

Já pensou como seria ter os poderes telepáticos do Professor Charles Xavier, criador dos X-Men e um dos mutantes mais poderosos do universo Marvel? Ou da bela Jean Grey, uma das alunas mais extraordinárias do Professor X? No game ‘Esper’, do estúdio Coatsink, você pode sentir um gostinho de como seria ter poderes de telecinese. O jogo foi lançado originalmente para o Gear VR, em 2015, e acaba de chegar para o Playstation VR.

‘Esper’ se passa em uma realidade onde várias pessoas começaram a demonstrar poderes psíquicos e – adivinhe! – você é um deles. Por causa disso, o governo resolveu montar um programa, batizado de ESPR (daí vem o ‘Esper’ do título), para testar o alcance do poder psíquico destes indivíduos e o que cada um é capaz de fazer. Você, então, é convocado para participar destes testes e demonstrar que não representa perigo para os demais seres humanos.

No jogo, que é todo em primeira pessoa, você se vê diante de um escritório, aparentemente normal, contendo alguns objetos. Seu objetivo será erguer estes objetos e levá-los até determinado ponto, marcado por uma caixa com uma figura geométrica azul, que pode der um círculo ou um quadrado. No caminho, haverá vários obstáculos – com alguns, você pode interagir; em outros, é impossível mexer.

Para jogar, você usa o próprio tracking do headset do Playstation VR, o que dá uma imersão fantástica, passando a impressão que, de fato, o jogador tem poderes paranormais. É claro que, para funcionar, a mecânica precisaria de uma “ajudinha”: para segurar o objeto ou largar, você tem que acionar um botão do controle.

Então, falando em termos de controle, o game pode ser jogado tanto com o Dualshock 4 quanto com o PS Move. Os controles também são usados para aproximar ou afastar os objetos. E, se preferir, você pode optar por mover os objetos usando o tracking do Dualshock 4 ou do Move, alterando esta opção no menu.

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QUAL É A GRAÇA?

O game usa de humor o tempo todo, sempre duvidando da sua inteligência e da sua capacidade de resolver os quebra-cabeças. Um instrutor, identificado apenas como Geoff, acompanha os seus testes e é responsável por ótimas “tiradas” do título. Ele não aparece em cena, mas é uma grande figura do jogo. A sua atuação – se é que podemos chamar assim – é impecável. O jogo está todo em inglês, com opção de colocar legenda no mesmo idioma, o que ajuda quem não domina plenamente esta língua estrangeira.

‘Esper’ tem uma qualidade comparável a outros dois excelentes puzzles do PSVR – ‘Statik’ e ‘I Expect you to Die’. Assim como eles, não é um título tão difícil, mas rende ótimas horas de gameplay, com puzzles bem pensados que se encaixam perfeitamente no ambiente da realidade virtual. Portanto, é perfeito para o jogador casual – mesmo aquele que não é muito fã de puzzles.

Mas também não espere desafios baixos demais: ao todo, são 25 fases, começando com um tutorial onde você vai descobrindo o que pode e o que não pode fazer. A duração do jogo depende muito do “poder mental” de cada um, mas eu diria que dá em torno de 3 a 4 horas. O game possui troféu de platina, que é bem fácil de conseguir (se eu platinei, você também consegue). O fator de replay fica um tanto prejudicado, pois não há nada a fazer depois de finalizá-lo.

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GRÁFICOS

Visualmente, o jogo é bem trabalhado, a definição é boa, mas o cenário é um pouquinho granulado, se você olhar detalhadamente. Porém, durante o jogo, nem vai perceber isso. Os elementos do cenário, a ambientação e a própria trilha sonora remetem bem à década de 1970, período em que se passa a história.

Em termos de enjoo de movimento, o jogo é totalmente livre desse problema, já que você ficará o tempo todo parado, sentado em uma cadeira virtual. Aliás, nesse quesito, observei um pequeno problema: você não consegue se mover para tentar enxergar melhor os elementos do puzzle. Se você tentar sair do lugar ou mover a cabeça muito para frente, a tela começa a se escurecer, até que você não enxerga mais nada. Seus movimentos, portanto, ficam quase que restritos ao pescoço.


VEREDITO

‘Esper’ é, sem dúvida, um dos melhores puzzles disponíveis no Playstation VR. Seu nível de desafio se encaixa perfeitamente em uma plataforma marcada fortemente pela presença de jogadores casuais. Na PS Store, chegou com um preço bem camarada, mesmo porque se trata de um jogo lançado originalmente em 2015. Uma continuação, aliás, já foi lançada para os PCs e celulares. Esperamos que ela também venha para o PSVR. Nota: 9,5/10.


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INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Esper’
Estúdio: Coatsink (https://coatsink.com/games/esper/)
Gênero: Puzzle
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift, Samsung Gear VR , Oculus Go, Xiaomi Mi, HTC Vive e Microsoft Mixed Reality
Data de lançamento: 29 de junho de 2018 (PSVR)
Preço: R$ 27,90 (PS Store Brasil) | US$ 8,99 (PS Store EUA)
Idioma: inglês (áudio, interface e legendas)
Controles: Dualshock 4 ou 1 PS Move Controller
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 516 MB

[Este review foi feito usando um PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo estúdio Coatsink]

Assista ao trailer de ‘Esper’

[review] ‘Salary Man Escape’ é mais difícil do que seu chefe te oferecer um aumento

Para quase todo trabalhador, por mais que goste do emprego que tem, o momento de sair da empresa e voltar para casa é um dos mais aguardados do dia. Usando isso como mote e satirizando vários bordões corporativos, o estúdio chinês Red Accent criou o puzzle ‘Salary Man Escape’, publicado pela Oasis Games e exclusivo do Playstation VR.

‘Salary Man Escape’ é um quebra-cabeças de plataforma em terceira pessoa onde seu objetivo é liberar o caminho para um funcionário engravatado a caminho da tão sonhada porta de saída da empresa. Você não tem controle algum sobre o funcionário – ele só se move quando o trajeto está livre. E ele só anda se todo o caminho estiver plano, lisinho. Portanto, não espere que ele vá pular ou subir sobre um obstáculo. O cara é bem burrinho.

Para liberar o caminho, você move blocos vermelhos dispostos no cenário. Mas não é capaz de movimentar os blocos brancos. No entanto, todos eles (vermelhos e brancos) sofrem influência da gravidade – e o aspecto físico é importantíssimo no jogo. Você pode até se lembrar de quando era criança e jogava ‘varetas” com os amigos.

É preciso cuidado para movimentar a peça correta para o lado certo. Um movimento mais brusco pode colocar tudo a perder, derrubando estruturas que podem prejudicar todo o seu planejamento. Especialmente porque é preciso ter em mente o seguinte: você só pode mover as peças vermelhas para os lados ou para baixo (usando a própria gravidade), retirando-as ou colocando-as em outro lugar. Mas não é possível levantar nenhuma delas.

Há ainda outros fatores que aumentam o desafio. Um deles é que não é possível voltar atrás em uma ação específica. Mas, no meio do trajeto, pode haver alguns checkpoints (marcados por uma xícara de café), e você pode retornar a esse checkpoint usando o menu dentro do jogo. Ah, e há um tempo limite em cada fase, que varia em torno de 3 a 5 minutos. Se não terminar dentro do tempo, terá que começar tudo de novo.

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CONTROLES E TRACKING

Para jogar, você pode usar um PS Move ou o Dualshock 4. A mecânica muda um pouco: enquanto com o Move você “pega” no bloco diretamente, deixando mais imersivo, com o controle a interação é feita através de um “raio” que sai do Dualshock 4. O bom é que você pode trocar de controles no meio do jogo, usando o menu dentro da própria fase, coisa que outros títulos não permitem.

É possível girar, aproximar ou afastar todo o cenário para observar as estruturas mais detalhadamente. No entanto, o tracking parece ter um raio de ação limitado: se você afasta o controle do corpo, o jogo já não reconhece mais. É preciso sempre aproximar as peças de você se quiser movê-las. Isso pode gerar uma certa frustração – espero que o estúdio possa melhorar este quesito.

O jogo está todo em inglês, com textos e menu neste idioma, sem opções de legenda em português. Isso não impedirá quem não sabe a língua inglesa de resolver os quebra-cabeças, mesmo sem entender as instruções do tutorial, que é bem básico. O que talvez você não entenda são as piadas corporativas, espalhadas em forma de textos que simulam relatórios, e-mails e memorandos no início e no final das fases.

Em termos de áudio, chama a atenção a trilha sonora, composta por canções inspiradas no pop japonês dos anos 1980. É uma musica bem animada, mas às vezes pode incomodar quando você fica preso em uma fase ou outra (para isso, há opções para reduzir o volume). Os efeitos sonoros não se sobressaem, mas também não atrapalha.

O visual é todo monocromático, com alguns detalhes em vermelho, lembrando o filme ‘Sin City’ e o game ‘SuperHot’. Sua visão é em terceira pessoa e a área de jogo fica parecendo uma maquete. Ao redor dela, há uma ambientação com elementos típicos de escritório, incluindo mesas, computadores, cadeiras, entre outras coisas. Mas, graficamente, falta um pouco mais de nitidez e há um certo nível de borrão que pode incomodar o jogador mais exigente.

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DURAÇÃO E REPLAY

Ao todo, são 78 fases, divididas em seis episódios (de acordo com o estúdio, isso rende cerca de 8 horas de gameplay, mas é claro que, em se tratando de um puzzle, vai depender muito do (cérebro do) jogador. Cada episódio tem 13 fases, sendo três “secretas”. Essas fases secretas só podem ser liberadas com as moedas que você encontra no caminho das fases anteriores. No entanto, pegá-las requer a colocação de peças em uma posição específica, tornando-se um quebra-cabeça à parte.

Se você travar em determinada fase, é problema: não é possível pular. Você tem que primeiro resolver a fase atual para liberar a seguinte. E, apesar de o nível geral de dificuldade aumentar a cada nova fase, pode haver algumas mais complicadas pelo caminho.

Uma opção é tentar se arriscar no episódio seguinte, que você destrava ao atingir um certo nível no capítulo atual. Mas que fique bem claro que, a cada episódio, novos desafios e novas mecânicas são adicionadas, elevando o grau de dificuldade. Por exemplo, no capítulo 2, é adicionada uma espécie de gangorra/balança, onde você precisa tirar os blocos para diminuir o peso de um dos “pêndulos” e fazê-la se mover.

O valor de replay fica por conta das moedas opcionais que você coleta no decorrer de algumas fases para destravar níveis secretos. Para os platinadores que gostam de um desafio mental, uma boa notícia: o jogo tem troféu de platina, que até agora ninguém conquistou. Quem se habilita?

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VEREDITO

Com 78 fases, ‘Salary Man Escape’ é um prato cheio para quem gosta de puzzles. O grau de desafio é muito bom, mas às vezes pode ser um pouco desnivelado de uma fase para a outra. Graficamente, falta um pouco mais de nitidez, que poderia deixar sobressair mais o estilo visual monocromático do jogo. O título foi lançado com desconto promocional de 20%, tornando-o bem atraente aos fãs do gênero. Nota: 7,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Salary Man Escape’
Estúdio: Red Accent Studios/Oasis Games (http://en.console.oasgames.com)
Gênero: Puzzle
Data de lançamento: 26 de junho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review)
Preço: R$ 61,50 * (PS Store Brasil) | US$ 19,99 * (PS Store EUA)
Controles: 1 PS Move (recomendado) ou Dualshock 4
Idioma: Inglês (interface/menus) | Sem opção de português
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 929 MB

* O título foi lançado com desconto promocional de 20%, saindo por R$ 49,20 (Brasil) e US$ 15,99 (EUA). O desconto é válido até o dia 7 de julho de 2018.

[Este review feito no PS4 Pro, com jogo digital disponibilizado pelo Red Accent Studios/Oasis Games]

Assista ao trailer de ‘Salary Man Escape’

 

[review] ‘Don’t Knock Twice’: neste filme de terror, o protagonista é você

O terror é um gênero que se beneficia imensamente dos recursos da realidade virtual, causando no jogador sensações que nenhum jogo em tela plana é capaz de provocar. Apesar disso, ainda há poucos jogos do gênero no Playstation VR e os títulos realmente bons cabem nos dedos das mãos. ‘Don’t Knock Twice’ traz uma trama baseada no filme de mesmo nome (‘Não bata duas vezes’ no Brasil) onde, destave vez, o protagonista é você.

O game, que pode ser jogado tanto em VR quanto em tela plana, é intrinsecamente ligado ao filme. As personagens são as mesmas e a mansão onde se passa a história, também. No entanto, não segue exatamente o roteiro do longa-metragem, o que é um alívio para quem já viu o filme. As duas produções se complementam de maneira interessante, mas também podem ser encaradas de forma independente.

O jogador se verá na pele de Jess, uma mãe que vive um conflito familiar com sua filha, a jovem Chloe. Ambas estão dentro de uma mansão na mais completa escuridão, iluminada apenas por lareiras. No entanto, elas estão em lugares separados e Chloe, de tempos em tempos, envia mensagens (bastante mal-educadas, por sinal), dizendo que algo sobrenatural a está perseguindo.

As tais “duas batidas” do título se referem a uma maldição, que desencadeia o mal que vai perseguir mãe e filha. Aliás, o som das batidas é constante no game, contribuindo para criar um clima de tensão permanente, complementado pela mais completa escuridão. Durante todo o jogo, você terá apenas uma vela para iluminar seu caminho e explorar os cantos da casa.

Em termos de gameplay, o jogo se parece muito com ‘Atividade Paranormal’. O objetivo é coletar uma série de itens para completar um ritual macabro que envolve um pentagrama. Várias portas estão fechadas e vão se abrindo “magicamente”, conforme você avança na história.

Você não usa armas. Mas, em certo trecho, você terá acesso para uma machadinha que vai fazer você se sentir na pele de Jack Nicholson no clássico ‘O Iluminado’. Além de arrebentar portas, o machado pode ser usado para quebrar cadeados e arrebentar fechaduras, liberando áreas até então inalcançáveis.

O jogo traz ainda alguns puzzles para você resolver, mas eles são simples demais. Para piorar, as respostas deles aparecem em forma de dicas escritas que deixam as coisas bem claras sobre o que fazer.

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Coletar objetos para montar um pentagrama? Já vi isso em algum lugar…

SUSTOS 

Além do clima de tensão, ‘Don’t Knock Twice’ se vale de alguns “jump scares” aqui e ali para amedrontar o jogador. Há alguns que realmente assustam, mas o “timing” de outros não é bem cronometrado, o que faz com que eles não cumpram sua função à perfeição. Os gráficos das “aparições” também podem deixar a experiência parecendo um trem fantasma mambembe de cidades do interior, em alguns momentos.

No entanto, em geral, o jogo é graficamente bem construído, com bastante realismo. Mas você também vai encontrar algumas texturas em baixa resolução, como em plantas e paredes. O áudio, por outro lado, cumpre muito bem com a sua função, com efeitos sonoros apavorantes. É altamente recomendado que você jogue com fones de ouvido para ter a melhor experiência. Por sua conta e risco.

Durante o jogo, você encontra vários textos em forma de bilhetes, cartas, diários, jornais ou revistas que vão ajudar a contar a história. Estes textos, assim como toda a interface, têm opção para português do Brasil. A tradução está bem feita, mas há alguns errinhos aqui e ali – que também passariam batido nas legendas de filmes. Aliás, quando foi lançado, o jogo tinha uma tradução péssima, que impossibilitava o jogador entender qualquer coisa. Mas um patch posterior consertou as coisas, felizmente. Portanto, não deixe de baixá-lo antes de jogar.

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Figuras bizarras vão aparecer no seu caminho durante a jogatina. Vai encarar?

CONTROLES

O título pode ser jogado com um par de PS Moves ou com o Dualshock 4. Em ambos, você pode optar pelo teleporte ou movimentação livre. Não gostei do tipo de teleporte do jogo. Achei confuso e toda vez que você se move vem uma tela preta que dura mais tempo que o necessário. No entanto, é uma opção mais segura para quem sente enjoo de movimento.

Aliás, nesse quesito, o menu principal traz uma série de opções para deixar o jogo mais confortável. Algumas opções, estranhamente, só são liberadas para o Dualshock 4, como correr e agachar (e, ainda assim, só se você jogar na televisão – sim, o título pode ser jogado também em tela plana). No entanto, com relação ao giro do corpo, o giro suave (“smooth turning”) é muito lento, tornando o giro em graus quase que obrigatório.

A experiência é muito melhor com os Moves, que se transformam nas mãos do jogador e permitem que você interaja de maneira mais imersiva com os vários objetos espalhados pelo jogo. No entanto, não há inventário (o único objeto que você pode guardar é o celular que aparece logo no início do jogo). Os outros objetos que você julgar úteis você terá que carregar nas mãos mesmo.

Como não há botão para agachar, os Moves têm botões que “esticam” os seus braços e permitem que você pegue objetos no chão – ou mesmo em um lugar mais alto. Ao utilizar movimentação livre, a tela escurece completamente quando você sobe ou desce escadas. O intuito, mais uma vez, é evitar o enjoo de movimento. No início você fica meio confuso, mas depois se acostuma.

Com o Dualshock 4, o jogador não tem mãos e você usa uma mira no centro da tela para interagir com as coisas. O mesmo vale para a experiência em tela plana. Após testar as duas maneiras, fica claro que o game só tem valor se jogado em VR, de preferência, com os Moves.

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O teleporte usa esse círculo grande e é bem esquisito. Se puder, jogue com movimento livre.

BUGS MACABROS

Pensei em começar esse review pelos bugs, de tanto que eles me atormentaram nos primeiros minutos de jogo. Mas preferi deixar para o final, já que alguns desses problemas podem ocorrer ou não, dependendo da “sorte” do jogador.

Na primeira vez que joguei, na posição sentada, me senti um anão. Ainda que eu recentralizasse a câmera, continuava junto ao chão, como se tivesse menos de um metro de altura. Até que alterei a “altura da cabeça” no menu dentro do jogo e as coisas voltaram ao normal.

Quando ainda estava jogando no “modo anão”, com movimentação livre, tentei resetar a câmera para consertar as coisas e acabei sendo teleportado magicamente pra dentro de uma área que estava fechada. Daí, fiz de novo e teleportei pra outra área. Sinistro.

Outro bug, ainda mais frequente, ocorre aleatoriamente quando você inicia o jogo usando os Moves. Uma das mãos some e não volta mais. Não adianta desligar e religar o Move. Tem que reiniciar o game e torcer pro bug não acontecer de novo.  Teve ainda um certo trecho em que a entrada era muito estreita e eu não passava andando de jeito nenhum. Tive que trocar pro teleporte pra seguir no jogo.

Finalizando o relato de bugs macabros, ao jogar com os Moves, às vezes você se prende em um determinado local e quando sai de lá você está abaixado. Mas não há opção de agachar nos Moves – nem de levantar. Isso resulta que você terá que andar abaixado durante alguns segundos, lentamente, até que o jogo resolva te levantar de novo.

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Você pode usar machados para quebrar portas. No celular, você fica recebendo mensagens mal-educadas da sua filha.

VALE O REPLAY?

O título tem cerca de uma hora e meia a duas horas de duração, mais ou menos como um filme de terror. Como é típico do gênero, o game tem pouco valor de replay, já que depois que você descobre o que fazer, o jogo perde a graça, assim como os sustos. Não existem outros modos de jogo nem níveis de dificuldades – apenas a campanha principal.

Há a opção de fazer um final alternativo, mas para isso será preciso jogar tudo de novo, pois o save é automático e não há diferentes save slots (uma opção, comum entre os platinadores, é transferir o save para um pen-drive para “evitar a fadiga”). Aliás, para os platinadores de plantão fica avisado: o jogo tem troféu de platina. Outra maneira de expandir o gameplay é procurar pelos colecionáveis espalhados pela mansão, caso você não encontre da primeira vez.


VEREDITO

Sem dúvida, o melhor momento para jogar ‘Don’t Knock Twice’ é agora, especialmente para os brasileiros. Após alguns patches, a tradução para português foi visivelmente melhorada e a movimentação livre com os Moves deixou o jogo bem mais interessante. Ainda há bugs, como os que relatei acima, mas se você conseguir superá-los terá em mãos um jogo que cumpre com seu principal objetivo: proporcionar momentos de medo e adrenalina no jogador. O jogo costuma aparecer frequentemente em oferta na PS Store, pela metade do preço cheio. É uma boa oportunidade para acrescentar bons momentos de terror na sua coleção. Nota: 7,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Jogo: ‘Don’t Knock Twice’
Estúdio: Wales Interactive (www.walesinteractive.com)
Gênero: Terror
Data de lançamento: 5 de setembro de 2017
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 71,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store EUA)
Idioma: português e inglês (textos e interface)
Controles suportados: Dois PS Moves (recomendado) e Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco (com atualizações): 2,09 GB

[Este review foi feito com jogo digital comprado por mim mesmo]

Assista ao trailer de ‘Don’t Knock Twice’