[review] Impecável e divertidíssimo, ‘Astro Bot: Rescue Mission’ vai além de qualquer crítica

Lançado em 2016 no jogo gratuito ‘The Playroom VR’, o jogo de plataforma ‘Robots Rescue’ foi um dos minigames que mais chamaram a atenção dos jogadores do Playstation VR. Durante um bom tempo, os fãs de realidade virtual pediram por um jogo mais completo dos robozinhos. ‘Astro Bot: Rescue Mission’ é a resposta da Sony e do Japan Studio a esse pedido. E não poderia ser melhor. Estamos diante de um dos melhores jogos do Playstation VR, marcando o aniversário de dois anos do headset da Sony. O jogo é exclusivo do PSVR e o review a seguir foi feito usando um Playstation 4 Pro.

Assista ao vídeo-review do canal PSVR Brasil:

HISTÓRIA

Com certeza, a história é o aspecto mais simples do game. Astro Bot e seus amigos robozinhos viviam numa boa até um alien gosmento aparecer e atacar a nave deles. Pra piorar, o vilão espalha as peças da nave em cinco planetas diferentes, junto com seus tripulantes. Caberá ao Astro Bot percorrer esses cinco mundos para resgatar seus amigos, recuperar as peças da nave e derrotar o vilão. Tudo isso com a sua ajuda. Vale salientar que o jogo está todo localizado para o português do Brasil, mas isso nem faria muita diferença, já que não há diálogos, os personagens se comunicam apenas com gritinhos e os tutoriais vêm em forma de vídeo.

VISUAL

‘Astro Bot’ tem um visual de encher os olhos. Tudo nesse mundo em miniatura é muito nítido, com uma definição perfeita para o atual estágio dos headsets de realidade virtual. O Japan Studio fez um trabalho magnífico em termos gráficos, com level design criativo, cenários variados e interativos, inimigos tão carismáticos quanto o protagonista e uma riqueza de detalhes encantadora. Menção especial à iluminação das fases: seu próprio controle pode fazer sombra dentro do jogo. As fases que se passam dentro d’água também dão um show à parte.

IMERSÃO

Ainda há quem ache que jogos de realidade virtual precisam ser em primeira pessoa para serem imersivos. Esse é um grande engano e ‘Astro Bot’ é mais uma prova disso. Você se sente dentro do jogo da mesma maneira que nos jogos em primeira pessoa. O jogo usa uma câmera fixa – onde você é a câmera. Várias vezes será preciso olhar para os lados, para baixo, para cima ou mesmo para trás, para procurar os robozinhos perdidos, camaleões que liberam desafios extras ou mesmo o caminho a seguir. O tracking funciona bem e você poderá até se esgueirar para encontrar o melhor ângulo de visão.

Além disso, você não controla apenas o robozinho. Enquanto jogador, você também tem uma presença ativa dentro do jogo. Alguns inimigos vão tentar te atingir e você terá que desviar. Se não conseguir se esquivar, poderá ficar com a visão cheia de gosma – ou mesmo estilhaçada. Você também vai usar a cabeça para destruir estruturas, cabecear bolas inimigas, entre outras coisas. Em fases com água, seu headset pode até ficar molhado. Um dos momentos mais mágicos é quando aparece uma flor que permite que você assopre suas pétalas. Como eles fizeram isso? Eu não sei. Provavelmente capturando o áudio do microfone ou da Playstation Câmera (eu não estava usando microfone quando isso aconteceu). Aliás, o áudio 3D do jogo também tem papel fundamental na imersão. A trilha e os efeitos sonoros são impecáveis, pontuando cada fase e momento dramático de maneira diferente. Alguns efeitos sonoros também saem do controle – infelizmente, não há opção para desativar essa funcionalidade.

CONTROLES

Você joga usando o Dualshock 4 – não há suporte a outros controles. Os comandos do Astro Bot são bem simples: um botão para pular, outro para dar socos. Aperte o pulo duas vezes para ativar um jato para planar e segure o soco para dar um golpe giratório que pode atingir vários inimigos. Mas, em alguns momentos, o jogador terá alguns comandos extras, usando o touchpad do Dualshock 4. Ele servirá para atirar ganchos com cordas para o robozinho se equilibrar, jogar água ou até estrelinhas ninja. Cada uma dessas “ferramentas” acrescenta uma nova camada de imersão e interatividade no gameplay. Às vezes, será exigido um nível bom de coordenação para controlar o robozinho e utilizar a ferramenta do controle ao mesmo tempo.

GAMEPLAY

‘Astro Bot’ é um jogo de plataforma – o melhor jogo de plataforma que você poderia imaginar. Aliás, espere sempre pelo inesperado. Apesar de serem lineares e geralmente seguirem para frente, as fases escondem vários segredos pelos cantos, o que nos dá bastante liberdade de exploração. Os inimigos têm uma boa variedade e quase todos morrem com apenas um golpe. Mas não os subestime: você também morre com apenas um golpe. Por sorte, cada fase tem uma boa quantidade de check-points, evitando que você tenha que repetir o level inteiro se errar um pulo ou ser atingido por um inimigo.

O jogo traz um total de 20 fases, distribuídas em cinco mundos. A campanha é para apenas um jogador e dura cerca de 6 a 8 horas. Em cada fase, você deve procurar por oito robozinhos perdidos, que às vezes surgem em lugares que parecem impossíveis de alcançar. Mas existem camas elásticas e outros recursos, como destruir paredes, que podem te ajudar. Não é necessário encontrar todos para fechar a fase, mas você terá que achar uma quantidade mínima de robôs para enfrentar o chefe daquele mundo. Cada mundo tem um chefão e o aumentativo não é à toa: os chefões são gigantescos, imponentes, ocupando quase todo seu campo de visão. As lutas contra eles são o maior desafio do jogo, especialmente o quinto chefe e o boss final. Os chefes têm ataques variados e ficam cada vez mais “apelões” quando sofrem dano. Nessas lutas, você só pode morrer duas vezes. Se morrer a terceira, terá que recomeçar.

FATOR REPLAY

‘Astro Bot’ tem apenas um nível de dificuldade, que vai crescendo a cada fase que você passa. Terminar todos os níveis encontrando todos os robozinhos e sem morrer nenhuma vez já é um desafio. Mas cada fase também traz um camaleão escondido, que desbloqueia um desafio extra. Os desafios consistem em terminar uma variante daquela fase dentro do menor tempo possível. Nesses desafios, você vai encontrar perigos que nem imagina. Durante a jogatina, você também encontrará em cada fase uma grande quantidade de moedas, que servem para desbloquear colecionáveis. Cem moedas equivalem a um tíquete para usar na sua máquina de catar colecionáveis, que fica dentro da Astro Ship. Dentro da nave, você interage com os membros da tripulação que já foram resgatados e pode brincar em cenários que reproduzem os mundos do jogo. Isso tudo proporciona um valor de replay grande ao game, especialmente para os caçadores de troféus, já que o game tem platina.


VALE A PENA?

‘Astro Bot’ é o jogo de plataforma que mais me impressionou desde o ‘Super Mario Bros’ do Nintendinho. Para muitos da minha geração, ‘Mario’ foi uma novidade incrível diante dos jogos até então bastante limitados do Atari. É exatamente essa sensação que ‘Astro Bot’ vem resgatar, mas não apenas de forma nostálgica. ‘Astro Bot’ oferece algo novo e não cansa de te surpreender. E faz isso de uma maneira que só a realidade virtual pode fazer. ‘Astro Bot’ é o jogo mais divertido do Playstation VR, com credenciais suficientes para encabeçar a lista de melhores jogos do PSVR até agora. Simplesmente, ele vai além de qualquer nota que eu possa dar. Nota: 11/10 [Imperdível].


Confira o gameplay dos dois primeiros mundos:

FICHA TÉCNICA
Título: ‘Astro Bot: Rescue Mission’
Gênero: Plataforma
Estúdio: Japan Studio/Sony
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Preço: R$ 149,90 (PS Store BR)
Idioma: Português
Controles suportados: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pela Sony]

[review] ‘Electronauts’: nunca foi tão fácil se tornar um DJ de sucesso

Loops, samples, pickups, BPM, EDM… Você pode não saber o significado de nenhuma dessas palavras e ainda assim se tornar um DJ dos bons com ‘Electronauts’, nova experiência/aplicativo de realidade virtual do estúdio Survios, desenvolvedor por trás dos excelentes ‘Raw Data’ e ‘Sprint Vector’. Trata-se de um aplicativo bastante intuitivo e que oferece uma vasta gama de ferramentas pra você se sentir o próprio David Ghetta.

‘Electronauts’ traz um total de 54 faixas – e por um precinho bem camarada, devo dizer. A lista de músicas (ou line-up, como os DJs preferem dizer) inclui nomes como The Chainsmokers, Tiesto, Steve Aoki, DJ Shadow, Zhu e muitos e muitos outros. Alguns compuseram músicas especialmente para o ‘Electronauts’, como é o caso de Coral Fusion, Goodhenry e Starbuck.

Se você não conhece música eletrônica, talvez nunca tenha ouvido falar deles. Mas são grandes expoentes da EDM (a “electronic dance music”) e atraem multidões a festivais e raves espalhadas pelo mundo. O bom é que são músicas boas de se ouvir e, principalmente, um material excelente para você interferir e criar suas próprias versões.

Para isso, você vai contar com uma “ajudinha”. Quer dizer, “ajudinha” não: é uma baita ajuda. ‘Electronauts’ foi construído com uma espécie de “autotunes” e por causa disso é bem difícil você fazer algo fora do ritmo ou que soe desagradável. O estúdio chama essa interface de Music Reality Engine.

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MAS É FÁCIL MESMO?

Quem já tem conhecimento prévio de música ou mesmo de remixagem vai tirar melhor proveito do aplicativo, mas a interface dele é tão intuitiva que o torna acessível a qualquer pessoa. O aplicativo oferece um breve tutorial e depois te deixa livre para criar. Devo ressaltar, porém, que este tutorial é breve demais, deixando de fora, por exemplo, explicações sobre como funciona o recurso de montar arranjos (“arrangement”). Percebendo isso, a Survios tem postado em seu canal no YouTube alguns vídeos com explicações adicionais, que incluirei no decorrer deste review.

Tutorial: como usar a ferramenta “arrange”

Cada música tem diferentes trechos (“tracks”), que iniciam sempre pela intro e incluem outras batidas, como break, groove, build, drop, trap, entre outras. Cada batida tem seus próprios acompanhamentos (“stems”), incluindo guitarras, baixo, bateria, palmas, teclados e por aí vai. Você pode alternar entre as tracks a hora que quiser, quantas vezes quiser.

Os instrumentos básicos do aplicativo são as orbs. A maioria das músicas têm dois conjuntos de orbs, que vêm agrupadas em 7. Usando os bastões que emulam os PS Moves, você pode tocar essas orbs como se fossem uma bateria. Também pode deixar uma sequência gravada e repeti-la quantas vezes quiser. O mesmo vale para uma espécie de harpa eletrônica.

Você também pode adicionar efeitos usando um conjunto de 5 granadas – cada uma soando diferente. Elas explodem no cenário e criam um efeito especial todo particular. Outra ferramenta em divertida é o cubo FX (ou “FX Cube”). Ele pode alterar a música de várias maneiras, como você pode conferir no vídeo abaixo:

Tutorial: como usar o FX Cube

FAZ UMA SELFIE AÍ!

‘Electronauts’ também é um aplicativo social e os desenvolvedores deram uma atenção especial ao aspecto visual. São diferentes cenários, onde sua pick-up virtual se transforma em uma nave sob seu comando numa verdadeira viagem musical pelo espaço. Você estará usando um traje de astronauta, com corpo completo – algo raro entre os games para realidade virtual.

Você pode utilizar uma câmera com pau de selfie para mudar a perspectiva pela qual seus espectadores vão te assistir. Inclusive, é esta a imagem que aparece na tela social da TV ou quando você faz uma transmissão pelo YouTube ou Facebook. Você também pode alterar as cores do ambiente, mudando também as cores do DJ.

Graficamente, é um aplicativo bonito, com visual nítido e interface clean. O jogo está todo em inglês (áudio e interface), sem opções de outros idiomas. Sobre o aspecto sonoro, não preciso falar mais nada, já que este é o prato principal do aplicativo.

Tutorial: usando as ferramentas básicas

E O QUE ‘ELECTRONAUTS’ NÃO TEM?

O aplicativo tem algumas lacunas, mais por questões técnicas, direitos autorais e limitações financeiras do que pela vontade de seus desenvolvedores, como eles deixaram claro em um bate-papo com usuários do Reddit, alguns dias atrás.

A versão para Playstation VR, por exemplo, ficou sem multiplayer online pela dificuldade do estúdio de encontrar um designer que trabalhe com a engine Unity no PSVR nesse ponto específico.

Outra coisa que o aplicativo não permite é importar suas próprias canções para remixá-las ou exportar aquilo que você criou. Mas, como os criadores disseram no bate-papo citado acima, isso está em discussão interna – e o aplicativo ainda deve receber muitas atualizações.

Aliás, o app está recebendo atualizações constantes, então certifique-se de fazer os updates antes de começar a jogar. No dia do lançamento, por exemplo, foram adicionadas oito músicas. Novas faixas e estilos musicais devem ser adicionadas em atualizações gratuitas.

Uma coisa que eu gostaria de ver é a possibilidade de alterar o BPM (batidas por minuto) das músicas, para deixa-las mais rápidas ou mais lentas. Também seria interessante se você pudesse misturar duas faixas, criando mash-ups. Mas, como os desenvolvedores deixaram claro, ‘Electronauts’ não é um aplicativo fechado – e podemos esperar muitas novidades nos próximos meses.

Confira um profissional em ação em ‘Electronauts’


VEREDITO

‘Electronauts’ é a melhor experiência musical disponível no Playstation VR. Não conheço muito o mercado de PCVR, mas creio que o mesmo se possa dizer do HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality. Não é um jogo – e talvez careça do aspecto competitivo presente em games musicais tradicionais, como ‘Guitar Hero’, ‘Rock Band’ e ‘Beat Saber’. Sua essência, de fato, se afasta da experiência de apertar botões ou executar ações no momento certo. Nele, você é livre para fazer o que quiser, na hora que quiser. Isso pode afastar um pouco quem espera algo mais “pré-definido”. No entanto, para todo mundo que gosta de música, é uma experiência imperdível. Nota: 10/10 [Imperdível].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Electronauts’
Gênero: Aplicativo/experiência musical
Estúdio: Survios (https://survios.com/electronauts)
Data de lançamento: 7 de agosto de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality
Preço: R$ 61,50 *(PS Store Brasil) | US$ 19,99 * (PS Store EUA)
Controles suportados: Dois PS Moves
Idioma: inglês (áudio e interface – sem suporte a outros idiomas)
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 1,54 GB
* Membros PS Plus têm desconto de 20% até o dia 21 de agosto de 2018

[Este review foi feito no PS4 Pro, usando uma cópia digital gentilmente cedida pela Survios]

Confira o resultado do sorteio do aplicativo ‘Homestar VR’

Durante esta semana, o canal PSVR Brasil no YouTube estava realizando o sorteio de uma mídia digital do aplicativo ‘Homestar VR’, do estúdio japonês The Pocket Company.

Recebemos um total de 82 inscrições, de 33 participantes diferentes e de várias partes do Brasil. Agradecemos a participação de todos, mas infelizmente só um pode ser o ganhador. E o sorteado foi Pedro Polidori Colombo, de Porto Alegre (RS), que já foi devidamente contactado por e-mail (no endereço informado na página do concurso).

Se desta vez você não foi o vencedor, não se preocupe. Muito em breve realizaremos novos sorteios. Já temos chaves (keys) dos jogos ‘The Walker’, ’18 Floors’ e ‘Animal Force’ para sortear. Portanto, fiquem ligados no blog e no nosso canal no YouTube para não perder nenhum sorteio. A participação de cada um de vocês é importantíssima para fazermos nosso canal crescer. Com isso, inclusive, podemos conseguir mais chaves para sortear!

Assista ao video review de ‘Homestar VR’

[review] ‘Homestar VR’ coloca um céu estrelado dentro do seu headset

Você já visitou um planetário? Tem curiosidade de saber mais sobre as estrelas e constelações? Gosta de ouvir sobre os mitos gregos que deram nome a estas constelações e, por consequência, batizaram todos os signos astrológicos do Ocidente? Se a resposta a algumas dessas perguntas foi positiva, você pode se interessar por ‘Homestar VR’, que foi lançado em dezembro do ano passado na PS Store do Japão e agora chega, em versão em inglês, para a América do Norte e Europa.

‘Homestar VR’ é um aplicativo criado pelo estúdio The Pocket Company e licenciado pela Sega Toys a partir de um equipamento, chamado de Homestar, que projeta um céu estrelado em qualquer ambiente da sua casa. O equipamento foi desenvolvido por pelo engenheiro japonês Takayuki Ohira e é um sucesso de vendas, com mais de 1,1 milhão de unidades comercializadas em todo o mundo.

Enquanto as versões do projetor Homestar exibem cerca de 60 mil estrelas, ‘Homestar VR’ se aproxima dos números de planetários reais, projetando cerca de 2,5 milhões de estrelas. Você pode pensar: “Ah, mas se for só pra olhar estrelas, eu vejo do quintal de casa”. Mas é bem assim. Nada se compara a observar o céu real, é verdade. No entanto, as condições climáticas, como a ausência de nuvens e até a umidade, são determinantes para que você possa observar bem as estrelas. Quem nunca se decepcionou ao tentar ver um eclipse diante de um céu nublado, por exemplo? É exatamente esta experiência de um “céu limpo” que o ‘Homestar VR’ visa proporcionar, com alguns recursos extras.

Assista ao review em vídeo de ‘Homestar VR’

O aplicativo possui três seções. A principal delas, ‘VR Celestial Planetarium’, recria o ambiente de um planetário. Você escolhe entre as quatro estações do ano para assistir a explicações sobre as constelações visíveis no céu durante cada época do ano. As explicações estão em inglês (ou japonês), sem opções de legendas em qualquer outro idioma. Saber esta língua estrangeira, portanto, é importante para aproveitar melhor a experiência.

Os desenhos das constelações vão surgindo um a um, enquanto a locutora vai fazendo algumas perguntas (retóricas, por sinal, já que você não tem como responder) e conta as lendas por trás das mais famosas constelações do universo. Destaque, claro, para as constelações que regem cada um dos 12 signos astrológicos do Ocidente. Infelizmente, há poucas informações em termos astronômicos – algo que, pelo menos eu, esperaria de um aplicativo como esse.

Nesta seção, você pode optar por observar o céu dentro de uma réplica virtual de um planetário (“Classic Planetarium Mode”) ou usar o modo “Full Celestial”, em que você se vê rodeado por estrelas de todos os lados. Conforme as constelações vão aparecendo, você precisa virar o pescoço ou mesmo permanecer com o queixo para cima durante um bom tempo, já que não há nenhum botão para virar a câmera. Como cada explicação dura cerca de 6 minutos, isso pode ser meio incômodo.

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OBSERVAÇÃO LIVRE

Em uma segunda seção do aplicativo, chamada de ‘Starry Sky Selection’, você pode escolher por observar o céu estrelado em sete lugares específicos espalhados pelo mundo, como a Ilha de Páscoa, no Chile, e o Monte Fuji, no Japão. Este modo permite que você troque a trilha sonora (são várias as opções de músicas relaxantes) ou mesmo desligue o áudio. Se quiser, você pode aumentar a velocidade com que o céu se move (em até 500x).

Mas a imersão nestes pontos turísticos fica meio prejudicada, porque os elementos dos cenários soam muito artificiais. A aparência deles é bem plana, como se fosse uma foto colada no cenário, com exceção de uma casinha inserida no Lake Tekapo, localizado na Nova Zelândia. Outros pontos turísticos são o Matterhorn ou Monte Cervino (nos Alpes Suíços), Uyuni Salt Lake (o maior deserto de sal do mundo, na Bolívia) e Mauana Kea (vulcão extinto no Havaí) e o Jasper National Park (no Canadá). Quatro deles você libera após assistir às quatro explicações do modo planetário.

O terceiro modo do aplicativo se chama ‘World Sky Time Travel’. Diante de um globo com jeitão de Google Earth, você pode escolher qualquer lugar do mundo para observar o céu naquele lugar. Mas não há qualquer cenário: é só você e o céu. Além disso, você pode escolher qualquer data entre 1901 e os dias atuais. Quer saber como estava o céu no dia do seu aniversário? A resposta estará lá. Nesse modo, você também pode trocar a trilha sonora e acelerar a velocidade de movimento do céu, além de marcar as constelações e planetas.

O aplicativo é totalmente livre de enjoo de movimento – você passa o tempo todo parado enquanto observa os corpos celestes. Para navegar entre os menus, usa o Dualshock 4. Graficamente, não há nada de muito fantástico e imersivo – mesmo porque o próprio PSVR tem as suas limitações para observação de objetos muito distantes. Isso, porém, não prejudica a experiência.

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VEREDITO

‘Homestar VR’ é um aplicativo de observação de estrelas. Não espere nada além disso. Não há opções para se aproximar mais das constelações, planetas ou algo do tipo. Não há muitas informações de caráter astronômico. Por mais apelo que tenha aos aficcionados pelo tema, isso representa uma limitação para o grande público. Observar um céu estrelado de 2,5 milhões de estrelas é maravilhoso. Mas a experiência em VR nem se compara à experiência real. NOTA: 6,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Homestar VR’
Estúdio: The Pocket Company/Sega Toys
Gênero: Aplicativo
Plataformas: Playstation VR (usada neste review) e HTC Vive
Data de lançamento: 29 de junho de 2018
Preço: US$ 9,99 (PS Store EUA) | 16,99 EUR (PS Store Europa)
Idioma: Inglês e Japonês (áudio e interface – sem legendas)
Controles: Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 265 MB

[Este review foi feito usando um PS4 Pro, com mídia digital cedida pela The Pocket Company/Sega Toys]

Assista ao trailer de ‘Homestar VR’

[review] ‘Esper’ te transforma em um mutante com poderes psíquicos

Já pensou como seria ter os poderes telepáticos do Professor Charles Xavier, criador dos X-Men e um dos mutantes mais poderosos do universo Marvel? Ou da bela Jean Grey, uma das alunas mais extraordinárias do Professor X? No game ‘Esper’, do estúdio Coatsink, você pode sentir um gostinho de como seria ter poderes de telecinese. O jogo foi lançado originalmente para o Gear VR, em 2015, e acaba de chegar para o Playstation VR.

‘Esper’ se passa em uma realidade onde várias pessoas começaram a demonstrar poderes psíquicos e – adivinhe! – você é um deles. Por causa disso, o governo resolveu montar um programa, batizado de ESPR (daí vem o ‘Esper’ do título), para testar o alcance do poder psíquico destes indivíduos e o que cada um é capaz de fazer. Você, então, é convocado para participar destes testes e demonstrar que não representa perigo para os demais seres humanos.

No jogo, que é todo em primeira pessoa, você se vê diante de um escritório, aparentemente normal, contendo alguns objetos. Seu objetivo será erguer estes objetos e levá-los até determinado ponto, marcado por uma caixa com uma figura geométrica azul, que pode der um círculo ou um quadrado. No caminho, haverá vários obstáculos – com alguns, você pode interagir; em outros, é impossível mexer.

Para jogar, você usa o próprio tracking do headset do Playstation VR, o que dá uma imersão fantástica, passando a impressão que, de fato, o jogador tem poderes paranormais. É claro que, para funcionar, a mecânica precisaria de uma “ajudinha”: para segurar o objeto ou largar, você tem que acionar um botão do controle.

Então, falando em termos de controle, o game pode ser jogado tanto com o Dualshock 4 quanto com o PS Move. Os controles também são usados para aproximar ou afastar os objetos. E, se preferir, você pode optar por mover os objetos usando o tracking do Dualshock 4 ou do Move, alterando esta opção no menu.

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QUAL É A GRAÇA?

O game usa de humor o tempo todo, sempre duvidando da sua inteligência e da sua capacidade de resolver os quebra-cabeças. Um instrutor, identificado apenas como Geoff, acompanha os seus testes e é responsável por ótimas “tiradas” do título. Ele não aparece em cena, mas é uma grande figura do jogo. A sua atuação – se é que podemos chamar assim – é impecável. O jogo está todo em inglês, com opção de colocar legenda no mesmo idioma, o que ajuda quem não domina plenamente esta língua estrangeira.

‘Esper’ tem uma qualidade comparável a outros dois excelentes puzzles do PSVR – ‘Statik’ e ‘I Expect you to Die’. Assim como eles, não é um título tão difícil, mas rende ótimas horas de gameplay, com puzzles bem pensados que se encaixam perfeitamente no ambiente da realidade virtual. Portanto, é perfeito para o jogador casual – mesmo aquele que não é muito fã de puzzles.

Mas também não espere desafios baixos demais: ao todo, são 25 fases, começando com um tutorial onde você vai descobrindo o que pode e o que não pode fazer. A duração do jogo depende muito do “poder mental” de cada um, mas eu diria que dá em torno de 3 a 4 horas. O game possui troféu de platina, que é bem fácil de conseguir (se eu platinei, você também consegue). O fator de replay fica um tanto prejudicado, pois não há nada a fazer depois de finalizá-lo.

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GRÁFICOS

Visualmente, o jogo é bem trabalhado, a definição é boa, mas o cenário é um pouquinho granulado, se você olhar detalhadamente. Porém, durante o jogo, nem vai perceber isso. Os elementos do cenário, a ambientação e a própria trilha sonora remetem bem à década de 1970, período em que se passa a história.

Em termos de enjoo de movimento, o jogo é totalmente livre desse problema, já que você ficará o tempo todo parado, sentado em uma cadeira virtual. Aliás, nesse quesito, observei um pequeno problema: você não consegue se mover para tentar enxergar melhor os elementos do puzzle. Se você tentar sair do lugar ou mover a cabeça muito para frente, a tela começa a se escurecer, até que você não enxerga mais nada. Seus movimentos, portanto, ficam quase que restritos ao pescoço.


VEREDITO

‘Esper’ é, sem dúvida, um dos melhores puzzles disponíveis no Playstation VR. Seu nível de desafio se encaixa perfeitamente em uma plataforma marcada fortemente pela presença de jogadores casuais. Na PS Store, chegou com um preço bem camarada, mesmo porque se trata de um jogo lançado originalmente em 2015. Uma continuação, aliás, já foi lançada para os PCs e celulares. Esperamos que ela também venha para o PSVR. Nota: 9,5/10.


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INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Esper’
Estúdio: Coatsink (https://coatsink.com/games/esper/)
Gênero: Puzzle
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift, Samsung Gear VR , Oculus Go, Xiaomi Mi, HTC Vive e Microsoft Mixed Reality
Data de lançamento: 29 de junho de 2018 (PSVR)
Preço: R$ 27,90 (PS Store Brasil) | US$ 8,99 (PS Store EUA)
Idioma: inglês (áudio, interface e legendas)
Controles: Dualshock 4 ou 1 PS Move Controller
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 516 MB

[Este review foi feito usando um PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo estúdio Coatsink]

Assista ao trailer de ‘Esper’

[review] ‘Salary Man Escape’ é mais difícil do que seu chefe te oferecer um aumento

Para quase todo trabalhador, por mais que goste do emprego que tem, o momento de sair da empresa e voltar para casa é um dos mais aguardados do dia. Usando isso como mote e satirizando vários bordões corporativos, o estúdio chinês Red Accent criou o puzzle ‘Salary Man Escape’, publicado pela Oasis Games e exclusivo do Playstation VR.

‘Salary Man Escape’ é um quebra-cabeças de plataforma em terceira pessoa onde seu objetivo é liberar o caminho para um funcionário engravatado a caminho da tão sonhada porta de saída da empresa. Você não tem controle algum sobre o funcionário – ele só se move quando o trajeto está livre. E ele só anda se todo o caminho estiver plano, lisinho. Portanto, não espere que ele vá pular ou subir sobre um obstáculo. O cara é bem burrinho.

Para liberar o caminho, você move blocos vermelhos dispostos no cenário. Mas não é capaz de movimentar os blocos brancos. No entanto, todos eles (vermelhos e brancos) sofrem influência da gravidade – e o aspecto físico é importantíssimo no jogo. Você pode até se lembrar de quando era criança e jogava ‘varetas” com os amigos.

É preciso cuidado para movimentar a peça correta para o lado certo. Um movimento mais brusco pode colocar tudo a perder, derrubando estruturas que podem prejudicar todo o seu planejamento. Especialmente porque é preciso ter em mente o seguinte: você só pode mover as peças vermelhas para os lados ou para baixo (usando a própria gravidade), retirando-as ou colocando-as em outro lugar. Mas não é possível levantar nenhuma delas.

Há ainda outros fatores que aumentam o desafio. Um deles é que não é possível voltar atrás em uma ação específica. Mas, no meio do trajeto, pode haver alguns checkpoints (marcados por uma xícara de café), e você pode retornar a esse checkpoint usando o menu dentro do jogo. Ah, e há um tempo limite em cada fase, que varia em torno de 3 a 5 minutos. Se não terminar dentro do tempo, terá que começar tudo de novo.

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CONTROLES E TRACKING

Para jogar, você pode usar um PS Move ou o Dualshock 4. A mecânica muda um pouco: enquanto com o Move você “pega” no bloco diretamente, deixando mais imersivo, com o controle a interação é feita através de um “raio” que sai do Dualshock 4. O bom é que você pode trocar de controles no meio do jogo, usando o menu dentro da própria fase, coisa que outros títulos não permitem.

É possível girar, aproximar ou afastar todo o cenário para observar as estruturas mais detalhadamente. No entanto, o tracking parece ter um raio de ação limitado: se você afasta o controle do corpo, o jogo já não reconhece mais. É preciso sempre aproximar as peças de você se quiser movê-las. Isso pode gerar uma certa frustração – espero que o estúdio possa melhorar este quesito.

O jogo está todo em inglês, com textos e menu neste idioma, sem opções de legenda em português. Isso não impedirá quem não sabe a língua inglesa de resolver os quebra-cabeças, mesmo sem entender as instruções do tutorial, que é bem básico. O que talvez você não entenda são as piadas corporativas, espalhadas em forma de textos que simulam relatórios, e-mails e memorandos no início e no final das fases.

Em termos de áudio, chama a atenção a trilha sonora, composta por canções inspiradas no pop japonês dos anos 1980. É uma musica bem animada, mas às vezes pode incomodar quando você fica preso em uma fase ou outra (para isso, há opções para reduzir o volume). Os efeitos sonoros não se sobressaem, mas também não atrapalha.

O visual é todo monocromático, com alguns detalhes em vermelho, lembrando o filme ‘Sin City’ e o game ‘SuperHot’. Sua visão é em terceira pessoa e a área de jogo fica parecendo uma maquete. Ao redor dela, há uma ambientação com elementos típicos de escritório, incluindo mesas, computadores, cadeiras, entre outras coisas. Mas, graficamente, falta um pouco mais de nitidez e há um certo nível de borrão que pode incomodar o jogador mais exigente.

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DURAÇÃO E REPLAY

Ao todo, são 78 fases, divididas em seis episódios (de acordo com o estúdio, isso rende cerca de 8 horas de gameplay, mas é claro que, em se tratando de um puzzle, vai depender muito do (cérebro do) jogador. Cada episódio tem 13 fases, sendo três “secretas”. Essas fases secretas só podem ser liberadas com as moedas que você encontra no caminho das fases anteriores. No entanto, pegá-las requer a colocação de peças em uma posição específica, tornando-se um quebra-cabeça à parte.

Se você travar em determinada fase, é problema: não é possível pular. Você tem que primeiro resolver a fase atual para liberar a seguinte. E, apesar de o nível geral de dificuldade aumentar a cada nova fase, pode haver algumas mais complicadas pelo caminho.

Uma opção é tentar se arriscar no episódio seguinte, que você destrava ao atingir um certo nível no capítulo atual. Mas que fique bem claro que, a cada episódio, novos desafios e novas mecânicas são adicionadas, elevando o grau de dificuldade. Por exemplo, no capítulo 2, é adicionada uma espécie de gangorra/balança, onde você precisa tirar os blocos para diminuir o peso de um dos “pêndulos” e fazê-la se mover.

O valor de replay fica por conta das moedas opcionais que você coleta no decorrer de algumas fases para destravar níveis secretos. Para os platinadores que gostam de um desafio mental, uma boa notícia: o jogo tem troféu de platina, que até agora ninguém conquistou. Quem se habilita?

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VEREDITO

Com 78 fases, ‘Salary Man Escape’ é um prato cheio para quem gosta de puzzles. O grau de desafio é muito bom, mas às vezes pode ser um pouco desnivelado de uma fase para a outra. Graficamente, falta um pouco mais de nitidez, que poderia deixar sobressair mais o estilo visual monocromático do jogo. O título foi lançado com desconto promocional de 20%, tornando-o bem atraente aos fãs do gênero. Nota: 7,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Salary Man Escape’
Estúdio: Red Accent Studios/Oasis Games (http://en.console.oasgames.com)
Gênero: Puzzle
Data de lançamento: 26 de junho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review)
Preço: R$ 61,50 * (PS Store Brasil) | US$ 19,99 * (PS Store EUA)
Controles: 1 PS Move (recomendado) ou Dualshock 4
Idioma: Inglês (interface/menus) | Sem opção de português
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 929 MB

* O título foi lançado com desconto promocional de 20%, saindo por R$ 49,20 (Brasil) e US$ 15,99 (EUA). O desconto é válido até o dia 7 de julho de 2018.

[Este review feito no PS4 Pro, com jogo digital disponibilizado pelo Red Accent Studios/Oasis Games]

Assista ao trailer de ‘Salary Man Escape’

 

[review] ‘Don’t Knock Twice’: neste filme de terror, o protagonista é você

O terror é um gênero que se beneficia imensamente dos recursos da realidade virtual, causando no jogador sensações que nenhum jogo em tela plana é capaz de provocar. Apesar disso, ainda há poucos jogos do gênero no Playstation VR e os títulos realmente bons cabem nos dedos das mãos. ‘Don’t Knock Twice’ traz uma trama baseada no filme de mesmo nome (‘Não bata duas vezes’ no Brasil) onde, destave vez, o protagonista é você.

O game, que pode ser jogado tanto em VR quanto em tela plana, é intrinsecamente ligado ao filme. As personagens são as mesmas e a mansão onde se passa a história, também. No entanto, não segue exatamente o roteiro do longa-metragem, o que é um alívio para quem já viu o filme. As duas produções se complementam de maneira interessante, mas também podem ser encaradas de forma independente.

O jogador se verá na pele de Jess, uma mãe que vive um conflito familiar com sua filha, a jovem Chloe. Ambas estão dentro de uma mansão na mais completa escuridão, iluminada apenas por lareiras. No entanto, elas estão em lugares separados e Chloe, de tempos em tempos, envia mensagens (bastante mal-educadas, por sinal), dizendo que algo sobrenatural a está perseguindo.

As tais “duas batidas” do título se referem a uma maldição, que desencadeia o mal que vai perseguir mãe e filha. Aliás, o som das batidas é constante no game, contribuindo para criar um clima de tensão permanente, complementado pela mais completa escuridão. Durante todo o jogo, você terá apenas uma vela para iluminar seu caminho e explorar os cantos da casa.

Em termos de gameplay, o jogo se parece muito com ‘Atividade Paranormal’. O objetivo é coletar uma série de itens para completar um ritual macabro que envolve um pentagrama. Várias portas estão fechadas e vão se abrindo “magicamente”, conforme você avança na história.

Você não usa armas. Mas, em certo trecho, você terá acesso para uma machadinha que vai fazer você se sentir na pele de Jack Nicholson no clássico ‘O Iluminado’. Além de arrebentar portas, o machado pode ser usado para quebrar cadeados e arrebentar fechaduras, liberando áreas até então inalcançáveis.

O jogo traz ainda alguns puzzles para você resolver, mas eles são simples demais. Para piorar, as respostas deles aparecem em forma de dicas escritas que deixam as coisas bem claras sobre o que fazer.

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Coletar objetos para montar um pentagrama? Já vi isso em algum lugar…

SUSTOS 

Além do clima de tensão, ‘Don’t Knock Twice’ se vale de alguns “jump scares” aqui e ali para amedrontar o jogador. Há alguns que realmente assustam, mas o “timing” de outros não é bem cronometrado, o que faz com que eles não cumpram sua função à perfeição. Os gráficos das “aparições” também podem deixar a experiência parecendo um trem fantasma mambembe de cidades do interior, em alguns momentos.

No entanto, em geral, o jogo é graficamente bem construído, com bastante realismo. Mas você também vai encontrar algumas texturas em baixa resolução, como em plantas e paredes. O áudio, por outro lado, cumpre muito bem com a sua função, com efeitos sonoros apavorantes. É altamente recomendado que você jogue com fones de ouvido para ter a melhor experiência. Por sua conta e risco.

Durante o jogo, você encontra vários textos em forma de bilhetes, cartas, diários, jornais ou revistas que vão ajudar a contar a história. Estes textos, assim como toda a interface, têm opção para português do Brasil. A tradução está bem feita, mas há alguns errinhos aqui e ali – que também passariam batido nas legendas de filmes. Aliás, quando foi lançado, o jogo tinha uma tradução péssima, que impossibilitava o jogador entender qualquer coisa. Mas um patch posterior consertou as coisas, felizmente. Portanto, não deixe de baixá-lo antes de jogar.

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Figuras bizarras vão aparecer no seu caminho durante a jogatina. Vai encarar?

CONTROLES

O título pode ser jogado com um par de PS Moves ou com o Dualshock 4. Em ambos, você pode optar pelo teleporte ou movimentação livre. Não gostei do tipo de teleporte do jogo. Achei confuso e toda vez que você se move vem uma tela preta que dura mais tempo que o necessário. No entanto, é uma opção mais segura para quem sente enjoo de movimento.

Aliás, nesse quesito, o menu principal traz uma série de opções para deixar o jogo mais confortável. Algumas opções, estranhamente, só são liberadas para o Dualshock 4, como correr e agachar (e, ainda assim, só se você jogar na televisão – sim, o título pode ser jogado também em tela plana). No entanto, com relação ao giro do corpo, o giro suave (“smooth turning”) é muito lento, tornando o giro em graus quase que obrigatório.

A experiência é muito melhor com os Moves, que se transformam nas mãos do jogador e permitem que você interaja de maneira mais imersiva com os vários objetos espalhados pelo jogo. No entanto, não há inventário (o único objeto que você pode guardar é o celular que aparece logo no início do jogo). Os outros objetos que você julgar úteis você terá que carregar nas mãos mesmo.

Como não há botão para agachar, os Moves têm botões que “esticam” os seus braços e permitem que você pegue objetos no chão – ou mesmo em um lugar mais alto. Ao utilizar movimentação livre, a tela escurece completamente quando você sobe ou desce escadas. O intuito, mais uma vez, é evitar o enjoo de movimento. No início você fica meio confuso, mas depois se acostuma.

Com o Dualshock 4, o jogador não tem mãos e você usa uma mira no centro da tela para interagir com as coisas. O mesmo vale para a experiência em tela plana. Após testar as duas maneiras, fica claro que o game só tem valor se jogado em VR, de preferência, com os Moves.

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O teleporte usa esse círculo grande e é bem esquisito. Se puder, jogue com movimento livre.

BUGS MACABROS

Pensei em começar esse review pelos bugs, de tanto que eles me atormentaram nos primeiros minutos de jogo. Mas preferi deixar para o final, já que alguns desses problemas podem ocorrer ou não, dependendo da “sorte” do jogador.

Na primeira vez que joguei, na posição sentada, me senti um anão. Ainda que eu recentralizasse a câmera, continuava junto ao chão, como se tivesse menos de um metro de altura. Até que alterei a “altura da cabeça” no menu dentro do jogo e as coisas voltaram ao normal.

Quando ainda estava jogando no “modo anão”, com movimentação livre, tentei resetar a câmera para consertar as coisas e acabei sendo teleportado magicamente pra dentro de uma área que estava fechada. Daí, fiz de novo e teleportei pra outra área. Sinistro.

Outro bug, ainda mais frequente, ocorre aleatoriamente quando você inicia o jogo usando os Moves. Uma das mãos some e não volta mais. Não adianta desligar e religar o Move. Tem que reiniciar o game e torcer pro bug não acontecer de novo.  Teve ainda um certo trecho em que a entrada era muito estreita e eu não passava andando de jeito nenhum. Tive que trocar pro teleporte pra seguir no jogo.

Finalizando o relato de bugs macabros, ao jogar com os Moves, às vezes você se prende em um determinado local e quando sai de lá você está abaixado. Mas não há opção de agachar nos Moves – nem de levantar. Isso resulta que você terá que andar abaixado durante alguns segundos, lentamente, até que o jogo resolva te levantar de novo.

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Você pode usar machados para quebrar portas. No celular, você fica recebendo mensagens mal-educadas da sua filha.

VALE O REPLAY?

O título tem cerca de uma hora e meia a duas horas de duração, mais ou menos como um filme de terror. Como é típico do gênero, o game tem pouco valor de replay, já que depois que você descobre o que fazer, o jogo perde a graça, assim como os sustos. Não existem outros modos de jogo nem níveis de dificuldades – apenas a campanha principal.

Há a opção de fazer um final alternativo, mas para isso será preciso jogar tudo de novo, pois o save é automático e não há diferentes save slots (uma opção, comum entre os platinadores, é transferir o save para um pen-drive para “evitar a fadiga”). Aliás, para os platinadores de plantão fica avisado: o jogo tem troféu de platina. Outra maneira de expandir o gameplay é procurar pelos colecionáveis espalhados pela mansão, caso você não encontre da primeira vez.


VEREDITO

Sem dúvida, o melhor momento para jogar ‘Don’t Knock Twice’ é agora, especialmente para os brasileiros. Após alguns patches, a tradução para português foi visivelmente melhorada e a movimentação livre com os Moves deixou o jogo bem mais interessante. Ainda há bugs, como os que relatei acima, mas se você conseguir superá-los terá em mãos um jogo que cumpre com seu principal objetivo: proporcionar momentos de medo e adrenalina no jogador. O jogo costuma aparecer frequentemente em oferta na PS Store, pela metade do preço cheio. É uma boa oportunidade para acrescentar bons momentos de terror na sua coleção. Nota: 7,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Jogo: ‘Don’t Knock Twice’
Estúdio: Wales Interactive (www.walesinteractive.com)
Gênero: Terror
Data de lançamento: 5 de setembro de 2017
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 71,50 (PS Store Brasil) | US$ 19,99 (PS Store EUA)
Idioma: português e inglês (textos e interface)
Controles suportados: Dois PS Moves (recomendado) e Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco (com atualizações): 2,09 GB

[Este review foi feito com jogo digital comprado por mim mesmo]

Assista ao trailer de ‘Don’t Knock Twice’

[review] ‘Dark Legion’ te coloca dentro de um FPS de PS2 cheio de bugs

Legítimos first-person shooters (FPS) ainda são uma raridade no Playstation VR, território dominado por wave shooters e experiências onde sua liberdade de movimento é limitada. Portanto, a chegada de games como ‘Dark Legion’, com cerca de 3 horas de duração e liberdade total de movimento, é motivo de empolgação entre os jogadores, ainda mais se considerarmos o baixo preço de lançamento do game – pouco mais de R$ 30 ou US$ 9,99). No entanto, uma série de limitações técnicas jogam por terra qualquer chance de o jogo ser levado a sério. A não ser que você curta o gênero trash. Aí é outra história.

Aliás, história é o que o jogo não tem. Depois de um tutorial que consegue ser chato e incompleto ao mesmo tempo, você surge dentro de uma nave espacial na companhia de sua assistente de formas voluptuosas e trajes desnecessariamente sexualizados. Ocorre uma pane na nave, causando um tremor responsável pela melhor cena do jogo: a assistente fica se chacoalhando feito uma barata tonta e depois solta umas frases sem mexer os lábios (!). A atuação e a movimentação da moça são tão robóticas que até agora estou em dúvida se se trata de um andróide. Então, vocês descem da nave em um planeta desconhecido e começa sua missão: encontrar uma peça pra tirar a nave do prego.

Enquanto a assistente permanece na nave, você parte nessa jornada sem nenhuma arma sequer, acompanhado de um robô que não fala, mas faz gestos (às vezes obscenos – sim, robozinho, eu vi você “sarrando” no ar) e é responsável pelos barulhos mais irritantes da história dos videogames. A principal função dele é te mostrar o caminho a seguir, mas às vezes ele se perde mais do que você. Ah, ele tem a “habilidade especial” de se meter na sua frente e te atrapalhar quando você está trocando tiros com os inimigos. O tempo todo.

Como você é um cara desprevenido e saiu da sua nave em um planeta desconhecido e hostil sem nenhuma arma sequer, vai encontrar sua primeira pistola em um baú, disposto comodamente próximo à nave. Aliás, vai encontrar baús espalhados por todos os cantos, contendo novas armas, munições e uma seringa que serve pra você recuperar vida. O arsenal inclui um fuzil automático, sniper, bazuca, granadas, explosivos e uma besta (que no caso não é você por estar jogando essa “trashzera”).

No caminho até a peça da nave (“spoiler alert”: que você não vai encontrar), você vai se deparar com uma grande variedade inimigos, incluindo insetos, besouros gigantes, monstros, soldados e bruxos (!). Também vai achar tablets espalhados por aí, ao lado de esqueletos humanos, que tentam contar o resto da história do jogo.

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Sua assistente é mais uma personagem sexualizada no mundo dos games. Calada, ela é perfeita.

E O TIROTEIO?

Como se trata de um FPS, era de se esperar que o tiroteio fosse a melhor parte de ‘Dark Legion’. Mas não é bem assim. A troca de tiros não funciona bem porque você não tem muito onde se esconder e, quando tem, você pega dano do mesmo jeito, mesmo atrás de paredes. O jeito é partir pra cima dos inimigos com tudo e usar as seringas de vida sempre que precisar (elas aparecem aos montes e acumulei mais de 80 até o final do jogo).

Falando nisso, quando seu personagem pega dano, ele solta a sua única fala durante o jogo todo: “Ouch!”. Imagina um jogo em que o cara leva bala e grita “Ai!”? Eu só consigo lembrar daquele filme tosco do YouTube com a mulher morrendo baleada e se estirando na parede. Alguns soldados inimigos usam escudos e você pode usá-los também depois de matá-los. Mas não recomendo: depois de um tempo, você simplesmente não consegue mais largá-los.

Outros inimigos não pegam dano de armas comuns. Você precisa atirar neles com a besta, cuja mira requer um certo treino. Completando seu arsenal, conforme você vai matando inimigos você enche uma barra de magia, que aparece na mão direita. Ao pressionar a “bola”, você pode atirar várias bolas de fogo nos inimigos, durante um certo tempo. Mas essa magia demora demais para carregar.

Ao final de cada fase, você enfrenta um boss, que também são todos desprovidos de inteligência. Mas adoram rir e fazer barulhos imitando o Darth Vader. Uma delas some com um efeito especial nulo, lembrando episódios do ‘Chapolim Colorado’. Pra piorar, dois desses bosses são reaproveitados em fases seguintes. O único que não é figurinha repetida é o boss final (o “Esqueleto” da capa do jogo), que infelizmente promete voltar para se vingar. Será que teremos uma continuação? Por favor, não!

A “inteligência artificial” dos inimigos (se é que podemos chamar assim) é bem básica. Os monstros vão partir com tudo na sua direção, enquanto os soldados ficam atirando a esmo, sem se preocupar muito em se cobrir. Às vezes, eles nem percebem que você está atrás deles e continuam atirando aleatoriamente. Ou andando em direção à parede, fazendo coisas absurdas. Alguns inimigos também podem se prender uns aos outros, deixando-os vulneráveis às suas balas. Como se pode ver, a dificuldade nesse jogo veio no nível “picolé”.

Apesar do vasto arsenal, você pode fechar o jogo usando só as pistolas e as bestas (que têm munição infinita). Coloco no plural porque você pode clonar magicamente qualquer arma que estiver segurando, mas é claro que o jogo não vai se dar ao trabalho de te ensinar isso. O tutorial, aliás, também não te mostra que você tem um mapa, que você acessa segurando o botão X na mão esquerda dos PS Moves (obrigado, de nada). Fato curioso: durante esse “tutorial”, a assistente te chama o tempo todo de “rookie” (novato), que é pra te humilhar. Estranhamente, logo que o jogo começa você já vira “Commander” e ela perde toda a utilidade. “Vou ficar aqui na nave”, ela diz. Ah, FDP…

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Não se engane: esse monstrão aí morre com alguns poucos tiros de pistola

VISUAL DE PS2

Se algum dia você teve curiosidade de saber como é um jogo de PS2 por dentro, ‘Dark Legion’ é a solução. Tudo no jogo é bem genérico, com texturas pobres, construções repetitivas e mal-acabadas e inimigos copiados de qualquer lugar aleatório (os soldados, por exemplo, lembram os “spartans”, de ‘Halo’). Aliás, aleatório é a palavra pra descrever todo o jogo, inclusive o recheio desse bolo indigesto: os bugs.

Durante as cerca de 3h30 que gastei jogando, perdi as contas de quantos bugs presenciei passeando por aí. Acredito que um bugzinho aqui ou ali é normal, isso acontece nas melhores famílias. Um glitchzinho aqui, uma parede atravessada ali, beleza. Mas tem coisas que não dá pra aceitar. O que dizer de inimigos que ficam travados, não levam dano, mas você precisa matá-los ou então não consegue seguir em frente? Solução: reiniciar do último checkpoint. E um boss que simplesmente não te ataca, mesmo com você fuzilando a cara dele? Solução: matar logo esse diabo pra esse jogo acabar logo. E ainda tem as balas inimigas que fazem curva quando você teleporta para trás dos soldados para tentar pegá-los de surpresa. Solução: não tem, só pegar dano e rir mesmo…

Variando um pouco entre os tiroteios, há momentos em que você precisa destruir portas e estruturas usando explosivos ou abrir portões usando senhas. As senhas costumam ser coisas importantes, que você não revela pra ninguém e guarda em lugares secretos. Mas em ‘Dark Legion’ elas são largadas em qualquer canto, a poucos metros da porta que você precisa abrir. E nem precisa decorar: o próprio robô vai te dizer qual é a senha. Pra que dificultar?

Confira, neste vídeo feito por mim mesmo, o bizarro momento em que o segundo boss do jogo não ataca, mesmo levando várias flechas na cara:

CONTROLES

Para jogar (por sua conta e risco), você usa um par de PS Moves (altamente recomendado) ou o Dualshock 4 (se você jogar desse jeito, é melhor nem jogar). Pode optar pela locomoção livre ou o teleporte. E, surpreendentemente, o teleporte funciona melhor, já que o movimento livre é muito lento. Estranhamente, para você conseguir caminhar mais rápido, você tem que guarda a arma da mão direita ou então abaixá-la.

O giro (rotação) do corpo só pode ser feito graus, não há outra opção. Aliás, o jogo não oferece opção de conforto nenhuma, a não ser o teleporte. Fato bizarro: toda vez que você olha pro lado, vem a mensagem “Correct direction”, mandando você olhar pra frente. É como se você fosse um burro com uma tapadeira que te manda seguir em frente. Aliás, como já vimos, esse jogo te chama de burro o tempo todo.

O game não tem trilha sonora. Por um lado, isso é até melhor, pois fico imaginando que tipo de trilha ele teria. Mas tem efeitos sonoros bem irritantes, com menção especial àquele maldito som de engrenagem do robozinho. As falas da sua companheira de missão (que te larga sozinho na primeira oportunidade) também são bem chatas, assim como as risadas bizarras dos chefes, acompanhadas pelo som insistente da respiração do Darth Vader. Ah, e jogando com os fones do PSVR, o som não sai do lado direito.

As (poucas) falas do game estão em inglês, assim como toda a interface. Mas não será problema nenhum para quem não sabe o idioma, já que a história está diluída em “tablets” espalhados pelo caminho, que você provavelmente não vai querer ler.

Para os mais corajosos, o jogo ainda tem troféu de platina e tem algumas conquistas absurdamente idiotas, do tipo “entre em todas as fases 50 vezes” ou “mate 1.500 monstros”. “Para a nossa alegria”, o jogo apaga o seu save depois que você zera e não há opção de repetir uma missão especifica.

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Foto de divulgação para mostrar que dá para usar dois fuzis ao mesmo tempo. Note que o jogador não está atirando em nada, só gastando bala.

QUAL É A PARTE BOA?

No meio de tudo isso, o que se salva de ‘Dark Legion’? Bom, você pode “salvar” seus 30 reais se não comprar o jogo. Mas, se você chegou até aqui esperando que eu fale algo bom do jogo, lamento te decepcionar. Tudo o que eu tinha para falar de positivo se esgotou no primeiro paragrafo: ‘Dark Legion’ é um dos poucos FPS do Playstation VR. No entanto, é mal executado em todos os quesitos e acaba sendo pior do que qualquer shooter em que você permanece parado. Diferente do ditado popular, não acho que “o que vale é a intenção”.

Estranhamente, o jogo ainda aparece como “acesso antecipado” na Steam, mesmo após mais de um ano de seu lançamento nos PCVRs. Isso significa que o que estamos jogando é quase uma beta do game, mas acredito que as chances de que ele receba melhorias futuras é mínima, pois a Sony tem como política não disponibilizar jogos nesta condição. Aliás, é incrível como esse “jogo” passou no controle de qualidade da empresa. Oferecer um produto incompleto é um desrespeito com o consumidor.

Pelo menos na Steam o aviso de “jogo com acesso antecipado” é claro e vem em letras garrafais. Diz exatamente o seguinte: “Comece a jogar agora e participe do desenvolvimento do jogo. Observação: Este jogo com acesso antecipado não está completo e pode ou não sofrer alterações no futuro. Caso não esteja com vontade de jogá-lo no estado atual, aconselhamos esperar até que o desenvolvimento esteja mais adiantado.”


VEREDITO

‘Dark Legion’ não é o pior jogo do Playstation VR, mas se esforça bastante pra isso. Há outros na frente na briga por esse troféu, como ‘Weeping Doll’ e ‘Lunar Stone’. É um jogo visivelmente incompleto, cheio de bugs, e compará-lo com qualquer outro FPS é um insulto ao gênero. Infelizmente, nossas opções de tiro em primeira pessoa no PSVR continuarão sendo poucas. Nota: 3/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Dark Legion’ (‘Legião Negra’ na PS Store Brasil)
Estúdio: Ice World/Gamepoch (www.gamepoch.com/yan.html)
Gênero: FPS (first-person shooter)
Data de lançamento: 15 de junho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive, Oculus Rift e Windows Mixed Reality
Preço: R$ 30,90 (PS Store Brasil) | US$ 9,99 (PS Store EUA)
Idioma: inglês (áudio e interface, sem legendas)
Controles: Dois PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)
Espaço em disco: 3,53 GB

Assista ao trailer de ‘Dark Legion’

[review] ‘Accounting+’ ultrapassa todos os limites do absurdo

O que acontece quando as mentes por trás de ‘The Stanley Parable’ (um dos jogos de estranhos de todos os tempos) se juntam com os criadores e dubladores do desenho ‘Rick and Morty’ para fazer um jogo em realidade virtual? O resultado desse encontro é ‘Accounting+’ (Crows Crows Crows/Squanch Games), que seria uma espécie de jogo que também é uma comédia animada. Ou uma comédia animada que também é um jogo? Bom, vamos ao review.

‘Accounting+’ (ou ‘Accounting Plus’) é pautado pelo humor nonsense e autodepreciativo – e se você é uma pessoa que se ofende fácil, é melhor procurar outro game pra jogar. Ele te coloca dentro de um mundo onde quase nada faz sentido – e que você pode tentar interpretar de várias maneiras. Mas, depois de muito conjecturar, cheguei à conclusão que estabelecer qualquer teoria é perda de tempo e o melhor a fazer é simplesmente rir das situações inusitadas em que você é colocado.

Antes de mais nada, é importante dizer que o jogo está todo em inglês, sem opções de legenda. Ou seja, se você não domina o idioma terá problemas para entender a história – e, provavelmente, não vai ter graça nenhuma pra você. Dá para “pescar” uma ou outra situação, mas o fato é que saber inglês é importantíssimo para aproveitar o jogo ao máximo.

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É MUITO SEM NOÇÃO

‘Accounting+’ ultrapassa todos os limites do absurdo e te coloca em um mundo virtual, dentro de outro mundo virtual, dentro de outro mundo virtual… Quando percebe, você já está perdido. Em pouco mais de uma hora de gameplay, você vai se deparar com situações bizarras, personagens esquisitões e sujeitos irritantes, que aparentam ter pouca conexão uns com os outros, tudo permeado por um humor ácido e crítico.

O que dizer de uma gangue de bichos fofinhos que querem ser os “bad-boys” do bairro? Ou do “rei da realidade virtual”, que de tão gordo parece o Jabba the Hutt de ‘Star Wars’? Tem ainda a dupla de adoradores do diabo que acha que o rap é a melhor música para convocar o demônio.

Dentro dessa zoeira sem limites, você é levado de uma cena para outra, fazendo pequenas ações, dentro de espaços delimitados. Você joga usando um par de PS Moves ou o Dualshock 4, mas a melhor experiência é com os Moves, já que algumas ações podem que você movimente o controle de forma brusca (como jogar uma bola de basquete no cesto ou atirar objetos).

O narrador, Clóvis, é responsável por alguns dos momentos mais hilários do jogo. Não vou dar muitos detalhes para não estragar, mas há piadas que envolvem a sede de determinados jogadores para conseguir troféus e sobra até para o tal “teleporte”, usado em boa parte dos games de realidade virtual para evitar o enjoo de movimento.

Aliás, falando nisso, o jogo não dá enjoo mesmo, justamente porque usa o teleporte. Como disse mais acima, você só pode se movimentar para áreas delimitadas do jogo, marcadas por um círculo cinza. O giro do corpo se dá em graus (técnica que também evita a cinetose) e não há outras opções de movimentação.

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ATUAÇÕES IMPECÁVEIS

Em cada cena, não tem lá muita coisa para fazer (em termos de gameplay), mas tem muita coisa para mexer. São muitos objetos para interagir, mas uma boa parte deles não tem qualquer relevância para o jogo.

O destaque fica mesmo por conta da história, das atuações e dublagens, que são impecáveis. O visual também é perfeito, com uma nitidez excelente, gerando uma sensação real de estar dentro de uma animação, onde você é o personagem principal. Algumas de suas ações podem alterar ligeiramente o curso da história e há até uma fase secreta, que você desbloqueia executando uma determinada ação. O método para sair dela é uma clara menção a ‘Matrix’, que aborda um dos mundos virtuais mais famosos do cinema recente.

O game não tem um menu de opções, nem na tela principal, nem dentro do jogo. Portanto, se você quiser sair, terá que fechar o jogo.

O título possui troféu de platina – e alguns de seus troféus são bem instigantes, que atiçam a curiosidade até do jogador mais casual. Alguns são dados “de lambuja”, mas outros requerem uma insistência que só platinadores de carteirinha terão paciência de conseguir.

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VEREDITO

Os desenvolvedores de ‘Accounting+’ não estavam de brincadeira quando resolveram criar um dos jogos mais engraçados do Playstation VR. Com um humor nonsense, o jogo brinca com você o tempo todo, criando situações ridículas e bizarras. Apesar de curto, tem um certo valor de replay, principalmente se você quiser obter todos os troféus e descobrir algumas cenas diferentes. Seria mais interessante se houvesse outras opções de desfecho, pois muitas vezes você é obrigado a agir de determinada maneira, dentro de um roteiro pré-determinado, e não há o que fazer. Mas, com certeza, vale o que é cobrado por ele. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Accounting+’ (‘Accounting Plus’)
Estúdios: Crows Crows Crows/Squanch Games (http://accountingvr.com)
Gênero: Simulador/experiência VR
Data de lançamento: 6 de fevereiro de 2018
Plataforma: Playstation VR (usada neste review)
Preço: R$ 36,90 (PS Store Brasil) | US$ 11,99 (PS Store EUA)
Idioma: Inglês (sem legendas)
Controles: 2 PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online
Espaço em disco: 658 MB

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pelos estúdios Crows Crows Crows/Squanch Games]

Assista ao trailer de ‘Accounting+’

 

[review] Como resistir à fofura arrebatadora de ‘Moss’?

Por mais jogador hardcore que você seja, do tipo que gosta de ver balas voando, cabeças explodindo e tripas sendo dilaceradas, não há quem não se encante diante de Quill, a ratinha protagonista de ‘Moss’. É, sinceramente, o jogo mais lindo que já joguei, nestes quase 30 anos de “indústria vital”. Títulos em tela plana como ‘God of War’, ‘Uncharted’ e ‘Horizon: Zero Dawn’, podem ter visuais incríveis, mas nada se compara a você entrar efetivamente no jogo e enxergar tudo como se estivesse ali, frente a frente com esta encantadora ratinha.

Misturando puzzle, jogo de plataforma e ação, ‘Moss’ tem um campanha sólida, de 3 a 4 horas de duração, que vai te deixar tão encantado que você vai torcer para que não acabe. Nesta aventura, você controla um ser com aparência mística identificado apenas como Leitor. Na cena inicial, você está em uma biblioteca diante de um belo livro em capa dura, chamado de ‘Moss’. Ao folhear o livro, usando o tracking do Dualshock 4, você acompanhará as aventuras da ratinha Quill, narradas por uma voz feminina que parece uma mãe contando histórias para os seus pimpolhos antes de dormir. A narradora também faz as falas dos personagens e muda a entonação de acordo com cada um.

É quando surge em cena a pequena Quill, com um charme inigualável e uma presença marcante. Parece realmente que ela está viva, ali, diante dos seus olhos. A ratinha é uma simpatia só e interage com você como se realmente estivesse te vendo. E aí você descobre que não controla só o Leitor, mas também a ratinha, usando os comandos tradicionais do Dualshock 4.

Ou seja, em ‘Moss’ você controla dois personagens ao mesmo tempo. E você também funciona como a câmera do jogo. A imagem aparece estática e vai passando de cena em cena, conforme você avança. Em cada um desses quadros, você pode mudar seu ângulo de visão para enxergar melhor detalhes do cenário ou se aproximar bastante da protagonista. A vontade de tocá-la é irresistível. E você pode fazer isso, de maneira virtual! Basta levar até ela o círculo brilhante que funciona como o seu veículo de interação com o mundo e pressionar um dos gatilhos do Dualshock 4. Isso vai causar cócegas na fofinha.

Existem outras formas em que você pode interagir diretamente com a Quill. Às vezes, quando você resolve um puzzle, a ratinha levanta a mão para você bater (o famoso “toca aqui” ou “high-five”, para os americanos). Durante os combates, você pode colocar a bola brilhante sobre ela e pressionar o gatilho para curar a pequeninha.

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UM MUNDO EM MINIATURA

A aventura de ‘Moss’ se passa em um mundo em miniatura, com um visual de encher os olhos, que nos coloca em uma perspectiva semelhante à das crianças naquele clássico da Sessão da Tarde ‘Querida, Encolhi as Crianças’.

Tudo ao redor de Quill é gigantesco e é maravilhoso observar como os desenvolvedores se ativeram aos mínimos detalhes, criando um universo ao redor daquilo que seria a “cena principal” do jogo, especialmente nos cenários ao ar livre. Na floresta, por exemplo, vemos cervos “gigantes” caminhando ali ao lado da pequena vila de casinhas dos roedores.

A paz desses camondongos é quebrada quando um mal começa a ameaçar a todos esses pequenos seres, com criaturas feitas de metal. O tio de Quill, Argus, parte para enfrentá-los mas acaba sendo vencido. E é então que a ratinha, armada apenas com uma espadinha, resolve partir em uma jornada para salvá-lo, tendo você como principal aliado.

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PUZZLES, SALTOS E COMBATES

A conexão entre o Leitor e Quill será fundamental nos três principais elementos do gameplay. Em cada cena, haverá barreiras impedindo o progresso da ratinha e caberá a você “limpar o caminho”. Usando o círculo brilhante, você interage com estruturas de metal, arrastando, girando ou puxando essas coisas.

Você também poderá ajudá-la nos combates, com o poder de congelar inimigos, controlá-los, fazer com que explodam ou até mesmo que ataquem os outros. A variedade de inimigos não é muito grande – e todos, com exceção do “chefão” que ficamos conhecendo no trailer – são do mesmo tamanho de Quill. Estes inimigos também são usados para resolver alguns puzzles, o que deixa esses quebra-cabeças mais intrincados e interessantes.

O terceiro elemento do gameplay são os desafios de pular, em estilo jogo de plataforma. Eles aparecem mais timidamente, mas o terço final do game exige uma coordenação mais afiada. Dentro dessa seara, destaco a luta contra o chefe final, muito bem orquestrada.

Falando em “orquestra”, a trilha sonora do game é primorosa, assim como toda a parte de áudio do jogo. Tem coisa mais maravilhosa do que ouvir uma ratinha diminuta gritando “iá!”? Em boa parte do tempo, a música cessa, e você pode ouvir os passinhos dela enquanto corre em direção a mais um desafio.

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DE NOVO?

Apesar de divertida, a aventura de Quill não tem muito fator de replay. Depois que você resolve os puzzles da primeira vez, na segunda já sabe o que fazer. E os combates são bem básicos, usando apenas um tipo de arma e um único botão de ataque (a ratinha também pode se esquivar).

Além disso, há apenas um nível de dificuldade – mas creio que a adição de um hard mode não ia acrescentar muita coisa, a não ser que deixasse os puzzles mais intrincados e mexesse também no combate. Acho que o maior fator de replay fica por conta dos colecionáveis que você encontra pelo caminho, em forma de páginas perdidas de um livro e de uma espécie de poeira mágica colorida, que você coleta ao destruir objetos do cenário. Caso queira repetir algum trecho, é só selecionar um capítulo específico no menu do jogo.

Para os caçadores de troféus, ‘Moss’ tem platina, que pode ser obtida em um único gameplay. Mas, para isso, é preciso de atenção redobrada, já que os colecionáveis geralmente se escondem em lugares que não fazem parte do trajeto “normal” da protagonista. Recomendo que você jogue sentado e, quando precisar, se levante para poder observar certas estruturas mais altas. Há certos lugares onde Quill pode entrar e fica um pouco escondida. Você pode tentar observar por dentro para ver melhor o caminho a seguir.

O jogo está todo em inglês, com narração, interface e legendas nesse idioma. Há suporte para outras línguas, como espanhol e francês, mas não português, infelizmente. Mas isso não impede os brasileiros de curtir a história e o game. Não sabe nenhum desses idiomas? Faça como as crianças e olhe apenas as “figuras”. Todo o jogo é fartamente ilustrado.

‘Moss’ tem defeitos? Bom, além da relativamente curta duração, só vejo um: nas transições entre o jogo e as cenas em que você aparece na biblioteca, os desenvolvedores optaram por usar um branco que, em realidade, quase machuca os seus olhos, de tão intenso. Não sei se a intenção era mesmo de cegar, mas recomendo cerrar os olhos nessa hora.

Recentemente, o jogo ganhou uma atualização com melhorias gráficas para o PS4 Pro. Mas, sinceramente, não consegui notar diferenças, pois o game já era lindo de fábrica. Se você ainda não testou, a demo do jogo está disponível na Demo Disc 2 do Playstation VR, que você pode baixar usando o link abaixo.

[Baixe aqui o Demo Disc 2 do PSVR, com ‘Moss’ incluso]

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VEREDITO

Engana-se quem pensa que ‘Moss’ é um jogo para crianças. O game é um dos melhores títulos já lançados para o PSVR e possui todos os atributos para atrair o interesse de jogadores de todas as idades. Entrar no pequeno e singelo mundo de Quill é uma experiência de encher os olhos, capaz de provocar um sentimento de ternura no mais marmanjo dos jogadores. O jogo deixa claramente no ar que uma continuação vem por aí. Vamos ficar esperando. Nota: 10/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘Moss’
Gênero: Aventura em 3ª pessoa/puzzle
Estúdio: Polyarc (www.polyarcgames.com)
Data de lançamento: 27 de fevereiro de 2018 (PSVR) | 7 de junho de 2018 (HTC Vive e Oculus Rift)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 91,90 (PS Store do Brasil) | US$ 29,99 (PS Store dos EUA)
Idiomas: Inglês, espanhol, francês, entre outros (áudio, legendas e interface) | Sem suporte ao português
Espaço em disco: 6,35 GB
Controles: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito usando o PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo amigo Luciano Silva. Valeu, Luciano!]

Assista ao trailer de ‘Moss’

[review] Bastante desafiador, ‘Rooms’ faz jus ao subtítulo ‘The Unsolvable Puzzle’

Lançado originalmente para os PCs em 2015, ‘Rooms: The Unsolvable Puzzle’ é um puzzle (obviamente), em que uma garotinha chamada Anne adentra nas gigantescas mansões de um criador de marionetes e acaba se perdendo. E como ela se perde! Ao todo, as mansões têm 144 cômodos, com um puzzle cada um, rendendo várias horas de gameplay. O título ganhou uma versão VR, que chega agora ao Playstation VR (PSVR), em um lançamento da PrismPlus Co. no Japão e HandMade Game na Coreia. O jogo não está disponível na PS Store do Brasil, mas pode ser encontrado nas lojas online dos Estados Unidos e Reino Unido.

Logo de cara, o que chama a atenção no game é a trilha sonora. Muito bem orquestrada, as músicas lembram aqueles filmes de Natal de fim de ano (mas também há outros temas, como um animado tango). Se fosse escolher uma só palavra pra descrever o aspecto visual do jogo, eu diria é que um game “singelo”. Tudo é muito bem trabalhado, desde os modelos dos bonecos, os cenários, o jardim em 3D em frente às mansões, em uma ambientação que remete a um singelo conto para crianças. Mas também há uma aura de mistério na história, daquelas que atiçam a curiosidade dos pequeninos.

Em termos de gameplay, ‘Rooms’ é essencialmente um jogo em 2D e esta versão VR não foge muito disso. Apesar de haver uma ambientação 3D no entorno, a visão da parte jogável é em 2D e lembra aqueles quebra-cabeças de brinquedo, em forma de quadrado, com vários quadradinhos dentro, em que você precisa movê-los, um de cada vez, para formar uma figura.

No jogo, seu objetivo é fazer a garotinha chegar à porta de saída de cada cômodo, movendo os módulos (quadrados) de cada compartimento. Você joga usando o Dualshock 4 e só pode mover o módulo em que a personagem se encontra. Com o analógico esquerdo, movimenta a menina e com os botões de face (xis, bola, quadrado e triângulo) move o módulo para os lados, para cima ou para baixo (apenas onde for possível).

Há várias barreiras pelo caminho e em alguns casos é preciso encontrar a chave para abrir um portão. Mas também há elementos espalhados pelos módulos para te ajudar a resolver os enigmas, como escadas, telefones e armários. Os telefones permitem que você se teleporte de um telefone para o outro (lembraram de ‘Matrix’? Eu também!). Os armários também são mágicos e invertem o conteúdo dos módulos. Por exemplo, se você está em um módulo sem escada, mas tem uma escada em um módulo com um armário, é só entrar no armário que eles trocarão de lugar.

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OLHA A BOMBA!

E também há perigos pelo caminho, como uma marionete que te explode se você encostar nela. Uma caixa de presente, daquelas com palhaço dentro que pula na sua cara, esconde uma bomba, que pode ser usada para destruir paredes frágeis. Aliás, as explosões criam efeitos 3D interessantes. Também é legal se aproximar dos personagens para vê-los mais de perto. Porém, não qualquer tipo de interação entre jogador e a personagem, a não ser a carinha desapontada que ela faz quando você tenta fazer algo que não é possível.

As primeiras fases do jogo são bem fáceis e servem de tutorial disfarçado. Conforme você avança, os quebra-cabeças vão ficando mais intrincados e novos elementos são adicionados, testando cada vez mais seus músculos cerebrais.

Ao todo, cada uma das quatro mansões tem 24 cômodos e para passar para o próximo você tem que obrigatoriamente finalizar o atual. Ou seja, não dá para pular, o que é uma pena. Apesar da dificuldade ser escalonada, houve ocasiões em que passei mais tempo tentando resolver um puzzle do que um outro, posterior.

Mas, se não dá para pular fases, você consegue pelo menos liberar a mansão seguinte antes de terminar a atual. Porém, isso só acontece quando você atinge pelo menos 3/4 da mansão (quando alcança o quarto de número 16).

O jogo dá algumas indicações que te ajudam na resolução dos quebra-cabeças. A principal deles é a seguinte: cada módulo tem um fundo com desenho em preto e branco. Quando colocado na posição certa, esse fundo fica colorido, em tons de amarelo. Além disso, um contador mostra o número mínimo de movimentos que você precisa fazer para resolver o puzzle.

Entre as fases e na abertura, o jogo traz algumas cutscenes, em que é apresentada a história do criador de bonecos. Estas cenas são em 2D e você assiste como se estivesse em um cineminha. Apesar de não haver profundidade (tecnicamente falando), não deixa de ser interessante.

O jogo está todo em inglês e há opções para vários idiomas (infelizmente, o português não foi contemplado). Entre as opções, temos espanhol, francês e alemão. Saber uma dessas línguas é importante para entender melhor a história, mas não impedem o progresso do jogador.

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RATOS NO PORÃO

Se estiver achando as fases difíceis, saiba que algo ainda mais complicado aguarda você no porão. O aviso no menu é claro: os 48 níveis da parte debaixo da casa são para quem já dominou as fases de cima. Lá, não tem “colher de chá”. A dificuldade é elevada desde o primeiro nível, apesar de as mecânicas básicas serem as mesmas.

No porão, a garotinha usará trajes diferentes e terá algumas habilidades especiais. Na primeira mansão, por exemplo, ela poderá usar um telefone celular para se teleportar para um telefone fixo. Na segunda, a menina poderá colocar bombas onde quiser. No entanto, esses recursos são limitados e você precisa pensar bem antes de usá-los.

‘Rooms’ pode ser jogado tanto em VR quanto na tela plana. Ao iniciar o jogo, o sistema pede para você colocar o headset. Se você apertar na “bola”, o game inicializará na versão em tela plana. Sugiro você jogar das duas maneiras para perceber quanto o VR deixa as coisas bem mais interessantes.

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BUGS

‘Rooms: The Unsolvable Puzzle’ não está isento de problemas e relatarei aqui o que aconteceu durante meu gameplay. Em primeiro lugar, parece que o tracking do jogo se perde com frequência e você precisa resetar a câmera (segurando o botão Options) toda vez que termina uma fase ou volta para o menu principal. Isso é chato, mas é o menor dos problemas.

Em segundo lugar, pode ocorrer, em alguns momentos, de a tela ficar toda preta, como se estivesse carregando. Mas não é o caso: trata-se de um bug mesmo. Você precisará apertar alguns botões até voltar à tela de jogo. Pesquisando pela internet, vi que outros jogadores tiveram o mesmo problema.

O terceiro bug é um “crash” que acontecia toda vez que eu terminava a 5ª fase da 2ª mansão. O jogo fechava do nada e aparecia uma mensagem de erro do sistema PS4. Reiniciei o game várias vezes mas o “crash” se repetia. A solução foi reinstalar o game e o problema foi resolvido. Não sei se foi “exclusividade” minha ou se outros jogadores sofreram com isso.

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VEREDITO

‘Rooms’ faz jus ao subtítulo ‘The Unsolvable Puzzle’ (“O Quebra-cabeça Insolúvel”). É um dos puzzles mais difíceis que já joguei. Com 144 fases para jogar e nível de desafio bem elevado, o título vai deixar os fãs do gênero entretidos por várias horas. O componente VR dele é um tanto limitado – trata-se essencialmente de um jogo 2D. Além disso, vamos esperar que os bugs sejam corrigidos, porque o game é uma excelente pedida para quem gosta de desafiar o cérebro. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘Rooms: The Unsolvable Puzzle’
Gênero: Puzzle
Estúdios: PrismPlus Co./HandMade Game (www.handmadegame.net/rooms2vr)
Data de lançamento: 19 de junho de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift)
Preço: US$ 13,99 (PS Store dos EUA) | £11,59 (PS Store do Reino Unido)
Idiomas: Inglês, espanhol, francês, alemão, entre outros (sem suporte ao português)
Espaço em disco: 1,13 GB
Controles: apenas Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito usando o PS4 Pro, com mídia digital cedida por PrismPlus Co. e HandMade Game]

Assista ao trailer de ‘Rooms: The Unsolvable Puzzle’

[review] Simples e intuitivo, ‘SculptrVR’ permite você criar suas próprias esculturas

Com mais de 5 metros de altura e 500 anos de história, a escultura ‘Davi’, de Michelangelo, é uma das obras mais imponentes da humanidade. Esculpida em mármore maciço, levou dois anos e meio para ficar pronta e, junto com outros trabalhos primorosos, ajudou a eternizar o artista italiano como um dos maiores gênios de todos os tempos. Se você tem alguma pretensão de aprender a arte deste grande mestre e criar suas próprias obras, acaba de ser lançado um aplicativo que pode diminuir enormemente seu esforço: ‘SculptrVR’, criado pelo desenvolvedor independente Nathan Rowe e SculptrVR Inc.

‘SculptrVR’ permite que artistas amadores e profissionais liberem sua imaginação e criem obras em 3D de maneira rápida, simples e intuitiva. O aplicativo não possui um tutorial, mas em apenas dez minutos você estará familiarizado com as principais ferramentas básicas, que são nove. O aplicativo usa dois PS Moves. Na mão esquerda fica a paleta de cores, ferramentas e o menu (girando o pulso). Na direita, seu “cinzel” virtual, que você usa também para esculpir. Se for canhoto, basta trocar os Moves de mão ou usar o menu para inverter.

‘SculptrVR’ é o segundo aplicativo de criação artística no PSVR e a comparação com o ‘CoolpaintrVR’ é inevitável, mas as diferenças são grandes. Apesar de ‘CoolpaintrVR’ também permitir você criar obras em 3D, as técnicas utilizadas são mais focadas na pintura mesmo. Em ‘SculptrVR’, por outro lado, você pode modelar e remodelar tudo aquilo que você está criando, com ferramentas que te permitem não só entalhar e aparar as arestas do seu trabalho. Ou seja, utiliza o princípio básico da arte de esculpir: transformar matéria bruta em obras de arte únicas.

O seu cinzel virtual pode ter várias formas e tamanhos, para que você possa fazer todo tipo de intervenção. E, para isso, pode mover e girar a peça da maneira que quiser, além de usar um zoom que aumenta em até 10.000x (!) o tamanho dos objetos. Não tem ideia do que é isso? Imagine uma formiguinha de 1 mm de altura. Multiplique por 10.000. Você estará diante agora de uma formigona com 10 metros de altura. Dá uma boa diferença, não? Isso é importantíssimo para poder trabalhar nos mínimos detalhes das obras de maneira bastante precisa. Aliás, precisão é uma das qualidades do aplicativo. O tracking responde muito bem e há até uma opção de incluir diferentes níveis de vibração, para que você sinta melhor o que está esculpindo.

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CLONAGEM

Outra função bastante útil é a de “copiar e colar”. Você pode criar objetos dentro de um cubo, na mão esquerda, e replicá-los quantas vezes quiser no seu trabalho. Tudo o que você cria pode ser pintado usando a cor que você quiser. A paleta é totalmente customizável e inclui tons brilhosos, foscos e “normais”.

‘SculptrVR’ também tem uma função em que você pode estabelecer diferentes camadas a cada um dos “pedaços” da sua criação, permitindo que você escolha entre três texturas que vão deixar a obra mais arredondada ou mesmo com um aspecto pixelado. As camadas também servem para que você trabalhe com diferentes objetos separadamente, impedindo que um interfira no outro contra sua vontade.

Caso erre ou desista de algo, há um botão para voltar. Mas, se mudar de ideia novamente, há outro botão para retornar ao que foi feito. Imagina Michelangelo com essas facilidades? Se quiser destruir tudo, ainda pode fazer de forma divertida: uma das ferramentas é um míssil que pode ser usado de vários tamanhos. Esses mísseis também podem ser usados para esculpir, como se fossem dinamites em uma pedreira.

O seu trabalho pode ser salvo para continuar posteriormente, com save no próprio HD do PS4. Por enquanto, não há opção para exportar para o pen-drive, mas os desenvolvedores garantiram que esta função estará disponível no primeiro update do aplicativo, ainda sem data para sair. Isso permitirá, por exemplo, que as obras virem realidade com o uso de impressoras 3D. Também deve ser incluída uma função para importar objetos e desenhos para servir como referência.

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GALERIA VIRTUAL

Para aqueles com talento ou coragem suficiente, o aplicativo permite que você compartilhe suas criações com os demais usuários, online. Atualmente, a galeria virtual traz 60 obras e é muito interessante olhar cada uma delas de perto para ver toda a potencialidade do aplicativo, em obras que dificilmente você conseguirá reproduzir (pelo menos no meu caso). ‘SculptrVR’ também traz obras de “demonstração”, uma melhor que a outra. As obras mostradas neste review são todas da galeria online – e ficam muito mais bonitas e incríveis “ao vivo”, dentro do aplicativo.

‘SculptrVR’ está em inglês e não tem suporte à língua portuguesa, mas isso não deve ser problema, já que as ferramentas vêm com ícones que mostram claramente para que cada uma serve. Também não possui música, deixando você livre para ouvir suas playlists do Spotify, se quiser.

Ah, para quem gosta de uma platina fácil, lamento informar que o jogo não tem platina, apesar de possuir troféus de bronze, prata e ouro.

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VEREDITO

‘SculptrVR’ oferece um excelente rol de ferramentas simples e intuitivas para quem quer se aventurar na arte da escultura sem gastar muito. Imagina fazer uma estátua de bronze sem gastar com bronze? Mesmo para quem não tem dons artísticos, com um pouco de dedicação e planejamento você pode criar trabalhos interessantes. A galeria online é uma ideia fantástica e vamos ficar esperando pelo update (já prometido) que possibilitará exportar os trabalhos e imprimi-los em 3D. Nota: 9,5/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: ‘SculptrVR’
Gênero: Aplicativo
Estúdio: SculptrVR Inc. (http://sculptrvr.com)
Plataformas: Playstation VR (usado neste review), HTC Vive, Oculus Rift, Windows Mixed Reality, Google Daydream, Oculus GO e GearVR
Data de lançamento: 19 de junho de 2018
Preço: R$ 61,50 * (PS Store Brasil) | US$ 19,99 * (PS Store EUA)
Espaço em disco: 454 MB
Idioma: Inglês (sem suporte ao português)
Controles: 2 PS Moves (sem suporte ao Dualshock 4)
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online
* O aplicativo foi lançado com desconto especial de 10% para membros da PS Plus, saindo por R$ 55,35 (PS Store Brasil) ou US$ 17,99 (PS Store EUA). A oferta é válida só até o dia 26 deste mês.

[Este review foi feito usando o PS4 Pro, com mídia digital cedida pelo estúdio SculptrVR Inc.]

Assista ao trailer de ‘SculptrVR’

[review] ‘The Exorcist: Legion VR’ te coloca frente a frente com o “coisa ruim”

Lançado há mais de quatro décadas, ‘O Exorcista’ é um dos filmes de terror mais icônicos de todos os tempos. A cena da menina Regan possuída pelo capeta girando a cabeça e vomitando gosma verde já foi vista e revista por milhões de espectadores do mundo todo. Tamanho sucesso resultou em várias sequências, adaptações, cópias e mesmo paródias dos rituais de exorcismo. Em 1990, foi lançado ‘O Exorcista III’, dirigido pelo próprio autor do livro, William Peter Blatty, ignorando completamente o desastre que foi o segundo filme da franquia. É neste terceiro longa-metragem que é baseado ‘The Exorcist: Legion VR’, desenvolvido pelo estúdio Wolf & Wood Interactive e publicado pela Fun Train.

‘Legion’ é uma referência direta à obra de mesmo nome de autoria de Blatty, que daria título ao terceiro filme da franquia, mas foi deixado de lado por questões comerciais, à época do lançamento. No entanto, vale reforçar que ‘The Exorcist: Legion VR’ não é uma adaptação direta do filme, mas traz alguns elementos que o conectam ao longa-metragem. No game, você é um cético detetive da polícia de Boston chamado para resolver uma série de crimes envoltos em rituais macabros.

O game está sendo lançado em cinco capítulos, sendo que os três primeiros chegam agora ao Playstation VR. Você pode adquiri-los individualmente ou em um conjunto, com um desconto especial. Neste review, analisaremos apenas os três primeiros capítulos, chamados de ‘First Rites’, ‘Idle Hands’ e ‘Skin Deep’.

Antes de mais nada, avisamos aos brasileiros que o jogo não tem localização para português. O game está todo em inglês, sem opções de legenda. Saber o idioma é importante para compreender a história, através de uma série de documentos escritos que você vai encontrar pelo caminho, além de gravações e falas. Mas não saber a língua estrangeira não vai te impedir de seguir em frente e se assustar.

E o jogo assusta bastante. Apesar de o filme no qual é baseado ser mais um suspense policial do que um terror propriamente dito, ‘Legion VR’ puxa mais para o gênero que consagrou o primeiro ‘O Exorcista’. Mas, inteligentemente, o game não apela para os jump scares (quer dizer, não muito). Os sustos estão lá, com certeza. Mas o que cria um clima de tensão (e mesmo de pânico) constante são os cenários escuros, os efeitos sonoros, os barulhos, a ambientação macabra dos locais por onde você passa…

Some-se a isso gráficos primorosos, que não são vistos com tanta frequência no PSVR e que contribuem para uma sensação de imersão fantástica. Tudo é muito real e as imagens são bem nítidas. Você consegue ler quase todos os textos com facilidade (a única exceção que faço é quanto a um livro de anotações, que contém várias informações importantes, mas você não consegue ler, de tão borradas que estão).

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AJUSTES E TUTORIAL

É importante ficar bem atento ao iniciar o game. Certifique-se de estar com o headset bem ajustado na cabeça, com os PS Moves (ou o Dualshock 4) nas mãos ao inicializa-lo. Isso porque o jogo pode identificar erroneamente sua altura e deixá-lo menor do que um anão. Caso isso aconteça, sugiro reiniciá-lo ou apagar o save – não encontrei forma de resolver o problema, já que o botão para resetar a visão (segurando o Options) não surte efeito.

Após ajustar a altura, o jogo te ensina as mecânicas básicas de movimentação e como utilizar o inventário. O jogo vem configurado com o uso de teleporte e giro em graus, mecânicas usadas para eliminar o enjoo de movimento (a famosa cinetose). Caso se sinta à vontade, você pode usar o smartphone localizado em seu inventário para selecionar o movimento livre e o giro livre.

Apesar de ser a forma preferida de locomoção da maioria dos jogadores, a movimentação livre tem alguns problemas no jogo. Houve algumas vezes em que fiquei preso em determinado elemento do cenário (uma cadeira, por exemplo) e só consegui sair depois que troquei a movimentação para o teleporte. Além disso, ela é lenta, mesmo escolhendo a maior velocidade disponível, e sempre que você se mexe aparece um “blinder” (uma vinheta que escurece todos os cantos da tela). Não há opção de tirá-lo, infelizmente.

Seja qual forma de locomoção você escolher, é preciso um certo tempo para se acostumar com os controles básicos. O jogo permite que você interaja com vários objetos espalhados pelos cenários. Alguns serão importantes para resolver os crimes, outros estão lá só para te distrair mesmo. Por causa disso, os PS Moves são a melhor escolha para jogar o game.

Para quem não tem os Moves, há a opção de jogar com o Dualshock 4. Desta maneira, sua mão esquerda fica fixa na altura da cintura e você controla a mão direita com o tracking do controle (se for canhoto, pode alterar esta opção no menu do smartphone).  Jogar com o controle não dá a mesma imersão dos Moves e te deixa “maneta”, já que só pode usar uma mão para segurar objetos e abrir gavetas, por exemplo. A única vantagem é a locomoção usando os direcionais.

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VAMOS POR PARTES

Cada um dos capítulos de ‘The Exorcist: Legion VR’ traz uma história única, que vai se entrelaçando uma às outras. Cada um dura em torno de 20 a 30 minutos, que pode parecer pouco, mas é o suficiente para te deixar com aquele “cagaço”. Você seleciona os capítulos a partir da sala de detetives da delegacia. E prepare-se para ficar frente a frente com o “coisa ruim”, o “capeta”, o “tinhoso”, o “sete-peles”, o “cramunhão”, o “capiroto”, o “mochila de criança” ou como você queira chamá-lo (você vai querer chamá-lo?).

No primeiro capítulo, ‘First Rites’, você vai investigar a invasão a uma igreja, que culmina com a morte do padre responsável pelo local. Seu trabalho é coletar pistas e objetos pessoais do religioso, que vão formando o seu “kit de exorcismo”. Entre os objetos, temos água benta, spray de sal, uma espécie de candeeiro para iluminar o caminho e, claro, uma cruz. Esses itens são as únicas armas que você terá no jogo.

No segundo capítulo, ‘Idle Hands’, você é chamado para investigar o que aconteceu com uma professora que foi parar em um manicômio depois de flertar com o oculto. Seu corpo é coberto por tatuagens e cabe a você descobrir o que fazer para ajudá-la.

O terceiro capítulo, ‘Skin Deep’, se passa em uma casa aparentemente normal. Um casal teve um bebê, que está sendo atormentado por uma entidade maligna. Você deve procurar itens pelo quarto para entender o que aconteceu ali.

Ficar preso sem saber o que fazer em um desses capítulos é normal. Comigo aconteceu algumas vezes. O jogo dá algumas pistas sonoras quando você pega objetos importantes, mas cabe a você procurar por eles. Além disso, uma ação sua pode servir de “gatilho” para que algo aconteça, como abrir uma porta, por exemplo.

No smartphone, há uma “dica” que diz que você pode usar o GPS para localizar seu próximo objetivo. Não encontrei esse GPS nem no smartphone, nem no relógio. A instrução diz pra você apertar “o botão”, sem dizer qual botão é. Se alguém descobrir, por favor, deixe nos comentários que atualizarei o review.

Em termos de fator replay, ‘The Exorcist’ não tem muito a oferecer. Há apenas um nível de dificuldade, mas você pode repetir os capítulos usando o menu (que fica na própria sala de detetives da delegacia). Um desafio extra é “completar o artefato” de cada capítulo. O jogo também tem troféus, mas não possui platina. Provavelmente, o melhor fator de replay do jogo seja chamar seus amigos para jogar e tomar uns bons sustos. =D

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VEREDITO

Com gráficos muito bem feitos e realistas, ‘The Exorcist: Legion VR’ cria uma atmosfera de terror fantástica e cumpre bem com seu objetivo. Há alguns poucos problemas técnicos, que podem ser contornados com updates futuros. Apesar de curtos, os capítulos são intensos e assustam de verdade. Pelo preço que é cobrado, acaba sendo justo. Se você está procurando um “intensivão” de terror, acabou de encontrar. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘The Exorcist: Legion VR’ (capítulos 1 a 3)
Gênero: Terror
Estúdio: Wolf & Wood Interactive/Fun Train (www.exorcistlegion.com)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), Oculus Rift e HTC Vive
Data de lançamento: 19 de junho de 2018 (PSVR)
Preço: R$ 21,50 (por capítulo) ou R$ 91,90 (Série Completa, incluindo os capítulos 4 e 5, ainda não lançados)
Espaço em disco: 2,68 GB (capítulo 1) | 1 GB (capítulos 2 e 3 – cada)
Idioma: Inglês (áudio e interface) | Sem suporte ao português
Controles suportados: 2 PS Moves (recomendado) e Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | Sem modo online

[Este review foi feito no PS4 Pro, com mídia digital cedida pela Wolf & Wood Interactive e Fun Train]

Assista ao trailer de ‘The Exorcist: Legion VR’ (capítulos 1 a 3)

[review] Embarque na mitologia nórdica em ‘RollerCoaster Legends II’

Com o crescente interesse pela mitologia nórdica, embalado pelo estrondoso sucesso de ‘God of War’, é natural o surgimento de novos games focados nesse tema. O estúdio WarDucks não perdeu muito tempo e acaba de lançar ‘RollerCoaster Legends II: Thor’s Hammer’, sua segunda experiência de montanha-russa para o Playstation VR, trazendo algumas melhorias em relação ao primeiro título.

Confira aqui o review do primeiro ‘RollerCoaster Legends’

A bordo de um carrinho com jeitão de barco viking, você atravessará alguns dos reinos que compõem a mitologia nórdica e ficará bem perto de seres que a habitam, como trolls, gigantes, valquírias, deuses e dragões. Os cenários replicam paisagens dos reinos de Alfheim, Helheim e o gélido Niflheim. Durante o percurso, você é acompanhado por Loki, que roubou o martelo de Thor.

A imersão é fantástica, com gráficos bem feitos, sem serrilhados ou borrões (reforçando que testei o título em um Playstation 4). A sensação de velocidade é bem maior que a do primeiro título. As curvas estão mais acentuadas e as quedas, também. Pena que dure pouco: o jogo-experiência leva cerca de sete minutos.

Mas desta vez há um fator de replay, já que, após terminar a experiência pela primeira vez, você libera um modo “challenge”. Nele, o desafio é coletar 50 itens amarelos que vão aparecendo pelos cenários. Para isso, você usará um par de PS Moves ou o Dualshock 4. Com os moves, você terá uma arma em cada mão e pode atirar em alvos diferentes. Com o Dualshock, terá apenas uma arma, mas ela vem em forma de lâmina de machado (alguém sacou a referência?).

Além de atirar nos itens colecionáveis, você também pode disparar nos elfos que ficam te jogando flechas, bem ao longe. Aliás, eles ficam tão distantes que é difícil identificar o que eles são de verdade. Como é que eu sei que são elfos? Intuição, meu caro Legolas.

Matar os elfos não influencia em nada, mesmo porque as flechas que eles disparam passam bem longe de você. Portanto, se quiser pegar todos os colecionáveis é bom guardar a “energia” da sua arma, pois ela acaba após um certo tempo de uso e é preciso esperar até que ela recarregue.

No geral, o modo “challenge” é uma boa adição à experiência. Como o próprio nome diz, serve como desafio. Mas, para os platinadores, lamento informar que não há troféus para conquistar. O jogo também não tem suporte ao português, mas isso não faria qualquer diferença, já que não há diálogos ou qualquer coisa do tipo.

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NO BALANÇO DO BARCO

‘RollerCoaster Legends’ é uma experiência que preza pelo bem-estar físico dos jogadores. Mesmo sendo veloz e intenso, o game usa algumas “artimanhas” para evitar o desconforto do jogador. Por exemplo: nas descidas, a sua visão parece se recentralizar para se adequar às mudanças nos trilhos, evitando um movimento mais brusco e nauseante.

Isso faz com que o título seja quase livre de enjoo de movimento. Na tela inicial, também é possível adicionar uma vinheta (em inglês, costumam chamar de “blinder”), que escurece as bordas da tela – eles vêm em duas opções. Por estas características, ‘RollerCoaster Legends 2’ (assim como o primeiro), é perfeito para você apresentar seu PSVR para amigos ou familiares.

No entanto, ainda sinto falta de opções mais “hardcore”, para quem não sofre de cinetose (o tal enjoo de movimento). Por isso, para quem está mais acostumado à realidade virtual, recomendo experimentar o título de pé. Dá uma emoção a mais.

Além disso, desta vez achei o encontro com seres mitológicos menos emocionante do que na versão grega do primeiro ‘RollerCoaster Legends’. Você vai passando enquanto os seres vão aparecendo ao lado. Acho que faltou ficar mais “frente a frente” com eles.

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VEREDITO

‘RollerCoaster Legends II’ é uma ótima experiência de montanha-russa em realidade virtual, bem melhor do que as disponíveis no Youtube. A adição do modo “challenge” aumenta um pouco o tempo de gameplay, mas não há dúvida de que se trata de um título para jogar poucas vezes. A graça mesmo está em deixá-lo à disposição dos amigos e familiares, como uma porta de entrada ao fantástico mundo da realidade virtual. Nota: 9/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título: ‘RollerCoaster Legends II: Thor’s Hammer’
Estúdio: WarDucks (www.warducks.com)
Gênero: Jogo-experiência (montanha-russa)
Data de lançamento: 5 de junho de 2018
Plataformas: PSVR (utilizada neste review), Oculus Rift e HTC Vive
Preço: R$ 18,50 (PS Store BR) | US$ 5,99 (PS Store EUA)
Espaço em disco: 1,9 GB
Idioma: Inglês (interface – a experiência não tem diálogos)
Controles suportados: Dois PS Moves (recomendado) ou Dualshock 4
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito no Playstation 4 Pro, com uma cópia digital cedida pela WarDucks]

Assista ao trailer de ‘RollerCoaster Legends II: Thor’s Hammer’

[review] ‘Code 51’ traz combates realistas entre mecas, mas pouca variedade

Vamos falar a verdade: controlar um meca é o sonho de 11 em cada 10 adultos com alma de criança. E tem coisa melhor do que fazer isso em realidade virtual? Bom, até teria, se fosse possível pilotar um de verdade. Como não dá, a opção mais próxima disso é com os recursos e a imersão que a realidade virtual proporciona. Alguns estúdios estão tratando de providenciar esta experiência. Este é o caso de ‘Code 51: Mecha Arena’, desenvolvido pelos estúdios chineses Smellyriver e 51VR e publicado pela DeerVR.

‘Code 51’ não é o primeiro jogo de mecas para o Playstation VR nem será o último. Logo no lançamento do headset, tivemos ‘Rigs: Mechanized Combat League’ e, meses depois, veio ‘Archangel’. Cada um deles tem sua própria abordagem do tema e o mesmo vale para o game que agora analisamos, ‘Code 51’.

O título é um shooter focado no multiplayer online, com batalhas para até quatro jogadores. Você pode escolher entre nove mecas que trazem diferentes armamentos, níveis de armadura, ataques especiais, velocidade e autonomia de voo. Ou seja, cada meca tem sua própria jogabilidade, o que confere uma certa variedade ao game.
A imersão dentro dos robozões é incrível e as imagens, bastante nítidas. No entanto, você não tem corpo algum, o que gera um espaço vazio no banco do meca.

Você controla o meca usando o Dualshock 4 – não há suporte para os PS Moves ou qualquer outro controle. Os gatilhos acionam individualmente as duas armas e há botões também para o pulo/voo e para ativar dois especiais, que são únicos para cada meca. Entre especiais, há alguns ofensivos, como mísseis teleguiados, e outros defensivos, como esquivas que podem ser feitas no ar.

A barra de vida, assim como a munição, recarregam com o tempo, mas você também pode coletar power-ups que fortalecem as armas e a armadura, espalhados no campo de batalha. Estes power-ups, aliás, aparecem em grande quantidade. As arenas do jogo são bem construídas e com espaço suficiente para armar estratégias de batalha. No entanto, são apenas três.

O controle da mira é feito pela sua cabeça, usando o tracking do headset, garantindo um pouco mais de imersão. O movimento de girar o robozão também é feito com a cabeça e acaba se tornando lento – você tem que ir girando aos poucos, o que se torna fatal no campo de batalhas. Sorte que há uma espécie de radar que mostra a proximidade dos inimigos. Após o lançamento, foi adicionado um patch que permite que você use o analógico direito para girar o corpo, mas o movimento também é lento.

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DÁ ENJOO?

Em se tratando de um jogo de movimento livre, com saltos e coisas do tipo, era de se esperar que ‘Code 51’ gerasse enjoo de movimento, a chamada cinetose (“motion sickness”). Mas não é o caso. Pessoalmente, não senti nada do tipo e ouvi relatos de outros jogadores que disseram o mesmo.

Isso se deve, em parte, à vinheta (escurecimento das bordas da tela) que aparece sempre que você se movimenta. Mas você pode desativar essa vinheta caso se sinta à vontade.

Ao iniciar o game, você passará por um tutorial que lembra ‘Archangel’. Você vai caminhando com o meca, atirando em inimigos humanoides, enquanto aprende os controles do jogo. Em seguida, você pode treinar em uma arena offline, contra três adversários comandados pelo computador (os bots), ou pular diretamente no modo multiplayer, o prato principal de ‘Code 51’.

Inicialmente, você tem apenas um meca liberado e vai destravando os demais conforme sobe de nível. Para subir de nível, você precisa ganhar pontos derrotando adversários no campo de batalha –o que pode ser feito tanto no multiplayer quanto no training. A ascensão, no início é rápida: com uma vitória é possível subir pelo menos um nível. Mas é preciso ficar atento para não morrer, já que a cada morte você perde uma parte dos pontos. Conforme sobe de nível, vai destravando outros mecas, até chegar aos nove, mas a barra de ganhar pontos fica cada vez mais demorada de encher.

SEM CUSTOMIZAÇÃO

Vamos falar agora de alguns pontos negativos do jogo, a começar pela ausência total de customização. Não há upgrades para os mecas, nem a possibilidade de trocar de armas, ataques especiais ou mesmo adquirir itens cosméticos para personalizar o seu robozão, seja com diferentes pinturas ou skins. O que temos, em termos de armas e habilidades, confere uma certa diversidade ao game, ainda que limitada.

Em um multiplayer, o que atrai os jogadores e os faz permanecer interessados é a variedade de estilos de jogo e diferentes formas de jogar. E nisso ‘Code 51’ fica devendo. Além da ausência de personalização, há apenas um modo de jogo, o tradicional “deathmatch” para quatro jogadores (todos contra todos). Não há modos com objetivos a cumprir, nem modos 2×2, nada disso. A quantidade de arenas também é limitada. Nada impede, no entanto, que novos conteúdos sejam adicionados com o tempo, que seria muito bem-vindo.

Também não é possível criar sessões privadas (“private matches”). Se você quiser jogar com um amigo, terá que entrar no multiplayer com ele ao mesmo tempo e torcer para cair na mesma partida que ele. Também não é personalizar o jogo por região. É todos contra todos mesmo e acabou-se.

Outra coisa que me chamou a atenção é que o jogo não tem uma linha de história sequer. Nada. Não há uma frase ou qualquer coisa que explique o que você está fazendo ali. Você só fica sabendo do contexto no qual o game se passa se visitar o site oficial do game.

Como sou legal, vou contar pra vocês aqui: ‘Code 51’ se passa em um futuro não muito distante, no ano de 2040. Em um mundo pós-apocalíptico devastado pela Terceira Guerra Mundial, os sobreviventes descobrem uma nova fonte de energia. Com ela, facções em guerra criam mecas para lutar pelo controle da fonte destes recursos, uma substância misteriosa chamada “Código 51”.

Em termos de áudio, o game tem pontos fortes e fracos. Alguns sons reproduzem bem o que se espera de um meca, mas em outros casos, como o barulho das armas, fica abaixo do esperado. Graficamente, o jogo é bem polido e tudo é muito bem construído. A imagem é bem nítida, ajudando a tornar a experiência mais real.

O jogo está todo em inglês, incluindo os textos sobre os mecas e alguns poucos áudios, como a voz do narrador. Saber o idioma ajuda a entender como cada arma e habilidade especial funciona, mas nada impede que você descubra por si mesmo usando o training mode. Ou seja, não saber inglês não prejudica em nada o jogador.

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VEREDITO

‘Code 51’ é, sem dúvida, um bom jogo. No entanto, peca pela falta de variedade, seja no número de arenas, seja na ausência de customização dos mecas ou na pouca quantidade de mecas à disposição. Também não há variedade de modos de jogo, o que pode contribuir para que o jogador se canse dele. Dito isso, reconhecemos todo o esforço e dedicação que um estúdio pequeno porte dispensou para desenvolver um jogo como esse. Esperamos que eles continuem a dar suporte ao game e adicionem uma diversidade maior ao game, que tem um potencial invejável. Nota: 7,5/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Jogo: ‘Code 51: Mecha Arena’
Estúdio: Smellyriver/51VR/DeerVR (www.mechaarena.com)
Gênero: Shooter multiplayer
Plataforma: Playstation VR (exclusivo)
Data de lançamento: 24 de abril de 2018
Preço: US$ 19,99 * (PS Store EUA) | Indisponível na PS Store do Brasil
Idioma: Inglês (interface e áudio)
Espaço em disco: 5,65 GB
Controles suportados: Dualshock 4
Jogadores: 1 (offline) | 2-4 (online) | Para jogar online, é necessário ter a PS Plus

* O jogo foi lançado com preço especial de US$ 17,99 (com desconto extra de 10% com PS Plus), válido até o dia 30 de abril de 2018.

[Este review foi feito com jogo digital cedido pela DeerVR]

Confira um vídeo de gameplay de ‘Code 51: Mecha Arena’

[review] ‘Crisis on the Planet of the Apes’ supera qualquer expectativa

Jogos baseados em filmes sofrem com uma espécie de maldição, que vem desde que ‘ET’ foi lançado para o Atari, em 1982. Mais de três décadas depois, poucos games escaparam da sina de serem apenas caça-níqueis mal-feitos para ganhar uns trocados apostando exclusivamente na fama e no marketing que filmes de sucesso trazem consigo. No Playstation VR, salvo algumas exceções, a tônica tem sido a mesma. Mas ‘Crisis on the Planet of the Apes’ vem para mostrar que é possível fazer um game de qualidade inspirado em uma grande produção de Hollywood. O game surpreende positivamente, inclusive porque, quando se trata de algo baseado no cinema, você já coloca suas expectativas lá embaixo.

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‘Planeta dos Macacos’ é uma franquia cinematográfica levada às telas pela primeira vez em 1968, quando nem existiam videogames. Ganhou um reboot em 2011, com ares científicos que buscam explicar como os macacos tomaram conta do planeta. Os fatos que antecedem a ação do jogo, até eclodir a guerra entre humanos e símios, é contada rapidamente, no momento em que você é apresentado ao tutorial de movimentação do game. Cronologicamente, o game se passa entre o 1º e o 2º filmes da nova versão, cinco anos após o surto da “Gripe Símia”, que eliminou metade da humanidade e deixou os primatas mais inteligentes.

A locomoção (que exige um par de PS Moves) usa um sistema parecido com o de ‘Sprint Vector’ e funciona muito bem. Ela replica perfeitamente (até onde é possível) a maneira de andar dos primatas. Portanto, não se sinta um idiota se você curvar o corpo e começar a fazer macaquices. Esse efeito colateral é totalmente esperado. =D

Apesar de não usar teleporte, a movimentação no solo não é totalmente livre. Você só pode andar para pontos pré-determinados, nos quais aparece o contorno de um macaco. Isso, claro, tira a liberdade de movimento do jogador, mas também evita enjoo de movimento. Aliás, os desenvolvedores se mostraram atentos a este ponto, já que incluíram uma vinheta (sombra preta ao redor da tela) para evitar enjoo. No entanto, poderiam ter colocado opções no menu para tirar essa vinheta para jogadores que não tem esse problema. Outro problema é que não há botões para girar o corpo para a esquerda ou direita. Considerando que a câmera do Playstation só capta seus movimentos se você estiver de frente, temos um problema, Houston.

A movimentação também inclui escalar canos e paredes e se dependurar em todo tipo de estrutura. Paredes, canos e beiradas que podem ser escaladas são destacadas em azul, o que facilita a locomoção. Mas é bom manter uma certa distância entre os moves e o headset, senão você verá com frequência uma tela preta dizendo que você está “dentro” da parede ou algo do tipo. Também existe uma distância correta para agarrar as coisas – se você aproximar demais, ele não agarra.

“TIME CRISIS OF THE APES”

A segunda parte do gameplay do jogo é dedicada aos tiroteios. Armado com um fuzil automático (outras duas armas virão depois), você enfrentará soldados cuja inteligência artificial é meio torpe, mas não chega a atrapalhar. Mesmo porque eles podem aparecer de todos os lados, pegando você desprevenido.

Nestas partes, você usa um sistema de cobertura (cover) que funciona de maneira muito intuitiva. Existem varias áreas onde você pode se abrigar para escapar dos tiros adversários. A mecânica lembra ‘Time Crisis’, com a diferença que não se trata de um “on-rails shooter” (jogo de tiro em trilhos). Você continua se movendo para áreas pré-determinadas e tem a liberdade de escolher para onde vai.

A maneira como você guarda o fuzil e recarrega sua arma também é bastante intuitiva. As balas não são infinitas e é preciso ficar atento aos cartuchos espalhados pelo cenário. Se você ficar sem bala, é problema: não é possível voltar para coberturas anteriores. E como não há golpe corpo a corpo, a única saída será morrer e começar de novo.

Quando você morre, o jogo volta para um trecho anterior, não muito distante de onde você estava. Mas o checkpoint é ilusório: se você sair do jogo e voltar, terá que iniciar o capítulo de novo. A vida não se recupera: existe um certo limite de tiros que você pode levar. Sabe aquela manha de pegar uns tiros e esperar o tempo passar pra recuperar vida? Pois é, não vai rolar.

Existem três modos de dificuldade (easy, normal e hard) e para conseguir todos os troféus o jogo exige que você termine-o nos três. Falando nisso, o game também tem troféu de platina. O jogo é todo falado em inglês, sem opções de legenda em português.
Talvez a curta duração seja o maior defeito do jogo – dura algo em torno de uma hora e meia a duas horas, no máximo. Mas está na média dos jogos para realidade virtual e até acima da média considerando apenas os games baseados em franquias de sucesso no cinema.

Graficamente, o game é primoroso. Traz modelos bem feitos de humanos e símios, além de cenários bastante realistas. Vi apenas uma textura de baixa resolução no solo, mas dá pra deixar passar. Os serrilhados também são mínimos, dentro do esperado para o PSVR. O som é bem trabalhado e ajuda na imersão do jogo. No entanto, a ausência de música torna alguns trechos cansativos, com o barulho onipresente de um helicóptero. Vi comentários pela internet reclamando de constantes travamentos no jogo. Durante meu gameplay (jogando no PS4 Pro), este problema aconteceu apenas uma vez – e aí é preciso começar a fase tudo de novo. Esperamos que estes problemas possam ser corrigidos em patches futuros.

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VEREDITO

Numa só frase, posso garantir que ‘Crisis on the Planet of the Apes’ é um dos melhores jogos baseados em filmes que já joguei. Considerando a relação custo x benefício, o jogo é imperdível. Compactado em cerca de uma a duas horas, tem tudo o que um grande jogo precisa ter: bons personagens, gameplay divertido, gráficos bem feitos, história bem contada e muita imersão. Você se sente na pele daquele personagem e acaba reproduzindo instintivamente movimentos que já viu os macacos fazendo. O jogo não deixa de ter alguns defeitos, é verdade. Mas nada que tire o seu brilho. Nota: 9/10.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Jogo: ‘Crisis on the Planet of the Apes’ (‘Crise no Planeta dos Macacos’)
Estúdio: FoxNext VR Studio
Gênero: Ação/shooter
Data de lançamento: 3 de abril de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: R$ 45,90 (PS Store Brasil) | US$ 14,99 (PS Store EUA) *
Tamanho do download: 4,11 GB
Idioma: Inglês (áudio e legendas)
Controles suportados: Dois PS Move Controllers (sem suporte ao Dualshock 4)
Jogadores: 1 (sem modo online)

* O jogo foi lançado com preço promocional, com desconto de 33% até o dia 17 de abril de 2018: R$ 30,75 (PS Store Brasil) | US$ 10,04 (PS Store EUA)

[Este review foi feito com jogo cedido pelo amigo Luciano Silva. Valeu, Luciano!]

Assista ao trailer de ‘Crisis on the Planet of the Apes’