[review] ‘Assassin’s Creed Odyssey’ renova uma das franquias de maior sucesso dos games

Depois de mais de 140 horas jogando ‘Assassin’s Creed Odyssey’, meu mapa do jogo ainda estava cheio de áreas a descobrir e missões que ainda não cumpri. A Ubisoft fez um trabalho monumental para recriar o mundo grego, de ponta a ponta, como nenhum jogo havia feito antes na história dos games. Às vezes tenho a impressão que esse jogo nunca termina. E não termina mesmo: o estúdio está lançando atualizações constantes, com novos conteúdos e desafios, como o mais recente update, que subiu o level máximo de 50 pra 70.

Assista aqui ao vídeo review de ‘Assassin’s Creed Odyssey’

Há quem fale por aí que ‘Odyssey’ não é um legítimo ‘Assassin’s Creed’. Pra quem nunca foi muito fã da série, por exigir um certo nível de furtividade e paciência para eliminar os inimigos, ‘Odyssey’ é o melhor já lançado até hoje. A furtividade do assassino ainda está presente no jogo, mas se você preferir um estilo mais agressivo, terá um leque variado de armas, armaduras e habilidades pra enfrentar os inimigos no mano a mano.

Isso permite que o jogo seja acessível a todos os jogadores. E até quem não manja muito dos paranauês de se esconder para conseguir uma morte limpa vai se dar bem. Mesmo porque os guardas não estão tão espertos quanto antigamente. Talvez os fãs da série estranhem um pouco ver tantos soldados de costas ou parados, mas acredito que essa escolha se deu pra deixar o jogo mais acessível pros novatos.

‘Assassin’s Creed Odyssey’ tem um mapa gigantesco, que reproduz com riqueza de detalhes a Grécia Antiga dos tempos de Sócrates, Hipócrates, Heródoto, Péricles e muitos outros personagens históricos. A trama se passa em pleno período da Guerra do Peloponeso, conflito que colocou Atenas e Esparta frente a frente numa batalha sangrenta pelo domínio da Grécia.

Durante o gameplay, você ainda vai encontrar criaturas mitológicas e utilizar armas e armaduras que pertenceram a deuses e heróis lendários, como Hércules, Aquiles, Prometeu, Teseu, Artemis, Poseidon e muitos outros. De quebra, ainda terá um gostinho de controlar o rei Leônidas na famosa batalha dos 300. Seu personagem (Kassandra ou Alexios) é descendente do general espartano e usa a ponta da lança de Leônidas para praticar execuções pra lá de violentas.

‘Odyssey’ tem gráficos incríveis, controles bastante responsivos e jogabilidade irretocável. O áudio dá um show à parte – e se o sotaque da dublagem original te incomodar, você pode optar pelo áudio em português, que às vezes soa um pouco artificial, mas é competente na maior parte do tempo.

VALE A PENA?

‘Assassin’s Creed Odyssey’ desponta como um dos melhores jogos lançados neste ano. O jogo renova a série de uma maneira ainda mais profunda do que ‘Origins’, de 2017, adicionando novos elementos de jogabilidade que o transformam em um legítimo RPG de ação. Com isso, o game abre as portas para os novos jogadores conhecerem uma das franquias de maior sucesso de todos os tempos. Nota: 10/10.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: Assassin’s Creed Odyssey
Gênero: RPG de ação
Estúdio: Ubisoft
Plataformas: Playstation 4 (usada neste review), Xbox One e PCs
Idiomas: português (áudio e legendas) e inglês (original)
Preço: R$ 199,99 (PS Store BR)
Jogadores: 1 (sem modo online)

[Este review foi feito com cópia digital gentilmente cedida pela Ubisoft]

[review] ‘Creed: Rise to Glory’ acerta em cheio e traz experiência de boxe imperdível

O simulador de boxe ‘Creed: Rise to Glory’ é o quarto jogo de realidade virtual da Survios. Os games anteriores, ‘Raw Data’, ‘Sprint Vector’ e ‘Electronauts’, já puseram a Survios em um patamar de excelência no mundo da realidade virtual. Desta vez, os desenvolvedores colocaram seu talento a serviço de uma franquia de sucesso nos cinemas, que tem o boxe como prato principal. O review a seguir foi feito no Playstation VR, usando o PS4 Pro. O jogo também está disponível para HTC Vive e Oculus Rift.

Assista ao vídeo-review do canal PSVR Brasil:

HISTÓRIA

‘Creed: Rise to Glory’ é baseado no filme ‘Creed: Nascido para Lutar’, de 2015. O longa-metragem é o sétimo da franquia ‘Rocky’ e representa um recomeço para ela. No filme, o jovem boxeador Adonis Creed descobre ser filho de Apollo Creed, ex-adversário de Rocky Balboa e que se tornou um grande amigo do personagem de Sylvester Stallone.
O jogo segue os mesmos passos do filme, mas sem a parte do drama. ‘Creed’ é focado apenas na ação, sem qualquer cutscene ou algo do tipo. No jogo, você vai calçar as luvas de Adonis Creed, enquanto se prepara para seu maior desafio na carreira: enfrentar o campeão mundial Ricky “Pretty” Conlan. No caminho até lá, vai encarar desde um adversário amador que não venceu uma luta sequer, um segurança de boate e um campeão com 38 vitórias no cartel, sendo 36 por nocaute. E vai ter como treinador o próprio Rocky Balboa, dublado por Stallone. O jogo está todo em inglês, sem suporte a outros idiomas ou legendas. Mas isso não será um problema para quem não souber o idioma.

VISUAL E IMERSÃO

‘Creed’ tem ótimos gráficos, mesmo que não seja possível compará-los aos triplo A da atual geração. Mas é um visual agradável, puxando mais para o realismo do que para o cartoon. As animações são bem feitas, assim como os efeitos sonoros e a trilha, encabeçada pelo clássico tema de ‘Rocky’. Tudo isso contribui para fazer o jogador se sentir na pele de Creed. E não é só isso: você controla um avatar de corpo inteiro. Ou seja, não é só um par de luvas flutuando no ar. Isso faz uma tremenda diferença, já que no jogo você É Adonis Creed. Além disso, o jogo reproduz de maneira fiel as mecânicas de uma luta de boxe real – até onde isso é possível.

CONTROLES

O jogo utiliza um par de Moves (não há suporte ao Dualshock 4). Os controles funcionam como as suas luvas, que você utilizará para dar jabs, diretos, cruzados e ganchos. Também é possível bloquear os ataques adversários ou esquivar deles, usando o tracking do headset. Os Moves também tem botões para girar para os lados, usando apenas o giro em graus. O jogo tem ainda uma mecânica para caminhar parecida com a de ‘Sprint Vector’: segure o botão Move e balance os braços para a frente. Para andar pra trás, coloque os braços atrás, segure os botões Moves e faça o movimento inverso. Bem intuitivo. Tem ainda um terceiro movimento para os lados, girando os Moves como se estivesse suingando. Tudo isso é bem explicado dentro do jogo, com vídeos que mostram um modelo executando os movimentos.

GAMEPLAY

É no gameplay que ‘Creed’ se sobressai. No Career Mode, você vai enfrentar sete adversários, em lutas que duram em torno de cinco minutos. Fazendo as contas friamente, pode parecer pouco, mas isso é um engano. Cada combate consome bastante energia e vai colocar você pra suar. Fazer uma pausa para descansar entre elas é altamente recomendado. Fora que o jogo tem três níveis de dificuldade e os adversários ficam mais duros e dão mais dano nas dificuldades mais altas.

Antes de cada luta, você passa por um treino que vai determinar seu nível de “stamina” para o combate. Níveis mais altos de stamina permitem que você dê mais socos antes de cansar. E é preciso ficar bem atento a isso: se você cansar, seus socos ficam mais fracos e mais lentos. O jogo tem outras mecânicas interessantes, como a esquiva: ao desviar de um golpe no momento certo, seu adversário fica em câmera lenta e você ganha um tempinho extra para contra-atacar. Ao ser golpeado em cheio, você fica tonto, e precisa ajustar os Moves para a posição do seu avatar. Por fim, ao ser derrubado, você literalmente sai do corpo e precisa correr em direção a ele antes que a contagem chegue a 10.

MULTIPLAYER

Completando o pacote, ‘Creed’ tem um modo multiplayer online. No PVP, você pode convidar os amigos para o combate ou entrar na sala pública para enfrentar jogadores do mundo todo. Nesse modo, são nove lutadores para escolher: os sete da campanha principal, além de Adonis Creed e Rocky Balboa, no auge da sua juventude. Os lutadores não são diferentes apenas no visual. Cada um tem algumas características ligeiramente distintas dos demais. Alguns têm mais força, enquanto outros têm melhor resistência. Outros têm todas as habilidades equilibradas.

Assista ao vídeo do modo PVP de ‘Creed’ que fizemos junto com o canal Moso PSVR:

VALOR DE REPLAY

Além do PVP e do Career Mode, ‘Creed’ também tem um Free Mode, em que você pode enfrentar qualquer adversário, na dificuldade que quiser e escolhendo o lutador que preferir. Também pode usar a academia para treinar livremente em um dos aparelhos, e comparar seus resultados com os amigos e o placar mundial. Importante destacar também que o jogo tem troféu de platina. E, em termos de enjoo de movimento, não vi nada no game que pudesse causar cinetose.


VALE A PENA?

Jogos baseados em filmes tendem a se tornar caça-níqueis, mas não é o caso de ‘Creed’. Lançado quase três anos depois do primeiro filme e a cerca de dois meses do lançamento do segundo, ‘Creed’ se vale apenas do nome da franquia para oferecer um gameplay consistente, que cumpre bem a tarefa de simular uma luta de boxe em realidade virtual. Suas mecânicas são inteligentes e transmitem, a sensação de estar num ringue real, até onde é possível. O Playstation VR ainda possui poucos jogos de luta no estilo “mano a mano”, mas será muito difícil um oponente superar ‘Creed’. Nota: 10/10 [Excelente].


INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Título: Creed: Rise to Glory
Gênero: Simulador de boxe
Estúdio: Survios
Preço: R$ 107,50 (PS Store BR) | R$ 57,99 (Steam)
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Data de lançamento: 25 de setembro de 2018
Controles suportados: Dois Moves
Idioma: inglês (áudio e interface)
Jogadores: 1 (off-line) | 2 (online)

[Este review foi feito no Playstation VR + PS4 Pro, com mídia digital gentilmente cedida pela Survios]

Update que melhora o visual de ‘Skyrim VR’ no Playstation VR já pode ser baixado

A Bethesda disponibilizou hoje o update 1.4 de ‘The Elder Scrolls: Skyrim VR’, trazendo algumas melhorias gráficas para o jogo, além de um novo menu principal, mais imersivo. Testei rapidamente antes de postar esta informação para vocês e pude perceber que o update não traz melhorias gráficas significativas, mas reduz bastante o serrilhado do jogo, o que já é muito bem vindo.

O patch tem pouco mais de 300 MB e também melhora o controle o arco e flecha, oferecendo opções mais realistas. ‘Skyrim VR’ foi o meu primeiro review aqui no blog. Se quiser saber mais sobre o jogo, clique aqui e confira a análise.

A seguir, as notas da atualização divulgadas pela equipe de desenvolvimento, com tradução simultânea do nosso amigo de sempre, Google Translate:

‘The Elder Scrolls V: Skyrim’ – Atualização do PSVR 1.4.40.0.8

  • Adicionada uma nova experiência no menu principal
  • Fidelidade visual aprimorada globalmente, especialmente no PS4 Pro
  • Aumentou o valor máximo para a altura do controle deslizante de deslocamento
    Várias correções de erros
  • Alterações ao usar controladores PS Move:
    Em movimento direto, mudou o botão X secundário para mover o jogador para trás.
    Adicionada uma nova opção, ativada por padrão, para “Mostrar as mãos quando embainhadas”
    A bainha / unsheath foi movida para manter o ‘O’ secundário.
    Ângulo ajustado para a segmentação por mágica ser mais confortável
    A natação existente foi transferida para uma nova opção para “Natação Realista”.
    Controles de estilo de movimento direto
    Opção adicionada para movimento direto relativo ao HMD em vez de movimento direto relativo do controlador
    Adicionada uma nova opção para “Mira realista do arco”, que usa os dois controladores PS Move para apontar
    Os jogadores agora podem apontar para marcadores e obter informações sobre eles no modo de mapa local

[Confira as notas do update, no original em inglês]

  • ‘The Elder Scrolls V: Skyrim’ – PSVR 1.4.40.0.8 UpdateAdded a new main menu experience
  • Globally improved visual fidelity, particularly on PS4 Pro
  • Increased the maximum value for the height offset slider
  • Various bugfixes
  • Changes when using PS Move controllers:
    In direct movement, changed the secondary X button to move the player backwards.
    Added a new option, enabled by default, to “Show Hands When Sheathed”
    Sheath/unsheath has been moved to hold secondary O.
    Adjusted angle for spell targeting to be more comfortable
    The existing swimming has been moved to a new option for “Realistic Swimming”. Swimming by default now uses Direct Movement style controls
    Added option for HMD-relative direct movement instead of controller-relative direct movement.
    Added a new option for “Realistic Bow Aiming” which uses both PS Move controllers to aim
    Players can now point at map markers and get information on them in local map mode

 

[review] Escolhas ruins estragam a diversão do RPG ‘Preta: Vendetta Rising’

Jogos em primeira pessoa temos aos montes nos atuais headsets de realidade virtual. Sem dúvida, esta perspectiva é perfeita para gerar a sensação de imersão que a RV proporciona. No entanto, alguns desenvolvedores estão mostrando que a perspectiva em terceira pessoa também rende resultados muito interessantes e imersivos também – ainda que em um universo em escala reduzida. É o caso de ‘Moss’, ‘Bloody Zombies’, ‘Theseus’ e agora ‘Preta: Vendetta Rising’.

[Use the Google Translate button to read the text on your language]

Desenvolvido pelo estúdio coreano Illion Interactive e distribuído pela YJM Games, ‘Preta’ é um RPG assumidamente inspirado em ‘Diablo’, ‘Dark Souls’ e ‘Monster Hunter’ e lançado originalmente para Oculus Rift e HTC Vive em julho de 2017. Podemos dizer, sem medo de errar, que ‘Preta: Vendetta Rising’ é o “único de sua espécie” no Playstation VR – afinal, são poucos os jogos em VR que podem se dar ao luxo de dizer que têm mais de 50 horas de duração. Isso, por si só, já é algo a comemorar. Mas algumas escolhas dos desenvolvedores tornaram o game cansativo, repetitivo e pouco recompensador. Vamos à análise, começando pelos pontos positivos.

Antes de mais nada, vamos à explicação sobre o nome ‘Preta’ – se você achou que tinha algo a ver com português, errou. Em sua página na Steam, os desenvolvedores explicam que “preta” é uma palavra em sânscrito (antiga língua falada na Índia, há milênios atrás), que significa “seres sobrenaturais que sofreram imensamente antes da morte e agora tornaram-se monstros devoradores de carne”. Na história, você escolhe entre três heróis para dizimar os pretas que estão ameaçando a paz do mundo de Akirion. São eles: o guerreiro Marcus, a assassina Alicia e a pequena maga Reina.

Como esperado, o game é jogado com o Dualshock 4. Nos botões de face, você tem um ataque básico para desferir combos e três magias/ataques especiais. O L2 é a defesa e no R2 fica a esquiva. Segurando o L1, você abre o menu de poções (na verdade, você começa apenas com um tipo de poção). Em cada quest, você pode levar até cinco poções de cada tipo (e elas se renovam sozinhas a cada nova missão).

O gameplay é bem divertido, se você gosta do estilo “hack and slash”. Não há barra de mana e cada magia/ataque especial tem o seu tempo de recuperação depois que você usa. Alguns inimigos (os maiores), quando estão com pouca vida, exibem um R1 em cima das suas cabeças, que permite você finalizá-los no melhor estilo ‘God of War’ e recuperar um pouco de vida. Conforme vai dizimando ‘pretas’, você enche uma barra de rage, que deixa seu personagem ainda mais poderoso por um curto período de tempo. Clicando no R3, você troca a câmera do jogo (são quatro disponíveis, incluindo uma visão em 1ª pessoa).

O jogo tem uma boa variedade de inimigos, que vão sendo introduzidos a cada fase nova. Os cenários são bem construídos, apesar de ficarem repetitivos com o tempo, mas ajudam bastante na imersão. As atuações e dublagens são convincentes. Quem joga RPG e está acostumado a procurar itens e baús escondidos por todo canto vai se decepcionar um pouco: não há nada a procurar pelo cenário, a não ser itens previstos em cada quest.

Falando das quests, elas são bem simples e rápidas – algumas duram em torno de 4 minutos. Antes de iniciar cada uma, você já sabe o que vai ganhar se cumprir o objetivo principal e quatro objetivos secundários. Os objetivos secundários envolvem coisas como não morrer mais que uma vez, usar menos do que cinco poções, ativar o modo rage menos de três vezes e por aí vai.

Você pega estas quests no acampamento, que funciona também como se fosse o menu do jogo. É lá que você irá distribuir os pontos de habilidade que ganhar, trocar suas armas e equipamentos, comprar itens ou adentrar no modo multiplayer do game. Sim, o jogo tem MP online para até 3 jogadores, mas é dedicado a jogadores com níveis mais elevados. Esse modo é chamado de “raid” (jornada) e o único desafio que encontrei foi etntar enfrentar, logo de cara, um monstro gigante com quatro vezes o meu nível. Ele me matava com apenas um golpe.

Assista ao vídeo-review de ‘Preta: Vendetta Rising’

JOGUE DE NOVO. DE NOVO. E DE NOVO!

E como é que você sobe de nível em ‘Preta: Vendetta Rising’? O game não tem XP (experiência). Em vez disso, tem CP (“combat points”), que você ganha equipando armas e peças de armadura. Aliás, não são peças de armadura propriamente ditas, já que a armadura funciona apenas como uma skin. São apetrechos como anéis, brincos, colares e cintos. Cada um desses itens tem um nível, que pode ser comum, incomum, raro, épico ou lendário. E um rank (1, 2 ou 3). Quanto maior o nível do equipamento ou arma, mais CP você ganha.

Em um RPG “normal”, você ganha armas e equipamentos conforme mata inimigos – ou encontra em baús, ou recebe após completar quests. Não estou dizendo que todos são assim, mas pelo menos uma boa parte é. Então, ‘Preta’ faz parte de uma exceção, em que você não terá seu esforço recompensado com uma arma ou equipamento de nível superior ao seu atual. Você vai ganhar uma receita (“recipe”) para levar até o ferreiro e forjar o equipamento. Moleza, não? Calma lá… Agora é que vem o duro golpe. Para forjar qualquer coisa (com exceção das poções), você precisará de (anote): seis diferentes materiais, em quantidades que variam de acordo com o nível do equipamento. Para completar, uma boa quantidade de ouro (porque o ferreiro não trabalha de graça, né?).

E é aí que mora o grande problema do jogo. Para conseguir estes itens, você precisará repetir as quests de novo e de novo, até ter tudo que precisa. Para forjar uma arma épica, por exemplo, eu precisei repetir uma missão oito vezes. Para forjar um equipamento lendário, foi necessário repetir quests 16 vezes – sendo que nem consegui as 33 mil moedas de ouro que o ferreiro mercenário pede de pagamento, porque as fontes para conseguir ouro são escassas. A quantidade de ouro que você ganha ao terminar uma quest é mínima.

Mas talvez você esteja pensando: “Mas não posso seguir o jogo normalmente e ir ganhando materiais conforme for passando de fase?”. É, este seria o ideal. Mas não é o que acontece. A cada quest nova, os inimigos sobem absurdamente de nível, deixando muito difícil você matar um inimigozinho sequer. Ou seja, o jogo te obriga a subir de nível de CP se quiser seguir adiante. E a única forma de fazer isso é repetindo as quests anteriores.

Daí que vem o grande questionamento: por que alguém iria conceber um jogo assim? E, ainda, achar que alguém, por livre e espontânea vontade, iria ficar repetindo as mesmas fases de novo e de novo pra conseguir uns míseros materiais? Tudo bem que “farming” faz parte de qualquer RPG. Mas ‘Preta: Vendetta Rising’ consegue tornar essa atividade extremamente repetitiva, pouco prazerosa e ainda menos recompensadora.

As maiores críticas em torno do game é que ele foi claramente concebido como um “pay to win” (ou seja, “pague para vencer”. Quando foi lançado, havia uma loja dentro do jogo em que você podia comprar vários tipos de materiais para forjar suas armas e equipamentos. Essa loja – não sei se vocês entenderam – usava dinheiro de verdade. E não era nada barato. Havia inclusive itens cosméticos que custavam cerca de dez dólares. Em agosto do ano passado, um update removeu esta loja, mas o problema ficou. A quantidade absurda de materiais de que você precisa para forjar qualquer coisa permanece a mesma, impedindo que você avance na história.

PRA FINALIZAR

Por algum motivo que eu desconheço, ‘Preta: Vendetta Rising’ só pode ser jogado se você estiver conectado à internet, mesmo que você esteja jogando sozinho, na campanha single player. E o jogo exige que você tenha assinatura da Playstation Plus.

Além disso, o game está todo em inglês, com legendas e áudio neste idioma. Não há opção para jogar em português. Ah, e não custa lembrar que atualmente há um bug que te obriga a colocar o idioma do seu console em inglês dos Estados Unidos, se não coisas estranhas vão acontecer.

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VEREDITO

Os desenvolvedores de ‘Preta: Vendetta Rising’ fizeram um excelente game, com bons gráficos, um gameplay bacana e uma proposta até agora única no Playstation VR. Mas conseguiram arruinar isso tudo com um sistema de evolução lento, que exige que você repita as mesmas fases várias e várias vezes. Você até se diverte bastante nas horas iniciais – e passei madrugadas inteiras jogando para ver até onde eu iria chegar. Mas me deparei com uma pergunta que ficou sem resposta: “Pra quê?”. Espero que um futuro update balanceie melhor as coisas – e, se vier, farei questão de atualizar este review. Nota: 6,5.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Jogo: ‘Preta: Vendetta Rising’
Estúdio: Illion Corp/YJM Games (http://illiongames.com)
Gênero: RPG em 3ª pessoa
Data de lançamento: 29 de março de 2018
Plataformas: Playstation VR (usada neste review), HTC Vive e Oculus Rift
Preço: 19,99 (PS Store EUA) | Indisponível na PS Store Brasil
Tamanho do download: 5,04 GB
Idioma: Inglês (áudio e legendas)
Controles suportados: Dualshock 4
Jogadores: 1 (online) | 2-3 (modo multiplayer online). Para jogar o game, é obrigatório ter conexão à internet e assinatura da PS Plus

[Este review foi feito com jogo digital cedido pela YJM Games]

Assista ao trailer de ‘Preta: Vendetta Rising’

Estúdio de ‘Seeking Dawn’ promete fazer revelação hoje

O estúdio chinês Multiverse, que está produzindo o game ‘Seeking Dawn’, promete trazer hoje uma revelação importante sobre o título, que foi mostrado na E3 2017. Um dos jogos de realidade virtual mais ambiciosos atualmente em desenvolvimento, ‘Seeking Dawn’ é um shooter futurista com elementos de sobrevivência, RPG e pitadas de ‘Destiny’ e ‘Mass Effect’.

[Use the Google Translate button, on the right side (on PCs) or below the text (on smartphones and tablets)]

Em contato com o blog, o carioca Junior Ferreira, que trabalha como gerente de mídia digital da Multiverse, informou com exclusividade que o game terá legendas em português do Brasil e, possivelmente, áudio também.

“Faremos localização ao Brasil porque tivemos muitos visitantes no nosso estande na E3. A partir daí, eu ajudei a convencer a equipe para que os jogadores do meu país pudessem entrar na ação”, conta Junior. “A localização seria com legendas, com certeza. Mas como sou do Brasil, planejo pressionar por áudio também porque eu adoraria que houvesse mais jogos com áudio em português! Eu também vou ser voluntário para fazer algum trabalho de áudio enquanto procuramos por atores de voz brasileiros”, completa o gerente.

A versão para Playstation VR (PSVR) do jogo ainda não foi confirmada. Será que esta confirmação virá hoje, finalmente? A empresa fará o anúncio das novidades do jogo neste sábado, 20, a partir das 19 horas no horário de Brasília (1:00 PM PST), em sua página no Facebook.

No anúncio, o CEO da Multiverse estará falando ao vivo com todos, em vídeo, sobre as melhorias do jogo desde que ‘Seeking Dawn’ foi visto pela última vez, na E3 2017. Além disso, o estúdio irá discutir novos e aprimorados recursos no jogo e será exibido um novo trailer de jogabilidade. Por fim, o estúdio promete uma “surpresa especial para todos” no final do vídeo.

Algumas características do jogo:
– O combate FPS inclui elementos de sobrevivência e um RPG baseado em história em VR.
– Solo e co-op (jogabilidade com uma campanha completa e rica em histórias).
– Construa uma base automatizada e dinâmica e instale as defesas para manter sua equipe segura.
– Extenso desenvolvimento de personagem, com árvores de habilidades intrincadas.
– Sistema de fabricação (crafting) profundo, com mais de 50 ferramentas para combate e sobrevivência.
– Explore com todo o movimento, incluindo escalada e natação.

Assista ao trailer de ‘Seeking Dawn’

Skyrim VR – Um review honesto

‘The Elder Scrolls: Skyrim VR’ foi lançado no último dia 17 de novembro e muita gente está querendo saber se vale a pena investir US$ 60,00 (cerca de R$ 200,00) no jogo. Em poucas palavras, e para ir direto no ponto, digo que vale. Sim, vale cada centavo. Mas é preciso levar em conta alguns pontos, que tentarei abordar a seguir, deixando claro que eu nunca havia jogado ‘Skyrim’ antes e escrevo justamente para pessoas como eu.

Em primeiro lugar, vamos falar do visual. ‘Skyrim’ é um jogo de 2011, lançado para o PS3, e que foi portado para o PSVR sem atualizações gráficas relevantes. Portanto, você deve ter em mente que o game possui gráficos de seis anos atrás, excelentes para a época, mas que não se comparam a um ‘Resident Evil 7’, por exemplo. No entanto, se os gráficos podem decepcionar de início, o que realmente vai importar em um jogo VR é a imersão – e isso ‘Skyrim VR’ tem de sobra.

É então que temos que analisar o segundo ponto essencial sobre o jogo. ‘Skyrim VR’ é um RPG, o gênero de games mais complexo que existe. E isso pode ser ruim por um lado, mas incrivelmente fascinante por outro. É ruim porque tem tanta coisa pra você aprender, tantas técnicas a dominar, tantas armas para adquirir! E fascinante pelos mesmos motivos. Não existe, até o momento, experiência de realidade virtual mais completa do que jogar ‘Skyrim’. E não estou falando apenas do PSVR – mas de todas as plataformas de VR existentes. Até o momento, as produtoras de games têm nos oferecido experiências mais ou menos curtas para o PSVR – algumas, extremamente curtas e até irrelevantes. Várias delas podem ser bem divertidas – mas sempre terão uma limitação aqui ou ali, seja de conteúdo, seja de mecânicas e gameplay.

‘Skyrim VR’ vem na linha oposta e oferece possibilidades quase infinitas. Só o jogo principal tem mais de 100 horas de duração e a versão VR acompanha todas as DLCs lançadas até hoje, o que soma outras 100 horas de jogo. Fora que existe uma variedade grande de estilos de combate – você pode preferir jogar apenas como um guerreiro, ou usar uma espada e magia, ou apenas magia, ou mesmo um arco e flecha…

MENUS TERRÍVEIS

Creio que o ponto negativo do game sejam os menus. Navegar entre eles com os moves não é nada fácil, leva um tempo para se acostumar. Você percebe claramente que eles não foram adaptados para a linguagem da RV. Outra crítica vai para o áudio. Ao contrário do que faz parecer a propaganda do game (aquela onde o dragão invade a sala do jogador), o jogo não tem áudio 3D.

Sobre os controles, usar os moves é bastante simples e intuitivo. Funciona muito bem, sem precisar do (malfadado) teleporte. Basta pressionar o “move button” da mão esquerda e direcionar para onde você quer ir. No entanto, encontrei dificuldade para usar o arco e flecha. Parece ser uma arma mais difícil de dominar.

Ainda estou bem no início da minha jornada no mundo do game. Mas já deu para perceber que o jogo vai proporcionar muitas horas de diversão. Muita coisa para descobrir e muitos calabouços a lootear! Vejo vocês em Skyrim!